24-Onde é o Céu?

* Referência: Capítulos do Livro Justiça Divina – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do livro O Céu e o Inferno (CI) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 24-Céu)
Reunião pública de 24-4-61
CI – 1a Parte – Cap. III – Item 18.

24-ceu-mito-ou-realidadeJá repararam que há muitos filmes e livros que descrevem o inferno, mas quase nenhum descrevendo o céu?

Aflitiva e longa tem sido a nossa viagem multimilenária, através da reencarnação, a fim de que venhamos a entender o conceito de céu.” – diz Emmanuel nessa meditação.

Ou seja, não descrevemos o céu porque nem mesmo entendemos o conceito do que seja o céu.

Emmanuel prossegue lembrando os diversos conceitos de “céu” para diferentes culturas.

A China antiga percebia o céu como a perfeita integração com os antepassados.

24-EgitoEntre os brâmanes da Índia, o céu era privilégio de espíritos especiais que teriam atingido o nível mais alto de pureza.

E no Egito antigo?
Para entrar no céu, era necessário entrar nas graças de um dos muitos deuses, não importando se este “deus” era bondoso ou cruel.

Entre os gregos antigos, o céu viria junto com a chamada “glória eterna”, com a lembrança pelos contemporâneos e gerações futuras dos nossos feitos e heroísmos.  
A idéia de “glória eterna” foi recentemente citada no filme “Tróia” e resgatada no episódio “O Cálice de Fogo” da sequência Harry Potter.

Em cada cultura, temos para o céu detalhes pitorescos de regiões belíssimas, farturas materiais ou sensoriais, promessas de provisões infinitas para alguma carência histórica ou avassaladora daquele grupo humano.

E, na tradição mais popular dentro da cultura ocidental, temos um “deus” que concede promoção para “eleito” o filho que mais intensamente se prostrar em louvores, adulações e, até mesmo, em mortificações.
Mortificações para o Senhor da Vida!
Adulações para o Criador do Cosmos!

24-LouvorPode?

Quando vejo estes conceitos, sinto-me como um cidadão da antiguidade que ainda acredita que a Terra é o centro do Universo!

A evolução do conhecimento vem revelando nossos enganos.

Hoje, já percebemos a força da vida em vários planos de existência, materiais e semi-materiais.
Percebemos os estados diferentes da matéria e a multiplicidade dos mundos no infinito cósmico.

Nesse contexto, percebemos ainda que estamos todos situados em variados planos de consciência segundo nosso momento evolutivo.… e que, por isso, o céu, em essência, é um estado de alma que varia conforme a visão interior de cada um.” – complementa Emmanuel.

Allan Kardec esclarece a questão com maestria:

24-jesus_abraco_ceu“Nessa imensidade ilimitada, onde está o Céu?

Em toda parte.

Nenhum contorno lhe traça limites.

Os mundos adiantados são as últimas estações do seu caminho, que as virtudes franqueiam e os vícios interditam.”

Esta explicação, presente na codificação, comprova o papel do Espiritismo como arauto da mensagem de Jesus quando desenvolve a seguinte afirmação do Mestre, grafada em Lucas (17:21):

– “O Reino de Deus está dentro de vós.”

==&==

Leitura da Questão: O Céu e o Inferno (CI)
Primeira Parte – Doutrina
CAPÍTULO III – O CÉU

Item 18. Nessa imensidade ilimitada, onde está o Céu? Em toda parte. Nenhum contorno lhe traça limites. Os mundos adiantados são as últimas estações do seu caminho, que as virtudes franqueiam e os vícios interditam. Ante este quadro grandioso que povoa o Universo, que dá a todas as coisas da Criação um fim e uma razão de ser, quanto é pequena e mesquinha a doutrina que circunscreve a Humanidade a um ponto imperceptível do Espaço, que no-la mostra começando em dado instante para acabar igualmente com o mundo que a contém, não abrangendo mais que um minuto na Eternidade!

Como é triste, fria, glacial essa doutrina quando nos mostra o resto do Universo, durante e depois da Humanidade terrestre, sem vida, nem movimento, qual vastíssimo deserto imerso em profundo silêncio! Como é desesperadora a perspectiva dos eleitos votados à contemplação perpétua, enquanto a maioria das criaturas padece tormentos sem-fim! Como lacera os corações sensíveis a idéia dessa barreira entre mortos e vivos! As almas ditosas, dizem, só pensam na sua felicidade, como as desgraçadas, nas suas dores. Admira que o egoísmo reine sobre a Terra quando no-lo mostram no Céu?

Oh! quão mesquinha se nos afigura essa idéia da grandeza, do poder e da bondade de Deus! Quanto é sublime a idéia que dEle fazemos pelo Espiritismo! Quanto a sua doutrina engrandece as idéias e amplia o pensamento! Mas, quem diz que ela é verdadeira? A Razão primeiro, a Revelação depois, e, finalmente, a sua concordância com os progressos da Ciência. Entre duas doutrinas, das quais uma amesquinha e a outra exalta os atributos de Deus; das quais uma só está em desacordo e a outra em harmonia com o progresso; das quais uma se deixa ficar na retaguarda enquanto a outra caminha, o bom-senso diz de que lado está a verdade. Que, confrontando-as, consulte cada qual a consciência, e uma voz íntima lhe falará por ela. Pois bem, essas aspirações íntimas são a voz de Deus, que não pode enganar os homens. Mas, dir-se-á, por que Deus não lhes revelou de princípio toda a verdade? Pela mesma razão por que se não ensina à infância o que se ensina aos de idade madura.

A revelação limitada foi suficiente a certo período da Humanidade, e Deus a proporciona gradativamente ao progresso e às forças do Espírito.

Os que recebem hoje uma revelação mais completa são os mesmos Espíritos que tiveram dela uma partícula em outros tempos e que de então por diante se engrandeceram em inteligência.

Antes de a Ciência ter revelado aos homens as forças vivas da Natureza, a constituição dos astros, o verdadeiro papel da Terra e sua formação, poderiam eles compreender a imensidade do Espaço e a pluralidade dos mundos? Antes de a Geologia comprovar a formação da Terra, poderiam os homens tirar-lhe o inferno das entranhas e compreender o sentido alegórico dos seis dias da Criação? Antes de a Astronomia descobrir as leis que regem o Universo, poderiam compreender que não há alto nem baixo no Espaço, que o céu não está acima das nuvens nem limitado pelas estrelas? Poderiam identificar-se com a vida espiritual antes dos progressos da ciência psicológica? conceber depois da morte uma vida feliz ou desgraçada, a não ser em lugar circunscrito e sob uma forma material? Não; compreendendo mais pelos sentidos que pelo pensamento, o Universo era muito vasto para a sua concepção; era preciso restringi-lo ao seu ponto de vista para alargá-lo mais tarde. Uma revelação parcial tinha sua utilidade, e, embora sábia até então, não satisfaria hoje. O absurdo provém dos que pretendem poder governar os homens de pensamento, sem se darem conta do progresso das idéias, quais se fossem crianças. (Vede O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. III.)

*** Curiosidades ***

-Sempre que retorno a esta questão de onde fica o Céu fisicamente, lembro de Dante Alighieri e seu guia, o poeta Virgílio, parados nas portas do Paraíso sem poder entrar. Vi esta ilustração numa edição escolar da imortal Divina Comédia, o que muito me impressionou naquela época. Interessante observar que chama-se “Comédia” não por ser engraçada, mas porque termina bem (no Paraíso), sentido antigo para a palavra “comédia”. Se terminasse mal, seria chamada de “tragédia”.

-A figura de Dante, parado na porta do Paraíso sem poder entrar, lembra-me que muitos de nós estamos ao lado de TUDO que pode nos fazer felizes e não o somos. Na verdade, nós nos colocamos fora da felicidade com nossas loucuras e viciações, sem ver que todo o necessário sempre nos é dado por Deus. Quer uma prova disso? Francisco de Assis, o pobrezinho que fez-se símbolo da felicidade em Cristo, sem nada possuir, num tempo em que ser religioso era quase garantia de bonança.

-Assim como o céu está a nossa volta sempre, todo o tempo, o inferno também está.
E este não é difícil de ser percebido!

6 respostas para 24-Onde é o Céu?

  1. Emilly Alejandra disse:

    jesus.. te.dou toda minha fé…. creiio em tii meu Deus ….

  2. A ideologia do céu em nossas vidas é uma caracterização do genio de nossa fé; ela é uma premissa do futuro e ele é um genio do presente -garantia! a reponsabilidade nossa com isso que nos envolve a cada dia é que nos mantém possuídos de esperança na realidade de um campo de imortalidade individual e ao mesmo tempo associado aos demais em afinidades.

    • inacioqueiroz disse:

      Muito interessante seu comentário, José Fernandes.
      Realmente, uma vez que entendemos o céu, este entendimento se torna um pilar em nossa psique para termos confiança no futuro.
      Ou seja, esta compreensão nos fortalece na fé.

      Obrigado pelo comentário e um forte abraço,
      Inacio

  3. carmem lúcia rodrigues disse:

    Estou num conflito muito grande quanto mais eu leio menos eu entendo..Talvez não entendo a mim nem mesmo as pessoas que estudam o Evangelho Segundo Alan Kardec!!!

    • inacioqueiroz disse:

      Oi Carmem,

      O que você quiser saber, basta perguntar.
      Não sabendo, vou procurar me esclarecer também.
      O mais importante não são as respostas, sim as perguntas.

      Muitas´pessoas ignoram e irão ignorar por longo tempo porque não percebem que há perguntas por formular.
      Ou seja, você tem um primeiro grande passo a realizar.
      Abração,
      Inacio

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s