87-Irmão

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 87-Enfermagem do Espírito)
Reunião pública de 2-12-60
Questão LM no. 254 inciso 6.

O nome dele era Luís.
Mas todos o chamavam apenas de “o Lula”.

Dos 4 irmãos, ele era, sem dúvida, o mais bonito.

Olhos castanhos claros, traços finos e uma farta cabeleira cor de mel, levemente cacheada, que vivia em desalinho.

Sempre inventava lindas histórias onde eu era o super herói e ele era algum personagem. Uma toalha amarrada no pescoço, qual uma capa, e íamos felizes navegar nos sonhos dele.

Os médicos diziam que, após o atropelamento pela kombi, a batida com o crânio no meio fio tinha disparado sua percepção dos sonhos. Realidade e fantasia se misturavam.

Então, junto com as lindas e heróicas aventuras, vieram também os psicotrópicos pesados, vieram as internações, os eletrochoques e as muitas lágrimas.
E eu … eu não podia salvá-lo.

Mesmo entre tantas dificuldades, dores e confusões, todos o amavam muito.

E descobrimos isso intensamente quando, naquela manhã, ele saiu para um evento no grupo de escoteiros e foi atropelado mais uma vez, agora por um ônibus.

Ficamos todos em choque.
Foi a semana mais longa que minha família já viveu.
Uma semana de coma, de espera ansiosa e, por fim, do desencarne.
Um silêncio muito grande desceu sobre todos nós, onde eu não conseguia sequer chorar.

***

Para esta meditação, Emmanuel nos convida a perceber que, quando amamos alguém, queremos proteger o ente querido de todo mal, principalmente na hora do sofrimento.

Não admitimos que nada nem ninguém aumente a dor que ele já padece, seja com conversas indevidas, com qualquer maltrato ou com cobranças descabidas.

Agradeces para ele o auxílio e o respeito, o remédio e o silêncio … “ — observa Emmanuel.

Porém, na hora do nosso contato com o plano espiritual, onde encontramos tantos irmãos em estado de deplorável sofrimento, o que fazemos?

Por que não conseguimos permanecer nesse mesmo estado de amor, de zelo e de proteção?

Em tais momentos, eles não precisam de nossas perguntas curiosas, de nossas repreensões morais, de nossas explicações sobre a Lei de Causa e Efeito, de nenhuma dessas torturas.

Curativo para alma é a nossa oração.
Amparemos com bondade, guardando o silêncio da discrição.

Afinal, é nosso irmão!
Vamos tratá-lo com o amor que desejaríamos para nós mesmos.

Arremata Emmanuel: “E o necessitado de hoje lembra-nos que é possível que sejamos nós o necessitado de amanhã.

==&==

Leitura da Questão: Livro dos Médiuns (LM)
CAPÍTULO XXIII
DA OBSESSÃO

 

Questão 254. Terminaremos este capítulo inserindo as respostas que os Espíritos deram a algumas perguntas e que vêm em apoio do que dissemos.


A subjugação corporal, levada a certo grau, poderá ter como conseqüência a loucura?

“Pode, a uma espécie de loucura cuja causa o mundo desconhece, mas que não tem relação alguma com a loucura ordinária. Entre os que são tidos por loucos, muitos há que apenas são subjugados; precisariam de um tratamento moral, enquanto que com os tratamentos corporais os tornamos verdadeiros loucos. Quando os médicos conhecerem bem o Espiritismo, saberão fazer essa distinção e curarão mais doentes do que com as duchas.” (N. 221.)

Exame da pergunta citada acima: N. 221.

lª Será a faculdade mediúnica indício de um estado patológico qualquer, ou de um estado simplesmente anômalo?

“Anômalo, às vezes, porém, não patológico; há médiuns de saúde robusta; os doentes o são por outras causas.”

5ª Poderia a mediunidade produzir a loucura?

“Não mais do que qualquer outra coisa, desde que não haja predisposição para isso, em virtude de fraqueza cerebral. A mediunidade não produzirá a loucura, quando esta já não exista em gérmen; porém, existindo este, o bom-senso está a dizer que se deve usar de cautelas, sob todos os pontos de vista, porquanto qualquer abalo pode ser prejudicial.”

*** Curiosidades ***

-Após o desencarne do meu irmão Lula, passei longo tempo sem conseguir chorar sua partida. Presenciei uma psicofonia onde o espírito dizia ser ele, dizia que estava bem e fez alguns sinais que reconheci serem dele. Mas ainda estava engasgado com meu pranto e nem percebia. Uma tarde, meus pais tinham viajado, eu assistia a um antigo programa chamado “Aprenda Inglês com Música” da Tv Educativa. A música daquele episódio era “Starry, Starry Night” (Estrelada, Estrelada Noite) de Don McLean. Falava do sofrimento do pintor Vincent Van Gogh, sua luta entre a sanidade, a genialidade e a loucura.
Lembrei-me dos quadros que meu irmão pintava, das idéias que caminhavam entre a loucura e a genialidade.  E chorei copiosamente !!!
Pode conferir a música em www.youtube.com/watch?v=nkvLq0TYiwI

-Das últimas pistas que tenho de meu irmão, sei que ele reencarnou. Trabalha com arte e conta muitas histórias. E, para minha grande alegria, sem qualquer sinal de desajuste mental!! Está limpo, por merecimento e pelo milagre da reencarnação. Como duvidar que o amor perfeito de Deus não seja muito maior e maravilhoso do que nosso pequenino e (ainda) egoista amor de irmão e de família? Digo egoista porque ainda só conseguimos ver como irmãos e família aqueles que evidenciam proximidade em nossa genealogia.
Mas, Francisco de Assis já percebia e, hoje, a genética comprova: todas as criaturas são irmãs, compartilhando do mesmo conjunto básico de gens na intimidade do DNA.
É a lição de Jesus: quem é meu irmão? quem é minha mãe?

-Aproveitando o questionamento do amigo Benoni Martins no EspiritBook, observo que Emmanuel nos recomenda não explorar com perguntas indevidas os espíritos sofredores. Mas como entender isso quando as diversas obras mediúnicas que conhecemos vem justamente do questionamento com perguntas? No meu entender, Emmanuel levantou esta meditação para que vigiassemos onde está o limite entre o aprendizado proveitoso e a exploração curiosa, torturante e sem proveito. Claro, se não fossem os questionamentos feitos por Kardec e pelos diversos médiuns, nem o LE nem ‘O Ceu e o Inferno’ teriam vindo a público. Mas imagina que todos os médiuns ficassem questionando os espíritos a cada contato? Muitas vezes não tendo qualquer proveito, o momento de ajudar com discrição se perde em perguntas improdutivas. Então, cabe-nos perceber o tênue limite entre as duas situações. Talvez, apenas trabalhando as perguntas em reuniões direcionadas para este tipo de estudo. Certo é que não podemos criar embaraços e maltratos com quem já está sofrendo, assim como não gostaríamos que procedessem dessa forma conosco, muito menos com quem amamos. Concorda?

-Apesar de no capítulo XXIII (Da Obsessão) Kardec afirmar que subjugação e possessão seriam as mesmas coisas, 2 anos depois do lançamento do Livro dos Médiuns, em 1863 portanto, Kardec reviu este parecer. Primeiro, na edição de Dezembro de 1863 da Revista Espírita com a matéria “Um Caso de Possessão”. Depois em A Gênese, cap. XIV, item 47. Nesses textos, Kardec percebe que há casos onde o espírito se apodera com tal intensidade do corpo do médium, que o médium realmente se ausenta do corpo, ficando ao lado enquanto o corpo é completamente dominado pelo espírito comunicante. Não há como o comunicante tomar o corpo de vez, visto que a ligação do encarne se dá em cada célula do corpo com o perispírito do encarnado. Mas a intensidade da possessão é visivelmente maior que a da subjugação. E pode se dar para boas comunicações, no caso de espíritos amigáveis, como pode se dar para fortes obsessões.

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3 respostas para 87-Irmão

  1. inacioqueiroz disse:

    Contribuição via e-mail do nosso querido Alberto Queiroz.
    Poesia da psicóloga Ana Azevedo.

    TRISTEZA TEM FIM

    ‘TRISTEZA NÃO TEM FIM, FELICIDADE SIM’
    DEUS ME LIVRE DE PENSAR ASSIM
    A FELICIDADE MORA EM MIM

    MESMO QUANDO A TRISTEZA VEM
    E PARECE QUE NADA VAI BEM
    AINDA ASSIM, EM MIM, HÁ BRILHO

    PARA VER O AZUL, VERDE, VERMELHO
    QUE SE MOSTRAM NA NATUREZA
    ATÉ O PRETO TEM BELEZA
    ESTAMPADO NO OLHAR CHORÃO
    DE QUEM TEM COMPAIXÃO

    A TRISTEZA É CIRCUNSTÂNCIAL
    NA MAIORIA DAS VEZES TRIVIAL

    MEDO, ORGULHO, ARROGÂNCIA,
    ONIPOTÊNCIA OU INCOMPETÊNCIA
    SÃO COLUNAS QUE A SUSTENTAM ASSIM
    TRISTEZA QUE NÃO TEM FIM.

    Autoria: Psicóloga ANA AZEVEDO

  2. Ricardo Salles disse:

    Em momento algum deveríamos relutar aos apelos da caridade, pois o necessitado de amanhã pode ser qualquer um de nós.
    abs.

    • inacioqueiroz disse:

      É verdade, Ricardo.
      As pessoas não percebem que a Lei de Ação e Reação é contínua.
      Toda pequena ação, palavra e pensamento retorna.
      A caridade que fazemos é a caridade que iremos receber.
      A paciência que damos é a paciência que terão conosco.
      Podemos levantar a voz 100 vezes sem nada ruim acontecer, mas as sementes foram plantadas.
      Nesse tempo de trabalho no Centro Espírita, essa verdade tornou-se muito sólida dentro de mim.

      Abração e obrigado por sempre colocar algum comentário.
      Isso tem me ajudado.
      Inacio

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