Palestra G.E. André Luiz dia 27/8

IMG_20150827_171947024

A fila no André Luiz começa cedo.
Apesar da palestra ser às 19:30, não chegar na fila antes das 16h significa não ficar no salão principal e assistir pelo sistema de video em alguma sala extra do Grupo Espírita André Luiz.

Um lindo coral com muitas músicas da Evangelização e músicas espíritas nos deliciam, enquanto esperamos começar. E tem integrantes do coral em todas as salas!

Após as apresentações habituais, Divaldo recebe a palavra.

Divaldo lembra a importância de divulgar a Doutrina Espírita.

Jesus ainda é muito desconhecido” – diz ele. “Precisamos nos cristianizar!

Há muito, nós nos “catolizamos“.
Roma fez de Jesus mais 1 deus, com cerimônias, cultos e poderes.

Já a Doutrina Espírita nos devolveu Jesus em sua simplicidade.
Conforme nos diz o pensador Nietzsche: Tudo que tocamos, corrompemos!

A seara é do Mestre Jesus.
E somos todos os trabalhadores da última hora.

Em 1969, Divaldo fazia uma grande viagem por toda América Latina, desde o Peru até o México. Lembra que em Porto Rico encontrou muito africanismo.

Faz parte de nossa missão firmar o Espiritismo tal qual Bezerra de Menezes o definiu.

Em certo momento da viagem, Divaldo lembrou de um antigo sonho de ir até os EUA.
O problema é que não tinha nada agendado por lá.

Ainda assim, decidiu ir.
Ouvira dizer que a iluminação da Times Square era magnifica, quer era a praça mais iluminada do mundo, e queria ver isso pessoalmente.

Curiosamente, ficou num hotel situado na Praça Leland Stanford, pessoa a quem Divaldo dedica especial carinho e que frequentemente conta sua história em palestras.

Chegou na Times Square às 20h. ILUMINADINHA !!!
— “Igual à Feira de Santana!” – disse Divaldo.

E Divaldo ficou na praça, apreciando enquanto as pessoas transitavam para a vida noturna.
A moda da época eram as “calças pata de elefante” para os homens.
Tinham pernas com bocas tão grandes que pareciam saias.

Um grande intelectual e amigo de Divaldo, o Prof. Torres Pastorino, versado em 12 línguas (à saber, 8 línguas “vivas”, mais 2 línguas “mortas”, mais 2 línguas extintas) aproveitou que Divaldo estaria nos EUA e solicitou que ele entregasse 1 manto amarelo a um amigo.

Divaldo aceitou a missão.
Pegou um táxi, deu o endereço e o táxi não achou o lugar.

Ele estava distante e precisaria pegar o metrô para chegar no lugar certo.
Decidiu, então, enviar pelo Correio no dia seguinte.

Repentinamente, o espírito de um jovem, aparentando 30 anos, apareceu-lhe.
“— Não mande pelo Correio! Vamos juntos.” – disse o jovem para Divaldo.

Divaldo ficou desconfiado.
Não sabia quem era e se poderia segui-lo sem reservas.
Assim que a dúvida o cercou, “Valter”, seu “espírito correio” surgiu e confirmou que Divaldo poderia seguir com o estranho. Não era um obsessor.

Chovia muito! Divaldo comprou um guarda-chuva.
Ventava! O vento fazia o guarda-chuva virar no avesso.

Divaldo voltou a Times Square e pegou o metrô.
“— Salte aqui!” – disse o rapaz para Divaldo, fazendo-o voltar para a chuva.

Acharam o endereço.
Divaldo citou o nome de Mr. Beltran e a senhora que os atendeu abriu a porta.

Explicou que ele estava em Long Island e que pediu para Divaldo não sair, para aguardar.
Divaldo aguardou.

Assim que Mr Beltran chegou, o espírito estranho também entrou e chorava muito.
Pediu para Divaldo deixá-lo incorporar.

Divaldo disse que não era de seu feitio esse tipo de coisa, mas comunicou a Mr. Beltran.
O espírito explicou que ele e Mr. Beltran são amigos e acordaram dar noticias após a morte de um ou do outro. E ele já tinha morrido faziam 10 anos.

O Espírito pediu perguntar: “— Vocês viram aquele filme?
De imediato, Dr Beltran respondeu: Empédocles!

Seguiram para a sala de estar.
O espírito incorporou e Divaldo conta que o casal chorava muito ao final.

Mr. Beltran explicou que ambos, ele e Empédocles, eram funcionários da Lever e que faziam muitas viagens de avião, indo e vindo dos EUA.
Em uma viagem, o avião caiu e Empédocles morreu queimado. Só foi possível identificar sua presença porque foi encontrado nos destroços um Evangelho Segundo o Espiritismo com nome e telefone do Dr. Beltran.

O Dr. Beltran foi contactado e ele teve de levar a notícia para a mãe do amigo.
Ficou tão traumatizado que decidiu mudar-se de vez para os EUA.
Contou ainda que a mãe do amigo acabou por morrer de angústia e depressão.

Quando foi morar lá, descobriu não haver nada de Espiritismo nos EUA. Apenas um amigo, o Sr. Haddad tinha o culto do Evangelho no lar, nada mais.

Após as explicações, o Sr. Beltran convidou Divaldo para ficar os próximos 3 dias em sua casa e discursar em um grupo de Metapsíquica. E Divaldo aceitou.

Às 17h do dia aprazado, Sr. Beltran e Divaldo tocaram a campainha de uma casa.
Atendeu um senhor que claudicava da perna direita e tinha os dedos ruins.

— “Onde está o baixinho? Esperamos por ele, o baixinho!” – lá de dentro, uma médium falou esta frase em português arrastado, psicofonando Joanna de Ângelis.

— Você aqui, irmã?
— Vamos trabalhar? – disse Joanna.

Terminada a preleção, o dono da casa veio questionar Divaldo.

— Tenho apenas uma pergunta e, para fazê-la, irei contá-lo a minha história.

Como pode perceber, sou um ex-hanseniano. Descobri quando ainda era jovem.
Na juventude, fui um grande jogador de beisebol. O melhor!

Porém, durante um jogo, tentei levantar minha mão e ela não obedeceu.
Sentia um estranha dormência. Pensei que passaria no dia seguinte.
Passou 1 dia e nada, 2 dias e piorou. E mais 1 dia. E outro dia.
Só piorava.

Eu tinha 19 anos e era filho de uma família rica.
Caminhando na 5a. Avenida, vi um Outdoor:
“Você tem um problema de saúde? Nós temos a solução!”

Entrei.
Subi ao 28. andar, preenchi uma ficha, fiz uma anamnese e fiquei esperando.
A médica, quando surgiu, solicitou que eu ficasse mais tempo ali.
Seriam mais duas semanas.

— Não posso, eu tenho meus planos.
A médica respondeu:
— Quais planos ? O senhor tem hanseniase em estado avançado.

E um grupo de enfermeiros militares entraram e me seguraram à força enquanto eu me debatia desesperadamente. À noite, fui enviado em um vagão especial de um trem militar para o chamado “Hospital dos Mortos Vivos“. A cidade dos moribundos escondida do mundo na Ilha de Manhattan.

Hansen2Cheguei no meu novo lar.
A primeira coisa que fiz foi quebrar todos os espelhos.
Pensei muito em suicídio, mas não tinha coragem.
Em pouco tempo, minha família havia sumido, ninguém mais vinha me visitar.

Quando surgiram as primeiras drogas para tratamento da lepra, fui selecionado.
E 3 anos após minha internação, eu tive alta médica.

Tinha dedos amputados, nariz amputado, as orelhas e 1 olho.

Peguei 1 trem em Nova York. O trem lotou e, ainda assim, ninguém sentou ao meu lado.
Lepra !! Ex-leproso.

Cheguei em casa e fui primeiro na casa dos meus pais.

— Desejo falar com Mr. Scott.

Minha mãe veio atender.

—Mamãe??
— Filho! Você não morreu? Disseram que você tinha morrido. Scott, veja quem está aqui na porta!!

—Papai?
— Paul!
— Papai, estou curado!
— Paul, essa doença não tem cura. Venha para a garagem. Iremos conversar contigo lá.

Conversamos, me deram comida e me deixaram na garagem.
De noite, saí da garagem e fui caminhar sob a luz da lua.
Pensei em me jogar no rio, me matar, mas não tive coragem.

Na volta, meu pai veio conversar comigo.
— Você ficará em nossa casa e nós nos mudaremos!

E fizeram assim.
Não me deram o novo endereço para eu não procurá-los.

No dia seguinte, pensei em procurar meus velhos amigos.
Eles não me reconheceram, me mandaram passar fora achando tratar-se de um mendigo.
As crianças em volta riam enquanto me enxotavam.

Era Carnaval.
Pensei mais uma vez em me matar, me atirar embaixo de um ônibus.
Não tive coragem.

Estava em frente a Catedral de St. Patrício às 16h.
Entrei. Ajoelhei e gritei.

Em um canto havia um cartaz: “Bispo Sheen, amigo dos Leprosos”.
E tinha um endereço. Eu anotei e escrevi para ele.

O Bispo Sheen me respondeu: Aguardo às 18h do dia tal, por 1h.
Cheguei bem antes e entrei as 18h em ponto.

— Paul Scott?
— Bispo Sheen?

Contei-lhe tudo que tinha ocorrido, da vontade de me matar e da solidão que estava vivendo.

—Paul, se você acredita em Deus, você tem 1 amigo. Deus é seu amigo, mesmo que você não o chame.
— Você crê em Jesus? Você tem mais 1 amigo. E considerando que eu serei seu amigo, você pode dizer que tem 3 amigos.

—Você “teve” lepra? – perguntou o Bispo.
— Tive, mas todos me tratam como se eu ainda a tivesse.

—Aceita um prato de sopa?
— Obrigado. – E me alimentei fartamente, como a muito não fazia.

—Você necessita de uma vida útil. Procure trabalho. Ocupe suas horas.

Conversamos muito e saí de lá com nova disposição.
Encontrei trabalho por acaso, como embalador num pequeno mercado.
Precisava pegar condução todos os dias e sempre viajava sozinho no banco.

IMG_20150827_171524637_HDRAté que, em uma tarde, condução cheia, uma jovem loura sentou ao meu lado.
Perguntou se estava ocupado, eu disse que não, e ela conversou longamente comigo até descer. Daí por diante, eu procurava sempre pegar a condução no mesmo horário, apenas para poder conversar com ela. E viramos amigos.

Depois de muitas viagens juntos, ela me perguntou:
— Por que não faz uma cirurgia plástica?
— Eu nunca pensei nisso. Não conheço nada disso.
— Eu tenho um amigo em Washington que pode te ver e dizer exatamente o que fazer.

Fui ver o médico em Washington. Foram 11 cirurgias.
Quando terminou, eu tinha uma cara nova.

Ela foi me ver e disse assim que me viu:
— Eu gostava mais da outra cara !!! – E rimos muito.

Na volta, eu declarei meu amor por ela.
Foi então que ela me disse:
— Melhor então não nos vermos mais. Sabe, eu sou noiva. Não te verei mais por uma outra boa razão: agora estou amando você também.

E eu nunca mais a vi.
Pergunto, Sr. Divaldo: —  Por que Deus fez isso comigo?

Divaldo responde:
— Deus não faz! Nós fazemos isso conosco.

E após longa conversa, Divaldo deu um exemplar do Livro dos Espíritos para o grupo.

Naquele encontro, pouco tempo depois, nascia o Centro Espírita Allan Kardec, o primeiro dos EUA.

Deus não joga dados! — afirmou Albert Einstein.
O acaso não existe, senão como um intrincado desenrolar de causas e efeitos que competem para um objetivo maior.

Nesse momento, a voz de Divaldo Franco se modificou no Centro Espírita André Luiz.
Sua face se transforma e ouvimos a mais uma bela mensagem do espírito Bezerra de Menezes, fechando a palestra daquela noite.

Deus o abençoe, Irmão Divaldo Franco !!!

dbl2_videira

 

Anúncios