65-Desvelo ou Medo?

* Referência: Capítulos do Livro Justiça Divina – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do livro O Céu e o Inferno (CI) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 65-Diante do amanhã)
Reunião pública de 16-10-1961
CI – 1a Parte – Cap. I – Item. 1.

65-medo1Em palestra pública, lembro de Divaldo Franco ter feito uma das afirmativas mais polêmicas que tenho apresentado nos grupos de estudo.

Disse que a caderneta de poupança é uma forma atual de deixar nosso próximo abandonado na necessidade enquanto tememos pelo futuro.

Assustadora essa ideia, não acha?

Compreendemos, sim, todos os teus cuidados no mundo, assegurando a tua tranquilidade.” – inicia Emmanuel esta meditação.

Enumeremos, por um instante, nossos afazeres diários?

– a casa organizada e limpa.
– os parentes atendidos e encaminhados.
– os filhos em segurança.
– amigos e vizinhos carinhosamente atendidos.

65-dona_de_casa– o patrimônio protegido e valorizado.
– a cama arrumada.
– a refeição escolhida entre tantas possíveis.
– a renda melhorada, o salário mais alto.

– a defesa dos direitos perante tribunais.
– as notícias do dia.
– a hora do médico, do dentista, da manicure.
– o filme novo tão falado, a roupa nova tão na moda.

– as ações de um político, a eficiência de um serviço público.
– a opinião de um grupo, a simpatia de um companheiro.
– amanhã vai ter sol? Vai chover?

Tudo isso, meu irmão da Terra, é compreensível, tudo isso é preocupação natural da existência.” – afirma Emmanuel.

65-panicoMas onde termina o desvelo sadio e começa o medo mórbido, que cuida apenas do dia de hoje e esquece nossa condição de espíritos eternos e filhos de Deus?

Caminhando muito longe da solicitação de Jesus que nos roga olhar “os lírios do campo e as aves do céu”, nos apegamos desvairadamente às ilusões de superfície, sem refletir que tudo é transitório e que nosso Pai vela por nós.

Chegamos na escola da Terra sem nada material e sairemos dela sem nada levar.
Caixão não tem gaveta.” – diz a sabedoria popular.

65-jesusDevemos, então, viver pensando sempre na hora da morte?
Não!

Mesmo porque, a morte é apenas a vida que continua em outro plano.
Não devemos é perder de vista o real valor de cada coisa e de cada hora.

Andai enquanto tendes luz” – disse Jesus.
Isso quer dizer que é preciso aproveitar a luz do mundo, para fazer luz em nós.” (Emmanuel)

==&==

Leitura da Questão: O Céu e o Inferno (CI)
Primeira Parte – Doutrina
CAPÍTULO I – O PORVIR E O NADA

1. Vivemos, pensamos e operamos — eis o que é positivo. E que morremos, não é menos certo.

Mas, deixando a Terra, para onde vamos? Que seremos após a morte? Estaremos melhor ou pior? Existiremos ou não? Ser ou não ser, tal a alternativa. Para sempre ou para nunca mais; ou tudo ou nada: Viveremos eternamente, ou tudo se aniquilará de vez? É uma tese, essa, que se impõe.

Todo homem experimenta a necessidade de viver, de gozar, de amar e ser feliz. Dizei ao moribundo que ele viverá ainda; que a sua hora é retardada; dizei-lhe sobretudo que será mais feliz do que porventura o tenha sido, e o seu coração rejubilará.

Mas, de que serviriam essas aspirações de felicidade, se um leve sopro pudesse dissipá-las?

Haverá algo de mais desesperador do que esse pensamento da destruição absoluta? Afeições caras, inteligência, progresso, saber laboriosamente adquiridos, tudo despedaçado, tudo perdido! De nada nos serviria, portanto, qualquer esforço no sofreamento das paixões, de fadiga para nos ilustrarmos, de devotamento à causa do progresso, desde que de tudo isso nada aproveitássemos, predominando o pensamento de que amanhã mesmo, talvez, de nada nos serviria tudo isso. Se assim fora, a sorte do homem seria cem vezes pior que a do bruto, porque este vive inteiramente do presente na satisfação dos seus apetites materiais, sem aspiração para o futuro. Diz-nos uma secreta intuição, porém, que isso não é possível.

*** Curiosidades ***

– O efeito mais claro que percebo da fé é uma profunda convicção de que tudo sempre dará certo no final. Não o certo que esperamos, mas o certo que nos levará ao crescimento como espíritos eternos.

– Conheço muitas pessoas que estão afogadas nos afazeres do dia a dia. “Não tenho tempo” – ouvimos muito dizer. Mas tempo tem profunda relação com aquilo que consideramos importante. É importante ir ao banheiro? Paramos TUDO e corremos para ele.
É importante encontrar Jesus e aprender com Ele?

– Qual o real valor de cada coisa e de cada hora? Dinheiro NUNCA pode ser fim, apenas meio de uma vida mais confortável. Se perco a paz por causa dele, algo está errado. As coisas são úteis enquanto servem. Se não servem mais e podem servir algum dia, melhor dar para alguém. E a hora de aprender e de ser feliz é agora.

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9 respostas para 65-Desvelo ou Medo?

  1. Dani de Faria disse:

    kkkk, ahhhh meu amor, desta vez não me deu espaço para réplica?! Não se preocupe o blog é seu não cabe a mim iniciar um debate (embora tenha argumentos suficientes para rebater tua alegação). Você me conhece. Não sou cabeça dura, mas qdo acredito no meu ponto de vista vou até o fim, ou pelo menos até que me convençam do contrário.
    Existe um livro espírita que conta a história do que aconteceu com o Jovem Mancebo após o diálogo com Jesus. Não me lembro o nome, mas vou pesquisar e passo para você.
    Cada um de nós tem uma missão para cumprir neste planeta, meu amor. Sinceramente, não acredito que Ele queira q eu distribua todas as minhas posses e vire freira (não “altura do campeonato”rsrs), mas dentro dos talentos que me foi confiado que eu faça o melhor possível.
    Agora, para aqueles que acham chamados a seguir literalmente o conselho do Mestre ao Jovem Mancebo “doar todas as posses terrenas e segui-lo”, que o faça sim.
    Cada um de nós temos o caminho que nos foi traçado para nosso aperfeiçoamento rumo a Casa do Pai.
    Bjs (percebi que seu bj se transformou num abraço..rsrsrs fazer o quê ?!)

    • inacioqueiroz disse:

      Rsrsrs
      É verdade, eu assinei com um “Abração”.
      Foi a pressa. Retorno de férias é sempre corrido.

      Divaldo Franco contou essa história do Jovem Mancebo numa palestra.
      Segundo a história, não foi “apego aos bens” a causa que o levou a não se desfezer de pronto, mas porque ele queria participar de uma competição de quadriga para qual ele vinha treinando fazia muito tempo. Conta a história que ele tinha decidido competir e desfazer-se dos bens logo após.
      Ele estava apegado a um objetivo: a competição.
      Mas ele desencarna na competição por acidente e Jesus o recebe nos braços.

      Ainda assim, seja pelos bens ou por interesses outros, a passagem nos fala do apego.
      E o apego é o medo (de perder ou de não ter).

      E eu concordo plenamente contigo: Cada um de nós têm o caminho que nos foi traçado.
      Conhecer a vida daqueles que nos precederam na ascenção é um meio de descobrir o que nos falta galgar.

      Bjão e bjins,
      Inacio

    • inacioqueiroz disse:

      O texto 32 do Justiça Divina fala sobre Previdẽncia:
      https://estudandocomchicoxavier.wordpress.com/justica-divina/anteriores-jd/de-31-a-40/32-alerta-a-humanidade/
      Vem falando justamente desse equilíbrio fino entre prever as faltas e não cair no desamor.
      Bjs,
      Inacio

  2. Dani de Faria disse:

    Com todo respeito ao Divaldo Franco, concordo com o Ricardo. Ele exagerou nesta afirmativa. O melhor caminho é o do meio. O fato da pessoa ser previdente não quer dizer que seja egoista.
    Bjbj

    • inacioqueiroz disse:

      Obrigado pelo coment, Dani.
      Mas não digo que seja egoísmo.
      Digo que é medo, é falta de confiança de que, quando amparamos, também somos amparados mesmo sem saber como tal amparo acontecerá.

      Mas isso tudo é uma construção da fé em nosso emocional.
      Tudo a seu tempo.
      Muitos beijos …

      • Dani de Faria disse:

        Querido Inácio,
        O Mestre Jesus sempre nos amparará. Isso é uma afirmação bíblica. A avareza, como todos aprendemos desde criança, é um pecado e, assim como os espíritas tão bem o sabem por meio do livro dos espíritos, na literatura psicografada pelo Chico Xavier etc, a Lei da Ação e Reação restabelecerá o equilíbrio cósmico e veremos a justiça divina. Não como vingança, mas como forma de aprendizado.
        Os dizeres do Sr. Divaldo Franco, como por você mesmo afirmado no texto “supra” foi: “(…) caderneta de poupança é uma forma atual de deixar nosso próximo abandonado na necessidade (…).
        O fato de pouparmos não que dizer necessariamente que tenhamos medo do futuro, nem que deixaremos de ajudar aos irmãos necessitados. Devemos ter cuidado ao utilizar o discurso do “medo do futuro” para não justificar atitudes perdulárias, como de pessoas, p. ex., sem motivo razoável contraem dívidas astronômicas. Tudo por acreditar justamente que Deus tudo proverá. Com todo respeito…coitado de Deus…ainda tem que se responsabilidar por filhos irresponsáveis.
        Eu falo aqui em ser previdente, não em ser avarento. São duas coisas bem diferentes. Não podemos radicalizar, principalmente quando temos familía para prover o sustento. Estilo de vida perdulário não só é falta de fé da providência divina que nos proporciona o salário para obtermos todos os dias “pão nosso de cada dia” e o dos nossos dependentes, assim como demostra imaturidade financeira.
        Não podemos ignorar o fato, há casos em que o irmão necessitado que hoje ajudamos possuía meios para prover o sustento, mas tudo perdeu vivendo de modo desregrado. A parábola do Filho Pródigo ilustra bem isso. Como disse no início, Deus tudo proverá, mas temos que fazermos por onde cultivando as virtudes e fugindo dos vícios.
        Bjs,

      • inacioqueiroz disse:

        Oi Dani,
        Entendo seus argumentos. Obrigado.
        De fato, o bom senso é necessário em todas as horas.

        Se conseguirmos reunir recursos sem deixar de negar ajuda a quem precisa, sinal que somos abençoados.
        E se conseguirmos ainda cumprir a recomendação evangélica de fazer o bem sem olhar a quem, estaremos juntando um tesouro nos Céus.

        O Filho Pródigo foi perdulário, mas foi acolhido em retorno pelo Pai sem qualquer restrição.
        Já o Jovem Mancebo foi chamado por Jesus ao desapego das riquezas terrenas em momento ímpar e não conseguiu.

        Abração,
        Inacio.

  3. Ricardo Salles disse:

    A Divina Providência (suprema sabedoria do Universo) deu ao homem a “previdência”. Logo, creio que o Divaldo exagerou em sua colocação. Mas…ele tem muito crédito…é uma grande referência para todos nós.
    abs.

    • inacioqueiroz disse:

      Oi Ricardo. Obrigado pelo coment, sempre oportuno. Sera que nao damos o nome de ‘previdencia” ao nosso medo do futuro? Por outro lado, seria justo negar auxilio em nome da previdencia? Nessas perguntas, o medo tem grande impacto nas respostas. Abracao

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