02-Hálito Mental

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre Capítulo 02-Cartão de Visita)
Reunião pública de 08-01-1960

Estudo do LM, Questão no. 7

 Cérebro01Não há como estudar a mediunidade sem analisarmos a dinâmica do pensamento.

 Verdadeira fonte de energia irradiante, nosso cérebro projeta o pensamento adiante de nossa presença corpórea, iluminando com as matizes do nosso mundo interior os caminhos e as pessoas das quais nos aproximamos.

Nesse capítulo, Emmanuel nos convida a percebermos o cérebro como uma vela.

Se na vela temos a chama, no cérebro temos idéias.

Ambos iluminam o derredor em sua peculiaridade, guardando intensidade e clareza
segundo  nossa proximidade.

Ambos são moralmente neutros, nos conduzindo ao bem ou ao mal de acordo com nossas escolhas. O caridoso e o meliante podem igualmente fazer uso destes para seus propósitos.

Nessa visão, percebemos que a força do pensamento
obedece nossa vontade segundo o patamar de consciência
no qual hoje nos encontramos.

Em qual patamar eu me situo ?
Basta que eu observe os quadros acalentados pela minha vida íntima.

***

  A mediunidade, assim como nossas relações afetivas e sociais, responde ao poder magnético de nosso pensamento.

Logo, para compreendê-la, devemos observar com atenção a seqüência de impulsos que transportam nossos desejos até a indução do grupo social.

O desejo torna-se sentimento, que se torna pensamento, que se torna realização, que gera atração, que espraia nossa influência indutora sobre aqueles que vibram na mesma sintonia onde estagiamos.

Nessa visão, o pensamento evidencia o hálito dos nossos desejos, verdadeiro “cartão de visita” para nosso mundo.

É pelo pensamento que mostramos o quanto nossos desejos se situam na harmonia ou na perturbação, na luz ou na treva, na união ou na desunião, enfermiço ou saudável.


Nas palavras de Emmanuel, podemos por ele perceber se somos hoje
a luz dos construtores do bem ou a sombra dos carregadores do mal”.

==&==

Leitura da Questão: Livro dos Médiuns (LM)
Noções preliminares
CAPÍTULO II
DO MARAVILHOSO E DO SOBRENATURAL

(Questão 7) 7. Se a crença nos Espíritos e nas suas manifestações representasse uma concepção singular, fosse produto de um sistema, poderia, com visos de razão, merecer a suspeita de ilusória. Digam-nos, porém, por que com ela deparamos tão vivaz entre todos os povos, antigos e modernos, e nos livros santos de todas as religiões conhecidas? E, respondem os críticos, porque, desde todos os tempos, o homem teve o gosto do maravilhoso. – Mas, que entendeis por maravilhoso? – O que é sobrenatural. – Que entendeis por sobrenatural? – O que é contrário às leis da Natureza. – Conheceis, porventura, tão bem essas leis, que possais marcar limite ao poder de Deus? Pois bem! Provai então que a existência dos Espíritos e suas manifestações são contrárias às leis da Natureza; que não é, nem pode ser uma destas leis. Acompanhai a Doutrina Espírita e vede se todos os elos, ligados uniformemente à  cadeia, não apresentam todos os caracteres de uma lei admirável, que resolve tudo o que as filosofias até agora não puderam resolver.

O pensamento é um dos atributos do Espírito; a possibilidade, que eles têm, de atuar sobre a matéria, de nos impressionar os sentidos e, por conseguinte, de nos transmitir seus pensamentos, resulta, se assim nos podemos exprimir, da constituição fisiológica que lhes é própria. Logo, nada há de sobrenatural neste fato, nem de maravilhoso. Tornar um homem a viver depois de morto e bem morto, reunirem-se seus membros dispersos para lhe formarem de novo o corpo, sim, seria maravilhoso, sobrenatural, fantástico. Haveria aí uma verdadeira derrogação da lei, o que somente por um milagre poderia Deus praticar. Coisa alguma, porém, de semelhante há na Doutrina Espírita.

*** Curiosidades ***

- No texto original, Emmanuel cita  que “a vela acesa arroja de si fotônios”.  Os fótons ou fotônios se popularizaram em 1905 com a teoria de Einstein. Em 1960, a espiritualidade já usava o conceito para explanações coloquiais.

- Emmanuel cria nesse texto uma escala entre o espírito e sua ação no plano físico. O texto nos dá a entender que o desejo é o elemento mais próximo da inteligência espiritual. Ele afirma: “Desejando, sentes. Sentindo, pensas.”.
Num primeiro momento, julguei que o desejo gerava “sensações”, mas aprendi que a sensação é a percepção do corpo daquilo que está no ambiente externo, enquanto que o sentimento é a percepção do espírito.
O desejo gera sentimentos. Para cada sentimento, construímos um conjunto de pensamentos (o terceiro na escala). Em seguida temos a realização, a atração e o reflexo (o qual chamei de influência indutora no texto acima).
Esta escala é digna de grandes meditações. 

-O texto é coerente com o Budismo no momento em que Buda afirma que é no desejo o início de todo nosso sofrimento. 
Interessante ainda é a percepção de que muito do que pensamos são meras justificativas das sensações e sentimentos que nasceram por força de nossos desejos. Se o desejo muda, a sensação e o sentimento perdem a força e aquele pensamento se perde, sendo nossa atenção desviada para outras coisas.

-Outra percepção interessante é que Emmanuel situa na realização o início do efeito de atração, que refletirá e irá induzir o grupo e os elementos afinados com nossa sintonia. Apesar desta proposta  ser de 1961, estas idéias se popularizaram apenas em 2006 oriundas de outra fonte. A chamada “Lei de Atração” ficou conhecida à partir do documentário “The Secret” (no Brasil, “O Segredo“), que acabou gerando o best-seller com o mesmo nome e que disserta sobre como funciona este antigo princípio.

-Ou seja, meditando nas palavras de Emmanuel, entendemos que sem a realização não há atração, por mais que venhamos a pensar positivo !!!   

12 respostas para 02-Hálito Mental

  1. Shirley disse:

    Acabo de postar no meu blog algo que tem a ver com esta discussão. Convido vocês a lerem e, se desejarem, comentarem tb. Bjs a todos. http://devoltapracasa.wordpress.com/2011/01/04/a-felicidade-e-uma-escolha-mental/

  2. JUCIEMA DE SÁ RORIZ disse:

    Amigos, que bom poder compartilhar de assunto tão interessante quanto este: da importância do pensamento. A citação de Claudie acima é derivada de um pensamento de Descartes, que nos revela que os pensamentos geram atitudes; que as atitudes determinam as ações; que as ações se constituem hábitos; e que, finalmente, os hábitos formam o nosso caráter. Então, tudo começa no pensamento!. Joanna de Angelis nos dá a mesma mensagem de maneira diferente quando diz que a nossa maneira de pensar, sentir e agir é o que constitui o nosso Padrão Atitudinal. Fiquei pensando que está aí o significado do hálito mental, pois é pelo padrão atitudinal que exudamos de nós o perfume ou um cheiro ruim de nossas ideias e intenções. A nossa maneira de pensar e a importância que damos às coisas, aos fatos da vida e às pessoas têm cheiro próprio, o cheiro das vibrações que nos caracteriza. E é por este hálito mental que somos identificados pelos nossos semelhantes, antes mesmo de abrirmos a boca ou de agirmos; somos, por este halo íntimo e pessoal, identificados como iguais, como parceiros, ou como adversários de ideias e ideais – tanto pelos Espíritos desencarnados como pelas pessoas que nos cercam.
    Fiquei feliz em ler pessoas tão interessadas em assunto de tal importante, e grata pela oportunidade de contribuir.
    Abraço a todos
    Juciema de Sá Roriz

    • inacioqueiroz disse:

      Muito bacana suas observações, Juciema ! Não conhecia esta visão de “Padrão Atitudinal” da Joanna de Angelis. Ainda não me sinto bem estruturado para desbravar a série psicológica dela. Mas é verdade, somos identificados antes mesmo de abrir a boca. Quem também comenta isso de forma muito interessante é a psicóloga Robin Norwood, autora do livro “Mulheres que Amam Demais”, o livro base do MADA. Lá ela demonstra como somos perceptivos ao mundo interior dos outros, percepções até mesmo inconscientes, ao ponto de certas pessoas alegarem que “Dou azar, só me envolvo com gente complicada !” (a síndrome do “Dedo Podre”, conhece ?). Na verdade, o livro mostra que percebemos inconscientemente a complicação interior da pessoa e, como estamos em sintonia com aquele tipo de desajuste, nos envolvemos com a pessoa. Quando a complicação torna-se aparente, alegamos que demos azar, que nada sabíamos. Obrigado por seus comentários e feliz 2011. Inacio

      • Shirley disse:

        Sobre o hálito mental, leram o livro Libertação, de André Luiz? Lá há um capítulo bem forte em que estão todos no umbral num “julgamento” dos desencarnados. E os “juízes” separam e classificam os grupos pela sua aura, ou seja, pelo “cheiro” como disse a colega Juciema, que exsudam. Sim, se pudessemos ver, teríamos a visão da “nuvem” em cores que circulam nosso campo e que fala muito de nós e do que sentimos/pensamos. Sim, Inácio, essa coisa do dedo podre, a gente percebe sim, e se estiver atento, terá o aviso do mais alto pra correr. O problema é que, em geral, não ligamos muito para os bons alertas que recebemos. Então, amiguinhos, o lance é: pense bem, pense direito, e assim só vai atrair boas pessoas e coisas e situações. bjs

  3. Marta Valéria disse:

    Oi queridos, que conversa “cabeça”.
    Eu realmente preciso me aprofundar e refletir. Este assunto me deixa meio doida, se é que existe alguém “meio” doida… rsrsrs . Eu me sinto em Matrix e/ou no filme A Origem, sem saber o que é e o que não é. Minha mente acompanha o raciocínio, mas o meu sentimento ainda não. Estava lendo “O Sistema” de Pietro Ubaldi e tive que dar uma “paradinha” para refletir sobre, porque esse mundo das criações e do mental é gigantesco, curioso, construtivo e também destrutivo. Me confunde, mas também me fascina.
    Só para aguçar a curiosidade, dizem os especialistas do ocultismo, que as grandes magias, macumbas e etc, são realizadas no plano do pensamento.
    E aí cara-pálida agente vê o quanto perdemos tempo sem cuidar “do que pensamos”. Será que somos o que pensamos ? Só sei que a famosa higiene mental é muito difícil. Você muda de corpo mas não consegue mudar uma pensamento vicioso, “eita noís”.
    Bem vou deixar vocês com um grande abraço. Shi estou aguardando a sua história …rsrsrs. Beijocas da Martoca

  4. Shirley disse:

    Olha, esse post dá 10 outros. Temos que ampliá-lo e este tema me interessa muito especialmente. A gente devia ter uma disciplina na escola: como aprender a pensar. Aposto que lá no plano astral tem! :-) Vou colocar aqui alguns pensamentos e dúvidas. Esta frase é perfeita: “Desejando, sentes. Sentindo, pensas.”. E pensando podes realizar (ou não) e o sistema é retroalimentado e continua se ampliando ao infinito. Mas Emmanuel diz que a realização gera a atração? Será mesmo? O ato de pensar (anterior ao realizar) já não gera atração? Gera sim. Se não fosse assim, o pensamento não seria fonte de responsabilidades nossas. Explico. Se eu penso em matar alguém mesmo que não mate, já estou emitindo uma onda mental que gera efeito atrativo de outros semelhantes na vibração da vingança, não é assim? Bem isso é tudo que tenho lido nestes anos de estudos. Que vc acha?
    Se formos estudar os corpos, mental, físico, astral… vemos que o corpo mental tem domininio sobre o fisico mas não sobre o astral (emoções). Daí um pensamento bom não mata um sentimento ruim. Ex: vou ficar bem hoje (uma frase pensada no nível puramente racional). Não adianta. Vc tem que “sentir” o estar bem e pra isso pode (e deve) usar o pensamento, pq é afinal o veículo de nossa mente. Por isso que esses livros de Lei de Atração tem gente que diz que é balela, pq a pessoa tá atuando só no mental pra mudar a realidade, mas pra mudar tem que sentir. Não adianta eu querer ser rico e ficar 10h por dia repetindo: “sou rico!”, “sou rico!” se no fundo de tuas crenças vc continua se achando não merecedor da abundância da vida e se sentindo pobre. Agora, ao contrário, tenta imaginar uma cena e veja o sentimento que traz. Se vc está triste, tanta “ver” uma situação muito feliz. Vai melhorar o sentimento de tristeza. Vc muda a chave e transforma a energia. Dificil é criar a cena boa na mente pq nossa mente é o tal macaquinho indisciplinado que faz o que quer e estamos muito acostumados com as idéias negativas. Pra isso, praticar meditação e controle mental. Ou seja, auto-disciplina mental. Escrevi muito e tem muito mais pra comentar, mas pra começar tá bom…rs

    • inacioqueiroz disse:

      Sobre a ligação entre pensar – realizar – atrair, para mim também foi uma surpresa. E eu só percebi após começar estas meditações. Eu creio que lá no desejo a gente já inicia a atração, mas ela estabelece o ponto máximo na realização. Isso porque a gente pode ter 2 desejos diferentes que colidem quando chegam no pensar e impedem o realizar. Tipo: desejo matar alguém. Mas desejo ser uma pessoa boa. Quando chega no pensamento, a realização ou não do ato é quem determina quais desses dois desejos são realmente fortes e qual o tipo de atração irei estabelecer. Por isso que ele colocou na realização o ponto forte da atração, mas a atração mesmo está desde o desejo.
      Já sobre a atuação do pensamento sobre um sentimento, eu acho que a escala funciona tanto do Desejo para Realização quanto no inverso. Só que no inverso, o efeito parece mais lento, menos visível. Um exemplo (que eu gosto): já ouviu falar da “força do fraco” ? É um ideograma do I Ching. Na relação Forte – fraco, a gente sempre pensa que o Forte comanda e o fraco obedece. Mas o I Ching mostra que, usando a fragilidade, o fraco determina muitas das ações do Forte e muitas vezes ele comanda. Vemos isso na esposa que comanda a casa apenas pedindo e choramingando. Dessa forma, a realização pode alterar aos poucos um mau pensamento, o pensamento pode reorientar um mau sentimento / sensação e um sentimento pode recondicionar um desejo. Do mesmo jeito que o aluno ignorante ensina ao inteligente a virtude da paciência e da boa vontade, quando a todos parece que ele só tem a aprender. Basta haver o contato para que ambos se transformem. Ficou confuso ??? rsrsrsrs …

      • Shirley disse:

        ahhahah ficou. acho q preciso meditar mais…rs esse exemplo da esposa, não acho que tem a ver com efeito da realização sobre o pensamento não. Isso tem nome: chantageeeeem emocionallll! rs Socorro! Vitimização. Se a gente analisar a gênese mental mesmo, vai ver que o que esses livros de atração ensinam (ou nem ensinam) é isso. Se “veja” na situação que quer (pensamento), sinta (sentimento) e aí atrai (acontece). E aí tem a ver com o que emanuel diz. Ora, se não existe diferença entre o real e o imaginado, pra efeito de pensamento, posso criar a realidade mental que eu quiser, correto? E fazendo isso ela acabará se materializando no mundo físico. Isso é muito fascinante, não? Por isso que posso viver num palácio mas se meu mundo mental for de trevas, estarei só com o corpo no palácio mas viverei noutro lugar… Ainda vou criar uma história sobre isso, me aguarde…rs É muito incrível.

      • inacioqueiroz disse:

        Rsrsrs … Mais simples: a Terra prende o movimento da Lua. Mas qual o efeito da Lua sobre a Terra? Os pais criam um filho. Mas qual o efeito do filho sobre os pais? A vítima é agredida. Mas qual o efeito da vítima sobre o agressor? Tudo que está ligado sofre efeitos mutuamente, mesmo quando parece que o efeito é unilateral. Este efeito é passível de ser trabalhado para a evolução seja de um polo ou do outro. Bjs …

  5. Claudie (Bugu) disse:

    Aí vai uma contribuição que tem a ver com o conteúdo do tema hálito mental: “O que plantamos em nossos pensamentos colhemos em nossas ações; o que plantamos com nossas ações colhemos em hábitos; o que plantamos em hábitos colhemos em caráter; o que plantamos em caráter colhemos em destino.” Um bjo.

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