07-Filhos

* Referência: Capítulos do Livro Justiça Divina – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do livro O Céu e o Inferno (CI) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 07-Infinito Amor)
Reunião pública de 10-2-61
CI – 1a Parte – Cap. VI – Item 16.

Você também torce para que o bandido morra no final do filme?

Eu, infelizmente, já me peguei nessa torcida.

Mesmo sendo só uma ficção, isso significa que uma parte de mim ainda deseja castigar o mal com a morte.

Meu emocional, condicionamentos ou seja lá o que for, ainda se compraz na justiça do “olho por olho“, não conseguindo ver o criminoso como um irmão em desvio.

Mas como lidar com o sentimento de que o mal tem passe livre em toda parte?

Nessas horas difíceis, indagas, de ti próprio, onde a grande razão pela qual Deus tolera semelhantes abusos.” – constata Emmanuel.

E faz uma proposta interessante: como trataríamos este mesmo criminoso se ele fosse nosso filho?

Um filho reprovado merece uma Casa de Reclusão para Menores? Ou permitimos-lhe repetição do ano letivo na mesma ou em outra escola mais adequada?

Um filho que abandona o emprego, nós o condenamos por vadiagem? Ou buscamos juntos uma atividade que o interesse para que se ajuste ao dever?

Um filho doente aufere nossa reprovação, indiferença ou nojo? Ou buscamos medicação para renovar-lhe as forças?

Um filho viciado nos induz a amputar-lhe os membros para conter o vício? Ou buscamos orientações diversas, mudanças de abordagens e ambientes para reeduca-lo?

Se comete erro grave, não lhe queres a morte, porquanto sentes que a compaixão te sugere outros campos de serviço de emenda.” – acrescenta Emmanuel.

Podemos ver esta compaixão nos olhos das mães que choram por seus filhos nas portas dos muitos presídios …

Por que o amor de Deus, que ilumina estrelas e alimenta as menores criaturas, não seria bom assim? Por que o infinito Amor Divino, que envolve todos os filhos da criação, seria menor que o nosso tão imperfeito amor?

Claro que é infinitamente melhor e maior.

Perdão e auxílio é o que sempre emana do mais alto.
Hoje para algum criminoso; amanhã, talvez, para nós mesmos.

E ao notarmos que nós, Espíritos falíveis, conseguimos amar, embora a imperfeição que nos tisna de sombra, saberemos por fim que Deus é sempre amor, sempre Infinito Amor, na Justiça da Lei.” (Emmanuel)

==&==

Leitura da Questão: O Céu e o Inferno (CI)
Primeira Parte – Doutrina
CAPÍTULO VI – DOUTRINA DAS PENAS ETERNAS 

ARGUMENTOS A FAVOR DAS PENAS ETERNAS

Item16. Também se invoca a favor do dogma da eternidade das penas o seguinte argumento:

“A recompensa conferida aos bons, sendo eterna, deve ter por corolário a eterna punição. Justo é proporcionar a punição à recompensa.”

Refutação: Deus criou as almas para fazê-las felizes ou desgraçadas?

Evidentemente a felicidade da criatura deve ser o fito do Criador, ou Ele não seria bom. Ela atinge a felicidade pelo próprio mérito, que, adquirido, não mais o perde. O contrário seria a sua degeneração. A felicidade eterna é, pois, a conseqüência da sua imortalidade.

Antes, porém, de chegar à perfeição, tem lutas a sustentar, combates a travar com as más paixões. Não tendo sido criada perfeita, mas suscetível de o ser, a fim de que tenha o mérito de suas obras, a alma pode cair em faltas, que são conseqüentes à sua natural fraqueza. E se por esta fraqueza fora eternamente punida, era caso de perguntar por que não a criou Deus mais forte?

A punição é antes uma advertência do mal já praticado, devendo ter por fim reconduzi-la ao bom caminho. Se a pena fosse irremissível, o desejo de melhorar seria supérfluo; nem o fim da criação seria alcançado, porquanto haveria seres predestinados à felicidade ou à desgraça. Se uma alma se arrepende, pode regenerar-se, e podendo regenerar-se pode aspirar à felicidade.

E Deus seria justo se lhe recusasse os respectivos meios?

Sendo o bem o fim supremo da Criação, a felicidade, que é o seu prêmio, deve ser eterna; e o castigo, como meio de alcançá-la, temporário. A noção mais comezinha da justiça humana prescreve que se não pode castigar perpetuamente quem se mostra desejoso de praticar o bem.

*** Curiosidades ***

-Emmanuel nos diz que este será o milênio das artes. Meditando sobre isso, percebo que a arte nos oportuniza trabalhar intensamente com nosso emocional, um dos grandes objetivos das nossas experiências na carne. Por exemplo, conheço mais de um trabalho que usa os filmes do cinema para as pessoas meditarem sobre suas próprias vidas. Como todas as coisas, os filmes podem servir para nossa edificação ou para alimentar nossa sombra. A decisão é sempre nossa!

-Por mais que consideremos todas as pessoas como irmãos e irmãs, não tem jeito: por imaturidade, nosso emocional encara nossa família de forma diferente! Seja para melhor, seja para pior, algo feito por um desconhecido, uma dor de terceiros, qualquer coisa sempre bate em nós de jeito diferente que o sofrimento de um familiar. Não por maldade, mas por condicionamento. Comento isso porque fiquei muito emocionado pensando nas mães em visita de seus filhos nas portas dos presídios. Um dia, quem sabe, depois de muito treinar, trataremos verdadeiramente todas as pessoas como filhos e filhas de nosso coração.

-Chico iria faltar o trabalho para visitar a irmã internada em um Hospício na cidade vizinha. Emmanuel questiona: por que faltar o trabalho agora se por muitos anos mais de 300 irmãs suas estiveram lá internadas e você nunca faltou nada para visitá-las? Palavras duras, porém verdadeiras …

– Costumamos associar um final feliz com o triunfo do bem sobre o mal. Mas, usando agora as novas luzes que os espíritos nos oferecem, como poderemos dizer que o bem triunfou se aqueles que carregam o coração preso no mal ainda estão no sofrimento? Vi por esses dias o desenho infantil “Alvim e os Esquilos 3” e as cenas finais, onde a vilã se arrepende e todos se salvam juntos, mexeram comigo. Minha primeira reação foi pensar: muito piegas, irreal, infantil demais! Mas agora, meditando à luz da Doutrina, percebi que este é o verdadeiro final feliz. Dessa forma, compreendemos não só o ideal do Bodisatva budista, como dá sentido à tradição espiritual que nos conta que a primeira ação de Jesus após o desencarne foi mergulhar no abismo e ir socorrer Judas. A busca de um final feliz.

2 respostas para 07-Filhos

  1. Honorio Carlos Pereira Braga disse:

    Muito obrigado por essa colocação. É fundamental no aprendizado do Espiritismo. É muito óbvia, muito sabida, muito lida pelo Espirita mais experiente. Mas sua lembrança é necessária . Bom dia,

    • inacioqueiroz disse:

      Obrigado, amigo Honório.
      Todo mérito para os mestres Emmanuel / Chico Xavier, sempre.

      Sua observação foi imensamente oportuna.
      O livro Justiça Divina pertence a série de livros “Estudando a Codificação”.

      Uma coisa que percebi, já tem algum tempo, é que Emmanuel apanha um tópico muito simples, até mesmo batido, óbvio, corriqueiro e medita com exaustão sobre ele.
      E vai fazendo isso ao longo de dezenas de capítulos.
      Ao final, nós temos 80 a 100 pequenos tópicos situados com extrema clareza em nosso entendimento.
      Ao longo dos anos, temos aí a base da fé inabalável.

      Muito interessante.
      Mas isso exige disciplina férrea, porque só persistindo metódicamente é que surte efeito.

      Obrigado por sua apreciação.
      Forte abraço,
      Inacio

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s