86-O Caminho de Casa

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 86-Pediste)
Reunião pública de 28-11-60
Questão LM no. 291 inciso 19

Uma vez mais, o grande orador espírita Divaldo Pereira Franco veio cantar as belezas do Cristo na cidade do Rio de Janeiro, encantando o público carioca.

E lá vou eu atrás dele, com o coração em festa, atraído pela luz qual um desses muitos cupins voadores numa noite quente, voando de palestra em palestra.

Tudo maravilhoso!

Nesse ano de 2012, Divaldo rememorou seu encontro com antigo obsessor dele, hoje seu amigo, o Máscara de Ferro. Disse-nos Divaldo que ele estava lá, no auditório, pedindo para que contasse sua história.

Aquele rosto marcante, inexpressivo, que apavorou Divaldo desde criança.
Ao ver uma das versões do clássico “O Homem da Máscara de Ferro”, acabou atribuindo-lhe o mesmo nome.

Tratando Divaldo como “monstro”, Máscara de Ferro buscou atormentar Divaldo Franco por várias formas, na intenção aberta de destruí-lo. Foram 30 anos de tormentos.

Recomendou-nos Kardec: “… cansar-lhe a paciência, mostrando-se mais paciente que ele. Desde que se convença de que está a perder o tempo, retirar-se-á …”
Por fim, Máscara de Ferro anunciou sua retirada. E assim fez por 10 anos.

Mas reapareceu de súbito, num dia onde um novo bebê acabava de ser recolhido de uma lixeira de Salvador e levado para a Mansão do Caminho, entidade mantida por Divaldo.

Divaldo acolheu a menina.
Sem nome, sem família, disse-nos Divaldo que a segurou no colo e rememorou para o público o diálogo daquela hora:
— Agora você tem uma família !
— Como você pode adotar e amar uma estranha, achada num lixeira?questionou-lhe o Máscara de Ferro.
— Por que não amaria? É uma linda menina. Não acha?
— Claro que acho. Você tem nos braços a minha mãe!
— Então, essa é Mami ??!!!acentuou Divaldo enquanto o público soltava larga risada.
— Sim, sim ! Essa é a minha mãe! Você vai amá-la mesmo assim?
— Sim, agora ela será mais uma da nossa família.

Desse dia em diante, Máscara de Ferro não só parou de atormentar Divaldo Franco, como também se tornou um grande amigo do médium.

Ao rever essa história, é comum atentarmos para a dinâmica entre Divaldo Franco e Máscara de Ferro.

Mas, para essa meditação, focaremos no outro espírito missionário daquela hora: a mãe do Máscara de Ferro!

Emmanuel nos lembra que variadas situações de nossa atual caminhada foram por nós mesmos pedidas no planejamento deste novo encarne.

Diante dos entes amados que brilham nas Esferas Superiores, rogaste as oportunidades de trabalho que hoje te felicitam a senda.” — lembra-nos Emmanuel.

Suplicamos para reencarnar após revisão de nossos erros e acertos, após listar danos e culpas. E não esquecemos de nada.

– As provas de infância para a imposição de reajustes desde tenra idade.
– O lar recoberto de dificuldades, com largas carências, com pouca margem para fantasias de consumo descontrolado ou desperdícios.

– A difícil condição social, pródiga de obediências e disciplinas torturantes, onde orgulho e vaidade não recebem guarida.
– Os problemas de família, ombreando cúmplices e vítimas do passado sombrio, que clamam por novas disciplinas para nosso coração.

– A doença que nos compele sempre à limitação, fugindo de tentações infelizes e curando-nos enquanto espíritos imortais.

Sim, pedimos tudo isso lá no Ministério da Encarnação, na esperança de uma experiência realmente educativa e proveitosa. Mas … Porém …(e sempre têm um “porém” !)

Contudo, em pleno curso do necessário aperfeiçoamento, choramingamos e reclamamos, à maneira de desertores inveterados.” — lamenta Emmanuel.

Portanto, desconfie de toda alma ou espírito que queira te encantar com vantagens, privilégios, fortunas, facilidades ou lisonjas.

Orientador que deixa colar ou acolhe achaques, rebaixa o aluno e estraga a lição.

***
E a mãe do Máscara de Ferro?

Ela aceitou a provação, renasceu não só resgatando seu passado, mas reconciliando filho e adversário. Quantos de nós suportaríamos isso: o abandono numa lixeira e a orfandade?

Ela suportou. Tornou-se moça agradável e devotada à causa do bem.

E, em sua penitência, ela conseguiu!

Reconduziu o coração de seu filho amado, mesmo no além-túmulo, de volta ao caminho da Casa de Nosso Pai.

==&==

Leitura da Questão: Livro dos Médiuns (LM)
CAPÍTULO XXVI
PERGUNTAS QUE SE PODEM FAZER AOS ESPÍRITOS

Questão 291. Perguntas sobre os interesses morais e materiais


19ª Podem os Espíritos familiares favorecer os interesses materiais por meio de revelações?

“Podem e algumas vezes o fazem, de acordo com as circunstâncias; mas, ficai certos de que os bons Espíritos nunca se prestam a servir à cupidez. Os maus vos fazem brilhar diante dos olhos mil atrativos, a fim de vos espicaçarem e, depois, mistificarem, pela decepção. Ficai também sabendo que, se é da vossa prova passar por tal ou tal vicissitude, os vossos Espíritos protetores poderão ajudar-vos a suportá-la com mais resignação, poderão mesmo, às vezes, suavizá-la; mas, no próprio interesse do vosso futuro, não lhes é lícito isentar-vos dela. Um bom pai não concede ao filho tudo o que este deseja.”

NOTA. Os nossos Espíritos protetores podem, em muitas circunstâncias, indicar-nos o melhor caminho, sem, entretanto, nos conduzirem pela mão, porque, se assim fizessem, perderíamos o mérito da iniciativa e não ousaríamos dar um passo sem a eles recorrermos, com prejuízo do nosso aperfeiçoamento. Para progredir, precisa o homem, muitas vezes, adquirir experiência à sua própria custa. Por isso é que os Espíritos ponderados nos aconselham, mas quase sempre nos deixam entregues às nossas próprias forças, como faz o educador hábil, com seus alunos. Nas circunstâncias ordinárias da vida, eles nos aconselham pela inspiração, deixando-nos assim todo o mérito do bem que façamos, como toda a responsabilidade do mal que pratiquemos.
Fora abusar da condescendência dos Espíritos familiares e equivocar-se quanto à missão que lhes cabe o interrogá-los a cada instante sobre as coisas mais vulgares, como o fazem certos médiuns. Alguns há que, por um sim, por um não, tomam o lápis e pedem conselho para o ato mais simples. Esta mania denota pequenez nas idéias, ao mesmo tempo que a presunção de supor, quem quer que seja, que tem sempre um Espírito servidor às suas ordens, sem outra coisa mais a fazer senão cuidar dele e dos seus mínimos interesses. Além disso, quem assim procede aniquila o seu próprio juízo e se reduz a um papel passivo, sem utilidade para a vida presente e indubitavelmente prejudicial ao adiantamento futuro.
Se há puerilidade em interrogarmos os Espíritos sobre coisas fúteis, menos puerilidade não há da parte dos Espíritos que se ocupam espontaneamente com o que se pode chamar – negócios caseiros. Em tal caso, eles poderão ser bons, mas, inquestionavelmente, ainda são muito terrestres.

*** Curiosidades ***

-Quando estava encarnado, o Dr. Renê, fundador da Casa Maria de Magdala para doentes terminais, costumava dizer que câncer e AIDS não são doenças para quem quer, mas para quem pode. Por serem doenças extremamente dolorosas, provocam limpezas rápidas e união de familiares afastados em torno de alguém que sofre MUITO. Realmente, produz resultados incríveis, mas são poucos os que se sujeitam a atravessar de forma missionária.

-O Espiritismo é chamado de “Consolador Prometido” por nos trazer entendimento das nossas dores e da muitas dores do mundo.
O mero entendimento das causas nos ajuda a suportar melhor nossas provações.

-Quando pensamos na história de Divaldo (30 anos obsediado), do Máscara e de sua mãe, nosso coração enche-se de pena. Mas são todos espíritos em resgate e reajuste. Todos, inclusive Divaldo.

-Nessa singela meditação, nossa homenagem à mãe do Máscara de Ferro, representando a grandiosidade do amor de mãe, o grande amor que alimenta a caminhada humana.

4 respostas para 86-O Caminho de Casa

  1. Ricardo Salles disse:

    Realmente esta “passagem” do Divaldo em terras fluminenses foi sensacional. Bem humorado como sempre, espalhou alegria por onde passou. Ele consegue concatenar todo embasamento teórico que possui com exemplos simples do dia-a-dia. Como é bom tê-lo entre nós!
    Abraços.

  2. Suede Santos disse:

    Depois do amor de Deus, o amor de mãe é o maior que existe.

    • inacioqueiroz disse:

      Oi Suede,
      Obrigado pelo seu comentário.
      Já chorei muito por conta dessa meditação.
      Toda vez que eu me envolvo com esta vibração do amor de mãe, eu me emociono horrores.
      E, pode ser loucura minha, a sensação que tenho é que o próprio Máscara percebeu minha pequena homenagem e dividiu comigo a emoção dele. Sei lá.
      Mas concordo plenamente com vc. Amor de mãe, quando floresce, é especial.
      Pena que nem todos realmente florescem.
      Ave Maria, rosa mística de Nazaré!
      Abração,
      Inacio

      • Suede Santos disse:

        Deus deu a força para mãe na mesma intensidade que deu o amor, porque a mãe é capaz de suportar tanta coisa por seu filho. E a maior recompensa, é vermos nossos filhos bem e felizes. Abraços.

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