03-Espiritismo e “Ganha Pão”

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre Capítulo 03-Ensino Espírita )
Reunião pública de 11-01-1960
Estudo do LM, Questão  no. 3

Em Outubro/2010, ficamos estarrecidos ao verificarmos pela imprensa que um alto funcionário do Supremo Tribunal de Justiça Brasileiro determinou a demissão sumária e imediata de um estagiário do Tribunal visto que ele o incomodara quando juntos na fila do caixa eletrônico de um banco.

Somos todos chamados à renovação moral, sejamos ricos, pobres, negros, brancos, cultos, analfabetos, homens, mulheres, permitindo as linhas do destino um maior ou menor quinhão de cultura, de educação, de oportunidades ou de recursos.

“Eu estou aprendendo por Osmose !”

Porém, nem todos percebem que a renovação moral não será captada passivamente, qual o processo biológico da “osmose”.

É antes esforço de todas as horas, em todo lugar. 

Nesse capítulo, Emmanuel nos lembra do nosso comprometimento espírita perante o trabalho diário, perante nosso “ganha pão”.

O que temos feito de nossa oportunidade de servir ?

Serei eu o enfermeiro que já não me importo com o gemido do doente ou com as lágrimas dos famíliares ?

Serei eu o agente administrativo que faço a minha parte “e está ótimo !”, não me importando se o colega ao lado está sobrecarregado, não orientando ao novato ou ao leigo que se encontram perdidos, sem saber como cumprir suas respectivas tarefas ?

Serei eu o negociante que maximizo o meu lucro, mesmo quando isto significa enganar, ludibriar ou iludir ? Serei eu o trabalhador relapso, que usa de subterfúgios para que a hora passe logo e mais 1 dia de ócio recheie meu contracheque ?

Serei eu o elemento de segurança ou policiamento que aceito passivamente os velhos esquemas de rapinagem, justificando “não poder lutar contra o sistema” e ser preciso “complementar o salário insuficiente” ?

Serei eu o líder formal de uma equipe, pródigo em palavras e verdades cristãs, mas surdo aos que tentam me orientar e insensível à mão de ferro com a qual controlo as consciências ?

Serei eu o agricultor que esgota e contamina os recursos naturais ou o empresário que lesa o erário público, ambos de forma inconseqüente, me justificando que “todos fazem assim” ou que “é muito caro fazer diferente” ?

***

Em qualquer profissão, somos chamados ao nosso ideal religioso. Como dito por Emmanuel, “toda ação no bem precisa ultrapassar o dever para que o ato de servir se converta em amor”.

O momento de aprender é hoje, é aqui, fortalecendo nosso entendimento e nossa boa conduta.

Nosso trabalho é oportunidade santa para consolidar a solidariedade, a fidelidade ao compromisso, a capacidade de renunciar.
Nele, reafirmamos votos de abnegação, de sacrifício, de paciência e perdão, tão necessários em nossa renovação moral.
Nele, aprendemos de forma prática a redenção anunciada pelos espíritos superiores.

Não há como educar sem educar-se.

Portanto, se hoje aceitamos a doutrina espírita como caminho para nossa elevação e para elevação de todos a quem amamos, lembremos que a mais eloqüente mensagem para todos que nos observam será sempre o nosso exemplo.

Exemplo de todas as horas.

==&==

Leitura da Questão: Livro dos Médiuns (LM)
Noções preliminares
CAPÍTULO II
DO MARAVILHOSO E DO SOBRENATURAL

(Questão 3) 3. Isto não passa, é certo, de uma teoria mais racional do que a outra. Porém, já é muito que seja uma teoria que nem a razão, nem a ciência repelem. Acresce que, se os fatos a corroboram, tem ela por si a sanção do raciocínio e da experiência. Esses fatos se nos deparam no fenômeno das manifestações espíritas, que, assim, constituem a prova patente da existência e da sobrevivência da alma. Muitas pessoas há, entretanto, cuja crença não vai além desse ponto; que admitem a existência das almas e, conseguintemente, a dos Espíritos, mas que negam a possibilidade de nos comunicarmos com eles, pela razão, dizem, de que seres imateriais não podem atuar sobre a matéria. Esta dúvida assenta na ignorância da verdadeira natureza dos Espíritos, dos quais em geral fazem idéia muito falsa, supondo-os erradamente seres abstratos, vagos e indefinidos, o que não é real.
Figuremos, primeiramente, o Espírito em união com o corpo. Ele é o ser principal, pois que é o
ser que pensa e sobrevive. O corpo não passa de um acessório seu, de um invólucro, uma veste, que ele deixa, quando usada. Além desse invólucro material, tem o Espírito um segundo, semimaterial, que o liga ao primeiro. Por ocasião da morte, despoja-se deste, porém não do outro, a que damos o nome de perispírito.

Esse invólucro semimaterial, que tem a forma humana, constitui para o Espírito um corpo fluídico, vaporoso, mas que, pelo fato de nos ser invisível no seu estado normal, não deixa de ter algumas das propriedades da matéria. O Espírito não é, pois, um ponto, uma abstração; é um ser limitado e circunscrito, ao qual só falta ser visível e palpável, para se assemelhar aos seres humanos. Por que, então, não haveria de atuar sobre a matéria? Por ser fluídico o seu corpo? Mas, onde encontra o homem os seus mais possantes motores, senão entre os mais rarificados fluidos, mesmo entre os que se consideram imponderáveis, como, por exemplo, a eletricidade? Não é exato que a luz, imponderável, exerce ação química sobre a matéria ponderável? Não conhecemos a natureza íntima do perispírito. Suponhamo-lo, todavia, formado de matéria elétrica, ou de outra tão sutil quanto esta: por que, quando dirigido por uma vontade, não teria propriedade idêntica à daquela matéria?

*** Curiosidades ***

– Os espíritos superiores nos esclarecem que o caminho para a verdadeira felicidade, assim como entendem os espíritos ascensionados, está no servir, está em apaixonar-se pelo próprio trabalho.

– É ponto pacífico dentro das lides espíritas que a facilidade é uma provação mais árdua do que a dificuldade. Na facilidade, se temos potencial para grandes realizações, temos também oportunidade para grandes desastres, externando nossas deformações de personalidade. Já na dificuldade, as necessidades primárias da vida nos forçam a permanecer dentro da disciplina do trabalho e das exigências sociais.

– Entre as facilidades que motivam grandes desastres, duas despontam: a riqueza e a beleza.

– Da riqueza, lembremos da passagem onde Jesus convida ao jovem crente rico a desfazer-se de tudo e segui-lo. Ele abaixa a cabeça e se afasta triste. Não consegue, perdendo assim a oportunidade de alcançar o próximo degrau em sua elevação. Jesus, então, ressalta o grande embaraço que o apego a riqueza gera em nossa caminhada.

– Da beleza, lembremos dos sofrimentos de Maria de Magdala, que mesmo após as bênçãos de Jesus, precisou encontrar seu próprio caminho entre os leprosos por não encontrar reciprocidade mesmo entre os discípulos.

– Cada um desses recursos afigura-se quais os talentos da Parábola dos Talentos. Poderão multiplicar e dar motivo para grande alegria ao trabalhador e todos os seus. A doutrina espírita busca nos despertar para que sejamos contados entre os bem sucedidos.

– Chico Xavier nos recomenda ainda a oração pelos políticos e irmãos nos cargos de poder. São grandes provações. Assim como podem fazer a alegria de muitos, lutando pelo bem comum, podem também contrair débitos gravíssimos.

– Inicialmente, é difícil estabelecer a ligação entre a questão do LM e as idéias de Emmanuel. Qual seria a ligação entre meu entendimento da teoria espírita e meu “ganha pão” ? Na minha visão, Emmanuel usa o fato da pessoa já ter compreendido e aceito a verdade do Espiritismo como agente de transformação. Fazer dessa compreensão não apenas mais um conhecimento do mundo e da vida, mas um fator de elevação pessoal em todas as experiências do cotidiano. É passar a viver a vida no trabalho, na família, no lazer, no esporte, em tudo, considerando a realidade do Espírito. (Aceito outras sugestões !!!).

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18 respostas para 03-Espiritismo e “Ganha Pão”

  1. Claudie (Di) disse:

    Aproveito para mandar mais uma frase…
    “A mediunidade pode manifestar-se através da pessoa absolutamente inculta, mas os bons espíritos são de parecer que todos os médiuns são chamados a estudar a fim de servirem com mais segurança.”
    Chico Xavier

  2. Claudie (Di) disse:

    Oi,Amor. Já enviei o texto que me pediu… Vou comentar depois que vc publicar> Bjocas, Di

  3. claudie7 disse:

    aMOR, ADOREI O BIDUZINHO… fOI UM SURPRESA BEM LEGAL!

  4. Marta Valéria disse:

    Oi gentem !!!! 🙂 Que construção legal, dou maiorrrrrrrr apoio!
    Podemos conversar ? Sabe Inácio, estou de férias do CEU, mas o “céu” não está de férias de mim ..rsrsrs! Ando pensando mais que a minha cabeça e sinto que “muitos amigos” me ajudam a pensar sobre mim, sobre os meus passos, passado e presente, sobre o meu ganha pão …
    Andei vendo na tv, nestes últimos dias do ano, alguns filmes bíblicos. Filmes aliás que já não tem nem mais cor, pois os vejo desde criança …rsrsrsrs. Mas é interessante que com o passar do tempo ou com o amadurecer do tempo íntimo nós “vemos” e “ouvimos” as mesmas coisas de outra forma, não é mesmo?
    Pois bem, num determinado filme sobre Jesus, me fixei em uma cena de João Batista batizando no rio Jordão os caminhantes e seguidores de suas profecias. A cena do filme entrou na minha alma como se fosse “novinha”, algo nunca visto. Parecia que eu escutava “João” no meu íntimo, coisa de doido mesmo..rsrsrs. Continuando ….bem, na cena ele recebia dezenas de pessoas que pediam o batismo e a salvação. Em um determinado momento, um homem perguntou à João o que ele poderia fazer para encontrar a “tal” salvação e, João, colocando um punhado de água na cabeça do homem respondeu : – “Mude meu irmão! Transforme-se e abra o seu coração. Eu batizo com água, mas virá aquele que batizará com o próprio espírito.”
    Bem, eu “devota” do filme respondi no lugar do homem : “Mas João mudar não é tão fácil… tô tentando … o dia a dia é muito difícil, blá blá blá e por aí vai. Pois é, eu sabia todas as respostas que eu tinha que dar para João, até demais. Isso foi o que me pegou no filme. Depois do “choque”, vi em mim a total resistência ao novo. Coisa de quem luta pela sobrevivência …. do velho é claro …rsrsrsrs !!!! E é engraçado que na história, João vem primeiro, abrindo o caminho, para depois Jesus entrar. Simbolicamente ele no filme pede primeiro a mudança (o preparo do solo) para que depois venha o semeador da transformação (Jesus).
    Mais além, no próprio filme, Jesus fala sobre as leis sagradas que tinham sido deixadas ao povo e que elas não teriam sentido se ficassem na pedra e fossem repetidas por si só, mas que elas fossem vivas dentro de cada homem e que cada homem fosse vivo em suas leis. Acho que tudo isso é a intenção desse “ganha pão”. Aprender tudo isso. Sentir tudo isso. Mas como é dificil ser um homem novo !!!!!!! Nossa!!!!! Precisamos sim dessa escola. Que bom que ela existe. Acho que já entrei na fila da matrícula muitas vezes….KKKKKKK!
    UffAAAAAAAAA! Desabafei. 🙂 Acho que eu precisava falar com alguém “encarnado” …KKKKKKK! Beijocas da Martoca

    • inacioqueiroz disse:

      Oi Martinha !! Linda essa sua reflexão. Eu estou cultivando o hábito de rever o filme do evangelho periódicamente (cada 2 anos, mais ou menos). Tenho o filme do Evangelho segundo Mateus que é bem longo, mas toda vez que assisto eu me surpreendo. Isto que vc descreveu é o conceito da relatividade: algo observado depende também do observador. O filme não mudou, mas nossa cabeça é outra e acaba focando detalhes que nem sonhávamos antes em existir. Também é interessante sua observação de João abrindo os caminhos. Na verdade, todos os profetas avisaram sobre Jesus, todos prepararam o caminho um pouco e ao seu jeito. Mas João teve a benção de ser contemporâneo e primo de Jesus. Dos filhos de mulher, o mais próximo a perfeição … Babado forte!
      As frases feitas … nossas defesas … quando nos livraremos delas, hein ??? Acho que tudo inicia quando percebemos que estamos na defesa e soltamos uma boa gargalhada: “Caraca ! Me pegaram ! Fui descoberto !”. Rsrsrsrs. Acho que nossa renovação começa aí.
      Nos perdoando por ainda não sermos o Anjo que poderíamos ser … nos aceitando com nossas imperfeições … e acreditando que serão elas as motivações, as molas propulsoras para nossa evolução. Afinal, um dia TODO MUNDO CANSA ! E aí a gente finalmente pára de errar !
      FELIZ 2011 !!! Ehhhh !!! Beijos …

      • Marta Valéria disse:

        Oi Inácio, realmente não sei quando vamos nos livrar das frases feitas. Talvez seja por isso que os monges nada falam, não é mesmo ..rsrsrs! Obrigada pelo carinho.
        Tive dando uma olhada no – “Hálito Mental” -, o papo lá é cabeça e “de gente grande”. Você nunca pensou em escrever para a Rádio RJ ou outro movimento informativo espírita ? Você é muito bom nisso. Bjs. Marta

      • inacioqueiroz disse:

        Minha linda, obrigado pelo incentivo. Mas estas idéias são de Emmanuel e de espíritos de primeira linha, são “de gente grande” mesmo. Minhas palavras são apenas a sombra do que eles tentaram nos passar através do Chico. Eu me emociono e tento repassar minha emoção, aqui no blog, para quem tem paciência comigo. Adorei seus comentários. Muitos beijos …

  5. Claudie (Bugu) disse:

    Amor, a sarça, no meu caso, já é a consciência que me espeta quando faço algo errado, ou quando sei que podia ter feito melhor.
    Mas aí vão 2 frases para reflexão:
    Trabalho que permanece é o que se faz por amor. (Auta de Souza – Chico Xavier)
    Aproveita o tempo, construindo o bem, a fim de que o tempo te aproveite, de modo a fazer o melhor de ti. (Essa não veio com o autor).
    Te amo! Bjocas

  6. Claudie (Bugu) disse:

    mor, é muito difícil conciliar os aprendizados espíritas com a “prática” que nos defrontamos no nosso dia a dia. Bem sei que a teoria é para ser colocada em pr´tica, senão vira letra morta, mas quando estamos engalfinhados com as dificuldades (nossas e dos outros), fica muito difícil nos lembrarmos da palavra conciliatória… Além disso (lembra a história da reinvindicação dos professores, do Raul?), tb fica difícil lembrarmos que não há injustiçados, apesar das injustiças de assédio de patrões, de horário, de salário… Fica difícil não deixarmos que esse fatores nos turvem a mente na hora de lidarmos com nossos colegas, ou na hora de atendermos às solicitações de nossos “clientes”…
    Mas já posso me dar por satisfeita, em não agravar meus débitos tentando passar por cima dos outros ou buscar auferir lucros indevidos em função do meu trabalho…
    Mas sei que o ambiente de trabalho é um dos mais “fecundos” no que diz respeito às auto-burilações…Bjocas.

    • inacioqueiroz disse:

      Se fosse fácil, o volume de almas sobre a Terra seria muito menor, creio eu. Mas também nós já estamos dando o primeiro passo: a tomada de consciência. “Me puseste uma sarça no peito, uma flecha na alma”. A sarça é este novo entendimento. Daí por diante, nada será mais tão tranquilo como era antes. Beijos, amorzinho e obrigado pelo incentivo.

  7. Shirley disse:

    Inácio, de fato, o trabalho é algo que serve como grande escola para burilarmos nossas imperfeições. Imagina vc, quanto temos que aturar, quanto temos que ter de paciência, de tolerância, nossa, as empresas são ambientes bem “insalubres”, não todas, claro, mas é o que mais se vê é gente reclamando. Haja trabalho interior. Bom será o dia em que todos terão oportunidade de trabalhar naquilo que amam e se sentirem úteis para a humanidade dando o melhor de seu talento natural. bjs

    • inacioqueiroz disse:

      Mas esta sensação de insalubridade ocorre também porque na escola da Terra estamos obrigados a conviver com as diferenças. E aí vai o aprendizado, porque nesse atrito os nossos sentimentos são modificados. O mesmo não ocorre no astral porque ficamos separados de acordo com o nível vibratório que já atingimos. Ou seja, experimentar e conviver são os grandes elementos no aprendizado da vida. Valeu.

      • Shirley disse:

        É, que curioso, por isso se diz que a terra é uma escola. Pq na escola a gente bota os bons alunos junto com os maus, pra que uns tenham exemplo nos outros e os mais adiantados puxem a marcha dos menos. De fato, no mundo espiritual isso não é possível. Que coisa! jamais havia pensado nisso por este prisma. Logo, talvez, amigo, pra termos as pessoas que amamos e queremos ajudar perto da gente pra tentar ensinar-lhes algo com nossos bons exemplos, só mesmo estando encarnado. Daí nossas famílias, não é mesmo? Bem interessante. Vou meditar nisso. Obrigada.

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