06-Perdão

* Referência: Capítulos do Livro Justiça Divina – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do livro O Céu e o Inferno (CI) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 06-Faltas)
Reunião pública de 6-2-61
CI – 1a Parte – Cap. VII – Item 27.

– Como é mesmo? 

Em 20 minutos, tudo pode mudar!

– Não é um pensamento terrível?

Assim comentava meu amigo Hernandes sobre uma vinheta que o impressionou.

Ele tinha ouvido isso repetir insistentemente em uma rádio.

Logo lembrei de um incidente ocorrido com uma amiga.
Pouco antes de sair para o trabalho, ela brigou com o pai.
Ao chegar no trabalho, soube que o pai tinha falecido.

Imaginem seu drama: o último contato com o pai nesse encarne foi uma briga!

Na verdade, o ser humano é o único animal que sabe que irá morrer, mas vive como se fosse viver para sempre. Não sabe se irá abrir os olhos amanhã, mas faz financiamentos em 20 anos e espera ser feliz quando se aposentar.

Nessa meditação, Emmanuel nos convida a corrigir pequenos desacertos agora, antes que 20 minutos passem e tudo mude. Antes que vire uma grande briga ou antes que o desencontro chegue.

Quantas vezes ferimos corações amigos com palavras impensadas, com gracejos fora de hora, com perguntas ou comentários inapropriados?

Ocorre com qualquer pessoa, muitas vezes sem maldade alguma.

Bastaria perceber a reação do amigo ou meditar no que foi dito e, percebendo leve traço de mal- estar, solicitar logo o perdão.

– Ah, amigão, sabe aquilo que eu disse naquela hora? Me perdoe! Não foi por mal, não deveria ter dito aquilo.

E quando a cólera nubla nosso pensamento e sai aquela pancada de palavras e ações que nunca faríamos em estado normal?

Ou mesmo aquele conselho infeliz que quer ajudar, mas que critica, magoa e envenena …
A verdade pode ser muito cruel!

Nessas horas, mais que nunca, pedir perdão é o nosso papel.

Mesmo quando percebemos que tínhamos alguma razão, mesmo quando aparentemente abrimos mão de algum “direito” ou ficamos em alguma “desvantagem”.

Nenhum direito vale mais que uma consciência em paz.
Nenhuma vantagem maior do que saber que, se não houve reconciliação, não foi porque eu deixei de tentar.

Se a consciência te acusa, repara a falta enquanto é cedo.” – recomenda Emmanuel.

Incêndios nascem de centelhas e doenças iniciam em agressões mínimas.

Usemos,  sem economizar, o caminho da humildade, o remédio do entendimento e a profilaxia do perdão.

Quantos crimes e calamidades, divisões e loucuras evitaríamos se todos nós trabalhássemos nossos pequenos desajustes enquanto ainda pequenos?

Não hesites rogar desculpas, nem vaciles apagar-te, a favor  da concórdia, com aparente desvantagem particular, porquanto, na maioria dos casos de incompreensão , em que nos imaginamos sofrer dores e ser vítimas, os verdadeiros culpados somos nós mesmos.” (Emmanuel)

==&==

Leitura da Questão: O Céu e o Inferno (CI)
Primeira Parte – Doutrina
CAPÍTULO VII – As Penas Futuras segundo o Espiritismo

Código Penal da Vida Futura 

O Espiritismo não vem, pois, com sua autoridade privada, formular um código de fantasia; a sua lei, no que respeita ao futuro da alma, deduzida das observações do fato, pode resumir-se nos seguintes pontos:

1º — A alma ou Espírito sofre na vida espiritual as consequências de todas as imperfeições que não conseguiu corrigir na vida corporal. O seu estado, feliz ou desgraçado, é inerente ao seu grau de pureza ou impureza.

Item 27 — O único meio de evitar ou atenuar as consequências futuras de uma falta, está no repará-la, desfazendo-a no presente. Quanto mais nos demorarmos na reparação de uma falta, tanto mais penosas e rigorosas serão, no futuro, as suas conseqüências.

*** Curiosidades ***

-Perdão é, sem dúvida, um dos pontos altos da Doutrina Espírita e do Evangelho de Jesus. Na Doutrina Espírita, a pergunta 886 coloca o perdão como um dos 3 verdadeiros sentidos da Caridade conforme entendia Jesus. Temos ainda o perdão como elemento básico para os trabalhos de desobsessão. No Evangelho, Jesus não só inclui o perdão na oração do Pai Nosso, como situa a reconciliação como precedente essencial a colocar nossa oferenda no altar. E ainda esclarece como perdoar e quantas vezes perdoar em vários pontos do Evangelho.

-Por que o perdão é tão importante? Por um lado, a humanidade inicia sua caminhada numa grande noite de muitas guerras, violências e vinganças. Se a soma de todas as agressões caminha em direção da guerra, a soma de todo os perdões caminha em direção da paz. Por outro lado, para perdoar e buscar ser perdoado precisamos exercitar a humildade, o entendimento e outros tantos bons sentimentos. Exercitar o perdão é trabalhar pela nossa renovação como um ser superior.

-Desculpar ou perdoar? Um complementa o outro. Desculpar trabalha nossa razão. Formado de des + culpar, seria reduzir ou retirar a culpa através de argumentos que construímos em defesa do irmão em falta. Perdoar, apesar de parecer sinônimo, trabalha nossa emoção. Do latim perdonare, seria “doar-se por inteiro” se considerarmos que perfazer é fazer inteiro, fazer por completo. Doar não só nosso entendimento, mas também nossa emoção, a parte mais difícil dessa equação.

-É comum ouvirmos dizer: eu desculpo, mas não quero ver fulano nunca mais !!! Conseguiu desculpar, mudar o pensamento e argumentar em defesa do fulano, mas não conseguiu perdoar. Mudar um sentimento é desafio muito pesado. Não é esquecer, porque precisamos aprender também com esta vivência. Mas sim, reconstruir nossa benevolência e nossa indulgência pelo fulano para que, um dia, o incidente se torne apenas um ocorrido infeliz que realmente pertence ao passado.

-Alega famoso coach paulista: Ressentimento é como a gente beber veneno e pretender que o outro morra.

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2 respostas para 06-Perdão

  1. elisamarvicentedacosta disse:

    QUE BOM SERIA SE TIVESSEMOS A HUMILDADE PARA PERDOAR MAS PERDOAR COMO O CRISTO PERDOOU SEUS ALGOZES. SERIAMOS MUITO MAIS FELIZES.

    • inacioqueiroz disse:

      Grande verdade, Elisa.
      Eu hoje classifico o perdão como um comportamento complexo que solicita vários sentimentos nobres, inclusive a humildade.
      O perdão solicita também a compreensão dos motivos do algoz, a resignação na vontade do Pai Maior e também na importância do sofrimento em nossa evolução.
      Paciência, tolerância, humildade (conforme seu comentário), paz interior.
      Solicita nossa esperança num porvir melhor após a dor, nosso condicionamento em atitudes civilizadas, nosso amor fraterno por todas as criaturas.
      Na hora do perdão, descobrimos o quanto estamos treinados no desculpar, no querer bem (benévolo) e em relevar com doçura (indulgência) as faltas dos outros.

      Ou seja, quando alcançamos o verdadeiro perdoar, necessariamente conseguimos ser uma pessoa melhor em vários aspectos.
      Obrigado por seu comentário bastante rico e instigante.
      Inacio

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