23-Plantio Nefando

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 23-Obsessão)
Reunião pública de 21-3-60
Questão LM nº 249.

Obsessor, em sinonímia correta, quer dizer ‘aquele que importuna’”.
– afirma Emmanuel

Quase sempre é alguém que dividiu conosco o caminho do erro e retorna no convite da continuação, agastando-se perante nossa proposta de renovação dos hábitos.

Se somos antipáticos ao convite, podemos nos equiparar ao fumante que passa a desprezar  quem bafora perto dele. Saímos do aplauso público para a crítica aberta.

Nesse capítulo, Emmanuel nos convida à paciência para aqueles que, seguindo nossa convivência, irão lentamente regenerar atitudes.

E eles estão em nossa casa, reencarnados também como afetos da maior intimidade.

Com nomes que a sociedade associa ao amor incondicional: mãe, pai, esposo, esposa, filhos, companheiros, mestres e tutores.

São verdadeiros santos para os outros.
São grandes torturadores quando voltados para nossas questões.

Conhecem a gentileza e a solidariedade quando nas rodas amigas; mas, nos momentos de intimidade, abandonam o verniz social, pisam e dilaceram, fazendo-se o buril do nosso crescimento pela irmã dor.

Encontraremos, ainda, consciências nesse mesmo timbre no plano dos desencarnados.
Que buscam incessantemente o caminho do crime, conforme foi nosso próprio pensamento quando em afinidade mental com elas.

Guardam tocaia, sem entender nossa necessidade de modificação interior.
Imaginam formas diversas de indução e apelam para qualquer sinal nosso de vínculo aos velhos hábitos, de retorno à ilusão ou à loucura

Recebe, pois, os irmãos do desalinho moral de ontem com espírito de paz e de entendimento”. – solicita-nos Emmanuel.

Se ele já sofre, nossa acusação só aumenta seu sofrimento.

Se ele se desmerece, nossa reprimenda só aumenta sua úlcera interior.

Se ele é cruel, nosso revide só nos compromete mais ainda.

Se tendemos a condená-lo, condenamos a nós mesmos, uma vez que somente nos acompanham em nossas dificuldades internas.

Asserena seu ânimo, silencia e serve, sabendo aceitar as palavras tortas, malícias e violências que advirão.

Nem reprovação, nem censura.

Na origem da obsessão, seja do plano visível ou do invisível, estamos nós, os nossos erros, o nosso plantio nefando.

Endereça-lhes, assim, a boa palavra ou o bom pensamento, sempre que preciso, mas não lhes negues paciência e trabalho, amor e sacrifício, porque só a força do exemplo nobre levanta e reedifica, ante o sol do futuro”.

(Emmanuel)

==&==

Leitura da Questão: Livro dos Médiuns (LM)
CAPÍTULO XXIII
DA OBSESSÃO

Questão 249. Os meios de se combater a obsessão variam, de acordo com o caráter que ela reveste. Não existe realmente perigo para o médium que se ache bem convencido de que está a haver-se com um Espírito mentiroso, como sucede na obsessão simples; esta não passa então, para ele, de fato desagradável. Mas, precisamente porque lhe é desagradável constitui uma razão de mais para que o Espírito se encarnice em vexá-lo.

Duas coisas essenciais se têm que fazer nesse caso: provar ao Espírito que não está iludido por ele e que lhe é impossível enganar; depois, cansar-lhe a paciência, mostrando-se mais paciente que ele.

Desde que se convença de que está a perder o tempo, retirar-se-á, como fazem os importunos a quem não se dá ouvidos.

Isto, porém, nem sempre basta e pode levar muito tempo, porquanto Espíritos há tenazes, para os quais meses e anos nada são. Além disso, portanto, deve o médium dirigir um apelo fervoroso ao seu anjo bom, assim como aos bons Espíritos que lhe são simpáticos, pedindo-lhes que o assistam.

Quanto ao Espírito obsessor, por mau que seja, deve tratá-lo com severidade, mas com benevolência e vencê-lo pelos bons processos, orando por ele. Se for realmente perverso, a princípio zombará desses meios; porém, moralizado com perseverança, acabará por emendar-se. E uma conversão a empreender, tarefa muitas vezes penosa, ingrata, mesmo desagradável, mas cujo mérito está na dificuldade que ofereça e que, se bem desempenhada, dá sempre a satisfação de se ter cumprido um dever de caridade e, quase sempre, a de ter-se reconduzido ao bom caminho uma alma perdida.

Convém igualmente se interrompa toda comunicação escrita, desde que se reconheça que procede de um Espírito mau, que a nenhuma razão quer atender, a fim de se lhe não dar o prazer de ser ouvido. Em certos casos, pode até convir que o médium deixe de escrever por algum tempo, regulando-se então pelas circunstâncias. Entretanto, se o médium escrevente pode evitar essas confabulações, outro tanto já não se dá com o médium audiente, que o Espírito obsessor persegue às vezes a todo instante com as suas proposições grosseiras e obscenas e que nem sequer dispõe do recurso de tapar os ouvidos.

Aliás, cumpre se  reconheça que algumas pessoas se divertem com a linguagem trivial dessa espécie de  espíritos, que os animam e provocam com o rirem de suas tolices, em vez de lhes imporem silêncio e de os moralizarem. Os nossos conselhos não podem servir a esses, que desejam afogar-se.

*** Curiosidades ***

-Nefando: Torpe, execrável, contrário a Natureza (Dicionário Priberam da Lingua Portuguesa em http://www.priberam.pt)

-No combate a obsessão, Kardec afirma 2 pontos essenciais: evidenciar a impossibilidade de sermos enganados e muuuuita paciência. No primeiro, nosso apoio será sempre o estudo. No segundo, nosso apoio é o exercício da caridade em atividades diárias.
Ambos precisam ser trabalhados ao longo de toda nossa vida. Só assim teremos estrutura para, diante do irmão em desencontro, encarnado ou desencarnado, não sermos enganados e doar-lhe amor em forma de paciência.

-No estudo interno ao Espiritbook (http://www.espiritbook.com.br), aprendemos que nossa aversão ao obsessor advém de termos reconhecido nele a parcela de nós mesmos que não gostamos. Aprendendo a ama-lo, estamos verdadeiramente no caminho para nos aceitar e nos melhorar.

-Quando Emmanuel fala que o irmão obsessor ‘se desmerece‘, eu entendo que o obsessor acaba dando o sentido, o mérito da sua existência na dependência do comportamento de outra pessoa. Ao invés de caminhar rumo a sua felicidade, aguarda ser feliz na companhia de quem já não mais o acompanha. 
Dessa forma, cria uma ferida interior por ‘se desmerecer’.

-Quantas vezes eu deverei perdoar o meu irmão? 7 vezes ? 70 vezes?
70 x 7 vezes, diz-nos Jesus.
Curiosamente, ele não disse ‘ilimitadamente’, mas deu um limite bastante largo.
Possivelmente porque Jesus concedia perdão a todos que solicitavam, mas foi um crítico duro para aqueles que permaneciam no erro e careciam de educação: os Fariseus e os vendilhões. Para estes, apenas perdoar não era suficiente.
Aceito sugestões!!

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