05-O Primeiro Passo

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre Capítulo 05-Curiosidade)
Reunião pública de 18-01-60.
Estudo do LM, Questão no. 31.

Biblioteca de Alexandria, 200 anos antes de Cristo. Um ancião lê um pergaminho. Seu nome é Eratóstenes. No pergaminho, um pastor narra o incômodo de pegar água no poço da cidade de Siena no dia mais longo do ano, ao meio dia. Naquele dia, o sol brilha intensamente no fundo do poço, como em nenhum outro dia do ano. Concluía dizendo que, nessa hora, nenhum poste lançava sombra.

Eratóstenes, então, pondera: “- Isso ocorre porque naquele dia, naquela hora, o sol está perfeitamente alinhado com o poço e com os postes”. E se pergunta: “- Será que o mesmo ocorre em Alexandria nesse dia e nessa hora ?”.

Nesse capítulo, Emmanuel nos convida a avaliar a curiosidade, princípio da ciência (quando respeitável), primeiro passo para grandes descobertas que serão levadas a efeito por quem perseverar no trabalho.

Mas, uma caminhada se faz do primeiro passo e de todos os outros que nos levarão ao nosso destino, seja ele qual for. E, no passo seguinte, está o esforço, o trabalho continuado.

Em nossa marcha evolutiva, lembremos que muitos princípios que hoje nos aguçam a curiosidade, são frutos dos esforços das gerações passadas.

Nossos pais nos auxiliaram exemplificando pacientemente o comportamento social adequado. Comportamento este que aprenderam com os pais deles, que aprenderam com a geração anterior e sucessivamente.

Nossos professores explanam o acumulado de conhecimento herdado de inúmeras gerações e culturas. A magia dos algarismos arábicos, a lingüística latina, as noções de arte e estética greco-romana e otomana, a medicina egípcia, os fundamentos de ética social francesa e inglesa, as inúmeras visões religiosas e científicas que floresceram nos 4 cantos do planeta.

Sem refazer o caminho dos precursores, sem atravessar os obstáculos por eles palmilhados, como entender com segurança os fenômenos da comunicação, do cálculo, da dinâmica social, da tecnologia e da religião de hoje ?

 ***

Se a curiosidade é o início, observemos que não podemos dispensar o esforço continuado, nem saltar etapas. Quem deseja evoluir, precisa conhecer cada degrau, com risco de grandes tombos e frustrações por tentar colocar o pé acima do que ainda lhe é possível.

Imagine uma criança que, por encantar-se com a Lua, é apresentada aos cálculos de gravitação de Newton, as teorias astronômicas de formação de corpos celestes e as bases da astronáutica. Sem o suor na educação primária, nenhuma conquista superior ocorrerá com segurança e sem traumas.

***

Percebendo, então, qual a seqüência de passos do nosso caminho, não esperemos que o alto venha revelar espontaneamente suas maravilhas científicas e tecnológicas, roubando-nos o mérito no esforço de aprender e a correta apreensão de cada degrau galgado.

É a perna firme no degrau conquistado que nos dará base para o degrau seguinte.

Justamente por estarem à frente na sabedoria e na moral, os espíritos superiores conhecem o significado do esforço pessoal na aquisição de valores elevados.

O mesmo ocorre na mediunidade.

Não aguardemos “concessões de pechinchas”.
No mundo dos espíritos, há toda uma ciência nova, leis e princípios a decifrar.
Mas, para conquistá-los, teremos de pagar um preço de “paciência e trabalho, responsabilidade e entendimento, atenção e suor”.

***

Quanto a Eratóstenes, ele verificou que, em Alexandria, os postes projetavam sombra naquele dia e naquela hora. Como isso seria possível em uma Terra plana ?

Compreendeu que tanto só ocorreria se a Terra fosse curva ou arredondada.
Mediu os 800km de distância entre as duas cidades e o tamanho das sombras projetadas.
Usando a geometria, determinou o tamanho da circunferência da Terra, com um desvio de apenas 72 km do tamanho atual.
A medição mais precisa nos 1.000 e tantos anos seguintes.

==&==

Leitura da Questão: Livro do Médiuns (LM)
Noções preliminares
CAPÍTULO III
DO MÉTODO

(Questão 31) 31. Para, no ensino do Espiritismo, proceder-se como se procederia com relação ao das ciências ordinárias, preciso fora passar revista a toda a série dos fenômenos que possam produzir-se, começando pelos mais simples, para chegar sucessivamente aos mais complexos. Ora, isso não é possível, porque possível não é fazer-se um curso de Espiritismo experimental, como se faz um curso de Física ou de Química. Nas ciências naturais, opera-se sobre a matéria bruta, que se manipula à vontade, tendo-se quase sempre  a certeza de poderem regular-se os efeitos. No Espiritismo, temos que lidar com  inteligências que gozam de liberdade e que a cada instante nos provam não estar submetidas aos nossos caprichos. Cumpre, pois, observar, aguardar os resultados e colhê-los à passagem. Daí o declararmos abertamente que quem quer que blasone de os obter à vontade não pode deixar de ser ignorante ou impostor. Daí vem que o verdadeiro Espiritismo jamais se dará em espetáculo, nem subirá ao tablado das feiras.

Há mesmo qualquer coisa de ilógico em supor-se que Espíritos venham exibir-se e submeter-se a investigações, como objetos de curiosidade. Portanto, pode suceder que os fenômenos não se dêem quando mais desejados sejam, ou que se apresentem numa ordem muito diversa da que se quereria. Acrescentemos mais que, para serem obtidos, preciso se faz a intervenção de pessoas dotadas de faculdades especiais e que estas faculdades variam ao infinito, de acordo com as aptidões dos indivíduos. Ora, sendo extremamente raro que a mesma pessoa tenha todas as aptidões, isso constitui uma nova dificuldade, porquanto mister seria ter-se sempre à mão uma coleção completa de médiuns, o que absolutamente não é possível.

O meio, aliás, muito simples, de se obviar a este inconveniente, consiste em se começar pela teoria. Aí todos os fenômenos são apreciados, explicados, de modo que o estudante vem a conhecê-los, a lhes compreender a possibilidade, a saber em que condições podem produzir-se e quais os obstáculos que podem encontrar. Então, qualquer que seja a ordem em que se apresentem, nada terão que surpreenda. Este caminho ainda oferece outra vantagem: a de poupar uma imensidade de decepções àquele que queira operar por si mesmo. Precavido contra as dificuldades, ele saberá manter-se em guarda e evitar a conjuntura de adquirir a experiência à sua própria custa.

Ser-nos-ia difícil dizer quantas as pessoas que, desde quando começamos a ocupar-nos com o Espiritismo, hão vindo ter conosco e quantas delas vimos que se conservaram indiferentes ou incrédulas diante dos fatos mais positivos e só posteriormente se convenceram, mediante uma explicação racional; quantas outras que se predispuseram à convicção, pelo raciocínio; quantas, enfim, que se persuadiram, sem nada nunca terem visto, unicamente porque haviam compreendido.

Falamos, pois, por experiência e, assim, também, é por experiência que dizemos consistir o melhor método de ensino espírita em se dirigir, aquele que ensina, antes à razão do que aos olhos. Esse o método que seguimos em as nossas lições e pelo qual somente temos que nos felicitar (1). 

 

*** Curiosidades ***

– Eratóstenes é o exemplo da inteligência que descobre as leis do universo nas coisas que parecem triviais. A maioria das pessoas iria ignorar o comentário sobre poço, sol, sombra, etc. Eratóstenes foi capaz de rever a forma da Terra e medi-la a partir deste comentário. Da mesma forma, a mediunidade nos fornece uma série de evidências para percebermos suas leis e como é o mundo dos espíritos. Precisamos apenas aguçar nossa percepção e nos aprofundar, assim como Kardec exemplificou.

– A curiosidade, assim como outros sentimentos humanos, muitas vêzes é relegada à lista de sentimentos indesejáveis. Emmanuel, nesse texto, nos mostra como este sentimento pode ser bem usado, tornando-se semente para grandes descobertas, o primeiro impulso para uma grande caminhada. 

– Há uma armadilha na curiosidade: tem pessoas que não conseguem dar o passo seguinte, não se libertam da curiosidade e não se envolvem com o esforço da compreensão e do estudo. São aqueles que, onde tem um fenômeno, correm para ver, comentam com os outros, descrevem com grande prazer, conhecem inúmeros grupos, inúmeros livros, inúmeras estórias, mas não se aprofundam para buscar as verdades eternas, nem se comprometem com nada. Todo progresso sempre pedirá esforço.

– Pegando uma carona no precioso comentário da nossa amiga Marta, temos nos milagres de Jesus um mecanismo usado por Ele para aguçar a curiosidade dos contemporâneos para sua mensagem, para a chamada “Segunda Revelação”. A partir de 1750, percebemos uma miríade de médiuns e fenômenos em ambos os lados do Atlântico, com direito à mesas que respondiam perguntas, paredes que tocavam música, adivinhações, levitações, desmaterializações, fotografias e etc. Coincidentemente, surge a chamada “Terceira Revelação” a partir de 1857, com o Livro dos Espíritos. 

– Compreende-se na leitura da questão 31 que é mais fácil para uma pessoa entender e aceitar os fatos espíritas quando primeiro estuda a teoria e depois encontra o fenômeno. Quando o inverso acontece, a pessoa, por não dispor de um conhecimento sólido que atenda a razão, muitas vezes entra no campo da negação, procurando os meios pelos quais ela foi iludida. Ela tenta enquadrar o observado dentro do mundo que ela conhece. Já no estudo prévio da teoria, ela é apresentada aos inúmeros fenômenos observados, percorre os argumentos prós e contra sobre a veracidade de cada um, descobre a dificuldade de se manter resultados e variáveis sob controle e tem chance de fazer sua própria avaliação, minimizando o efeito do deslumbre.

4 respostas para 05-O Primeiro Passo

  1. Marta Bastos disse:

    Bem interessante o estudo.
    Sobre a curiosidade , é bem “curiosa” a postura de Jesus que chamava pra si a atenção de seus feitos. É interessante compararmos isso com o que você menciona acima – ” a armadilha da curiosidade …”, se você ficar só na curiosidade, vai dançar. Uma vez eu fiz um curso na UERJ, ministrado por um sacerdote católico, sobre o cristianismo. Ele dizia que Jesus foi um grande marqueteiro e provocador, pois se assim não fosse, aquele povo não sairia do lugar… não teria curiosidade….
    O problema é que nós (aquele povo de ontem) ficamos parados na curiosidade e já estamos com mais de dois mil anos para dar o passo seguinte, não é mesmo …. rsrsrsrs!
    É melhor eu me mexer. O tempo urge !!!! Abraços Marta

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