62-Verdadeiro Espírita

* Referência: Capítulos do Livro Justiça Divina – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do livro O Céu e o Inferno (CI) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 62-Espíritas diante da morte)
Reunião pública de 25-9-1961
CI – 1
a Parte – Cap. II – Item 10.

62-Pinga fogoOuvi certa vez uma recomendação do Eurípides, o filho adotivo de Chico Xavier:
— Conheça mais a vida de meu pai. Envolva-se com suas ideias.

Esta frase dele nunca mais me saiu da cabeça, principalmente porque sempre que li as obras de Chico ou algo sobre sua biografia, aprendi algo, me emocionei, relembrei uma verdade ou pude rever minhas certezas.

Nessa meditação, lembrei-me de Chico Xavier viajando de avião em 1959, numa viagem muito turbulenta entre Uberaba e Pedro Leopoldo.

O caso foi narrado pelo próprio Chico no famoso programa Pinga Fogo, o qual terei que resumir para que não nos alonguemos em demasia.

Chico e EmmanuelO avião dava largas piruetas de cabeça para baixo devido a um fenômeno chamado “vento de cauda”.

O comandante tentou acalmar a todos, mas o pânico instalou-se.

Pessoas vomitavam e berravam.

Chico entrou no clima, como ele mesmo narrou, e fez um escândalo com fé:
— “Valei-me, socorro, meu Deus!”

Surge Emmanuel dentro da aeronave:
— Por que você está gritando?
Você não acha que estamos em perigo de vida? – perguntou Chico.
— Estão. E o que é que há com isso? Não tem muita gente em perigo de vida? Vocês não são privilegiados, não é?
Se estamos em perigo, eu vou gritar! – disse Chico. E continuou o escândalo.
Está bem, então você acha que vai morrer. (…) Está bem, então morra com educação. Cala a boca e morra com educação para não afligir a cabeça dos outros com seus gritos, morra com fé em Deus!

E Chico termina o caso perguntando:
Eu queria só saber como é que a gente pode morrer com educação!

62-DoutrinaNessa meditação, Emmanuel enumera os tesouros de conhecimentos que a Doutrina Espírita nos traz perante os temas mais difíceis da existência humana.

Para quem chora a morte de alguém, a Doutrina Espírita não só consola, mas esclarece nossa razão sobre o futuro reencontro, aliviando a dor da separação.

Para quem questiona sobre punições além da morte, a Doutrina Espírita mostra a relação delito e resgate, fazendo ver que o inferno é emocional e que o sofrimento cessa quando cumprimos a justa reparação.

Para quem teme os expurgos em regiões infernais, a Doutrina Espírita explica que sofremos por força de nossas ações infelizes e que tudo termina em nova oportunidade numa nova encarnação nos caminhos da Terra.

Para quem pensa nas maravilhas celestes, a Doutrina Espírita mostra que o céu está na feliz sublimação que cada um já conquistou; que é um céu interior e sem ócio, onde os mais elevados nas virtudes se empenham no socorro permanente dos que ainda sofrem nas sombras.

Para quem conta com o amparo da Divina Providência:
A Doutrina Espírita não apenas confirma que o amor infinito de Deus abraça todas as criaturas, mas também adverte que todos receberemos, individualmente, aqui ou além, de acordo com as nossas próprias obras.” – descreve Emmanuel.

62-Jesus8Apesar de tanto esclarecimento, nosso lado humano ainda teme a morte … apesar de sabermos que não deveríamos mais temê-la.

É que ainda nos falta, enquanto aprendizes espíritas, alinhar o campo da emoção com o campo da razão, fazendo da Doutrina Espírita mais do que conhecimento, mas sim sabedoria.

Como nos diz Emmanuel sobre como deve ser a visão dos verdadeiros espíritas:
Para todos eles, a desencarnação em atendimento às ordenações da Vida Maior é o termo de mais um dia de trabalho santificante, para que se ponham, de novo, a caminho do alvorecer.

==&==

Leitura da Questão: O Céu e o Inferno (CI)
Primeira Parte – Doutrina
CAPÍTULO II – TEMOR DA MORTE

Por que os espíritas não temem a morte

10. A Doutrina Espírita transforma completamente a perspectiva do futuro. A vida futura deixa de ser uma hipótese para ser realidade. O estado das almas depois da morte não é mais um sistema, porém o resultado da observação. Ergueu-se o véu; o mundo espiritual aparece-nos na plenitude de sua realidade prática; não foram os homens que o descobriram pelo esforço de uma concepção engenhosa, são os próprios habitantes desse mundo que nos vêm descrever a sua situação; aí os vemos em todos os graus da escala espiritual, em todas as fases da felicidade e da desgraça, assistindo, enfim, a todas as peripécias da vida de além-túmulo. Eis aí por que os espíritas encaram a morte calmamente e se revestem de serenidade nos seus últimos momentos sobre a Terra. Já não é só a esperança, mas a certeza que os confortam; sabem que a vida futura é a continuação da vida terrena em melhores condições e aguardam-na com a mesma confiança com que aguardariam o despontar do Sol após uma noite de tempestade. Os motivos dessa confiança decorrem, outrossim, dos fatos testemunhados e da concordância desses fatos com a lógica, com a justiça e bondade de Deus, correspondendo às íntimas aspirações da Humanidade.

Para os espíritas, a alma não é uma abstração; ela tem um corpo etéreo que a define ao pensamento, o que muito é para fixar as idéias sobre a sua individualidade, aptidões e percepções. A lembrança dos que nos são caros repousa sobre alguma coisa de real. Não se nos apresentam mais como chamas fugitivas que nada falam ao pensamento, porém sob uma forma concreta que antes no-los mostra como seres viventes. Além disso, em vez de perdidos nas profundezas do Espaço, estão ao redor de nós; o mundo corporal e o mundo espiritual identificam-se em perpétuas relações, assistindo-se mutuamente.

Não mais permissível sendo a dúvida sobre o futuro, desaparece o temor da morte; encara-se a sua aproximação a sangue-frio, como quem aguarda a libertação pela porta da vida e não do nada.

*** Curiosidades ***

– Se Jesus é o nosso modelo moral e Kardec é nossa base para entender o mundo dos espíritos desencarnados e encarnados, Chico Xavier é o nosso exemplo de como viver a Codificação Espírita nos dias de hoje. Ainda assim, mesmo ele mostrou ter um lado humano nos momentos de uma possível “morte súbita”. Seriam, então, irreais as últimas palavras de Emmanuel no capítulo 62 (vide o último parágrafo da meditação)? Não! Emmanuel nos mostrou o comportamento ideal, a direção que deve tomar nosso treinamento. Cada um chegará nesse ideal em seu tempo. Afinal, quando realmente chegada a hora de seu desencarne, Chico Xavier preocupou-se serenamente em estar ou não barbeado, deixar tudo bem arrumado e partir em paz.

– O que seria o tal do “nosso lado humano”? O corpo luta incessantemente para viver, se alimentar, reproduzir, estar seguro e outros. Dependendo de em quantas encarnações estivemos sofrendo com este “lado humano”, podemos estar condicionados a ter medo da fome, mesmo estando em meio da abastança. Podemos ter horror à traição mesmo tendo cônjuges notadamente confiáveis. Para desfazer um condicionamento, deveremos treinar por longuíssimo tempo um comportamento contrário, até que o equilíbrio retorne ao nosso inconsciente e ao nosso emocional. E a Codificação Espírita nos ensina a perceber quais os condicionamentos que precisam ser refeitos.

– Como nos disse Eurípedes: precisamos TODOS nos envolver com a vida e as ideias de Chico Xavier. Ele fez-se canal de consciências superiores que buscaram nos orientar qual caminho seguir. E Chico conseguiu manter-se nesse caminho, certamente seu maior desafio. Nossa reverência ao vitorioso irmão, um completista, arauto do Cristo e da era de Regeneração, Chico Xavier.

– Ninguém tira da minha cabeça que o personagem Prof. Xavier dos X-Men, criado por Stan Lee, foi inspirado em Chico Xavier. Além das habilidades muito parecidas e da certa fragilidade física, o nome completo do personagem é “Charles Francis Xavier”.
Coincidência?

Quer uma boa biografia sobre o Chico? “As Vidas de Chico Xavier” do jornalista Marcel Souto Maior. Ela serviu de base para o filme sobre a vida do Chico. Como o autor do livro é um jornalista profissional e não era espírita, o livro tornou-se muito agradável, imparcial e foge dos conhecidos clichês do meio espírita (clique aqui para ler um trechinho). Muito bom!

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4 respostas para 62-Verdadeiro Espírita

  1. sammy dresses disse:

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  2. Ricardo Salles disse:

    Esse episódio é aquele que foi retratado no filme do Chico, né? Emmanuel era bem severo com o seu pupilo, hein! rsrsr…
    abs.

    • inacioqueiroz disse:

      Exatamente.
      Considerando a mensagem do capítulo, achei que essa passagem é bem apropriada por mostrar a dificuldade de TODOS (inclusive do Chico) de cumprir com facilidade a proposta de Emmanuel.
      Por mais que a Doutrina nos explique o fenômeno da morte e da reencarnação, existe toda uma carga de emoções e condicionamentos que precisamos trabalhar para fazer dos postulados uma sabedoria dentro de nós.
      Não está no campo do impossível, mas também é leviano achar que basta ter o conhecimento.
      Valeu pelo comentário.
      Abração,
      Inacio

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