12-Multiplicando Talentos

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 12 – Na Mediunidade)
Reunião Pública de 12-2-60
Questão no. 226 – inciso 1

Afinal, o que Deus espera de mim ?

Os grandes patriarcas do povo Judeu pareciam ter uma comunicação mais fácil com o alto.
Sarças ardentes, tábulas inscritas, anjos, vozes celestes diretas e outros.

No Novo Testamento, quando na dúvida do que fazer com a gravidez de Maria, um anjo foi aconselhar José. E, sem saber qual caminho seguir, o anjo comanda a ida para o Egito e ainda o avisa sobre a hora de voltar. Sem contar com o anjo que orientou aos Reis Magos!


Jesus ponderou seus passos junto a Elias e Moisés no Tabor.
Paulo recebeu orientações de Jesus na estrada de Damasco.

E eu ? Como devo me nortear ?
Cadê meu anjo “navegador”?

Fato é que todos retornamos aos caminhos da Terra providos de talentos e habilidades que nos diferenciam. Estão aí os nossos sinais, nossas orientações, nosso guia.

E mediunidade está incluída como apenas mais um destes sinais.
Na visão da Parábola dos Talentos, são estes “talentos” que devem voltar multiplicados quando retornarmos à presença daquele que nos confiou.

Nesse capítulo, Emmanuel nos adverte sobre o uso de nossas habilidades. Não nos distinguiremos pela sensibilidade mediúnica, mas pelo bom uso que fizermos dela.

Pouco antes do início da Segunda Grande Guerra, os cientistas alemães foram convocados para pesquisar em favor do Exército Alemão.
Einstein se recusou.
E se afastou de um grande amigo incumbido de criar armas químicas a partir do Cloro.
Fundou um movimento pacifista e sua frase ganhou fama mundial:
“A paz é a única forma de nos sentirmos realmente humanos”.

Do entendimento do átomo, enquanto Mme. Curie desenvolveu o aparelho de Raio X e saiu literalmente em campo para amparar milhares de traumatizados, Oppenheimer utilizou os mesmos princípios na aniquilação de milhares de vidas com as primeiras bombas nucleares.
Todos eram cientistas, detentores dos mesmos talentos.

Lembrando da Segunda Grande Guerra ainda, meditemos na história de Oskar Schindler, que, ao receber a incumbência de administrar uma fábrica de armas nazista, salvou centenas de judeus do extermínio.

Lembremos das lágrimas do Sr. Hamilton dos Santos, operador de máquinas em Salvador, que, em maio de 1993, foi escalado para destruir a casa de duas senhoras pobres que haviam sido judicialmente despejadas.

Morando com elas, estavam mais de 8 crianças. Sentado no banco da escavadeira, Sr. Hamilton começou a chorar e se recusou a fazer.

Foi avisado que seria preso por obstrução à Justiça. Passou mal.
Aquilo não era o certo, se recusou. E foi preso.
Um segundo tratorista foi convocado e também se recusou.

As casas não foram derrubadas. O caso ganhou repercussão nacional.

17 dias depois, a OAB homenageava Sr. Hamilton por
“demonstração prática de Cidadania”.
Um ano depois, Sr. Hamilton voltou àquele mesmo bairro pobre para receber nova homenagem, no Dia Mundial do Cidadão. E descobriu que as duas senhoras e outras 8 famílias, seriam beneficiadas com as escrituras definitivas de suas casas.

***

Se, por um lado, só à Lei Divina cabe julgar os acertos e desacertos de cada indivíduo, nós, de imediato, conseguimos classificar a influência de cada pessoa através do bem ou do mal que espalha.

Da mesma forma é na mediunidade.

Seja qual for o talento que te enriquece, busca primeiro o bem, na convicção de que o bem, a favor do próximo, é o bem irrepreensível que podemos fazer”.
– esclarece Emmanuel.

Desse modo, ainda mesmo te sintas imperfeito e desajustado, infeliz ou doente, utiliza a força medianímica de que a vida te envolve, ajudando e educando, amparando e servindo, no auxílio aos semelhantes, porque o bem que fizeres retornará dos outros ao teu próprio caminho, como benção de Deus a brilhar sobre ti”.
(Emmanuel)

==&==

Leitura da Questão: Livro dos Médiuns (LM)
CAPÍTULO XX
DA INFLUÊNCIA MORAL DO MÉDIUM
Questões diversas. – Dissertação de um Espírito sobre a influência moral.

226. 1ª O desenvolvimento da mediunidade guarda relação com o desenvolvimento moral dos médiuns?

“Não; a faculdade propriamente dita se radica no organismo; independe do moral. O mesmo, porém, não se dá com o seu uso, que pode ser bom, ou mau, conforme as qualidades do médium.”

2ª Sempre se há dito que a mediunidade é um dom de Deus, uma graça, um favor. Por que, então, não constitui privilégio dos homens de bem e por que se vêem pessoas indignas que a possuem no mais alto grau e que dela usam mal?

“Todas as faculdades são favores pelos quais deve a criatura render graças a Deus, pois que homens há privados delas. Poderias igualmente perguntar por que concede Deus vista magnífica a malfeitores, destreza a gatunos, eloqüência aos que dela se servem para dizer coisas nocivas. O mesmo se dá com a mediunidade. Se há pessoas indignas que a possuem, é que disso precisam mais do que as outras, para se melhorarem. Pensas que Deus recusa meios de salvação aos culpados? Ao contrário, multiplica-os no caminho que eles percorrem; põe-nos nas mãos deles. Cabe-lhes aproveitá-los. Judas, o traidor, não fez milagres e não curou doentes, como apóstolo? Deus permitiu que ele tivesse esse dom, para mais odiosa tornar aos seus próprios olhos a traição que praticou.”

*** Curiosidades ***

– Alguns julgam a mediunidade uma benção. Outros, um tormento. Mas, se a mediunidade se radica no organismo, é como nascer ou de olhos puxados, ou com voz estridente ou com dedos longos. Cria benefícios em algumas situações, malefícios em outras, vantagens e desvantagens segundo o contexto. Considerando que nosso corpo físico é moldado por nossa vontade e por nossos traumas à cada encarnação, para que venhamos a dispor dela hoje, a mediunidade foi desejada antes de nosso retorno, em algum momento de nossa caminhada.

– Chorei muito relembrando a história do Sr. Hamilton dos Santos. Ele nos mostra que os anjos do Senhor também estão caminhando sobre a Terra, estendendo suas asas quando são chamados. Mas não parecem com os anjinhos barrocos tradicionais que tanto cultuamos nas festas religiosas. Para mais detalhes desta estória, veja em http://ventura-memriasdoventura.blogspot.com/2010/05/3-de-maio-de-2010.html ou em http://www.textolivre.com.br/contos/32764-hamilton-dos-santos-brasileiro-casado-53-anos-pai-de-familia-profissao-cidadao.
Parece ficção, mas não é!

– Pegando carona na contribução da nossa querida Claudie: ‘Muitas vzs, achamos que nossos talentos devem ser “GRANDES JÓIAS RELUZENTES”… mas na maior parte, são pequenas pedrinhas, que podem passar despercebidas, mas se soubermos vê-las e apanhá-las, podem nos surpreender e se tornar grandes oportunidades de aprendermos, crescermos e fazer o bem. Afinal, uma árvore começa com uma pequena semente, mas se soubermos cultivá-la, pode vir a dar muitos frutos…’.

– Um exemplo claro de uma pequena pedrinha de talento é a penúltima imagem do texto: a mãe indiana amamenta de um lado uma criança e do outro um macaquinho!

7 respostas para 12-Multiplicando Talentos

  1. Claudie (Di) disse:

    Martinha, obrigado pelo carinho. E minha filhota, vai sair de princesa? mande muitos bjinhos prá ela, tô com saudades… Essa frase do tio do Homem Aranha é fantástica! É bem legal ver que grandes verdades não precisam de grandes tratados para serem apreendidas… Bjocas, querida!

  2. Marta Valéria disse:

    Clô muito lindo o que você escreveu.
    Gosto muito também da história do Sr. Hamilton dos Santos (vejam bem ele é “dos Santos” … rsrsrsrsrs!). Somos dotados de “poderes naturais” e saber dosar, parar na hora certa e direcioná-los é questão de amadurecimento e desenvolvimento moral. Eu penso que é por isso que estamos aqui na Terra, para nos evangelizarmos, porque somos moralmente “corruptos” e nos deixamos levar pelo “garbo” dos poderes naturais. O Sr. Hamilton, na sua simplicidade humana, mas na grandiosidade de sua alma, soube usar os seus talentos, mas muitas vezes nós ainda usamos a mediunidade pela recompensa do – “Nossa como você é bom …!”. Ainda precisamos ouvir tal coisa para nos “re-unirmos” ao Deus Pai. O bom disso tudo é que sabemos que isso é uma fase, que estamos superando e, caminhando para a lapidação de nossas pedras preciosas .
    Como diz o Tio do Homem Aranha : – ” Quanto maiores os poderes, maiores serão as responsabilidades. ”
    Beijos em todos. Bom Carnaval e Boas Férias !
    Marta

    • inacioqueiroz disse:

      Obrigado, Martinha.
      Vc sempre com lindas palavras.
      Acho bem legal as pessoas que conseguem encontrar a sabedoria mesmo numa revista em quadrinhos.
      É verdade, só estão pastando aqui na Terra os ainda “corruptos” e os missionários da luz.
      O Divaldo conta que, numa conversa com o Chico, ele comentou: “Quando vc ouvir alguém dizendo que na última encarnação foi Rei, foi Princesa, foi gente importante, Divaldo, acredite! Os que foram gente comum já estão todos desobrigados a voltar para cá.” rsrsrs
      Estamos superando!
      Bom Carnaval !!! Eeeehhhh !! (Cidadiiii Mararavilhooosaaa / Cheiaaa de encantos miuuuulllsss …)

  3. Claudie (Di) disse:

    Ah, esqueci de dizer mais uma coisa. Muitas vzs, achamos que nossos talentos devem ser “GRANDES JÓIAS RELUZENTES”… mas na maior parte, são pequenas pedrinhas, que podem passar despercebidas, mas se soubermos vê-las e apanhá-las, podem nos surpreender e se tornar grandes oportunidades de aprendermos, crescermos e fazer o bem. Afinal, uma árvore começa com uma pequena semente, mas se soubermos cultivá-la, pode vir a dar muitos frutos…
    Bjos!!!!

  4. Claudie (Di) disse:

    Muitas vezes nos deixamos assaltar pela dúvida e insegurança. Apesar de tão execrado, consigo entender a falta de iniciativa do servo que não conseguiu multiplicar o talento recebido. Em muitas ocasiões, em minha vida, me deixei paralisar pelo medo de errar, pela preguiça, pelo comodismo… Sei, racionalmente falando, que quem não tenta não erra, mas tb não avança. Entretanto, tb sei que esses “insucessos”, essas falhas por omissão, tb são importantes para que amadureça emocionalmente, a fim de me tornar capaz de encarar os desafios-oportunidades que me são trazidos pela vida. Aliás, esse amadurecimento tb diz respeito à necessidade de pedir ajuda àqueles que têm a missão de me orientar espiritualmente, e fortalecer minha fé nessa ligação, para que saiba me posicionar no caminho cada vez mais sobre bases mais sólidas…
    Acho que é preciso descobrir através de qual (ou quais) talentos devemos aprender a trilhar nosso caminho, e nos dedicarmos a aprimorá-lo(s). Geralmente, quando conseguimos calar os ruídos externos, conseguirmos “ouvir” qual caminho seguir…O problema é que muitas vezes levamos toda uma vida para aprender esse processo. Mas aí tá a beleza da reencarnação: podemos sempre recomeçar e tentarmos fazer um novo fim…
    Bjinhos, amor, e bjocas mil, galera!

    • inacioqueiroz disse:

      Oi Buguzinho!
      A dúvida é algo que devemos aprender a conviver mesmo.
      Até Jesus foi para o deserto aceitar que suas dúvidas o encontrassem e ele as pudesse encarar de frente.
      O mais importante é, como vc mesma disse, não paralisar. Até o erro é mais benéfico que a paralisia.
      Isso nos lembra o filho pródigo. Mesmo errando, o pai o recebe com muita alegria porque sabe que ele tentou e aprendeu.
      Quando a gente enterra o talento, aí o bicho pega.
      Pedir ajuda é uma linda lição de humildade. Todos precisamos desenvolver isso.
      Eu gosto (e já faz bom tempo que não faço) de, tempo em tempos, me colocar como total aprendiz em algo que eu ignoro.
      Ajuda a lembrar o quanto não sabemos. Estar sempre dominando o que se faz acaba nos roubando a humildade.
      E nos ajuda nas horas de erros, de insucessos. Não sabemos tudo. Ninguém sabe. Preciso me perdoar por errar.
      E preciso perdoar os outros porque eles erram assim como eu erro onde eu ignoro.
      Obrigado por seu carinho, lindo buguzinho flor do Carnaval Carioca.

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