Palestra 7- Sociedade Espírita Fraternidade

PALESTRA 7
DIA 26/Ago – Clube Português em Niterói

Como sempre, Divaldo participa dos festejos de aniversário da Sociedade Espírita Fraternidade (SEF) em Niterói, este ano completando 33 anos, sociedade cujo diretor é o nosso querido Prof. Raul Teixeira.

Salão lotado, com muito amigos, muitos conhecidos e muita gente assistindo em pé.

Salpetriere_Mazarin_EntranceEra primavera em Paris.
Em 1793, pouco após o início da Revolução Francesa, um médico psiquiatra adentra o Hospital de la Salpêtrìere para um ato histórico.
Ele avança para os fundos do hospital, junto com outro homem, onde 53 doentes, considerados psicopatas perigosos, estão trancafiados como em verdadeiro presídio.

Apenas recebem comida por uma abertura na base da porta. Enquanto a comida desaparecer, sabem que ainda estão vivos. Nenhuma outra atenção é dada.

O Doutor Philippe Pinel determina a abertura do cadeado base e a consequente abertura de todas as celas.
– Não farei isso, Doutor. – disse o enfermeiro. – Eles nos matarão e eu tenho família.
– Dê-me a chave, então! Eu tenho autorização do Conselho Revolucionário.
– Não Doutor. Eles irão nos matar. O que o senhor fará com eles soltos?
– Eu irei tratá-los, como faz um médico. Dê-me a chave!
– Não, eu não posso. Eles irão matá-lo e nos matar.
– Então morrerei como médico. E disse para o outro homem, um serralheiro: – Corte este cadeado, por favor!

O serralheiro também recusou-se. Sabia que estava ali para cortar um cadeado, mas não sabia que sua vida talvez ficasse em risco.
Então o Dr. Pinel apanha a serra e começa a cortar o cadeado com as próprias mãos.
Percebendo que estava em apuros, o enfermeiro cede-lhe as chaves e o Dr. Pinel faz a corrente que trava todas as portas correrem de uma só vez.

Todos estão livres.

Um grupo de seres maltrapilhos, magros e sujos saem das celas.
Um deles caminha até a clarabóia e se dependura nas grades que prendem o vidro.
Não há como fugir. Ele limpa o vidro e se encanta com a luz do sol.
– O sol! Quantos anos não o vejo. Que lindo!
Em lágrimas, este doente se abraça com as pernas do Dr. Pinel.
– Obrigado Doutor! Quanto tempo espero! Obrigado!
Este não era doente. Era um preso político
.

300px-Philippe_Pinel_à_la_Salpêtrière– Ninguém mais ficará preso.
– afirma Dr. Pinel.

De hoje em diante, nós os trataremos.
E aqueles que não puderem ser tratados, nós os amaremos.

A onda da liberdade correu a Itália, nos chamados Pântanos Vaticanos, onde muitos doentes foram libertados. Seguiu para Londres onde outros foram libertados da Torre de Londres. E repercutiu em outros pontos da Europa.

Ao longo da história, a esquizofrenia sempre foi vista como castigo dos Deuses.
Aristóteles, porém, afirmava que Sócrates e Platão apresentavam uma estranha melancolia antes de cada surto de inspiração.

Apesar de terem iniciado a libertação dos doentes no fim do século XVI, apenas 90 anos depois deu-se a libertação com bases científicas, quando os cientistas passaram a perguntar: “Será que existe transtorno Psi sem haver transtorno orgânico?”

Este questionamento deu motivos a Freud para buscar entender a chamada Histeria.
Séculos antes, um anátomo-fisiologista desenvolveu novo método tendo por base o mesmerismo, as técnicas de magnetização desenvolvidas por Mésmer.

HipnosDisso resultou o Hipnotismo, o qual foi usado para provar que pode haver paralisação nas funções cerebrais sem que haja transtorno orgânico. Paul Brocat havia determinado que a 3a. circunvolução do cérebro era a área do cérebro responsável pela fala. Ficou conhecida como a Área de Brocat. E percebeu-se que a hipnose conseguia paralisar a atividade dessa área, criando uma mudez induzida.

Em 1880, Charcot determinou que, abaixo da consciência, há uma área de memória emocional. O teste com histéricos demonstra que há o chamados “estados alterados de consciência”, onde memórias não conscientes do indivíduo emergem e espantam a todos os presentes.

Ocorriam nas chamadas Sessões de 3a. Feira de la Salpêtrìere, reuniões tão fascinantes, com público tão exclusivo e distinto que alguns doutores imprimiam em seus cartões de visita que eram frequentadores convidados destas sessões.

Notável era uma paciente chamada Alcina. Em transe, várias personalidades se apresentavam por ela. Apesar da paciente ser analfabeta, uma voz masculina debatia em grego com os médicos e escrevia no quadro um pensamento filosófico.

Todos ficavam aturdidos. A histeria poderia levar o paciente a lembrar uma língua que não sabia e a escrever mesmo sendo analfabeto? Como explicar? Os médicos fogem da questão alegando que se preocupam com os aspectos médicos e não com os filosóficos.

Richet

Richet

Em 1885, Richet prova que a consciência tem uma região “sobreconsciente”. Freud já tinha postulado sobre o inconsciente.
Jung definiu o inconsciente individual, os arquétipos e o inconsciente coletivo.

Uma paciente de Freud, a Sra. Anna O, tratada por seu amigo Joseph Breuer, encontrava-se com paralisia no braço. Após inúmeras sessões, percebeu-se que não havia progresso.O Dr. Breuer confidenciou com a paciente:

– Preciso ser honesto com a senhora: não estamos tendo avanço, mesmo após inúmeras sessões. Talvez seja melhor pararmos e a senhora aplicar seu dinheiro em algo melhor. Melhor que a senhora não volte mais. Eu não sei o que a senhora tem.
A paciente responde:
– Já que o senhor teve a coragem dessa honestidade, eu preciso te contar um segredo também. Algo que nunca contei a ninguém. Eu sempre tive um amor muito grande pelo meu pai. Não um amor de filha. Era mais que isso. Mas sempre me senti segura com ele, sabendo que ele não me via diferente. Um dia, ele me abraçou diferente. Eu o empurrei, mesmo querendo aquilo. Ele tentou me pegar com força e eu bati no rosto dele. Foi meu segundo drama. O primeiro, eu queria aquele abraço, mas não podia. O segundo, o pecado de bater no rosto de meu pai.

Após esta sessão, a paciente começou a acusar melhoras na paralisia e dormências do braço. Este tratamento deu base para a Psicologia formular os chamados Complexo de Édipo, o amor do filho pela mãe; e o Complexo de Electra, o amor da filha pelo pai.

PsicologiaSurgem a Psicanálise e a Psicologia Profunda.
O conhecimento humano avança em diversas áreas.

O coração humano, que antes era reconhecido como órgão da razão, é finalmente reconhecido como um órgão que apenas reage a vasoconstrição criada pela sensação da paixão.

O amor não está mais no coração, apesar da sensação.

Nas causa da esquizofrenia, temos:
1- Fatores internos. Diz a genética que 1 pai esquizofrênico dá 30% de possibilidade de haver 1 filho esquizofrênico. Com 2 pais, acima de 60% de possibilidade.

2-Fatores externos. Ansiedade, solidão, isolamento.

Num mundo cercado pela tecnologia, estamos cada vez mais solitários e ansiosos.
E Divaldo observa que se temos hoje: IPod, IPad, IPhone, os baianos a muito já possuem o IPim (aipim). Sem pensar em Pernambuco que, bem antes do McDonalds, já se tinha a McAxeira (macaxeira).

Vivemos com medo: estupro, doenças contagiosas, doenças malignas, bulling, a morte e, até mesmo o medo de amar.

Divaldo não concebia como alguém poderia ter medo de amar quando ele mesmo ama a tudo, a vida, as pessoas, os lugares, o dia.
Um dia, atendendo alguém que o procurava, ele perguntou como vai o amor.
A pessoa respondeu:
– Eu, amar? Para depois ser jogada no lixo?
– Mas há pessoas gentis! – replica Divaldo.
– Não achei.
– E na infância? Você não amou seus pais?
– Como? Um pai alcoólico e uma mãe que não se importava comigo?

CoraçãoAí estavam as raízes do medo de amar dessa pessoa. Trabalhemos o perdão para nos libertar dessas situações.

– Perdoe seu pai! – diz Divaldo. A alcoofilia é terrível, um tormento para quem a vive. Ele não era assim porque queria, mas porque estava adoecido.

Divaldo nos conta que uma senhora se aproxima de Chico Xavier e pergunta:
– Quantas vezes devo perdoar mesmo, Chico?
– São 70 x 7, minha irmã.
– Isso dá 490 vezes, certo? Como eu já perdoei o alcoolismo do meu marido mais de 2500 vezes nesses 25 anos de convivência, e
u então agora posso me separar em paz.

Emmanuel aparece e pede que diga para a senhora:
– Não, minha irmã! São 70 x 7 EM CADA ERRO !

Tempos depois, a mesma senhora está na fila, vestida de luto:
– Chico, meu marido morreu!
– Não precisou separar, então. Que bom, minha irmã.
– Bom não, Chico. Estou cheia de saudades dele. Como ele está?
– Minha irmã, depois de 25 anos bebendo, ele deve estar bêbado ainda.

Em nosso medo de amar, o corpo nos avisa que está sofrendo através do nosso comportamento doentio. Logo, há doentes e não doenças.

No superconsciente, vamos encontrar a área divina.
E os espíritos reafirmam que este não é o mundo real, mas uma cópia imperfeita dele.
Daí surge a ideia de Erraticidade Superior e Erraticidade Inferior.

A morte a ninguém modifica.
Os obsessores, descritos em suas diversas progressões no Cap. XXIII do Livro dos Médiuns, a saber, Obsessão Simples, Fascinação e Subjugação, foram pessoas com grandes dificuldades enquanto viveram na carne.
Assim, cuidemos de nós enquanto é tempo.

JesusDevemos fazer o bem que estiver ao nosso alcance.
Devemos disputar o privilégio de amar sem retribuição.
Como nos diz Confúcio: fazei o bem, mas não espere a retribuição.

Nunca houve tanto bem sobre a Terra.
A imprensa busca noticiar mais o crime porque lucra com a esquizofrenia das pessoas.
Precisamos reverter a ordem de valores, retornando ao Sermão da Montanha.
Precisamos valorizar a humildade, a simplicidade, confortar os que sofrem e choram, construindo os valores do Cristo em nós.

E Divaldo encerra a palestra recitando o poema “Eu queria ser” de Amélia Rodrigues.
Muitas passagens não pude contar para não virar um texto imenso.
Foi mais uma noite de muito aprendizado e emoção.
Obrigado, Divaldo Franco!
Obrigado!

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