Palestra I – Auditório da Hebraica

Segunda-feira, 24/8/2015 – 20h

IMG_20150824_214315225Como sempre, auditório muito cheio, sobrando apenas as cadeiras do final do salão.
Divaldo nos surpreendeu ao final da palestra informando que Nilson de Souza Pereira, o “Tio Nilson”, já desencarnado, se comunicou por psicografia.

Divaldo inicia após as habituais preces e apresentações:

O materialismo do século XVII buscou expandir-se na filosofia, alegando ter bases nas doutrinas da Antiguidade, como a doutrina do deus Baco.

Jean Jacques Rosseau e outros pensadores acumulam força, que irrompe com a grande destruição da Bastilha em 14/7/1789, o imenso depósito de pólvora e armas em Paris.

Inicia a Revolução Francesa!

“Deus? Não temos mais necessidade de Deus.” – anunciam os revolucionários na Catedral de Notre Dame, enquanto carregam uma linda donzela coroada de louros, simbolizando a nova deusa, a Ciência.

Meu Deus é a ciência e a razão”, anuncia o pensador Jacques Tipor (* sem referências).

A Revolução Francesa constitui “Fiscais da Religião” que verificam o fechamento de templos religiosos e o desuso de elementos de fé.

Conta Divaldo que numa aldeia, enquanto os fiscais verificavam se a igreja estava trancada e em desuso, alguém perguntou:

— Onde estão suas escadas?
— Escadas? Para que?
— Para apagar as estrelas …

A pergunta no. 1 do Livro dos Espíritos (L.E.) sabiamente busca fugir da figura antropomórfica de Deus como um velhinho de longas barbas.

Evita perguntar “Quem é Deus” (um ser) ou “O que é Deus” (um objeto).
Antes, pergunta “Que é Deus”, não pressupondo nada.

Como resposta, temos: “Deus é inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas”.

Kardec, como cientista, não se deu por satisfeito e questionou:

— Onde podemos encontrar a prova da existência de Deus?

Respondem os imortais:

—  Num axioma que aplicais às vossas ciências: não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e vossa razão vos responderá.

No decorrer da Revolução Francesa, um general da Córsega traz Deus de volta para a França: Napoleão Bonaparte.
Deus retorna à França pela força dos canhões napoleônicos.

Decidido a ser Rei da França, convida o Papa Pio VII para fazer a coroação na Catedral de Notre Dame, o mesmo local onde Deus foi dado como morto.

Usará na coroação a mesma coroa do imperador Carlos V.

BonaparteAntes do Papa colocar a coroa em sua cabeça, Napoleão toma a coroa das mãos do Papa e faz sua auto coroação, coroando Josefina em seguida como rainha da França.

Com isso, mostra a todos que seu poder está acima dos poderes do Papa, terminando por encarcerar o Papa em Fontainebleau.

Na grande noite de guerras revolucionárias francesas, teremos ainda em 1815 a Noite de S. Bartolomeu, com a morte de 3 mil protestantes huguenotes.

Entramos no século XIX com Nietzsche proclamando: “Deus está morto!”.

Niesztche termina seus dias em meio a psicopatia e a depressão, morrendo enlouquecido.

A ciência, porém, revê suas teses quando Einstein estabelece na Relatividade as relações entre energia e matéria.

Diz Voltaire: “Morro acreditando em Deus!”.
(“Eu creio em Deus, apesar de tudo que me dizem para acreditar nele…” – Voltaire)

Fazem coro com ele o filósofo Kant (“Não creio no Deus que os homens criaram, mas no Deus que criou os homens.” – Kant);

o cientista Charles Richet, criador da Metapsíquica;

e Sir Willian Crookes, que comprovou que a vida sobrevive ao túmulo.

Na sequência, o Concílio Vaticano II conclama ao mundo uma convivência mais fraterna, fincando as bases para hoje termos dirigentes como o Papa Francisco.

Nasce em Berkley a geração do “Faça amor, não faça guerra”, com a visão do amor sexualizado e têm um dos seus pontos altos nos dias de rock em Woodstock.

Na Europa, novos grupos jovens se declaram cristãos, mas não deístas.
Alegam que de Jesus, temos evidências históricas, mas quais evidências temos de Deus?

O Dr. Cressy Morrison, químico, antigo Presidente da Academia de Ciências de Nova York, elenca “7 Razões para um Cientista Crer em Deus”.

Como crer no acaso se mesmo em exemplos simples de combinações temos números absurdos?

Pensemos em 10 moedas em nosso bolso, numeradas de 1 a 10.

Quais as chances de apanharmos a moeda 1 sem olhar? 1 chance em 10.
E de pegarmos a moeda 1 e, em seguida, a moeda 2? 1 chance em 100.
E de pegarmos a moeda 1, a 2 e a 3 nessa ordem? 1 chance em mil.
Todas as 10 na sequência? 1 chance em 10 bilhões.

Pensando assim, como crer que estruturas complexas do Universo derivam do caos?

Razão 1 – A Terra
Vejamos a velocidade de rotação da Terra. Girando a 1.600Km/h, produz 1 dia de 24h. Se a Terra girasse com apenas 1 décimo dessa velocidade, ou seja, 160Km/h, teríamos 120 horas de Sol e 120 horas de noite. A vida seria calcinada de dia e congelaria de noite.

E a atmosfera terrestre? Os 60Km à 80km de atmosfera possuem o tamanho e a densidade ideal para nos servir como escudo dos 50 milhões de partículas diárias que atingem a Terra e torram ao atritar com ela. Se fosse 1km mais rarefeita, estaríamos expostos a um grande bombardeio.

A distância entre a Terra e a Lua é perfeita. Se em vez de 170 mil Km, essa distância fosse apenas 70 mil Km, a força magnética da Lua levantaria ondas de marés alta que varreriam todos os continentes como gigantescos tsunamis todos os dias.

A distância entre a Terra e o Sol é ideal. Mais próxima do Sol, a Terra torraria como o ocorre com Mercúrio e Vênus. Mais distante, tudo congelaria como ocorre com Júpiter.

A inclinação do eixo da Terra é outro elemento. Se o eixo da Terra voltasse ao vertical, o gelo polar derreteria rapidamente e os mares transbordariam. E desaparecia por completo a passagem das estações, sendo sempre alto verão no Equador e um inverno permanente no polos.

A profundidade média dos oceanos, assim como a altura média das placas continentais favorecem a vida. Se o oceano fosse 3 km mais profundo ou se a placa continental fosse 2 Km mais alta, Dr. Morrison alega que isso reteria o oxigênio nas águas, criando ácido carbônico e destruindo a vida como a conhecemos.

(Nota autor do blog: Os textos que encontrei sobre o Dr. Cressy Morrison falam da questão das 10 moedas e situam as chamadas “7 Razões …” por ele enumeradas, todas, nesse condensado da “Razão 1” exposto por Divaldo. Não achei referência do que foi enumerado por Divaldo para as razões de 2 a 7 nos textos do Dr. Morrison. Logo, as razões seguintes são colocações do próprio Divaldo)

Razão 2 – A Vida

Cada um tenta explicar da sua forma, mas a vida é indefinível. Vejamos as folhas: não há duas iguais em todo planeta. Transforma água apodrecida em perfume. A célula do óvulo, uma única célula, produz os dentes, o cabelo, os neurônios e as tantas células especializadas do nosso corpo. Fatalidade? Obra do caos?

Razão 3 – Instinto animal

A vespa, quando vai ovular, paralisa um besouro e põe os ovos no besouro ainda vivo. A prole, quando nasce, se alimenta das partes não vitais do besouro para que ele permaneça vivo o máximo possível. De onde vem esse conhecimento?

O João de Barro põe o bico no vento e sabe assim qual a direção que o vento do inverno assumirá naquele local, muito antes do inverno chegar. Constrói então a porta do ninho na posição oposta do vento do inverno, o que mata de inveja a qualquer meteorologista.

As enguias, na época da procriação, todas viajam para uma região das Bermudas para a desova. As enguias que estão mais próximas retardam, por vezes, a desova em meses para aguardar as que estão mais distantes. Por fim, quando as crias nascem, elas migram de volta as suas regiões de origem. E nunca foi encontrada uma enguia de uma região, perdida em outra completamente diferente. Como conseguem?

O salmão retorna ao local onde nasceu para desova subindo o rio. Se um salmão é retirado do seu curso no rio e é colocado em outro afluente, ele desce o rio até chegar no afluente certo e volta a subir até chegar onde nasceu.

Razão 4 – População da Terra

7 bilhões e 250 milhões de pessoas. Se reduzirmos toda a população mundial ao conteúdo de 1 dedal e sobrar apenas um pequeno raio de luz de tudo que a humanidade foi, a vida reconstruirá toda a humanidade nos 10 milhões de anos seguintes.

Razão 5 – A Inteligência

decodificador-de-cerebroNosso cérebro é capaz de grandes abstrações. As questões da física, o bóson de Higgs, a chamada “Partícula de Deus”, por exemplo, foi concebido por Peter Higgs teoricamente em 1960 e somente comprovado por experiências em 2012.

Razão 6 – A Ecologia

Há 750 mil famílias de insetos.
E ainda assim, não vemos um inseto de uma família nascendo em outra família.

Há mecanismos inteligentes regendo a ecologia.
Na Austrália, os ventos levavam grande quantidade de pólen por toda região, causando grandes surtos de alergia na população. O governo então decide reduzir a ação dos ventos fazendo barreiras naturais de vegetação. E elegeram o mandacaru, um cactus em forma de palma, planta que não era nativa da região, como a melhor planta para construir as paredes. O problema é que o mandacaru não tem nenhum inimigo natural na região e virou uma grande praga. Foi preciso incinerar grandes massas com lança-chamas em certas regiões.
A solução: importar também o inseto inimigo natural do mandacaru, um besouro do nordeste brasileiro que quase virou uma segunda praga, mas acabou encontrando equilíbrio entre besouros e mandacaru.

Razão 7 – Imaginação

A beleza dos Salmos de Davi.
Como não se encantar com uma noite estrelada.

A olho nu, vemos 5 mil estrelas (2500 em cada hemisfério da Terra)
Com um binóculo, 15 mil estrelas.
Com um telescópio caseiro, 150 mil estrelas.
Com o telescópio de Monte Palomar, 30 milhões de estrelas.
Com o telescópio Hubble, 200 bilhões de estrelas.

Isso em meios a 100 milhões de galáxias.

Nosso Sol remonta 11 bilhões de anos de existência.
E em nossa língua há 5 milhões de células digestivas.
Em nossa cabeça, 100 bilhões de neurônios, com 64 especializações.

A beleza salvará o mundo.
A alegria da vida.

A família Stanford era de S.Francisco.
Muito rico, o pai um alto político, casado com Madame Jane Stanford, tinham o filho Leland.

Mme e Leland

Leland e Mme. Jane Stanford

Leland tinha tudo: vários criados, roupas, bens, menos a presença da mãe.
Mme. era sempre muito ocupada.

Uma velha tia da família morreu. O hábito do luto local obrigava Mme Stanford recolher-se em casa por 5 dias.

O que fazer? Irei dar atenção a Leland.
E descobriu que Leland era uma criança sensível, que tocava bem o clavicórdio. E tocou para a mãe uma canção triste, francesa, de um pai marinheiro que era tragado pelo mar, enquanto a mãe e o filho ficavam esperando.

— É uma canção bonita, mas é triste, Leland. – disse Mme.
— Eu muitas vezes me sinto assim.
— Mas seu pai está vivo?
— Mas eu estou sempre esperando por ele enquanto ele é engolido pelo mar de afazeres. – responde Leland.

Mme. viu a solidão do seu filho em seus lindos olhos verdes.

Mas aquela foi uma semana diferente. Eles se divertiram, ficaram juntos.
E redescobriram o amor um pelo outro.
Amor é convivência.

Uma amiga de Mme apareceu com uma ideia: poderia quebrar o luto se levasse doações para um orfanato.

Mme. aceitou e, antes de sair, viu Leland a olhando de longe.
— Você quer ir, Leland?
— Posso ir?
— Venha!

E Leland a acompanhou.
Viu órfãos pela primeira vez.

— O que são órfãos, mãe?
— São crianças que não tem pai, nem mãe, nem roupas, nem comida.
— Então eles não tem mães? Nem pães?
— Não tem, Leland.

Lá chegando, Leland perguntava o nome de cada um, dava-lhes roupas, dava-lhes pães e se tornou amigo de todos.

— Mamãe, quando voltaremos? Amanhã?
— Não Leland, não voltaremos mais.
— Por que? Gostei deles.
— Não Leland, não voltaremos.
— Mamãe, eu recebo mil dólares de Natal. Comprarei roupas para os órfãos e levaremos lá.
— Mas o dinheiro é seu!
— Sim, é meu e eu quero fazer isso.
— Leland, nós não voltaremos lá.

Todos os dias, Leland perguntava pelos órfãos e quando voltariam.
Mme. marcou uma viagem para a outra cidade. E depois para a Europa.

— Mamãe, para onde está a América?
— Para lá, Leland. – apontava pela janela.
— Então para lá estão meus irmãos órfãos.

Leland fez febre e adoeceu em Roma.
Vários médicos foram chamados, mas nada fez efeito.
Era tifo. Sem cura.

Durante a noite, Leland perguntou uma última vez para sua mãe:
— Para onde fica S. Francisco, mamãe?
— Fica para lá Leland. Fique bom logo para que a gente volte a ver os órfãos!

Era tarde.
Leland desencarnou em seus braços.

Mme. Levou o corpo de seu filho de volta para a Amárica.
Construíram um grande jazigo.
E usaram a fortuna da família primeiro para prover os órfãos.
Depois, viram que era melhor uma escola que desse chances aos pobres de estudar. E fundaram a Universidade de Stanford.

Um jornalista perguntou a Mme Stanford, já encanecida e trajando sem a pompa do passado:

— E os mil dolares de Leland ? O que foi feito?
— Nunca deixei que gastassem. Usei-os para criar uma bolsa especial de estudos, totalmente de graça, para todo estudante que tivessem olhos verdes, em memória dos olhos do meu filho.

Nilson e DivaldoDeus é amor!
Somos felizes: conhecemos a imortalidade da alma.

Nilson (Tio Nilson) deu uma mensagem na quarta-feira passada.

Nunca se arrependa de fazer o bem.
É cruel sentir saudades diante de tantas bençãos.

E Divaldo encerra a palestra recitando a “Oração da Gratidão”.

(Sempre muito emocionante !!!)

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