26-Bendito o que Semeia

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 26-Fenômenos e Livros)
Reunião pública de 15-4-60
Questão LM nº 178.

Fenômenos mediúnicos existem na gênese de todas as religiões, mas desaparecem, à maneira de fogo-fátuo, no raio circunscrito da hora em que se exprimem. Contudo, os livros que nascem deles permanecem, por tempo indeterminado, nos horizontes do espírito”. (Emmanuel)

Uma reclamação positivamente comum em nosso atendimento fraterno, vem da parte daquelas pessoas que se dedicaram anos a fio, mesmo décadas, dentro de diversos serviços mecânicos, outras em “estranhas ritualísticas”, outras comandadas cegamente para atividades incompreensíveis.

A reclamação é a mesma: tanto tempo passou, fiz todo o solicitado, vi tantos ‘milagres’ e onde está o meu ganho pessoal, onde está o meu crescimento, em quê minha vida melhorou?

Nesse capítulo, Emmanuel nos mostra a importância da palavra escrita, das instruções, orientações e explicações armazenadas para as gerações futuras, servindo a todos os que desejam sinceramente crescer.

Ao ler sobre a tradição hindu, talvez não nos convençamos que o ‘Deus Vixnu’ tenha reencarnado como Krishna para orientar as dúvidas do guerreiro Arjuna em pleno campo de batalha.

Mas quem seria capaz de negar a importância dos textos do Bhagavad Gita como obra primorosa da filosofia hinduísta, cântico imperecível das mais altas virtudes?

Não é fácil crer que Zoroastro tenha recebido orientações diretamente do ‘Deus Ahura Mazda’, na figura de Ormuzd (espírito do bem). Mas todos os esforços foram feitos para devolver ao mundo os cânticos persas milenares (Gathas), registados no Zend Avesta, discutidos e admirados por sábios ocidentais e orientais, descrevendo a batalha do bem contra o mal 1.000 anos antes de Cristo.

Cientistas modernos se esforçam por explicar as ‘Pragas do Egito’ como desdobramentos da atividade vulcânica do Santorini, negando possíveis fenômenos paranormais. Mas como questionar a importância das Tábulas da Lei, entregues por Jeová a Moisés no Sinai e determinando preceitos essenciais de justiça e ética social?

Teria Sidarta atingido Esferas Superiores, conhecido o Nirvana e retornado para auxiliar a humanidade? Há quem duvide. Mas como duvidar dos veneráveis textos do Budismo, maravilhosa bússola para quem percebe a nobre verdade do sofrimento e deseja alcançar a retidão no pensar?

Muitos alegam que devemos abordar os fatos do Evangelho em sentido figurado, visto que materializações, curas, diálogo com mortos e controle dos elementos naturais são impossibilidades humanas. Mas os evangelistas garantiram, em 4 narrativas, que a Boa Nova transformasse moralmente todo o planeta, grafando em aramaico as belezas da presença do Cristo entre nós.

Aos doutos, mesmo hoje, mediunidade é aberração, histeria e loucura. Mas ninguém pode duvidar da importância do trabalho de Allan Kardec ao mapear, de forma acurada, o grande continente da fenomenologia espírita, codificando a Doutrina Espírita com método inovador e submetendo-se a 150 anos de crivo com pouquíssimas alterações.

O fenômeno, ainda hoje, instiga dúvidas e negativas, experimentos e comprovações.
O livro segue iluminando e abençoando.

Eduquemos, assim, a mediunidade, entre nós, para que ela possa surpreender e fixar a emoção e a ideia, a palavra e o trabalho dos mensageiros que supervisionam e conduzem o aperfeiçoamento terrestre, porque, em verdade, nesse ou naquele documentário, o livro é o comando mágico das multidões e só o livro nobre, que esclarece a inteligência e ilumina a razão, será capaz de vencer as trevas do mundo.” (Emmanuel)

==&==

Leitura da Questão: Livro dos Médiuns (LM)
CAPÍTULO XV
DOS MÉDIUNS ESCREVENTES OU PSICÓGRAFOS

Médiuns mecânicos, intuitivos, semimecânicos, inspirados ou involuntários; de pressentimentos. 

Questão 178. De todos os meios de comunicação, a escrita manual é o mais simples, mais cômodo e, sobretudo, mais completo. Para ele devem tender todos os esforços, porquanto permite se estabeleçam, com os Espíritos, relações tão continuadas e regulares, como as que existem entre nós. Com tanto mais afinco deve ser empregado, quanto é por ele que os Espíritos revelam melhor sua natureza e o grau do seu aperfeiçoamento, ou da sua inferioridade. Pela facilidade que encontram em exprimir-se por esse meio, eles nos revelam seus mais íntimos pensamentos e nos facultam julgá-los e apreciar-lhes o valor. Para o médium, a faculdade de escrever é, além disso, a mais suscetível de desenvolver-se pelo exercício.

*** Curiosidades ***

-Castro Alves, antevendo a necessidade do incentivo à leitura no Brasil (e de Castro Alves afirmou Fausto Cunha era dotado de “um sentido divinatório que lhe insuflava soluções difíceis de esperar no seu tempo“), o poeta traz uma bênção a todos que dedicam-se a este labor: O LIVRO E A AMÉRICA é o primeiro poema de seu primeiro livro, Espumas Flutuantes:

Oh! Bendito o que semeia
Livros… livros à mão cheia…
E manda o povo pensar!
O livro caindo n’alma
É germe – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar.

-Entre 1750 e 1930, mais de uma centena de médiuns fizeram inúmeros prodígios no Velho e no Novo Mundo. Materialização de espíritos, levitação, voz direta, escrita direta, premonição, comunicação de parentes, mensagens em idiomas mortos (ex. egípcio faraônico), aparições em fotos, transporte de objetos, batidas de diversas formas em sequências inteligentes. Comissões de estudo universitárias e independentes se formaram. Provas foram catalogadas e trabalhos científicos foram apresentados formalmente. E nada!
Hoje, a sociedade mal lembra, duvida, ironiza, apenas não dá a devida atenção.
Mas os livros produzidos nessa época ainda hoje informam, ensinam e iluminam.
Dentre eles, a Codificação Kardequiana.

-Ao terminar a leitura desta página, talvez você imagine que o autor deste blog seja um erudito. Grande engano!
Com exceção de alguns poucos ajustes, todas as ideias aqui apresentadas são de autoria de Emmanuel, nas mãos abençoadas de Chico Xavier.
Para eles, desejamos, de todo coração, as muitas bençãos de Jesus.

6 respostas para 26-Bendito o que Semeia

  1. inacioqueiroz disse:

    Reli este texto agora.
    Que lindo, que lindo!
    (Estou emocionado)
    Emmanuel é mágico, um grande mestre!
    Obrigado, Senhor, pois que seus anjos estão sobre a Terra.

  2. Claudie (Di) disse:

    A importância de se desenvolver, compreender e estudar a mediunidade, está cada vez mais emergente nos dias de hoje. Atualmente, há correntes da Medicina que já percebem que o ser humano não é apenas aquilo que se pode “ver” ou “pegar”… Há todo um lado que interage com o emocional, e que a mediunidade vem ajudar a clarear e tratar; Como já dizia O filósofo francés René Descartes, “Penso, logo existo.” E nós somos aquilo que pensamos, tanto encarnados, como desencarnados. Nossa realidade é aquela que nosso pensamento idealiza.
    Se entendermos que a mediunidade é um instrumento (para amenizar erros do passado e carrear dádivas para o porvir), cabe aos que a possuem, em maior ou menor grau, semear, através da própria mediunidade, a realidade do nosso amanhã.

    “A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.”

  3. Leonardo disse:

    GOSTEI DE TUDO. SÃO VERDADES.

  4. Marta Valéria disse:

    Querido amigo, a idéia de Castro Alves é mágica levando-se em conta um país dominado por classes onde poucos sabiam ler e escrever e também não tinham opiniões e nem cidadania.
    Mas nesta mesma visão e mesmo contexto (só muda o tempo e o lugar), Jesus em sua trajetória não deixou uma só linha……..
    Isso não te intriga não?
    Pois pra mim é sim muito intrigante e intenso.
    Penso nisso todos os dias e tento desvendar o “livro” que ele revelou em minha alma. Pois eu sei que está lá…dentro de mim. As “letras de fora” são muitas e com muitas interpretações, salutares ao entendimento, mas quando penso no Velho Amigo, sinto que o caminho não é esse.

    Muitos abraços!!!!!!!!!!!!!

    • inacioqueiroz disse:

      Sim, eu já pensei sobre isso e não conclui nada. Mas chegou a hora de meditar mais sobre o tema.

      Sabemos que Jesus sabia ler e adotava a leitura da Torah para as pregações nas sinagogas.
      Encontramos esta mesma postura com Buda: nada escrito. Apenas o testemunho dos discípulos.
      Ele tbem sabia ler e, possivelmente, escrever devido a educação refinada que teve.
      Até onde eu sei, Gandhi tbem não deixou escritos, apesar da formação de advogado na Inglaterra.
      Chico e Divaldo tbem não escreveram suas idéias. Foram / são escribas de outros.

      Mas todos eles planejaram dessa forma: Jesus pregaria e os discípulos dariam continuidade.
      Buda pregaria e os discípulos manteriam a tradição.
      Chico / Divaldo viriam encarnar e Emmanuel / Joanna reuniriam as idéias.

      É como se houvesse especializações: alguns se dedicam a trazer verdades superiores.
      Outros a resgista-las e repassa-las.
      Como os antigos contadores de histórias, que repassavam a tradição oral dos sábios da comunidade.
      Como os atuais psicógrafos que recebem páginas belíssimas, mas nada escrevem ‘per si’.
      Como os professores que condensam o pensamento de muitos, mas pouco versam sobre si mesmo.

      Por que é assim, não sei. Especialização? Maturidade de cada um?
      Talvez. Irei pesquisar. Dá um bom debate.
      Mas é inegável o valor tanto de um quanto de outro.
      O que seria do cérebro se os nervos não repassassem o comando?
      O que seria da folha se os galhos não distribuissem a seiva?
      Cada um segundo sua maturidade e função.
      Beijão…

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