Palestra II – Mini Seminário Casa de Espanha

Palestra II – Mini Seminário Casa de Espanha – quarta, 26/8/2015 – 14h

Salão Casa de Espanha

Salão Casa de Espanha

Todo ano os ingressos acabam voando e eu tenho de me aventurar na porta da Casa de Espanha, em busca de uma desistência.

Esse ano, também foi assim. Mas até que nem esperei muito.
E foi um dos melhores Seminários que eu já assisti.

O Seminário foi uma apreciação psicológica junguiana do livro
O Cavaleiro Preso na Armadura”, de Robert Fisher.

Feita a Oração inicial e a apresentação, Divaldo Franco começa:

Será um seminário com uma abordagem terapêutica.

Divaldo fez referência a obra Exupéry, particularmente ao famoso “O Pequeno Príncipe”, frisando que, a luz da Psicologia de Jung, essa obra é um contato com nossa criança interior.

Observa que, para melhor entendimento do seminário, será necessário explicar certos termos da Psicologia.

cg_jungCarl Gustav Jung foi um dos maiores psicólogos do século XIX.

Iniciou sua carreira pela Psiquiatria, depois se tornou discípulo de Freud e aprofundou-se na Psicanálise. Finalmente, criou a chamada Psicologia Analítica ou Psicologia Profunda.

Contribuiu para o surgimento da 4a. Força da Psicologia, a Psicologia Transpessoal.

Percebeu que nossa consciência lembra um iceberg: 5% está fora d’água, no consciente, e 95% está mergulhado no inconsciente.

Estudou a reencarnação, não sob a luz do Espiritismo, mas na doutrina Tibetana.

Determinou a existência de 2 inconscientes distintos:

  • Inconsciente individual, que nasce conosco.
  • Inconsciente coletivo, que guarda tudo que já ocorreu no planeta.

O conflito é comum a todo ser humano. Todos nós os temos.

Jung postulou que todos temos conflitos veiculados como heranças, assim como é o DNA.

Segundo ele, temos conflitos recuados e conflitos atuais.

Para entender os conflitos recuados, Jung lançou mão de duas palavras usadas na filosofia:

  • Arqueis – significa “antigo, princípio”.
  • Tipois – significa “tipos, marcas”.

O termo “Arquétipo” define tipos ou marcas antigas.

Segundo Jung, em todos nós existe ainda a figura da “sombra”, nosso lado furtivo e obscuro. A sombra não é má.

Passemos a analisar a obra “O Cavaleiro Preso na Armadura”.

O Cavaleiro preso na Armadura(Nesse momento, uma apresentação ilustrada da obra em questão passa a ser projetada nos telões do Seminário.)

A armadura é uma visão psicológica comum para todos nós.

Somos “armados” em vez de “amados”.

O Cavaleiro era conhecido por sua armadura. Lutava contra inimigos reais e imaginários. Salvava donzelas mesmo quando elas não queriam.

Tinha uma esposa: Juliet.
E um filho: Cristopher.

Em casa, Juliet o solicita a tirar a armadura.
Ele tenta e não consegue. Ela briga com ele:

  • Tire a armadura ao menos para comer!
  • Não posso! Não consigo!

Percebendo a tristeza de todos, o Cavaleiro decide voltar para a estrada, ir em busca de algum lugar onde possa retirar a armadura.

Decide antes visitar o Rei.
Chega no castelo, mas não o encontra.

Acha apenas o Bobo da Corte: Bolsalegre.
A visão psicológica do Bobo da Corte é o encontro com nossa criança interior.

Bolsalegre o aconselha:

  • Procure Merlin “na floresta”.

Sem ter nenhum outro caminho em vista, o Cavaleiro cavalgou pelo interior da floresta até sentir-se fraco.

Caminhar pela floresta” representa mergulhar em nosso interior.
Conhece-te a Ti Mesmo” – diz o oráculo do Templo de Delfos.

Ao cansar-se, teve fome e sede.
Tentou se alimentar, mas o elmo o impediu.
Tentou beber água, mas quase se afogou na mistura de barba, água e farelo de comida.

Não sou tão esperto assim!” – reconheceu o Cavaleiro.

Finalmente, encontrou Merlin.
Na visão psicológica, seria uma faceta do Self, uma faceta de nós mesmos, representando nossa inteligência.

O Cavaleiro dormiu.
Ao acordar, Merlin deu-lhe um líquido pelo bambu que chamou de Vida.

A figura do bambu é emblemática. Aquele que verga, mas não se quebra.
A inteligência, assim, ensina-o a curvar-se para não se quebrar.

Esquilos deram-lhe alimentos em grãos através do elmo.
Os esquilos representam oportunidades.
Oportunidades são os ditos “milagres” que a vida nos traz.

einsteinEinstein disse: “Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre. Eu acredito nessa última.

Disse Newton: Milagre é uma lei feita para funcionar naquele momento.

Divaldo lembra a história de Tess.

Tess estava em casa ouvindo seus pais falarem sobre a doença grave do irmão dela.

Os remédios eram caros e eles não tinham dinheiro.

Além dos remédios, ainda havia o tratamento que eles nem sonhavam em fazer devido aos altos custos.

  • Só nos resta rezar por um milagre! – disse o pai para a mãe.

Tess pensou: na farmácia vendem milagres.

Pegou todas as suas moedas, 1 dólar, poucos cents e um botão de ferro, e foi para farmácia.

  • O que deseja menina? – pergunta o farmacêutico interrompendo a conversa com outro homem.
  • Desejo um milagre. O senhor vende milagres aqui?
  • Um milagre? Não temos isso aqui não. Para quem é?
  • Para meu irmão. Meu pai disse que agora só um milagre.

O homem ao lado interessou-se.

  • Diga, qual o problema do seu irmão?

E Tess explicou o que ele sentia e tudo que tinha visto seus pais fazerem.

  • E quanto você tem para comprar o milagre?
  • Tenho 1 dólar, 11 cents e esse botão de ferro.
  • Está bem, leve-me na sua casa.

O homem era um grande especialista da doença que o irmão de Tess tinha.

Estava na cidade visitando um familiar.

  • Senhor, encontrei sua filha Tess na farmácia querendo comprar um ‘milagre’. Deixe-me examinar seu filho? Eu posso ajudar.

O médico adentrou o quarto, examinou o caso e deu a sentença.

  • O caso dele é muito grave. Precisa de cirurgia urgente e tratamento especializado em Boston.
  • Mas tudo isso vai ficar muito caro. Não temos dinheiro para viagem, para estada, para operação, para os remédios. – disse o pai.
  • Não se preocupe, já acertei tudo com a Tess. Ficará tudo, a viagem, a operação, a estada, os remédios por 1 dólar e 11 cents.

E os pais se abraçaram e choraram!

Era um milagre!

BSBDivaldo lembra de uma de suas primeiras viagens para Brasília.

O anfitrião não estava no aeroporto quando Divaldo desembarcou.

Divaldo esperou e surgiram 4 rapazes muito altos que alegavam terem vindos no lugar do anfitrião, à pedido dele.

Divaldo estranhou o fato e sentiu-se desconfortável perto daquela “equipe de basquete”.

Entraram os 5 em um fusca. Divaldo sentia-se um pigmeu.

Um dos rapazes fez um gracejo, um comentário infeliz.

Os outros, então, começam a contar piadas usando idéias sórdidas e palavrões.

Repentinamente, surge um espírito perverso frente a Divaldo e diz:

  • Te peguei agora! Farei o carro virar em breve. Eles estão alcoolizados.

Divaldo imediatamente pede ao motorista:

  • O senhor poderia parar no acostamento? Preciso ir lá fora.

O motorista para. Em seguida, Divaldo diz:

  • Poderia pegar minha mala? Preciso dela.

O motorista retira a mala do porta-malas.

Divaldo diz, então:

  • O senhores podem seguir viagem, por favor. Ficarei aqui. Digam ao meu anfitrião que, caso ele queira me buscar, que venha pessoalmente.

Os rapazes entraram no carro e deixaram Divaldo na estrada, no meio do nada.

Após partirem, Divaldo tem uma tontura, pisa em falso e cai na lama do barranco. Ainda vê o espírito perverso, mas não se abala.

Levanta-se, apanha as malas e entra em oração.

  • Senhor, preciso de Sua ajuda, não me desampare!

Sujo, caminhando para onde nem sabe o caminho, eis que surge um caminhão antigo, uma antiga Fenemê, que pára e o motorista oferece carona na boleia.

  • Posso te levar. Estou indo para esse mesmo lado. Um amigo meu chamou para ver um sujeito que vem da Bahia e que tem o diabo no corpo. Diz que ele fala muito.

Divaldo falou o endereço do lugar onde ele faria a palestra e o motorista estranhou.

  • Que coisa! Eu vou para esse mesmo lugar!
  • Eu sei. Eu sou o tal baiano com o diabo no corpo!

E se tornaram amigos.

MerlinRetornando a análise do livro, Divaldo observa que Merlin lhe deu Vida para beber. Merlin não precisa beber Vida porque ele permanece conectado com a fonte da Vida.

Quando se está conectado com a fonte da Vida, não é necessário provar nossos valores. Somos quem somos e estamos em paz conosco e com o mundo.

Divaldo ouviu um padre dizer em um sermão que estava parado no trânsito.

De repente, veio um homem correndo por entre os carros e espancando o retrovisor de cada carro que passava.

O carro do padre foi um e o padre apenas lamentou a atitude.

No 3o. carro à frente, a pessoa jogou o carro sobre o rapaz.

O rapaz caiu e o padre correu para ajudar.

  • Meu filho, você está bem? Por que estava fazendo isso?
  • Padre, minha filha está morrendo em casa e eu não sabia mais o que fazer. – disse o rapaz.
  • Mas assim você não resolve nada! Peça desculpas às pessoas porque você as machucou. E vamos ver sua filha.

E o padre salvou a criança.

Ao saber quem somos, ninguém nos abala.

O Cavaleiro decide que era hora de voltar para casa.

Merlin, porém, pede-lhe que escreva um bilhete avisando que irá voltar.

O Cavaleiro escreve um bilhete para seu filho e Rebeca, a pomba, leva o bilhete.
O bilhete retorna em branco.
O filho não conhece o pai, apenas o Cavaleiro, e não sabe o que dizer.

O Cavaleiro chora intensamente e adormece.

Diz Merlin: – Você deu o primeiro passo para sair da armadura. Deve voltar para casa.

[1º. Intervalo do Seminário]

VerdadeMerlin prossegue: – Mas você voltará por outro caminho. O caminho da verdade. É um caminho áspero e íngreme. Só poderá ser feito a pé e não poderá levar sua espada. Deixe-a aqui.

Todos nós estamos na Terra para trilhar o caminho da verdade.

Após psicografar o livro “Filho de Deus”, Divaldo foi “ler” o livro.

Sim, ele não lê o livro ao longo da psicografia para não atrapalhar o processo. Deixa para ler depois.

E Divaldo se maravilhou com a frase:

Tu és filho de Deus;
Tu és herdeiro do Universo!

Divaldo achou maravilhoso: sou herdeiro de todo o universo.

E perguntou a Joanna: Irmã, quando receberei minha herança?
Joanna responde: Quando Deus morrer. Aguarde!

Nossos mentores e guias podem apontar qual a trilha que deveremos seguir, mas a trilha é pessoal. Eles não podem fazer a caminhada por nós. Não podem e não querem.

E Divaldo questiona: estou no planeta Terra para que, afinal?

A resposta: Para amar !!

Só isso? Não, isso tudo !!!

Amar é muito difícil perante os tormentos interiores que vivemos.

Todos nós já tivemos a nossa “noite escura de São João da Cruz”.

O próprio Jung conheceu a depressão em seu organismo.

Divaldo conta que já viveu momentos de graves doenças.
Tinha feito 34 exames. Por fim, desenvolveu pneumonia e desmaiou.

Durante o desmaio, viu seu corpo deitado, a quem chamou carinhosamente de “jumentinho”. E pensando estar morto, foi em direção ao céu.

Bateu na porta do Céu e uma voz disse: não tem vaga!
Bem, quem sabe um pouco mais abaixo …

Bateu na porta do Umbral e alguém gritou: não tem vaga!

Como mais abaixo SEMPRE TEM vaga e Divaldo não queria correr o risco de ser aceito, preferiu voltar para o corpo do que bater à porta do Inferno.

Acordou de volta no corpo, jogando o travesseiro da cama no chão, bem longe.

Voltemos ao Cavaleiro.

Seguiria pela estrada com seus companheiros: o Esquilo e Rebeca, a pomba.

Merlin avisou: 3 castelos irão impedir o seu avanço no caminho. Você precisará entrar neles e aprender como sair deles.

E Merlin deu-lhe a chave dourada que permitia entrar nos castelos à frente.

CasteloO primeiro: o Castelo do Silêncio.

O segundo: o Castelo do Conhecimento.

O terceiro: o Castelo da Vontade e da Ousadia.

Após entrar, só sairá após aprender a lição de cada um.

A maior batalha será: amar a si mesmo.
Como essa batalha é travada em nosso interior, não precisará da espada.
Deixe-a aqui.

Ao iniciar a jornada, percebeu que suas lágrima tinham comido a viseira do capacete e ela caiu, permitindo ver e respirar melhor.

Começou a subir pela estrada até chegar no Castelo do Silêncio.
A subida representa a persistência.

Contam que Walt Disney consultou 37 bancos antes de conseguir alguém que liberasse um financiamento para a Disneylândia. Ninguém acreditava num grande parque em meio a uma região de charcos e muita lama.

Hoje, a Disneylandia é um dos empreendimentos mais bem-sucedidos e admirados do mundo.

Divaldo conta que uma bailarina de um grande ballet europeu deu o seguinte depoimento.

Ela tinha um professor que todos da turma detestavam.
Em um dos trabalhos que ela teve de apresentar, esse professor disse para ela:

  • Está horrível! Deveria desistir da dança. Desse jeito nunca chegará a lugar nenhum.

Ela ficou abatida, mas nunca desistiu.
Tornou-se integrante de um grande ballet.

Um dia, após uma apresentação, aquele professor aparece no camarim e dá-lhe o parabéns pela brilhante apresentação.

Então a bailarina diz:

O senhor me elogiando? Saiba que eu nunca cheguei a ser a primeira bailarina por sua causa, pelas vezes que o senhor disse que eu nunca seria nada.

O professor responde:

Nada disso! Você nunca chegou a primeira bailarina porque resolveu acreditar em mim do que acreditar nessa voz interior que muitas vezes te disse: continue, você é capaz!

Divaldo conta ainda que Madame Schonihein (??) foi a maior contralto do século XX.

E ela fala que tinha um professor que lhe disse o mesmo:

Desista, sua voz é péssima. Compre uma máquina de costura e vá viver de costurar.

Ela respondeu: eu não vou desistir e ainda farei você engolir essas palavras.

Ela foi estudar em outra cidade e deu tanta dedicação que se tornou uma grande estrela do canto clássico. Rodava toda Europa cantando por valores altíssimos, mas se recusava a cantar novamente em sua cidade natal pelo valor que fosse.

Um dia, aquele mesmo professor se tornou diretor de arte da cidade e foi pessoalmente implorar que Madame cantasse no teatro da cidade, que ela dissesse o preço que quisesse que ele pagaria.

Ela disse:

Cantarei de graça. Mas faço apenas uma exigência: o senhor estará na porta do teatro, vestido de mulher, usando uma máquina de costura e recebendo todas as pessoas.

Por amor a arte, ele aceitou!

Quando Madame Schonihein entrou no teatro, linda e radiante, lá estava o velho professor na porta do teatro, vestido de mulher, usando uma máquina de costura e aceitando que tinha errado.

Madame Schonihein não deixou que seu professor fizesse ela desacreditar dela mesma.

DesencarneDivaldo conta que, quando jovem, um bom amigo desencarnou cedo.

Por ser um amigo próximo, Divaldo sempre lembrava dele nas orações e Joanna trazia por vezes algumas notícias.

Um dia, Joanna avisou:

Prepare-se essa noite. Irei te levar para ver seu antigo amigo finalmente despertar no plano espiritual. Preciso apenas que você se guardem em silêncio.

Não seria problema, a etiqueta nos manda calar na hora que convém.

De noite, após deixar o corpo, Divaldo ouve de novo a mesma recomendação:

Precisamos de silêncio. Silêncio! – diz Joanna.

Divaldo pensa: será que ela acha que ficarei tagarelando? Vou ficar de boca totalmente fechada e, mesmo que tenha alguma dúvida, ficarei com a dúvida e acabou.

Entraram numa sala onde estava o jovem deitado no colo de uma antiga parente.
Divaldo conta que quando viu o amigo, teve um choque.
Quando sentiu o choque, o jovem amigo deu um pequeno pulo no colo da senhora.

Divaldo, silêncio! Controle-se!

Era silêncio não de palavras. Silêncio emocional.
Era controlar as emoções.

O rapaz acordou e viu-se no colo da senhora.

Vovó? Onde estou? A senhora já morreu?

Sim, meu bem. E você também morreu. Olhe quem está aqui para te visitar.

E Divaldo se aproximou do amigo.

Divaldo, você também morreu?
– Que eu saiba, ainda não! Vim só pra te visitar.

O Cavaleiro parou diante do Castelo do Silêncio.
Rebeca e o esquilo não poderiam entrar com ele. Iriam esperar.

Ele entrou no castelo e sentou no chão do salão.
E viu que nunca tinha estado tão sozinho.
De súbito, viu alguém. Era o Rei.

O Rei? Aqui?

O Rei simboliza o ego, que só pode ser visto com clareza no silêncio.
O Rei aconselha: seja bom consigo mesmo. E desapareceu por uma porta.

O Cavaleiro entrou em uma sala e, ouvindo o silêncio, chorou.
Nesse momento, ouviu a si mesmo (o Self).
Chamava-se Sam.

O Cavaleiro sentiu um sono intenso e adormeceu.

Nos processos de autoconhecimento, sentir um sono anormal é muito comum devido à intensidade do desgaste gerado em cada etapa vencida.
É um sono reparador.

O Cavaleiro acordou fora do castelo, junto do esquilo e de Rebeca.
Estava sem o elmo (o capacete).

Confuso sobre Sam, aproximou-se de Merlin para perguntar.
Merlin respondeu antes que ele fizesse a pergunta.

Como pode saber a pergunta antes mesmo que eu a faça?

Merlin responde:

Como eu me conheço, posso assim conhecer você.

E Merlin o convida a continuar pelo caminho da verdade até o Castelo do Conhecimento.

[2º. Intervalo do Seminário]

esquilo-da-mola-46178182O Cavaleiro prossegue a caminhada com Rebeca e o Esquilo.

Por duas vezes eles pararam:

Pararam para comer; pararam para o cavaleiro raspar a barba e o cabelo.

Divaldo nos conta que a forma com que construímos nossa aparência influencia nosso comportamento e vice-versa.

Lembra a história do ator Montgomery Cliff. Ele fez em um filme uma interpretação premiada de Freud, entrando profundamente no personagem.

Depois, foi convidado a fazer um personagem que morreria enforcado.

Para fazer a cena do enforcamento do personagem, tentou buscar cenas de execuções por enforcamento e não achou suficiente.

Resolveu, então, passar por um enforcamento pessoal, colocando um dispositivo para se salvar no último momento. Colocou corda e dispositivo em um quarto, subiu num banco, botou a corda no pescoço e chutou o banco.

Começou a sufocar e, quando sentiu que iria desfalecer, ativou o dispositivo. Mas ele falhou. Começou a gemer e debater-se até que um empregado da casa viu a cena, correu para suspendê-lo e berrou até que outros chegassem.

O ator sobreviveu. E interpretou um enforcamento tão real que foi altamente premiado pela crítica.

Assim foi com o ator Richard Burton e com outros atores que mergulham em seus personagens Visualizar algo é impulsionar para que seja real.

Dessa forma, é possível até mesmo atingir estados de êxtase.

A sensação profunda de integração com algo superior, que ocorre não só no plano do espírito, mas também no plano da libido.

O Cavaleiro chega ao segundo castelo, o Castelo do Conhecimento.

Ao entrar, o Cavaleiro entra em um ambiente muito escuro, como aqueles cinemas onde um pequeno ponto de luz, uma lanterniha,  pode ser vista muito longe.

Ainda assim, ele vê um vulto e se depara com Sam (o Self).
O conhecimento está em nós sempre.

Mas torna-se consciente na medida em que estamos conectados com o Universo.
O Universo é onde está depositado todo conhecimento.

Conhecer, então, é caminhar para o autoconhecimento profundo.
E precisa ser profundo.

Não estamos na Terra para sofrer, mas para nos aprimorar.
Porém, muitas vezes o peso da experiência nos traz o aprimoramento.

Divaldo lembra que ele é do tempo em que os professores faziam ditados para os alunos escreverem corretamente. Cada palavra escrita errada significava ter de escrever 10 vezes a palavra que errou para fixar o correto.

Tudo que ignoramos faz parte de nossa sombra.
Uma sombra relativa, uma vez que não é o mal, é apenas ignorância.

O terrível na sombra é a culpa.
A culpa, quando fica soterrada, ela naturalmente aflora ao envelhecermos, lá para os 70 anos.

A culpa nos fala de algo que não soubemos fazer corretamente.
Se não posso voltar e desfazer, busquemos fazer o bem agora.

EscuridaoA escuridão era tão grande que o Cavaleiro não via sequer a própria mão.

Lembrou-se de sua família

De repente, o Cavaleiro deparou-se com uma parede onde pôde ler:

  • Será que você não confundiu amor com necessidade?

Então, o Cavaleiro deu-se conta que ele precisava mais da esposa do que a amara. Lembrou-se como era no início do casamento, ela sempre esperando por ele, sempre cheia de amor. Depois, já não esperava mais. Entregara-se ao vinho e descuidara da casa e do corpo.

Lembrou ainda do filho que mal conhecera porque nunca estava em casa.
E chorou.

Percebeu que ele os amava e sentiu-se culpado pelo abandono deles.
Só amamos os outros se nós nos amarmos.

A consciência é um grande espelho.

O Cavaleiro chorou até adormecer e acordou fora do Castelo.
Levantou-se e foi até um rio para beber água.
E reparou que já tinha braços e pernas livres.

Continuou a caminhar em direção ao terceiro castelo: o Castelo da Vontade e da Ousadia.
Quando estava quase chegando ao castelo, deparou-se com um dragão:

  • O que faz aqui? – perguntou o Cavaleiro.
  • Sou o dragão do medo e da dúvida.

E o Cavaleiro recuou.

Por um instante, não sabia mais se queria voltar para casa.
Rebeca o perguntou: Vai desistir? O autoconhecimento pode matr o dragão!

O Cavaleiro: Não sei se quero prosseguir! Não sei!

Nas margens do rio, o Cavaleiro se olha na água e observa o quanto já progrediu.
Ganha coragem e volta a caminhar para o Castelo.

E o Castelo se desfez.

CasaDe repente, o Cavaleiro se vê de volta em casa.

Sua esposa e seu filho sorriem. Ele os abraça e percebe que já está livre da armadura.

Ele agora estava uno com o universo.
Ele era amor.

Divaldo lembra que estava olhando uma vitrine quando era jovem.
De repente, um homem lhe desferiu uma bofetada.

Divaldo se recuperou, olhou para o homem e perguntou:

  • Por que me bateste? Não conheço você!
  • Perdão, eu pensei ser outra pessoa que importuna minha mulher.

Quantos de nós não teríamos simplesmente reagido com bofetadas antes de querer saber o porquê da agressão?

Conta-nos que Chico Xavier estava no final de uma das reuniões públicas de psicografia, lendo as cartas psicografadas. Ao terminar a leitura de uma carta de uma mulher (espírito), um homem levanta-se, toma a carta das mãos do Chico, rasga o papel e escarra no rosto do Chico.

Chico calmamente apanha a carta seguinte e prossegue a leitura como se nada tivesse acontecido.

Mas, naquela noite, ele voltou triste para casa.

Emmanuel aparece:

  • Por que essa tristeza?
  • Você não viu o que aconteceu? O sujeito escarrou em mim!
  • Chico, na próxima vez, estenda a mão e diga: “Ué, parece que está chovendo!”. O homem fez aquilo porque ele sabe o mal que fez a esposa e deseja saber se ela já o perdoou. Por não ter encontrado na carta nada que o perdoasse, ele reagiu assim.

A consciência de culpa o fez agredir.
Todos somos amor.
Todos somos lucigênitos.

Em 1961, o espírito Amélia Rodrigues psicografou por Divaldo o “Poema da Gratidão”.

E Divaldo declama, uma vez mais, o Poema da Gratidão.

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