29-Entendimento

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 29- Aviso, Chegada e Entendimento)
Reunião pública de 25-4-60
Questão LM nº 160.

O plano espiritual continua, ainda hoje, agindo abertamente entre nós.

Segundo Emmanuel, usando dos mesmos três períodos essenciais, comuns ao início da empreitada:

Aviso,
Chegada
e Entendimento.

O aviso para renovação, iremos perceber na atividade de inúmeros médiuns que surgiram entre Swedenborg (1688-1772) e Andrew Jackson Davis (1826-1910).

E, se mesmo na música, guarnecida de toda teoria musical, encontramos ainda diferenças entre os diversos intérpretes (e variâncias sonoras do mesmo virtuose segundo o instrumento musical em uso), podemos julgar aceitável que haja disparidade no conteúdo apresentado pelos obreiros da primeira hora na interpretação da realidade.

Da chegada dos arautos da sobrevivência, lembremos de Hydesville (1848).
Os emissários desencarnados batem repetidamente à porta, depois de longa ausência da morada terrestre.

As palmas se multiplicam na casa da família Fox, criando uma comunicação rudimentar entre Kate Fox, contando 11 anos na época, e o mascate desencarnado Charles Rosna.

Foi o movimento inicial para que diversas comissões mediúnicas iniciassem suas operações, contornando as muitas dificuldades morais dos inúmeros trabalhadores humanos. Um grande esforço para, pacificamente, despertar a atenção do plano carnal.

Reencarnados, médiuns como Daniel D. Home, Eusápia Paladino, Florence Cook e os irmãos Davenport desafiaram aos doutos científicos e aos prelados acadêmicos.
Conquistaram a aristocracia e a imprensa, mobilizando o lazer dos salões e as preocupações dos incrédulos.

A opinião pública se agita e argumentações prós e contras recheiam periódicos.

São mãos luminosas, vozes diretas (quais narrativas bíblicas), mensagens escritas em rapidez espantosa ou codificadas por pancadas e sinais, materializações completas e parciais de desconhecidos e familiares.

O assombro dos investigadores é desconcertante.
A sede por provas é insaciável.

Mas é chegado o entendimento!
Naqueles 10 anos sublimes, seleta plêiade espiritual envolve Allan Kardec e faz atravessar pelo ‘véu de Isis’ a obra luminosa da Codificação Espírita.

No olhar metódico do Codificador, o “maravilhoso” cede lugar à pesquisa objetiva e sensata, conectando fatos, desdobrando conceitos, percebendo repercussões filosóficas e morais, criando obrigações e definindo responsabilidades.

Mas, como toda edificação espiritual obedece à cronologia da mente, ainda hoje encontramos milhares de pessoas na fase do aviso e milhares de outras na fase da chegada, entre a esperança e a convicção.
– diz Emmanuel.

E nós?
Se nos percebemos na nossa fase de entendimento, esta é nossa hora para realizar.
O mundo precisa de quem concretize os princípios de fraternidade e de socorro moral.
As multidões aguardam quem lhes estenda a luz para suas consciências.

E o plano espiritual, obediente às promessas do Cristo, busca reunir e habilitar todas as criaturas de boa vontade, para que a lei do bem se estenda sempre mais e mais, dando ensejo à nossa edificação venturosa rumo ao grande além, ante a Vida Maior.

==&==

Leitura da Questão: Livro dos Médiuns (LM)
CAPÍTULO XIV
DOS MÉDIUNS

1. Médiuns de efeitos físicos

Questão 160. Os médiuns de efeitos físicos são particularmente aptos a produzir fenômenos materiais, como os movimentos dos corpos inertes, ou ruídos, etc. Podem dividir-se em médiuns facultativos e médiuns involuntários. 

Os médiuns facultativos são os que têm consciência do seu poder e que produzem fenômenos espíritas por ato da própria vontade. Conquanto inerente à espécie humana, conforme já dissemos, semelhante faculdade longe está de existir em todos no mesmo grau. Porém, se poucas pessoas há em quem ela seja absolutamente nula, mais raras ainda são as capazes de produzir os grandes efeitos tais como a suspensão de corpos pesados, a translação aérea e, sobretudo, as aparições. Os efeitos mais simples são a rotação de um objeto, pancadas produzidas mediante o levantamento desse objeto, ou na sua própria substância. Embora não demos importância capital a esses fenômenos, recomendamos, contudo, que não sejam desprezados. Podem proporcionar ensejo a observações interessantes e contribuir para a convicção dos que os observem. Cumpre, entretanto, ponderar que a faculdade de produzir efeitos materiais raramente existe nos que dispõem de mais perfeitos meios de comunicação, quais a escrita e a palavra. Em geral, a faculdade diminui num sentido à proporção que se desenvolve em outro.

*** Curiosidades ***

– Como todo iniciante, comecei no trato com a espiritualidade ansioso por testemunhar os fenômenos. Levei longo tempo para perceber que o fenômeno é uma isca, um cartão de visitas para uma realidade maior e muitas vezes mais importante. Assim como eu, muitos ainda estão atravessando pelo ‘aviso‘ e pela ‘chegada‘.
É nosso papel apoia-los nessa transição.

– Ainda hoje, temos médiuns poderosos produzindo fenômenos e atraindo curiosos e necessitados. Mas sabemos, pelo entendimento, que o merecimento é o melhor fenômeno que podemos dispor para nossa paz e saúde. Isto nos lembra quando Arigó quis operar os olhos de Chico Xavier e ele respondeu:’Não, por favor, isso é cármico! Se eu não me libertar, mesmo operando, ele voltará como doença em outro lugar. Melhor que seja numa doença que eu já conheça.’

– No livro ‘História do Espiritismo’ de Arthur Conan Doyle, percebemos que houve muito mais médiuns involuntários do que facultativos (vide Leitura da Questão). As irmãs Fox tiveram de mudar de casa. Daniel D. Home teve que parar de trabalhar na sapataria. Muitos fotógrafos mudaram de profissão porque rostos de espíritos apareciam em todas as fotos. E outros tantos, bem menos conhecidos, que não puderam controlar os efeitos físicos e acabaram mudando suas vidas em função deles. 

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6 respostas para 29-Entendimento

  1. Marcel Amaral de Queiroz disse:

    Oi Pai, dei uma passada no seu blog como eu prometi.
    Achei muito legal esta parte que comenta sobre o “entedimento”.
    Espero que seu blog continue assim.
    BJOS e até mais.

  2. claudie (Di) disse:

    Perfeita essa frase…”mal sabem do tesouro que possuem…”
    Qua chance a misericórdia divina está acenando. Quanto não perdemos em aprender e crescer, maldizendo aquilo que nos machuca? as pedras em nosso caminho não estão lá para que tropecemos nelas (esta é nossa visão distorcida); estão lá para que prestemos mais atenção ao caminho, possamos aprender e crescer com as muitas surpresas que ele nos traz, e para que também possamos entender que um desvio às vezes pode ser uma benção disfarçada…
    É uma coisa que tenho repetido cada vez mais para mim – temos que aprender a confiar mais, a ter mais fé; a colocarmos verdadeiramente a vontade de Deus acima da nossa, e entendermos que tudo que nos acontece é meio de crescimento. E como seremos lindos frutos, que produzirão mais frutos, depois que amadurecermos…
    Uma doce bjoca!

  3. claudie (Di) disse:

    Pois é, podemos perceber ainda hoje, passado tanto tempo do tremendo esforço da Codificação, o quanto convivemos com as diferenças, mais do que podemos supor, numa rápida avaliação do nosso dia-a-dia. A princípio, chegamos a achar que as diferenças podem ser objeto de atrasos e retardamento espiritual; mas os desígnios do Alto são tão sábios, em sua totalidade e simplicidade, que mal percebemos a profundidade da “pedagogia espiritual” utilizada por meio destas aparentes desigualdades…
    E aí, como coloca o texto, chegamos à fase do entendimento… Entendimento de quem? Se compreendemos algo, que nos acarreta determinadas conseqüências e não procedemos de acordo, ainda temos muito que “exercitar” para podemos dizer que “entendemos”…
    Se seguirmos a fala do Mestre – “Conhecereis a verdade, e ela vos libertará”, obrigatoriamente devemos estar atentos que a quem mais é dado, mais é cobrado…
    Daí, é só fazer a “contabilidade” entre o nosso entendimento, e as atitudes que lhe são correspondentes, para ver a quantas andamos em nossa aritmética espiritual…
    Muitos bjims…

    Ah, quanto aos médiuns “involuntários”…
    Acho que, pelo muito que já foi dito e escrito sobre a mediunidade, é um pouco estranho pensar em médiuns involuntários; quero dizer, se a mediunidade é uma ferramenta através da qual podemos “amortizar” uma parte das nossas dívidas cármicas, por assim dizer, e consequentemente, o perispírito do futuro médium é preparado para trabalhar com a mediunidade, o espírito que vem com uma mediunidade tão destacada a ponto de alterar suas vidas não pode ser considerado um médium involuntário. Pessoas com uma mediunidade assim, como essas que vc citou, vieram com uma missão, nem que esta fosse a de trazer à consciência de suas épocas uma realidade (espiritual) até então desconhecida. Se não aceitarm ou não souberam lidar com o compromisso da mediunidade, é outra história.
    Hoje em dia, mediunidades bem menos ostensivas já levam seus detentores a buscar expicações, encaminhamentos e muitas vezes (felizmente) a compromissos assumidos no trabalho espiritual, quanto mais essas aí, tão ostensivas… Acho que podemos até dizer que tasi médiuns não tinham consciência de suas missões frente a espiritualidade, mas involuntários…não vejo assim.

    • inacioqueiroz disse:

      Puxa, que comentário legal!!!
      Eu tenho uma percepção que estas diferenças sempre irão existir, visto que sempre teremos consciências iniciando no caminho da evolução.
      E vejo a verdade libertadora como sendo a libertação dos efeitos ruins causados por nossas atitudes ignorantes.
      A verdade nos liberta de paixões e atitudes inconscientes, nos levando a aprender como lidar com a Lei.

      Dos médiuns involuntários, não é que eles não tenham escolhido no plano espiritual o caminho da mediunidade.
      É que eles não controlavam o fenômeno. Acontecia independente deles conscientemente querer.
      Home não conseguia trabalhar na sapataria porque os sapatos voavam das prateleiras.
      Os Fox não conseguiam dormir na casa em paz.
      Certamente, eles foram missionários que, ao passar pelo Lates (o esquecimento), se surpreenderam por deixarem de ser pessoas comuns.
      Mas ainda vemos este quadro ocorrer, em muito menor grau, nos inúmeros obsidiados que entram em nossa casa e que são médiuns sem amparo.
      A mediunidade, para eles, é uma doença, algo inoportuno e chegam pedindo para aquilo acabar, não é?
      Mal sabem do tesouro que possuem.

      Obrigado e muitos beijos …

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