01-150 Anos de Espiritismo

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre Capítulo 01-Num Século de Espiritismo)
Reunião pública de 04-01-1960
Estudo do LM, Questão no. 1

  E 150 anos se passaram …

  Neste século e meio, a Ciência buscou com denodo a comprovação dos apontamentos espíritas.

  As provas foram fartas.

  E tantas foram que Arthur Conan Doyle, em sua magistral obra “História do Espiritismo”, chega a afirmar ter havido uma verdadeira “invasão organizada”, onde mais de uma centena de médiuns fizeram prodígios no velho e no novo mundo.

  Suficientes para Richet lançar as bases clássicas da Metapsíquica, usando dos demonstrativos científicos habituais.

Crookes e Kate King

  Vimos William Crookes, o gênio descobridor do elemento Tálio da tabela periódica, pesar, fotografar, auscultar, conversar e tirar mechas do cabelo e do vestido de Kate King, espírito materializado pela mediunidade da Srta. Florence Cook em dúzias de sessões.

  Vimos Alfred Russel Wallace, Frederic Myers e Oliver Lodge aplicarem o método científico nas chamadas “cartas cruzadas”, onde médiuns diferentes, sem se conhecerem, versavam sobre o mesmo assunto em abordagens diferentes.

Luva em Parafina

  Vimos mãos e pés de parafina sendo moldados por aparições, em formas impossíveis de serem feitas por mãos encarnadas. Vimos espíritos impressionando chapas fotográficas, instrumentos de áudio, vídeo, telefones e computadores à fartura. Vimos médiuns levitando, mesas passando comunicações inteligentes, vozes diretas quais as narrativas bíblicas, músicas e perfumes materializados.
 Vimos grandes mágicos e ilusionistas como Houdini, Mascarello, Bosco e Bellachinni declarar que os médiuns por eles examinados estavam acima de qualquer impostura.

  Vimos respeitáveis Comissões de grandes universidades, qual Harvard e Pensilvânia, grupos científicos oriundos da NASA ou independentes, se formarem para coletar metodicamente as evidências e acabarem dando por inconclusa suas avaliações.

  Vimos Chico Xavier oferecendo para a sociedade todas as modalidades de mediunidade possíveis, recebendo assim, com toda justiça, o título de “maior antena parapsíquica de nosso tempo”.

  Mas é com Kardec, com o movimento doutrinário espírita francês, que surge o convite para o aspecto mais importante do fenômeno espírita: a revolução moral.

***

  Se nossa cultura hoje perpetra verdadeiros milagres, da nanotecnologia à cosmologia, da física do quanta às verdades relativistas, da microeletrônica à megaconstruções; nossa condição moral ainda permite a fome endêmica, a tortura sistemática em nome da segurança pública, populações inteiras adoentadas e em desamparo perante grupos sociais abastados, guerras genocidas, campos permanentes de refugiados e técnicas refinadas de extermínio em massa.

  Estivemos a beira da 3a. Guerra Mundial mais de uma vez.

  Inquisidores políticos continuam amordaçando consciências em nome do bem comum. A indústria do aborto cresce, alegando direito individual ao corpo e à vida.

  Suicídios, entorpecimentos, lenocínio como status social, uso da inteligência para construção dos “crimes do colarinho branco” e doenças mentais que se alastram por força dos muitos litígios obsessivos.

  Nesse contexto, não cessa a importância de comprovar cientificamente a realidade do espírito, mas a correção dos nossos sentimentos também aguarda nossa priorização.

  Muito mais do que uma satisfação social de nossas crenças, o Espiritismo é impulso para a recuperação da dignidade humana. 

 

E diante dos que ainda se encontram imersos nas dúvidas acadêmicas, lembremos que “o Evangelho de Jesus, para esclarecimento do povo, tem regime de urgência.”

 == & ==

 

Leitura da Questão: Livro do Médiuns (LM)
Noções preliminares
CAPÍTULO I
HÁ ESPÍRITOS?

(Questão 1) 1. A dúvida, no que concerne à existência dos Espíritos, tem como causa primária a ignorância acerca da verdadeira natureza deles. Geralmente, são figurados como seres à parte na criação e de cuja existência não está demonstrada a necessidade.
Muitas pessoas, apenas os conhecem através dos contos fantásticos com que foram acalentadas em criança. Sem indagarem se tais contos, despojados dos acessórios ridículos, encerram algum fundo de verdade, unicamente se impressionam com o lado absurdo que eles revelam. Sem se darem ao trabalho de tirar a casca amarga, para achar a amêndoa, rejeitam o todo, assim como fazem, relativamente à religião, os que chocados por certos abusos, tudo englobam numa só condenação. Seja qual for a idéia que dos Espíritos se faça, a crença neles necessariamente se funda na existência de um princípio inteligente fora da matéria. Essa crença é incompatível com a negação absoluta deste princípio. Tomamos, conseguintemente, por ponto de partida, a existência, a sobrevivência e a individualidade da alma, existência, sobrevivência e individualidade que têm no Espiritualismo a sua demonstração teórica e dogmática e, no Espiritismo, a demonstração positiva. Vamos abstrair, por um momento, das manifestações propriamente ditas e, raciocinando por indução, vejamos a que conseqüências chegaremos.

2. Desde que se admite a existência da alma e sua individualidade após a morte, forçoso é também se admita: 1º, que a sua natureza difere da do corpo, visto que, separada deste, deixa de ter as propriedades peculiares ao corpo; 2º, que goza da consciência de si mesma, pois que é passível de alegria, ou de sofrimento, sem o que seria um ser inerte, caso em que possuí-la de nada nos valeria. Admitido isso, deve-se presumir que essa alma vai para  alguma parte. Que vem a ser feito dela e para onde vai? Segundo a crença vulgar, vai para o céu, ou para o inferno. Mas, onde ficam o céu e o inferno? Dizia-se outrora que o céu era em cima e o inferno embaixo. Porém, o que são o alto e o baixo no Universo, uma vez que se conhecem a esfericidade da Terra e o movimento dos astros, movimento que faz com que o que em dado instante está no alto esteja, doze horas depois, embaixo, e o infinito do espaço, através do qual o olhar penetra, indo a distâncias consideráveis? Verdade é que por lugares inferiores também se designam as profundezas da Terra. Mas, que vêm a ser essas profundezas, desde que a Geologia as esquadrinhou? Que ficaram sendo, igualmente, as esferas concêntricas chamadas céu de fogo, céu das estrelas, desde que se verificou que a  Terra não é o centro dos mundos, que mesmo o nosso Sol não é único, que milhões de sóis  brilham no Espaço, constituindo cada um o centro de um turbilhão planetário? A que ficou reduzida a importância da Terra, mergulhada nessa imensidade? Por que injustificável privilégio este quase imperceptível grão de areia, que não avulta pelo seu volume, nem pela sua posição, nem pelo papel que lhe cabe desempenhar, seria o único planeta povoado de seres racionais?
A razão se recusa a admitir semelhante nulidade do infinito e tudo nos diz que os diferentes mundos são habitados. Ora, se são povoados, também fornecem seus contingentes para o mundo das almas. Porém, ainda uma vez, que terá sido feito dessas almas, depois que a Astronomia e a Geologia destruíram as moradas que se lhes destinavam e, sobretudo, depois que a teoria, tão racional, da pluralidade dos mundos, as multiplicou ao infinito?
Não podendo a doutrina da localização das almas harmonizar-se com os dados da Ciência, outra doutrina mais lógica lhes assina por domínio, não um lugar determinado e  circunscrito, mas o espaço universal: formam elas um mundo invisível, em o qual vivemos imersos, que nos cerca e acotovela incessantemente. Haverá nisso alguma impossibilidade, alguma coisa que repugne à razão? De modo nenhum; tudo, ao contrário, nos afirma que não pode ser de outra maneira.  Mas, então, que vem a ser das penas e recompensas futuras, desde que se lhes suprimam os lugares especiais onde se efetivem? Notai que a incredulidade, com relação a tais penas e recompensas, provam geralmente de serem umas e outras apresentadas em condições inadmissíveis. Dizei, em vez disso, que as almas tiram de si mesmas a sua felicidade ou a sua desgraça; que a sorte lhes está subordinada ao estado moral; que a reunião das que se votam mútua simpatia e são boas representa para elas uma fonte de ventura; que, de acordo com o grau de purificação que tenham alcançado, penetram e entrevêem coisas que almas grosseiras não distinguem, e toda gente compreenderá sem dificuldade. Dizei mais que as almas não atingem o grau supremo, senão pelos esforços que façam por se melhorarem e depois de uma série de provas adequadas à sua purificação; que os anjos são almas que galgaram o último grau da escala, grau que todas podem atingir, tendo boa-vontade; que os anjos são os mensageiros de Deus, encarregados de velar pela execução de seus desígnios em todo o Universo, que se sentem ditosos com o desempenho dessas missões gloriosas, e lhes tereis dado à felicidade um fim mais útil e mais atraente, do que fazendo-a consistir numa contemplação perpétua, que não passaria de perpétua inutilidade. Dizei, finalmente, que os demônios são simplesmente as almas dos maus, ainda não purificadas, mas que podem, como as outras, ascender ao mais alto cume da perfeição e isto parecerá mais conforme à justiça e à bondade de Deus, do que a doutrina que os dá como criados para o mal e ao mal destinados eternamente. Ainda uma vez: aí tendes o que a mais severa razão, a mais rigorosa lógica, o bom-senso, em suma, podem admitir. Ora, essas almas que povoam o Espaço são precisamente o a que se chama Espíritos. Assim, pois, os Espíritos não são senão as almas dos homens, despojadas do invólucro corpóreo. Mais hipotética lhes seria a existência, se fossem seres à parte. Se, porém, se admitir que há almas, necessário também será se admita que os Espíritos são simplesmente almas e nada mais. Se admitirmos que as almas estão por toda parte, ter-se-á que admitir, do mesmo modo, que os Espíritos estão por toda parte. Possível, portanto, não fora negar a existência dos Espíritos, sem negar a das almas.

*** Curiosidades ***

– Alguns mágicos tentaram reproduzir os famosos moldes de parafina. Estes eram feitos pelos espíritos durante a sessão de materialização mergulhando a mão ou o pé inúmeras vezes num balde de parafina quente. Após isso, os espíritos aguardavam esfriar a parafina e desmaterializavam o corpo, sobrando apenas o molde. Nenhum mágico da época conseguiu um efeito que se aproximasse do original usando os mesmos recursos.

– Um médium de efeito físico acabava fazendo da mediunidade seu “ganha pão”, seja por não conseguir trabalhar devido a interferência contínua dos espíritos (como ocorreu com D.D. Home), seja pelas inúmeras viagens de apresentação na qual eram convidados. Quando sua mediunidade reduzia ou desaparecia por completo e o dinheiro faltava, era comum cair na tentação de vender entrevistas aos tablóides da época, que compravam, por boas somas, depoimentos de como faziam os ditos “truques”.
Isto ficou conhecido entre os pequisadores como sendo a “instabilidade dos médiuns”.

– Alguns médiuns que eram fotógrafos profissionais perderam seus empregos porque os espíritos apareciam em todas as fotos que tiravam, estragando as chapas e obrigando ao médium a trocar de negócio. 

– Dois pesquisadores, professores Richard Hodgson  e Hyslop, que buscavam provas da imortalidade do espírito pesquisando a médium Mrs. Piper, tiveram uma prova inusitada. Ao longo da pesquisa com Mrs. Piper no ano de 1905, o Prof. Hodgson morreu e passou a se comunicar com o Prof. Hyslop  através da médium, contando detalhes da pesquisa que apenas eles conheciam e conversando com a mesma veemência científica de quando Hodgson era vivo, apesar do pouco estudo da médium.

– Acreditava-se que Katie King era filha de John King, espírito de controle que teria sido em vida o corsário galês Henry Morgan (1635 – 1688).

– A técnica das “cartas cruzadas” ou “mensagens cruzadas” foi usada pelos pesquisadores para eliminar a possibilidade do paranormal ter recebido a mensagem do outro paranormal através de telepatia. Assim, um médium na Índia fala “A Sombra da Morte” e outro na Europa fala “Tanatos” quase no mesmo período. É o mesmo tema, mas usando palavras e símbolos diferentes. Ambos não se conhecem e fazem, sem saber, parte da mesma pesquisa. Isto revelava a atuação de uma inteligência extracorpórea comunicando a mesma mensagem através de ambos. Por telepatia, as palavras e símbolos quase necessariamente seriam os mesmos. Devido sua complexidade, este método acabou sendo pouco utilizado.

– No livro “After Thirty Centuries “(Após Trinta Séculos), Frederic Wood, doutor em música, descreve como através de sua aluna, a jovem médium Rosemary, conheceu o espírito Lady Nona que teria animado uma princesa egípicia chamada Telika. Na ocasião, foi gravado um disco de vinil onde Lady Nona esclarecia dúvidas gramaticais da lingua  egípicia faraônica, lingua morta que, apesar de traduzida, não dispõe de referências sobre a pronúncia. No Brasil, o livro se chamou “A Voz do Antigo Egito”.

– No livro “Um Caso de Desmaterialização”, o pesquisador russo Alexandre Aksakof  mostra em 1893 que o fenômeno de materialização de um espírito levava a quase completa desmaterialização do corpo da médium inglesa Sra. Elizabet d’Espérance. Isto ocorre porque o médium, assim como toda a platéia, doa material orgânico para produzir a aparição, material reposto aos doadores no final da sessão.

 

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