54-Mais Amar que ser Amado

* Referência: Capítulos do Livro Justiça Divina – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do livro O Céu e o Inferno (CI) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 54-Na lei do bem)
Reunião pública de 28-8-61
CI – 1a Parte – Cap. VIII – Item 12.

54-fazendo-o-bemSe tudo é relativo, o que vem a ser o bem?
Como reconhecê-lo?
Qual a definição ideal para o bem?

Definição do Dicionário on-line Priberam (http://www.priberam.pt/dlpo/bem):

bem

(latim bene)
substantivo masculino

1. O que é bom, lícito e recomendável.
2. Conjunto de benefícios.

Assim define Emmanuel: “Entendamos, contudo, que o bem genuíno será sempre o bem que possamos prestar na obra do bem aos outros.

E aprofunda o nosso senso de “bem genuíno” com exemplos simplesmente “franciscanos“:

Temos, hoje, maturidade para nos comprometer com a construção permanente do auxílio fraterno. O bem genuíno será perseverar nele, mesmo após recolher pedradas, compadecendo-nos e entendendo que as pedras partem de mãos adoentadas.

Temos, hoje, o compromisso no auxílio de muitos. O bem genuíno será permanecer no bom auxílio, sem desgaste ou alteração, mesmo ouvindo frases insultuosas e agressivas direcionadas ao nosso nome.

54-Bem1Temos, hoje, o prazer da tarefa a realizar.

O bem genuíno é perceber-nos assaltados pela injúria de terceiros e, ainda assim, prosseguir no esforço nobre sem revolta, sem mágoa, na proteção da perfeita tolerância.

Temos, hoje, o discernimento para saber qual é nossa razão e direitos quando somos feridos por adversários. O bem genuíno é desculpar sem qualquer restrição, reconhecendo, sem o menor abalo da nossa paz, que a ofensa tem origem na ignorância do ofensor.

Temos, hoje, os talentos que nos levam sempre para o destaque nos grupos. O bem genuíno é cooperar de forma silenciosa e oculta, auxiliando sempre, sem fugas, junto a quem nos dirige.

Temos, hoje, merecimento das melhores vantagens, créditos e posições. O bem genuíno é ainda ofertar o melhor do nosso esforço aos amigos de atividade, sem nem lembrar das condições especiais que poderíamos desfrutar.

O bem é luz que se expande, na medida do serviço de cada um ao bem de todos, com esquecimento de todo mal.” – afirma Emmanuel.

54-Bem3É ajudar ao próximo a aprender como ele deve fazer para se ajudar. Mas, fazer isso sem vestir a máscara do santo ou do anjo.

É esquecer a falta do irmão, na certeza de que poderia ter sido uma falta nossa. Mas, fazer isso sem vestir a máscara do virtuoso ou superior.

Estaremos trabalhando pelo bem quando atendermos a fome, a nudez e outros.
Mas jamais esqueçamos que os transviados, os injustos, os agressivos, e tantos outros moralmente falidos, são também nossos irmãos, igualmente famintos de amor.

A felicidade real nasce, invariável, daquela felicidade com que tornamos alguém feliz.” – complementa Emmanuel.

54-sagrado-coracao-de-jesusComo nos propõe Francisco de Assis: onde houver ódio e trevas, que eu leve amor e luz, aceitando que irei mais amar do que serei amado pela multidão.

Difícil, não é?

Mas é agigantando nosso poder de amar que, finalmente, daremos término a nossa infância emocional, marcada pela necessidade de ser amado, pelos muitos pedidos de “provas de amor” e pelas tristezas por carências afetivas.

Façamos, assim, aos outros o que desejamos nos façam eles, na convicção de que, se cuidarmos da lei do bem, a lei do bem cuidará de nós.” (Emmanuel)

==&==

Leitura da Questão: O Céu e o Inferno (CI)
Primeira Parte – Doutrina
CAPÍTULO VIII – OS ANJOS 

OS ANJOS SEGUNDO O ESPIRITISMO

Item 12. Que haja seres dotados de todas as qualidades atribuídas aos anjos, não restam dúvidas. A revelação espírita neste ponto confirma a crença de todos os povos, fazendo-nos conhecer ao mesmo tempo a origem e natureza de tais seres.

As almas ou Espíritos são criados simples e ignorantes, isto é, sem conhecimentos nem consciência do bem e do mal, porém, aptos para adquirir o que lhes falta. O trabalho é o meio de aquisição, e o fim — que é a perfeição — é para todos o mesmo. Conseguem-no mais ou menos prontamente em virtude do livre-arbítrio e na razão direta dos seus esforços; todos têm os mesmos degraus a franquear, o mesmo trabalho a concluir. Deus não aquinhoa melhor a uns do que a outros, porquanto é justo, e, visto serem todos seus filhos, não tem predileções.

Ele lhes diz:

Eis a lei que deve constituir a vossa norma de conduta; ela só pode levar-vos ao fim; tudo que lhe for conforme é o bem; tudo que lhe for contrário é o mal. Tendes inteira liberdade de observar ou infringir esta lei, e assim sereis os árbitros da vossa própria sorte.

Conseguintemente, Deus não criou o mal; todas as suas leis são para o bem, e foi o homem que criou esse mal, divorciando-se dessas leis; se ele as observasse escrupulosamente, jamais se desviaria do bom caminho.

*** Curiosidades ***

– Quando comecei a meditar no texto acima, lembrei-me muito de uma situação narrada sobre Francisco de Assis que sempre me deixou chocado, mas que hoje compreendo melhor. Contam que ele estava junto com outro frei, creio que era Frei Leão, em uma penosa viagem, com fome, frio e dores pelo cansaço. O companheiro dele de viagem expressa a seguinte ideia:

– Fico alegre em pensar que, em breve, estaremos no nosso destino descansando, aquecidos e com uma boa refeição.

E Francisco de Assis responde algo dessa forma, ao sabor da minha memória:

– Sim, irmão! Mas a verdadeira felicidade seria se fôssemos recebidos com pauladas e pedradas e, ainda assim, continuássemos adiante sem perder nossa alegria.

É esta “resistência interior” que Emmanuel chama de “bem genuíno”.

– O espíritos nos dizem que a Lei de Deus, ou Lei Natural, está inscrita em nossa consciência. Mas como fazer a leitura dessa lei? A consciência precisa estar desperta e, em seguida, instruída para o bem. O canibal devora o inimigo porque julga não fazer mal nenhum. Um dia, ao ver um familiar devorado, ele desperta. A dor o mostra que algo nisso não é bom. Mas pode caminhar para a vingança e continuar na roda de sofrimentos, até que se instrua e perceba que a dor que dói em nós, dói da mesma forma nos outros. “Espíritas! amai-vos, este o primeiro mandamento! Instrui-vos; este o segundo!”. (Kardec)

– O fato de conhecermos o que é o bem não significa que seremos capazes de efetuar o bem nas horas necessárias. Temos novos conhecimentos, mas nossas emoções estão ainda condicionadas nas nossas antigas vivências. Vi grandes médiuns vacilarem em situações banais de amor ao próximo. Vi um grupo inteiro de desobsessão, especialistas em auxiliar na reconciliação entre “justiceiros e vítimas”, rachar bandeirosamente ao vivenciar uma situação de injustiça que vitimou o grupo.
Estão errados? Hipocrisia? Não! Estão no esforço sadio, treinando a pessoa boa que ainda não somos. Quem entra numa autoescola, treina ser o motorista que ainda não é. Quem entra numa Casa Espírita, treina ser a pessoa de bem que ainda não é.
Continuemos, assim, em nosso esforço de treinamento, nos perdoando ao errar e prometendo sempre que, na próxima, faremos tudo bem melhor!

– Botei este título na meditação porque as pessoas costumam cantar a Oração de São Francisco com a seguinte frase: “Fazei que eu procure mais” … “Amar e ser amado”.
 Quando o correto é “Fazei que eu procure mais” … “Amar QUE ser amado”.
Ato falho? Rsrs, talvez!

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