75-Entendimento

* Referência: Capítulos do Livro Justiça Divina – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do livro O Céu e o Inferno (CI) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 75-Crenças)
Reunião pública de 20-11-1961
CI – 1a Parte – Cap. VI – Item. 23.

75-ImposicaoAssim inicia Emmanuel esta meditação:

<< Declara Allan Kardec:A crença é um ato de entendimento que, por isso mesmo, não pode ser imposta.
E ousamos acrescentar que isso ocorre, porquanto cada consciência cultiva a fé segundo o degrau evolutivo em que se coloca ou de conformidade com a posição circunstancial em que vive. >>

Fez-me lembrar de um amigo querido, espírita, comentando sobre a sua esposa.
Ela, pessoa não espírita, foi assistir com o marido o filme “Nosso Lar“.
E fez uma observação que me surpreendeu.

75-nosso-lar-judaismo_cristianismoEla reparou que na cena onde André Luiz conversava com o Governador de Nosso Lar, as paredes da sala ostentavam os símbolos sagrados de todas as religiões do planeta.

E ela comentou: os espíritos não são do Espiritismo, mas de todas as crenças. Quem compreende isso, quer bem a todas as religiões.

Grande verdade!
O Governador de Nosso Lar já compreendia isso.
Porém, é fácil perceber que larga maioria da Humanidade não pensa assim.
Inclusive, muitos irmão espíritas!!

75-ReligInfantilCabe a nós ajudar as pessoas nesse entendimento e na compreensão da Doutrina Espírita? Ajudar, sim! Forçar, nunca!

Não se ensina Filosofia para uma criança que não concorda com certas ideias. Com muita paciência, devemos guiar seu raciocínio infantil com os recursos da lógica.

Não se arranca a única bóia do náufrago para ensinar-lhe a subir no navio.
Isso é maldade! Apenas ofereçamos a ajuda fraternal.

E por aí vamos:

– Dogmas
– Fanatismos
– Opiniões prepotentes
– Intolerância
– Injúrias teológicas
– Preconceitos

tudo isso encontraremos como enfermidades comuns a todas as casas religiosas.

75-fanatismo-religiosoIrão desaparecer com o tempo? Sim.
O tempo traz, em silêncio,  a evolução para todos, inevitavelmente.

Mas, enquanto não desaparecem, o espírita-cristão, encarnado e desencarnado, deve sempre superar-se em serviço e boa vontade, dentro da obra do bem.

Não é abandoná-los.
Eles são responsáveis pelo progresso pessoal deles? São.
Compete a eles os méritos das boas obras? Sim.
Deus é perfeito em sua Justiça, sem favoritismos? Sabemos que sim.

Mas não é a toa que nos foi permitido termos hoje tanta consciência, sob a bênção da fé raciocinada.

Ela não pode existir em nós como um lindo enfeite para ser usado só nas conversas sociais. Ela precisa clarear caminhos, assim como já clareia o nosso.

75-Nosso LarNão com imposições, mas com auxílio incessante.
Não com vaidades, mas reconhecendo que já fomos nós os obliterados.
Não com reprovações, mas aceitando que cada um tem seu tempo certo para entender.

Apenas auxiliemos.
A libertação se dará não pelo nosso esforço, mas pelo esforço do irmão auxiliado em consonância com os recursos que o Criador ofereceu a todos nós.

Como nos disse Jesus:Conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres.

75-VerdadeE assim conclui Emmanuel:
<< Não disse o Mestre que o mundo já conhecia a verdade, nem precisou a ocasião em que a verdade será geralmente conhecida entre os homens.

<< Mas dando a entender que a verdade é luz divina, conquistada pelo trabalho e pelo merecimento de cada um, afirmou, simplesmente: “conhecereis. >>
(Emmanuel)

==&==

Leitura da Questão: O Céu e o Inferno (CI)
Primeira Parte – Doutrina
CAPÍTULO V – DOUTRINA DAS PENAS ETERNAS

A Doutrina das Penas Eternas fez sua Época

23. — A crença é um ato de entendimento que, por isso mesmo, não pode ser imposta. Se, durante certo período da Humanidade, o dogma da eternidade das penas se manteve inofensivo e benéfico mesmo, chegou o momento de tornar-se perigoso. Imposto como verdade absoluta, quando a razão o repele, ou o homem quer acreditar e procura uma crença mais racional, afastando-se dos que o professam, ou, então, descrê absolutamente de tudo. Quem quer que estude o assunto, calmamente, verá que, em nossos dias, o dogma da eternidade das penas tem feito mais ateus e materialistas do que todos os filósofos.

As ideias seguem um curso incessantemente progressivo, e absurdo é querer governar os homens desviando-os desse curso; pretender contê-los, retroceder ou simplesmente parar enquanto ele avança, é condenar-se, é perder-se. Seguir ou deixar de seguir essa evolução é uma questão de vida ou de morte para as religiões como para os governos. Este fatalismo é um bem ou um mal? Para os que vivem do passado, vendo-o aniquilar-se, será um mal; mas para os que vivem pelo futuro é uma lei do progresso, de Deus em suma; e, contra uma lei de Deus é inútil toda revolta, impossível a luta.

Para que, pois, sustentar a todo o transe uma crença que se dissolve em desuso fazendo mais danos que benefícios à religião? Ah! contrista dize-lo, mas uma questão material domina aqui a questão religiosa. Esta crença tem sido grandemente explorada  pela ideia de que com dinheiro poder-se-iam abrir as portas do Céu e se preservar do inferno. As quantias por estes meios arrecadadas, outrora e ainda hoje, são incalculáveis, e verdadeiramente fabuloso o imposto prévio pago ao temor da eternidade. E sendo facultativo tal imposto, a renda é sempre proporcional à crença; extinta esta, improdutivo será aquele. De bom grado cede a criança o bolo a quem lhe promete afugentar o lobisomem, mas se a criança já não acreditar em lobisomens, guardará o bolo.

*** Curiosidades ***

– Já tem bastante tempo que defendo que nossa evolução se dá inicialmente por “estudar“, onde encontraremos o entendimento. Após isso, vem a missão de “discernir” que é reunir o nosso campo emocional com aquilo que já entendemos. Seria um entendimento profundo, formando senso moral e sabedoria. Um exemplo disso é quando jogamos algum lixo no chão e ficamos profundamente incomodados, acabando por retornar ao local, apanhar o lixo e levar para um cesto. Um dia, alguém nos ensinou que é errado, mas era apenas um entendimento. Após décadas praticando o certo e nos abstendo do errado, tornou-se mais que um entendimento. Tornou-se orgânico e motivo de incômodo. Foi discernido e tornou-se senso moral.

– Todo iniciante que se maravilha com a Doutrina Espírita tem vontade de ir para praça pública com um megafone e provocar as pessoas com o que aprendeu. Essa vontade também me abordou. Mas logo compreendi que só entendemos aquilo que já estamos preparados para entender. Nas palavras de Stefan Zweig, precisa nascer no horizonte do nosso entendimento. Por isso que materializações ostensivas não convenceriam à nossa sociedade sobre a verdade do plano espiritual. Num tempo de tantos efeitos especiais, seriam muitos os que perguntariam: “que efeito especial usaram para isso?“.

– O que mais importa não é a crença nos espíritos, mas a construção do senso moral. Há pessoas que não creem em espíritos e que são excelentes irmãos. Há pessoas espiritistas que não fazem disso um objeto de renovação e agravam débitos com a Justiça Divina.
Volto a dizer: não foi o acaso que nos permitiu o estudo e o entendimento da Doutrina Espírita. A Doutrina é o talento que o Rei depositou nas nossas mãos, seus servos. Precisamos cuidar para que ela se multiplique! ‘Bora?

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2 respostas para 75-Entendimento

  1. Mauro disse:

    Maravilhoso estudo, mostrando o quanto devemos respeitar ad opções religiosas dos outros.

    • inacioqueiroz disse:

      Obrigado, Mauro.
      Todo mérito aos mestres Chico Xavier / Emmanuel.

      A tolerância ainda é grande desafio para os estudantes da Terra.
      E nasce na dificuldade de aceitação que temos com nós mesmos.
      Como nos disse Jesus: a vara que usarmos para medir os outros é a mesma vara que será usada para nos medir.

      No final, nossa batalha é toda interior.
      Abração,
      Inacio

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