14-Da Farmácia de Deus

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o Capítulo 14-Oração e Cura)
Reunião pública de 19-2-60.
Questão LM no. 176 inciso 8

Mais uma vez, o retorno para casa.
Dessa vez, tendo pão, leite, carne e uns docinhos para fazer um agrado.

Lá dentro, os mesmos olhinhos elétricos que já sabem a hora que o papai chega. E sempre cobra a surpresinha. Uma revistinha, um doce novo, um brinquedinho de 1,99. Qualquer bobagem serve.

Mas hoje, o olhar elétrico acompanha um sorriso cansado. Ela passou a tarde inteira com febre. Tiveram de chamar o médico e aumentar a medicação. Sua doença a acompanha desde os 2 anos de idade. Já vão para 7 anos assim. É muito tempo para uma criança. Quando irá terminar ?

Ela abre o pacote de papel lentamente. E abre um sorriso ao ver o quindim e a maria-mole. Mas logo volta a deitar, vencida por uma nova onda de febre.

Confesso que já não sei mais o que fazer. Já seguimos todas as prescrições médicas, me virei para comprar remédios caros, já mudamos de médico umas 3 vezes, levei a uma benzedeira e nada.

Ninguém sabe dizer exatamente o que é.
Vem a febre, a dificuldade de respirar, ela fica pálida e, algumas vezes, desmaia.
Já se machucou algumas vezes assim.
E quando a febre ficou muito freqüente, desistimos de mandá-la para escola.
Sempre acabava voltando mais cedo.

Deitei do lado dela e rezei. Pedi que alguém lá em cima traga a cura logo. Que a deixe viver uma vida normal, uma vida alegre como eu tive, que toda criança tem direito de ter.
Terminei em lágrimas como sempre.

Deitei do lado dela, aconcheguei-me e dormi, sentindo a febre que irradiava de seu corpinho.

De repente, me vi num sonho estranho.

Era noite.
As luzes da rua tremulavam, como lamparinas a gás ou a óleo.

Estava de mãos dadas com uma moça bonita, muito alegre, sorrindo muito.
Era ela! Reconheci pelos olhos.
Mas não era minha filha.
Parecia minha namorada.

De repente, alguém chega. Briga com ela.
Ela se esconde atrás de mim.
A pessoa me ataca e eu me defendo. Não quero bater!
Sinto que ele tem sua razão.
Mas ela não pensa duas vezes: prende o pescoço dele com uma corda até vê-lo sufocar.

Eu a repreendo. Ela nem liga. Diz que faz um favor para nosso amor.
Meu Deus! Ele está morto. O que faremos?

Ela apanha o óleo da lamparina e atira sobre o corpo.
As chamas se espalham.
Sinto o calor que vem da carne em brasa. E sinto que vou desmaiar.
Acordo todo suado. Ela está ao meu lado. Cheia de febre.

Será minha imaginação? Será que inventei tudo isso?
Não sei. Mas, apenas por um instante, achei que minhas preces foram ouvidas.
Não me trouxeram cura, mas me trouxeram o porquê de tanta tristeza.

Isso me deu forças para continuar.
Amanhã, quem sabe, aquele novo médico a libertará de tanta provação! E “perdoai, Senhor, nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores“.

***

Nesse capítulo, Emmanuel reflete sobre as muitas orações que parecem sem resposta junto àqueles que amamos. Lembra  que, entrosados com a Lei Divina, a enfermidade nasce do apelo do bem para nosso reajuste, nos amparando antes que venhamos a cair em abismos mais profundos.

Sem novos crimes perfeitos, sem nova agressão suicida, sem mais a inteligência que trama na sombra, sem a força bruta que verga indefesos e dependentes; apenas a alma expurgando o mal e se renovando, amparada pelos divinos mecanismos da reencarnação.

Organizemos, assim, o socorro da oração, junto de todos os que padecem no corpo dilacerado, mas, se a cura demora, jamais nos aflijamos.” – diz Emmanuel.

Sofre o rico, sofre o pobre, sofre o letrado e sofre o analfabeto. E a prece, em toda parte, abençoa, reconforta, ampara, ilumina e vivifica.

Lembremos-nos, no entanto, de que lesões e chagas, frustrações e defeitos, em nossa forma externa, são remédios da alma que nós mesmos pedimos à farmácia de Deus”. (Emmanuel)

==&==

Leitura da Questão: Livro dos Médiuns (LM)
CAPÍTULO XIV
DOS MÉDIUNS
7. Médiuns de Cura

176 Eis as respostas que nos foram dadas pelos Espíritos sobre esse assunto:


8. Podemos obter curas apenas pela prece?

“Algumas vezes, sim, se Deus o permitir; porém, pode ser que o melhor para o bem do doente ainda seja sofrer, e então acreditais que vossa prece não foi ouvida.”

9. Há para isso fórmulas de preces mais eficazes do que outras?

“Apenas a superstição pode conceber virtudes a certas palavras, e somente Espíritos ignorantes ou mentirosos podem alimentar semelhantes idéias, prescrevendo fórmulas. Entretanto, pode ocorrer que, para pessoas pouco esclarecidas e incapazes de compreender as coisas puramente espirituais, o emprego de uma fórmula contribua para lhe dar confiança; nesse caso, não é a fórmula que é eficaz, e sim a fé, que é aumentada pela idéia ligada ao emprego da fórmula.”

*** Curiosidades ***

– São inúmeros os casos de cura narrados pela Bíblia por Jesus. Podemos encarar os pedintes como aqueles que fizeram a prece e Jesus, o espírito (alma, uma vez que estava encarnado) que atendeu. Mas a literatura espírita nos traz casos onde Jesus não atende ou que os espíritos recomendam que a provação permaneça para o melhor proveito da encarnação, impedindo novas quedas.

– No capítulo VIII do ESE (Bem Aventurados os Puros de Coração), temos mensagem do espírito Vianney, Cura de Ars (Paris, 1863) que diz: “Oh, sim, bem-aventurado o cego que quer viver com Deus! Mais feliz do que vós que estais aqui, ele sente a felicidade, pode tocá-la, vê as almas e pode lançar-se com elas nas esferas espirituais, que nem mesmo os predestinados da vossa Terra conseguem ver. O olho aberto está sempre pronto a fazer a alma cair; o olho fechado, pelo contrário, está sempre pronto a fazê-la subir até Deus. Crede-me, meus bons queridos amigos, a cegueira dos olhos é quase sempre a verdadeira luz do coração, enquanto a vista é quase sempre o anjo tenebroso que conduz à morte.”

 

2 respostas para 14-Da Farmácia de Deus

  1. Claudie (Di) disse:

    Não acredito em fatalidade, pois se tal existisse, não veríamos razão para tentarmos melhorar, pois de nada adiantaria. Ainda assim, muitas vezes pensava que se sofremos (ou vemos alguém sofrer) por ser parte de um aprendizado de que necessitamos, de que adiantava rezar pedindo para que o sofrimento terminasse? Achava que só terminaria quando tivesse aprendido a lição, ou mais simplesmente, quando Deus quisesse… Hoje percebo que enxergava Deus como um pai terreno; só saía do castigo, quando a vontade(arbitrária)dele determinasse. Agora vejo um pouquinho mais, entendo que rezar traz alívio ao coração, traz entendimento, e pode até trazer o fim do sofrimento, se for melhor prá gente… Além disso, quando o sofrimento não é nosso, mas de alguém próximo, a oração é um meio que Deus nos dá para ajudarmos o outro com nossos bons sentimentos, com toda nossa vontade em querer o bem…
    No filme Nosso Lar, vimos que toda oração, ainda que não percebamos, nunca se perde, sempre é direcionada. Vimos que André Luiz, além das orações da mãe, também recebia os pedidos de ajuda e intercessão por parte da antiga cliente de outrora, a qual nem atendia de tão boa- vontade…Portanto, quando acharmos que não podemos fazer nada por alguém que sofre, lembremos que temos a oração, que é um santo remédio! Muitas bjocas em todos!

    • inacioqueiroz disse:

      Oi, Mozinho. Este tema, oração, eu percebo como uma área pouco entendida ainda. Exatamente como vc disse: alguns vêem como inócua por força de destinos já definidos. Outros entendem como um protocolo religioso: quando alguém diz “Vamos rezar!”, a pessoa dispara mastigando “Pai-Nosso-que-está-nos-céus…”. Quase não há compreensão nas palavras e muito pouco sentimento. O Espiritismo nos trouxe uma grande contribuição libertando a oração das fórmulas seculares da Igreja Romana.
      Mas qual o efeito para a pessoa que recebe? Em “Ceu e Inferno” tem desencarnados que comentam este efeito como um alívio para seus sofrimentos. Lembro de uma palestra de Divaldo onde ele falou do seu hábito de ter um livrinho com nomes de pessoas para quem orar. Um dia, ele soube de um homem que tinha morrido na linha do trem e o incluiu em suas orações. Durante longo tempo orou por ele, até substituir por outro nome. Anos passaram e Divaldo passou por um momento muito difícil. Então, um grande grupo de espíritos intrercedeu por ele. Entre eles, o rapaz que morrera na linha do trem. Dizia que fora imensa a ajuda que Divaldo trouxe para ele em momentos de grande sofrimento.
      Nossa percepção da oração, enquanto estamos encarnados, fica prejudicada pela carne, igual as ondas de rádio e outras vibrações que não percebemos. Mas elas existem e temos de aprender a usá-las e descobrir seu raio de ação.
      Beijos, lindo buguzinho flor de Salvador.

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