27-Comunhão

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 27-Palavra)
Reunião pública de 18-4-60
Questão LM nº 166.

…pensa na maravilha do verbo, recordando que todos somos médiuns da palavra.” 

Muitas vezes me percebi repetindo verdades aprendidas com meu pai.

E, mesmo ele pertencendo ao mundo dos encarnados, naquele momento, quem falava por minha boca, era eu, com toda minha admiração pela figura dele, e ele, em seu esforço de me educar.

Nesse capítulo, Emmanuel nos mostra que nossa palavra é a soma de todas as idéias, todas as ondas mentais nas quais fomos envolvidos, às quais nos sintonizamos emocionalmente e registramos o conteúdo, permitindo que nossa voz ecoe aquele mesmo conteúdo e emoção quando a hora aprazada chega.

Onde o pensamento se afina com outros, a palavra reflete o grupo moral ao qual nos filiamos, induz e origina todas as realizações, sejam de elevação ou de desgoverno.

Boas obras, incentivo à fé, alimentar paz e harmonia, todas iniciam na palavra.
Convite ao vício, incitação à delinqüência, fuga, ócio e revolta, estes também nela iniciam.

Em nossa voz, a sombra e a luz materializam seus apelos, uma vez que nos sintonizemos com esses.

Lembremos que, quando repetimos as palavras de alguém, nos conectamos com a origem da idéia, encontrando coro nas criaturas encarnadas e desencarnadas que nos acompanham por sintonia.

A fala, portanto, é canal de comunhão com seres deste e de outros planos de existência.

É preciso usá-la com respeito e justiça, com bondade e entendimento, sabendo que tais atitudes nos ligarão a todas as consciências que assim procederem. Sabendo que nunca estamos falando sozinhos!

No dom de falar poderemos construir o desânimo, manejando o pessimismo; espalhar a ironia, visando o descrédito dos desafetos; despejar cólera, no convite à violência; adoecer as almas, no veneno do azedume; mesmo enlouquecer, irritando ostensivamente ao próximo

E é tão fácil cair no desgoverno das emoções, nas muitas trevas e espinheiros que encontramos em nossa caminhada!

Mesmo que a provocação do mal te instigue à desordem, compelindo-te a condenar ou ferir, abençoa a vida, onde estiveres.

Somente a palavra que instrui, consola e incentiva vale ser pronunciada.
Lembremos que, no alicerce de todo mal e de todo bem, encontraremos palavras.

Na palavra, o professor desperta a mente do aluno para amplos vôos.
Na palavra, filósofos imortais iluminam a Humanidade, instigando ao conhecimento do ser.
Na palavra, Jesus entoa a Boa Nova, iniciando nova era da História do planeta.

É o verbo a inteligência plasmada, a guia da inspiração, a energia para o trabalho, o Evangelho registrado.

Somos todos médiuns das inteligências que admiramos, dos pensamentos que nos encantaram.

Aprendamos, assim, a calar toda frase que malsine ou destrua, porque, conforme a lei do bem promulgada por Deus, toda palavra que obscureça ou enodoe é moeda falsa no tesouro do coração.

==&==

Leitura da Questão: Livro dos Médiuns (LM)
CAPÍTULO XIV
DO MÉDIUNS

4. Médiuns falantes

Questão 166. Os médiuns audientes, que apenas transmitem o que ouvem, não são, a bem dizer, médiuns falantes. Estes últimos, as mais das vezes, nada ouvem. Neles, o Espírito atua sobre os órgãos da palavra, como atua sobre a mão dos médiuns escreventes. Querendo comunicar-se, o Espírito se serve do órgão que se lhe depara mais flexível no médium. A um, toma da mão; a outro, da palavra; a um terceiro, do ouvido. O médium falante geralmente se exprime sem ter consciência do que diz e muitas vezes diz coisas completamente estranhas às suas idéias habituais, aos seus conhecimentos e, até, fora do alcance de sua inteligência. Embora se ache perfeitamente acordado e em estado normal, raramente guarda lembrança do que diz. Em suma, nele, a palavra é um instrumento de que se serve o Espírito, com o qual uma terceira pessoa pode comunicar-se, como pode com o auxilio de um médium audiente.
Nem sempre, porém, é tão completa a passividade do médium falante. Alguns há que têm a intuição do que dizem, no momento mesmo em que pronunciam as palavras. Voltaremos a ocupar-nos com esta espécie de médiuns, quando tratarmos dos médiuns intuitivos.

*** Curiosidades ***

-Confesso que não conhecia este conceito de “médiuns falantes”.
Kardec, sempre me surpreendendo.
Já no texto de Emmanuel, fica patente como é sábio o ditado popular que diz:
“Nos filhos está a continuação dos pais”.

-Cabe nesse assunto a conceituação de “egrégora” defendida por alguns autores.
Um palavrão é claramente pernicioso e um elogio tem sempre uma boa recepção …
Nem sempre! Encontramos relações onde o palavrão é aceito como um tratamento carinhoso (ex.: amigos de futebol) e onde o elogio é carregado de sarcasmo (ex.: elogios de inveja), depreciando quem o recebe.
A carga emocional, as formas pensamento, em suma, a egrégora colocada na palavra cria essa diferença. Isso explica a diferença entre a benção de um homem santo e de uma pessoa comum, entre a praga lançada por um desafeto e uma lançada por um mago negro.

-Palavrão, assim como fofoca, é um vício.
Vício que absorvemos de nosso grupo social, que alimentamos na medida que fazemos uso dele, que descarrega nossas ansiedades (similar ao cigarro, havendo assim um certo prazer no hábito), que dispara a lei de ação e reação ao nosso redor, mesmo quando não percebemos. Santificar nossas palavras é mais um de nossos desafios.

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6 respostas para 27-Comunhão

  1. Claudie (Di) disse:

    Ah!!!! Faltou uma coisa… Pra mim o que diferencia a benção de um homem santo e um homem comum, ou a praga, como vc colocou, não é a tal “egrégora”, mas sim a convicção! É o quantum de energia que se coloca na palavra… E daí os encantamentos…São as “palavras magnetizadas”, canalizadas para um fim…
    Há zilênios, numa determinada cultura extinta, o nome de batismo de uma pessoa só era conhecida pelos parentes mais chegados (pai, mãe e irmãos). Dizia-se que um mago poderia ter poder sobre a pessoa se soubesse seu nome de batismo. Daí, as pessoas usavam apelidos, p/ se proteger das más influências…
    Era o poder que as palavras (e o som criado por elas) irradiavam sobre as pessoas e outros seres da criação…
    (Viu? Tb tenho curiosidades!!!!rsrsrs).Bjim

    • inacioqueiroz disse:

      Puxa, quantos coments !!! Gostei !!!
      Sobre egrégora X convicção, eu vi essa definição num livro (não lembro agora qual) e entendo a convicção como parte da egrégora. A egrégora é TODA carga emocional e magnética que colocamos numa palavra somada a que ela já carrega de forma natural.
      Por exemplo, a palavra CORAÇÃO tem uma egrégora benéfica independente de quem a fale. Mas, dependendo do cenário, mesmo esta palavra pode ser carregada de magnetismo maléfico, de emoções doentias e fazer mal para quem for dirigida.
      Aquela história dos magos malginos que usavam cânticos e orações católicas para aprisionar e perturbar pessoas, lembra disso? Tudo isso é egrégora, assim como a convicção também faz parte.

      Sobre: “Se sou médium, …”, a proposta de Emmanuel, ao meu ver, se estende a todos. A diferença do médium, talvez, é que ele é mais suscetível e percebe mais claramente que está sendo influenciado. Mas Emmenuel não restringe o comentário aos médiuns. Tanto que ele coloca que TODOS somos médiuns da palavra.

      Sobre missa e baile funk: tem gente que maltrata criança dentro da Igreja e nunca pisou num baile funk. Tem gente que é puro carinho no centro e um demônio em família. Tem gente que ajuda outros dentro de um baile e nunca se interessou por Igrejas.
      Claro, é mais fácil encontrar pessoas compromissadas com o bem numa Igreja do que num baile funk, inegável. Mas temos de ter cuidado com rótulos. Afinal, Jesus veio para todos e cada um conhece sua dor.

      No mais, gostei da cultura a zilênios. Não sei onde eu ouvi isso, mas lembro de uma história de um povo que tinha o nome de batismo e tinha um nome secreto que só a mãe conhecia e que ela falava no ouvido da criança. Diziam que era para a criança nunca esquecer a voz da mãe quando ela o chamasse de volta (foi algum PPT que me mandaram, mas como achar isso ?? rsrsrs).
      Beijos e obrigado pelo seu lindo interesse ….

      • Claudie (Di) disse:

        Vc entendeu de forma diferente o que eu quis dizer…”Sobre missa e baile funk: tem gente que maltrata criança dentro da Igreja e nunca pisou num baile funk. Tem gente que é puro carinho no centro e um demônio em família.”
        Quis dizer, que é mais fácil encontrar pessoas com a mente e o campo emocional em desalinho em um baile funk, pois a “egrégora” dos pensamentos e sentimentos que envolve esses locais é por demais voltada aos excessos(bebida, sexo, drogas…)
        Não estou rotulando. Mas, independente de uns e outros que frequentem uma igreja, “provavelmente” lá vc encontrará uma atmosfera de paz e recolhimento.
        Bjos

      • inacioqueiroz disse:

        Ah, sim. Isto eu concordo.
        É verdade.

        Beijão…

  2. Claudie (Di) disse:

    É por isso (nossa essência sobressai na entonação e nos gestos que a acompanham) que muitas vezes vemos alguém fazendo uma palestra, contando alguma coisa, ou simplesmente conversando, e mesmo sem conhecer a pessoa, suas palavras não convencem…Como diz um amigo baiano(rsrsrs), a palavra tem que ter convicção…para sermos convictos, é preciso acreditar, sentir aquilo que se está falando…
    Quando se diz que alguém tem o “dom” da palavra, não quer dizer que ele tem um grande conteúdo, um grande conhecimento… O essencial é saber EXPRESSAR ESSE CONHECIMENTO, DE FORMA A “TOCAR” QUEM ESTÁ NOS OUVINDO (pode ser pelo intelecto, pelo coração, pela exaltação…). O importante é criar uma conexão com o outro… Os que não são convictos, apenas possuem belos adornos de oratória, mas não convencem…
    Bjoquinhas…

  3. Claudie (Di) disse:

    A palavra é o pensamento desnudo. Através dela podemos amenizar dores ou atirar verdades, com crueldade, para ferir outrem. Podemos até enganar, por um certo tempo, aos que nos rodeiam, com palavras bonitas e pomposas…Mas nossa essência sobressai na entonação e nos gestos que a acompanham. Nossas palavras podem ser travestidas de erudição, de caridade, mas se nossas atitudes não as acompanham, se tornam vazias, estéreis.
    Da mesma maneira que nossas palavras são influenciadas por várias pessoas que passaram em nossa vida, elas também influenciam outras tantas… E é aí que começa nossa responsabilidade. Podemos ouvir palavras más…mas não precisamos repeti-las; podemos ouvir palavras de desalento, de desamor… podemos transformá-las; podemos, inclusive, ouvir palavras de derrota, de desistência…mas podemos motivá-las. Somos responsáveis pelo que causarão ao nosso próximo. Boas palavras produzirão bons frutos, e o contrário também é verdadeiro.
    Se sou médium, minha responsabilidade aumenta; pois minhas palavras podem ser influenciadas por espíritos voltados ao bem, ou por aqueles mais atrasados. Da escolha dos meus pensamentos (e aí tá o tal livre-arbítrio de novo), dos lugares que freqüento, das pessoas com que convivo, resulta a companhia espiritual que eu tenho. E não adianta ir à missa ou ao centro a semana inteira, e irmos para um baile funk no domingo. Nossos companheiros sabem onde nosso coração está. E é impossível entrar no lodo, e sair com a roupa limpa.
    Nossa vigilância há de ser constante. É justamente a constância, a perseverança no bem que vai nos distanciando, pouco a pouco, da treva…E quem está ao nosso lado, sabe disso, e é pelo exemplo, que nos mudaremos e a quem está conosco.
    Só pra ilustrar, a importância da palavra é tão grande, que a Bíblia começa por ela: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus … E o Verbo se fez carne” (João 1:1, 14).
    (A palavra ‘Verbo’ aqui no grego é ‘Logos’, e logos pode traduzir-se também como ‘palavra’). E Jesus? O mestre só ensinava através da palavra, e esta trazia a esperança, acalmava as dores, fazia cessar as tempestades… Vi, em algum lugar, que Jesus representava a palavra feita carne; Ele era a “voz” de Deus…
    Ai, cansei. Falei muito (rsrsrs). Bjos

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