13-O Parasita

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 13-Em Serviço Mediúnico)
Reunião Pública de 15-2-60

Questão no. 228

Há doenças na mediunidade ?

Houve um tempo em que se dizia que a mediunidade era loucura ou início desta.

Ouvir vozes era motivo de internação imediata.

Quantos não estarão nos hospícios ainda hoje porque confiaram em alguém e disseram:
— “Tem uma voz na minha cabeça dizendo isso, aquilo e aquilo outro”?

E ouviu uma resposta meiga:
—Não se preocupe! Tome esse remedinho e tudo vai passar!

Não passou!
E acabou nunca largando do tal remedinho, dos outros remedinhos para os efeitos colaterais do remedinho, dos médicos, das internações e sabe mais do quê!

Se visse “pessoas mortas” então, ou sofria em silêncio, ou encarava o sanatório, ou mesmo sofria as velhas práticas penitenciais religiosas. E ainda continuava apavorado com as visões, sem ter uma explicação de porque somente seus olhos viam aquilo.

Mediunidade não é doença, hoje sabemos. E mesmo a Organização Mundial de Saúde recomenda aos médicos que, antes de diagnosticar esquizofrenia em um paciente que ouve vozes, verifique os indícios de paranormalidade.

Porém, se mediunidade não é doença, há doenças na mediunidade!

Nesse capítulo, Emmanuel descreve um parasita destruidor, que assume formas diversas na constituição espiritual. Quando infesta, é avassalador, qual uma sarna.

Seu nome: orgulho. Sua via de entrada: o personalismo.

Ainda na fase leve, a gente passa a não ver senão a nós mesmos. Ninguém outro tem mérito, ninguém outro tem direito, ninguém outro tem aspirações, ninguém outro tem necessidades. A alienação mental caminha nas lindas palavras que elogiam nossa atuação.

E cresce sem freio!
Em seguida, na fase aguda, somos tomados por grande abatimento.
Por não conseguir meditar sobre nossa real situação, por reagir mal a qualquer crítica, nosso destino é afundar na dúvida ou na queixa.

Segundo Emmanuel, “descrendo sistematicamente da utilidade daqueles que o cercam, acabam descrendo da utilidade que lhes é própria”.

Nos sentimos “o perseguido por todos, o invejado, o incompreendido” e caímos no desanimo. Sem forças, proclamamos nossa infelicidade.

Daí, surge a pergunta final:
— Afinal, por que eu estou me submetendo a estes maus tratos?
ESTOU FORA!
E adiamos a tarefa para a próxima encarnação.

***

Mediunidade é a nobre lição de aprender a servir.

Assim como a natureza ensina que cada célula nos organismos deve se especializar para uma certa atividade, cada dote mediúnico atua numa região da grande obra do bem.

Ninguém é o melhor, ninguém está isento de errar.
Todos com potencial de ajudar, amparar e iluminar.

Em um, a palavra clara e penetrante; no outro, a mão quente que traz o alívio; adiante, a capacidade de escrever páginas de paz e consolação.

Aquele nos motiva a orar; outro se faz correio entre os dois planos; o outro renova nossa disposição orgânica.

A grande vacina para o parasita do orgulho é termos permanente consciência que a mediunidade é benção emprestada pela Bondade Infinita.

Lembremos ainda que Jesus, o médium exemplar, nunca buscou a admiração de seus contemporâneos. Preocupou-se, sim, em amparar, compreender, ajudar e servir.


E se houve um dom de Deus em que se empenhou de preferência aos demais, foi aquele de praticar o culto vivo do Evangelho no coração do povo, visitando em pessoa os casebres da angústia e alimentando a turba faminta, ofertando amor puro aos enfermos sem nome e estendendo esperança aos que viviam sem lar”. (Emmanuel)

==&==

Leitura da Questão: Livro dos Médiuns (LM)
CAPÍTULO XX
DA INFLUÊNCIA MORAL DO MÉDIUM
Questões diversas. – Dissertação de um Espírito sobre a influência moral.

228. Todas as imperfeições morais são portas abertas aos maus Espíritos. Mas a que exploram com mais habilidade é o orgulho, porque é o que a criatura reconhece menos em si mesma; o orgulho perdeu numerosos médiuns dotados das mais belas faculdades e que, não fosse por isso, teriam podido se tornar médiuns notáveis e muito úteis; transformados em presa dos Espíritos mentirosos, suas faculdades são primeiramente pervertidas, depois aniquiladas, e mais de um se viu humilhado pelas mais severas decepções.

O orgulho se manifesta nos médiuns por sinais inequívocos sobre os quais é necessário chamar a atenção, porque é um dos caprichos que mais devem despertar desconfiança sobre a veracidade de suas comunicações. É, primeiramente, uma confiança cega na superioridade dessas comunicações e na infalibilidade do Espírito que as dá; daí um certo desdém por tudo o que não vêm deles, pois acreditam ter o privilégio da verdade. O prestígio dos grandes nomes com que se adornam os Espíritos que dizem ser seus protetores os fascina e, como seu amor-próprio sofreria em confessar que são enganados, recusam toda espécie de conselhos; eles mesmos os evitam, ao se afastar de seus amigos e de todo aquele que poderia abrir-lhes os olhos; se cedem a escutá-los, não levam em consideração suas advertências, pois duvidar da superioridade de seu Espírito protetor é quase uma profanação, uma irreverência. Eles se melindram com a menor contrariedade, com uma simples observação crítica, e algumas vezes chegam até a sentir ódio das pessoas que lhe prestaram esse favor. Graças a esse isolamento provocado pelos Espíritos que não querem ter contraditores, esses mesmos Espíritos se comprazem em entretê-los em suas ilusões, como também os fazem facilmente tomar os maiores absurdos por coisas sublimes. Assim, confiança absoluta na superioridade do que obtêm, desprezo daquilo que não vêm deles, importância irrefletida ligada aos grandes nomes, recusa de conselhos, tomar a mal qualquer crítica, afastamento daqueles que podem dar conselhos desinteressados, crença em sua habilidade, apesar de sua falta de experiência, essas são as características dos médiuns orgulhosos.

Também é preciso convir que o orgulho, muitas vezes, é instigado no médium pelos que o rodeiam. Se possui faculdades um pouco fora do comum, é procurado e louvado; acredita-se indispensável, e logo toma ares de vaidade e de desdém quando presta sua participação. Mais de uma vez  lamentamos os elogios que demos a alguns médiuns com o objetivo de encorajá-los.

*** Curiosidades ***

– Chico Xavier nos conta que Emmanuel solicitou durante longo tempo que ele não se dispusesse a dar entrevistas em mída de longo alcance, tipo rádio e televisão. Alegava que Chico não estava preparado. Mesmo assim, mesmo sem as entrevistas, o assédio era tremendo. Quando finalmente foi liberado, Chico recebeu pressões que nunca imaginou existir. Imagina se ele ainda não estivesse com o orgulho dominado?

– José Medrado, médium do C.E. Cavaleiros da Luz, nos conta que teve uma lição ingrata no estudo do orgulho. A psicofonia ao final de cada sessão tornara-se fácil, trazendo sempre mensagens para alguém da platéia. Em sua intimidade, começou a ansiar por este momento do trabalho. Numa noite, chegando no final da sessão, percebeu que seu mentor estranhamente se afastara e um espírito desejoso de comunicação tomou a palavra. Disse o nome, falou da saudade de sua companheira e de como vivera feliz no endereço na rua X. Nesse ínterim, uma mulher na platéia começou a chorar, afirmando aos berros que sempre desconfiou que aquele “cachorro” tinha uma amante e que agora tinha certeza. Terminada a sessão, Medrado perguntou ao mentor por que ele o deixou passar por aquele vexame. O mentor explicou que foi o orgulho dele quem o cegou, uma vez que o sinal de que algo estranho estava ocorrendo foi dado claramente logo no início.

– Prof. Raul Teixeira nos conta que o ideal é passarmos imediatamente o “recibo” para a pessoa certa. Recebeu um elogio? “Graças a Jesus e aos bons espíritos que nunca nos desamparam”.

– Lembremos ainda que mesmo Jesus, quando foi chamado de “bom rabi“, imediatamente respondeu: “Por que me chamas de bom? Bom é meu Pai que está nos céus“.
Com tudo isso, façamos um favor aos médiuns: evitemos os elogios personalistas!

 

4 respostas para 13-O Parasita

  1. Claudie (Di) disse:

    pois é, Martinha, graças a Deus temos o dom da mediunidade; enquanto requer estudo e vigilância, para não nos deixarmos levar pelo orgulho, também nos traz notícias daqueles que já se foram, nos traz elucidações e vasto material de estudo, através dos tantos livros psicografados, nos traz grandiosos fenômenos de materialização e também horas de aprendizado e encantamento com palestras como as de Divaldo…
    Por outro lado, quando falamos na inveja, me vem à memória o filme Advogado do Diabo, onde AlPacino interpretou maravilhosamente o “coisa-ruim”… No final do filme, quando o diabo parecia vencido, ele volta com outra forma para explorar a vaidade do personagem do Keanu Reeves. E le diz, como reflexão final, que a vaidade é o pecado preferido dele… Se pensarmos direitinho, quase todos os outros pecados (inveja, orgulho, ganância…) derivam da vaidade…
    por falar no Rei, achei muito legal um enredo sobre a vida dele. Foi muito bem explorado, só não precisava ser Beija-flor… Bem que minha Mangueira podia ter tido a idéia…Bjocas!

  2. Marta Valéria disse:

    Queridos amigos, sodades !!!!!!!!!
    Gostei muito desse estudo. Tenho refletido muito sobre isso e confesso que já fiquei mal de tanto pensar sobre o assunto personalismo, vaidade, orgulho e etc. Já teve momentos em que quase afundei de tanto me culpar, mas atire a primeira pedra quem assim não vive esse “tormento” aqui na Terra ….rsrsrsrsrs. Encarnar é difícil, assim dizem alguns obsessores, e concordo, mas também é uma benção para curar tais males. Vi que estava entrando numa outra paranóia: a do perfeccionismo. E detalhe, estão todos interligados não é mesmo ? Os nossos mestres de referência são tão superiores (Chico, Jesus, Divaldo, Emmanuel, etc.) que nos afundam, sem querer, em nossos pântanos. Acho que é por isso que o Pai Maior nos concede Mentores, pra ficar uma “coisa mais família”…. rsrsrsrsrs!!!!!!!!
    Penso que esse planetinha recebeu os rebeldes e orgulhosos de “além-mar” e, graças ao Pai, oferece a mediunidade como um meio para educar tal situação. Aprendi que não podemos fugir e só quem põe a mão no orgulho é que vai ter a “real” dimensão da sua doença. Por isso o mentor do médium José Medrado o deixou vivenciar a situação desconfortante, para que ele pudesse se redirecionar mentalmente e moralmente.
    É a velha frase: “Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come.”
    Penso também que um dos grandes problemas do médium é que ele fica vigiando o outro médium para ver “quando” ele (o vigiado) vai cair na armadilha da vaidade. E a partir daí, anular toda a construção que foi dada por aquele que serviu (mesmo em nome da vaidade). Penso que isso também é uma grandiosa armadilha do orgulho, com o nome de inveja. A única coisa que não podemos deixar acontecer é nos perdermos de Deus nessa história toda.
    Boas Férias pra vocês !
    “Quando eu estou aqui e vivo esse momento lindo ….!” O REI ganhou o carnaval !
    Salve o REI! kkkkkkkkk! Beijocas. Marta

  3. Claudie (Di) disse:

    Acho que realmente a mediunidade favorece muitas doenças (não pela faculdade em si, mas por nossa invigilância)… Na mediunidade, não poderia ser mais vital a advertência de Jesus – “Orai e vigiai”. A obsessão se faz mais perigosa, quando em pessoas que possuem mais sensibilidade mediúnica, podendo, como já foi dito, ser confundida ou favorecer quadros de loucura; através da mediunidade, podemos ser mais facilmente conduzidos à fascinação, pois podemos nos deixar levar pelo orgulho e vaidade ligados á nossa prática mediúnica. Também podemos ser mais sensíveis às vibrações alheias, de encarnados e desencarnados, ficando mais sujeitos a quadros de depressão…
    Uma das coisas mais importantes, a meu ver, a partir do momento em que se percebe uma maior sensibilidade mediúnica, é o estudo, o esclarecimento e a compreensão do que é a mediunidade, e quais as responsabilidades que ela acarreta. Se entendermos que é uma dádiva da misericórdia divina para nos ajudar a resgatar parte de nossos débitos através da caridade e amparo ao nosso próximo, e entendermos que não se é melhor que ninguém por possuí-la, podemos então dirigir a faculdade mediúnica para o bem, e com isso nos afastarmos cada vez mais do desequilíbrio.
    De qualquer maneira, se encarada com respeito e seriedade, é excelente ferramenta de auto- conhecimento.
    Bjocas para todos, e boas férias prá nós, amor!

    • inacioqueiroz disse:

      Seu comentário foi lindo!!
      É verdade, a sensibilidade maior traz a comunicação com os benfeitores, mas também abre “um portal” para os malfeitores.
      E mesmo depois de estar protegido vibratoriamente, nos deparamos com nossas dificuldades interiores.
      Estas são muito mais perigosas, porque nós tendemos a justifica-las e protege-las.
      Por isso que o Chico Xavier insiste em dizer que tanto o novato quanto o ancião devem se manter na disciplina do estudo.
      Nunca sabemos quando irá florescer, por uma situação nova, um aspecto do nosso interior que não está bem resolvido.
      E aquela lição que nunca significou NADA para gente, passa a fazer todo sentido.
      De fato, mediunidade é caminho para autoconhecimento quando bem trabalhada.
      Mas que caminho difícil !!! Obrigado, linda flor de Salvador !! Bjs …

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