10-O Bem, Sem Olhar a Quem!

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 10-Em Tarefa Espírita)
Reunião pública de 5-2-60
Questão LM no. 30

Lamennais

No último texto do capítulo XI do Evangelho Segundo o Espiritismo, o espírito Lamennais responde a Kardec uma pergunta muito difícil: deve alguém arriscar sua vida para salvar um malfeitor ?

Para esta meditação, iremos com Emmanuel nos lembrar um pouco dos companheiros, dos irmãos de travessia, das almas que atuaram nas páginas do Evangelho de Jesus.

Eles tinham em comum uma grande falta de compreensão das idéias do Mestre.

Numa época onde a força bruta determinava a maior parte do direito individual e das nações, há quem alegue que o grande sacrifício do Nazareno Mestre teria sido não a crucificação, mas antes dividir seus passos e seu tempo com consciências e corações ainda tão embrutecidos.

Caminhando adiante do vulgo, Ele aceita as constantes exigências dos curiosos, dos doentes e aflitos.

Reúne colaboradores sem lhes exigir virtudes expoentes ou completas.
E, pacientemente, atravessa as adversidades do caminho.

Aceita o batismo de João, mesmo percebendo suas dúvidas.

Esclarece Nicodemos na ignorância, reconhece Natanael em sua incredulidade, acolhe Tomé na comprovação.

Entre Caifás, Antipas e Pilatos, o Mestre ora silencia, ora responde dentro da compreensão de cada um.

A Pedro,  pusilânime na noite derradeira, confia seu rebanho. Para Judas, dementado pela traição, mergulha na escuridão e acolhe o amigo torturado.


Apesar de tudo, Ele passa, sozinho e imperturbável, como sendo o amor não-amado, ensinando e ajudando sempre”. – diz Emmanuel.

***

Da mesma forma, na casa a qual abraçamos para nosso trabalho, encontraremos oportunidades de auxílio e aprendizado em quase todos os companheiros.

Os necessitados que esperam o alimento material…
Os aturdidos, que rogam alívio, consolo e entendimento …
Os que não compreendem nosso ideal, que complicam nossos passos e desafiam nossa calma…
Os que nos criam dificuldades e ferem nosso coração…

Assim como Jesus veio para os doentes e desorientados, nossa mão estendida não deve amparar apenas aos gratos, bondosos ou amigos, mas a todos que dela precisar.

E devolvendo ao mundo as bênçãos que o mundo já nos proporcionou, vamos levar nosso roteiro de conduta aos transviados; levar nosso equilíbrio aos perturbados; levar nossa firmeza aos que caem; levar o pouco de luz que já entesouramos a quem se debate nas trevas.

Em cada gesto, estaremos reconstruindo nosso amor perante a eternidade.


Lamennais nos lembra que o devotamento é cego. E nos exorta: Socorrei-o, porquanto, salvando-o, obedeceis a essa voz do coração, que vos diz: “Podes salvá-lo, salva-o!

Desse modo, não te faças distraído quanto à orientação que nos é comum, porquanto o espírita verdadeiro, diante do mal, é invariavelmente chamado a fazer o bem”. (Emmanuel)

==&==

Leitura da Questão: Livro dos Médiuns (LM)
Noções preliminares
CAPÍTULO III
DO MÉTODO

(Questão 30) 30. Convirá se procure convencer a um incrédulo obstinado? Já dissemos que isso depende das causas e da natureza da sua incredulidade. Muitas vezes, a insistência em querer persuadi-lo o leva a crer em sua importância pessoal, o que, a seu ver, constitui razão para ainda mais se obstinar. Com relação ao que se não convenceu pelo raciocínio, nem pelos fatos, a conclusão a tirar-se é que ainda lhe cumpre sofrer a prova da incredulidade. Deve-se deixar à Providência o encargo de lhe preparar circunstâncias mais favoráveis. Não faltam os que anseiam pelo recebimento da luz, para que se esteja a perder tempo com os que a repelem.

Dirigi-vos, portanto, aos de boa-vontade, cujo número é maior do que se pensa, e o exemplo de suas conversões, multiplicando-se, mais do que simples palavras, vencerá as resistências. O verdadeiro espírita jamais deixará de fazer o bem. Lenir corações aflitos; consolar, acalmar desesperos, operar reformas morais, essa a sua missão. E nisso também que encontrará satisfação real. O Espiritismo anda no ar; difunde-se pela força mesma das coisas, porque toma felizes os que o professam. Quando o ouvirem repercutir em tomo de si mesmos, entre seus próprios amigos, os que o combatem por sistema compreenderão o insulamento em que se acham e serão forçados a calar-se, ou a render-se.

*** Curiosidades ***

– Hughes Félicité Robert de Lamennais (Saint-Malo, França, 19 de junho de 1782 – Paris, 27 de fevereiro de 1854), foi um filósofo e escritor político francês. Foi um escritor brilhante, tornando-se uma figura influente e controversa na história da Igreja católica francesa. Na obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, encontram-se mensagens atribuídas tanto a Lamennais quanto a Lacordaire, outro entusiástico escritor do Catolicismo Romano Liberal e seu amigo no jornal “L’Avenir”. Também em O Livro dos Espíritos, obra espírita, na questão 1009, pode-se encontrar uma mensagem atribuída a Lammenais.

– Não muito conhecida é a figura de Natanael, que aparece no Evangelho de João. No site www.estudosdabiblia.net/2002314.htm encontramos as seguintes referências:
Filipe encontrou Natanael e lhe disse: “Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei, e a quem se referiram os profetas, Jesus, o Nazareno, filho de José. Perguntou-lhe Natanael: de Nazaré pode sair alguma coisa boa? Respondeu-lhe Filipe: Vem e vê” (João 1:45-46).
Quando Jesus viu Natanael chegando, ele fez uma afirmação a respeito do caráter de Natanael, “Eis um verdadeiro israelita, em quem não há  dolo!” (João 1:47). Quando Natanael perguntou a Jesus como ele o conhecia, Jesus respondeu: “Antes de Filipe te chamar, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira” (João 1:48).
Natanael, convencido pela demonstração de divina onisciência, exclamou para Jesus, “Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és Rei de Israel!” (João 1:49). Jesus disse a Natanael, “Pois maiores coisas do que estas verás…. Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem” (João 1:50-51).

– Uma das dúvidas comuns naquele que abraça a caridade é a questão da esmola. Nas grandes cidades, encontramos tantos pedintes, que acabamos por não atender a ninguém. Com o acréscimo dos muitos que, nós sabemos, acabam vivendo da caridade alheia e dos tantos outros que usam da caridade para se entorpecer ou embriagar.  Alguns municípios solicitam que não se dê a esmola nem compre balas com crianças em sinais para não deseducá-las. Por outro lado, Jesus recomenda: “Dai àquele que vos pede e não rejeiteis jamais aquele que vos pedir emprestado.” (Mateus, 5:42).
O que fazer ? Divaldo Franco declara publicamente que não sustenta o ócio alheio. Ele oferece oportunidades de cidadania e auto sustento.
No site www.oconsolador.com.br/ano3/142/esde.html temos:
4. Confundida vulgarmente com a caridade, a esmola é condenável?
Não. A esmola não merece reprovação, mas sim a maneira pela qual habitualmente ela é dada.
Pessoalmente, tenho recorrido muito à oração e inspiração para ouvir o pedinte e encontrar o melhor jeito de ajudá-lo. Sei que, muitas vezes, eu não acerto, mas procuro fazer o meu melhor. Aceito sugestões !!! 

– Frequentemente, nossa melhor oportunidade de progresso moral está naquele irmão tarefeiro que é inoportuno, que cria embaraços à nossa lida. Muitos optam por simplesmente mudar de casa, mudar de horário, de tarefa ou apenas evitá-lo. Porém, se nosso irmão é capaz de subtrair-nos da calma, da paz, da razão, é sinal que ele descobriu uma das nossas dificuldades interiores. Como toda dificuldade interior é possibilidade de melhoria, nosso irmão está apenas contribuindo com o sucesso de nossa atual encarnação! Que maravilha!
Nesse ponto, é claro, não esqueçamos da Oração da Serenidade: “Concedei-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras”. Portanto, se após muito esforço eu não conseguir reencontrar minha calma perante meu irmão, melhor dar um tempo na provação do que vir a esganá-lo! 🙂

– Sobre Judas, alguns textos afirmam que Jesus teria descido nas zonas abismais e auxiliado ao irmão em grande tormento. Não a traição, mas o suicídio teria sido sua grande agressão perante a Justiça Divina. Jesus não o teria retirado de lá, uma vez que o local ajuda a drenar os psiquismo desequilibrado, aliviando ao doente. Mas teria dado todo amparo para sua recuperação e encaminhamento para a próxima oportunidade de redenção. Alguns alegam que esta oportunidade foi na figura de Joana D’Arc.

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5 respostas para 10-O Bem, Sem Olhar a Quem!

  1. Marta Valéria disse:

    HAHAHAHA! Pois é, virei sócia-atleta da “Lãrause” …….tenho até carterinha…rsrsrs! Acho que semana que vem eu já resolverei o meu problema. Acho………..
    Essa coisa da caridade/esmola muito me intriga. Eu cresci vendo o meu pai separando as próprias roupas (em desuso) pra levar para o velhinhos dos abrigos em São Gonçalo. As roupas eram lavadas (pelo meu pai), passadas e os sapatos eram engraxados num brilho de dar inveja. Depois de tudo limpo e arrumado, ele colocava tudo numa sacola e me levava para a distribuição. Aprendi que deve se dar ao outro aquilo que gostaríamos de receber. O meu pai também arrumava a lixeira de tal jeito, que nem parecia lixo. Era tudo muito organizado e, ele dizia: – “devemos pensar em quem vai mexer nesse lixo. Vidros e latas cortam a mão, lixo caseiro tem que ser embrulhado…”, e por aí vai. Quando, hoje, eu me pego nas ruas vendo uma população carente de condições sociais e morais, sobrevivendo de “bicos” e também da astúcia, penso logo no meu paizinho e me pergunto o que fazer?
    E vem a mesma resposta: faça ao outro o que gostaria de receber.
    Em alguns momentos de minha vida, eu me vi nas ruas sem um único centavo e não podia dar o meu para salvar o outro (pedinte). Isso tem a ver com a história de você arriscar a sua vida para salvar o outro. Isso me incomodou muito e aprendi uma lição com isso. Como eu não tenho o que pedinte quer (dinheiro), eu ofereço a minha gentileza (o que eu tenho). Eu respirei melhor depois das primeiras experiências e fiquei em paz com minha consciência. Não sei se salvei o outro, mas consegui não me atirar no abismo da indiferença.
    Eu acho que quando a gente “pode” (seja financeiramente ou emocionalmente) a ajuda é tão natural, que nem percebemos se estamos amparando um amigo ou inimigo. A coisa acontece e Deus nos abençoa.
    Vou me despedindo. Beijos e até semana que vem.
    Marta

    • inacioqueiroz disse:

      Muito legal esta estória do seu pai.
      Nada como uma genética bondosa ! rsrsrs
      Isso de doar sua gentileza é um passo dentro da evolução moral.
      No CEU, eu aprendi que a gente começa doando o que tem, por não saber doar mais.
      Um dia, a gente aprende a doar o que é.
      Valeu, Martinha !!! Obrigado pelo seu constante carinho.
      Muitos beijos ….

  2. Claudie (Di) disse:

    Muito interessante vc ter abordado esse tema… Teve a ver com nosso estudo do Evangelho?
    Bem, de qualquer modo, tenho 2 reflexões para essa questão. Em primeiro lugar, sei que ainda estou muito longe de fazer o bem sem olhar a quem. Se estivesse em meu alcance, tentaria salvar um malfeitor das garras da morte; entretanto, se para isso tivesse que arriscar a própria vida, racionalmente falando acho que minha atitude seria a de não ir tão longe. Por outro lado, se fosse uma criança, alguém completamente indefeso, é possível que me arriscasse para salvá-lo.
    Em segundo lugar, sei que todo bem que se faz, por ínfimo que seja, retorna para nós multiplicado em bênçãos; imaginemos que, ao salvar quem quer que seja, (assim como na historinha em que o leão poupa a vida do ratinho, e este mais tarde rói as cordas que prendem o leão, salvando-o), estejamos salvando quem, mais tarde viria a nos salvar ? Ao salvar alguém poderíamos estar transformando o interior dessa pessoa, pela oportunidade recebida. Afinal, como se diz por aí, Deus escreve certo por linhas tortas… É apenas para nós que as linhas parecem tortas, pois em sua infinita sabedoria, tudo que faz se traduz em oportunidades de aprendizado para nós.
    Martinha, daqui há pouco vai acabar virando sócia da “lãrause”…Uma bjoca em todos!

    • inacioqueiroz disse:

      Na verdade, eu estou só seguindo o livro. Me pergunto se não ocorreu o inverso: o estudo do Evangelho me preparou para este capítulo.
      Sobre esse questão de colocar a vida em risco ou não, isso mostra o nosso extremo.
      Mas, sem olhar pro extremo, podemos perguntar se a gente trata com o bem alguém que a gente não engole.
      Porque se eu arrisco a vida por um malfeitor, facilmente serei bondoso com alguém que não julgo ser um bom caráter.
      Acho que o sentido profundo do estudo é esse.
      A estória do ratinho e do leão, podemos retraduzir para a questão da esmola. Hoje nós podemos DAR esmola.
      E quando for nossa vez de pedir? Como nos sentiremos, de mão estendida, vendo aquela multidão passar, desviando a cara?
      E se o ratinho tivesse ido embora, como o leão se sentiria?
      Não se sentir com dignidade já é difícil. Imagina ser invisível, um estorvo no caminho de quem passa? E necessitando!
      A imagem daquela mãe em lágrimas com o filho no colo mexeu muito comigo.
      Outra imagem que me incomodou foi a última: a flor perante as armas. Me pareceu tão utópico!
      O militar dentro de mim vê aquilo como uma pieguice.
      Mas preciso lembrar que quem hoje bate, amanhã apanha e se arma para bater de novo.
      Nunca acaba, até que alguém tenha coragem de estender um flor e pedir pela paz !
      Beijos, amor! Obrigado pelas suas muitas contribuições!
      (lindo buguzinho flor da Chapada Diamantina!)

    • inacioqueiroz disse:

      Acrescentei uma curiosidade sobre Judas no final.
      Eu esqueço que nem todos conhecem os textos sobre o auxílio de Jesus a Judas.
      Mozinho, reparou que o Lamennais é de Saint-Malo ??
      Só reparei isso por sua causa.
      Bjs …

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