37-Sombra Protetora

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 37-Dever Espírita)
Reunião pública de 23-5-60
Questão LM no.137.

Com muita propriedade, afirmou Allan Kardec que os Espíritos elevados se ligam de preferência aos que procuram instruir-se.” – diz Emmanuel.

Na atualidade, há diversas obras que narram teorias fantásticas sobre a vida de Jesus e tramas ocultas do Evangelho.

Segundo algumas, Magdalena seria a esposa de Jesus e a escolhida para fundar Sua Igreja e Sua “descendência”. Noutras, vimos um Jesus humano e fraco, cheio de medos e dúvidas.

Uns duvidam da concepção singular de Maria, Mãe do Senhor e advogada nossa. Outros equacionam a passagem dos vendilhões do templo, elaboram os mecanismos dos milagres, argumentam da posição correta dos cravos nas Suas mãos e Seus pés, etc.

Questionado sobre estes fenômenos literários, diz-nos Divaldo Franco: por não conseguir elevar sua condição moral, o ser humano prefere então conspurcar o modelo.

Diz-nos ainda Raul Teixeira: se hoje os textos bíblicos nos alcançam nesse formato, apraz às incansáveis potências do Alto que assim seja, que assim Ele hoje nos seja revelado.

Apesar da seriedade encontrada em certas afirmações, assim esclarece-nos Kardec, será sempre necessário para separar a verdade da mentira que mantenhamos um esforço disciplinado e constante, aceitando antes perder boas afirmações por falta de comprovação do que ser iludido por uma mentira bem apresentada.

Notadamente nas comunicações espirituais, devemos buscar separar a falsa da verdadeira, identificando, como Kardec mesmo define, o que é uma “instrução”, assim nomeada por sua comprovada veracidade.

Emmanuel, nesse capítulo, nos convoca sensatamente a resguardar a Doutrina Espírita dos debates viciados e estéreis, dos neófitos que esmiúçam as longas trilhas de luz em busca dos pontos nebulosos que possam provocar polêmicas e alimentar suas vaidades e apetites.

Das provas materiais, nos fartamos juntos de William Crookes, Chico Xavier, Peixotinho e outros. As explicações embasadas na Doutrina, as obras de Emmanuel, André Luiz, Camilo e Joanna de Angelis nos atendem a razão e a alma, permitindo-nos ainda voos terrenos mais profundos com Pastorino, Humberto Rohden e tantos irmãos honestamente dedicados ao bem, à luz, à caridade e à paz.

Por séculos, as lições do Cristo foram torcidas para motivar guerras, torturas, crimes, perseguições, dietas e conselhos controversos.

De certo que o tempo, divino médico das almas, há de realinhar a disposição espiritual de cada ovelha, mas cabe-nos conservar os patrimônios já erigidos, amparando a sombra protetora do Consolador para aqueles que engatinham em primeiros movimentos dentro da Doutrina dos Espíritos.

Todo fenômeno edifica, se recebido para enriquecer o campo da essência. Quanto a nós, porém, estejamos fiéis à instrução, desmaterializando o espírito, quanto possível, para que o espírito se conheça e se disponha a brilhar.” (Emmanuel)

==&==

Leitura da Questão: Livro dos Médiuns (LM)
CAPÍTULO X
DA NATUREZA DAS COMUNICAÇÕES

Questão 137. Instrutivas são as comunicações sérias cujo principal objeto consiste num ensinamento qualquer, dado pelos Espíritos, sobre as ciências, a moral, a filosofia, etc. São mais ou menos profundas, conforme o grau de elevação e de desmaterialização do Espírito. Para se retirarem frutos reais dessas comunicações, preciso é que elas sejam regulares e continuadas com perseverança. Os Espíritos sérios se ligam aos que desejam instruir-se e lhes secundam os esforços, deixando aos Espíritos levianos a tarefa de divertirem os que em tais manifestações só vêem passageira distração.
Unicamente pela regularidade e freqüência daquelas comunicações se pode apreciar o valor moral e intelectual dos Espíritos que as dão e a confiança que eles merecem. Se, para julgar os homens, se necessita de experiência, muito mais ainda é esta necessária, para se julgarem os Espíritos.
Qualificando de instrutivas as comunicações, supomo-las verdadeiras, pois o que não for verdadeiro não pode ser instrutivo, ainda que dito na mais imponente linguagem. Nessa categoria, não podemos, conseguintemente, incluir certos ensinos que de sério apenas têm a forma, muitas vezes empolada e enfática, com que os Espíritos que os ditam, mais presunçosos do que instruídos, contam iludir os que os recebem. Mas, não podendo suprir a substância que lhes falta, são incapazes de sustentar por muito tempo o papel que procuram desempenhar. A breve trecho, traem-se, pondo a nu a sua fraqueza, desde que alguma seqüência tenham os seus ditados, ou que eles sejam levados aos seus últimos redutos.

*** Curiosidades ***

-Levei bastante tempo digerindo a última frase do texto, escrita por Emmanuel. O fenômeno precisa enriquecer nosso interior, nossa essência, precisa ser fator de crescimento espiritual. seja moral, intelectual ou emocional. Depois que conquistado tal patrimônio junto ao fenômeno, devemos nos desmaterializar cada vez mais, precisamos alimentar nossa visão espiritual do mundo e da vida. Dessa forma, olhando o mundo com conceitos espirituais, carreamos maior brilho para nós mesmos.

-Um ponto me incomodou: não devemos então questionar até que ponto os fatos históricos estão distorcidos? O entendimento dessa última frase do texto me trouxe a resposta:
Sim, devemos! Desde que isso venha a enriquecer nosso interior, que seja um fator de crescimento espiritual. Questionar apenas para descobrir qual o “sexo dos anjos” é cair no debate improfícuo e viciante. E isso cria muitas tentações …
Afinal, as “Teorias da Conspiração” são tentadoras para nosso lado fofoqueiro!

-Na questão 136, Kardec esclarece que há as chamadas “comunicações sérias”, sejam de cunho pessoal ou para a coletividade, advindas de médiuns coerentes e sensatos, mas que não se consegue classificar como verdadeiras ou falsas. Na questão 137, ele qualifica as comunicações sérias que são verificadas como verdadeiras como “instruções”.
E a gente usa este termo “instrução” de forma tão banal …

2 respostas para 37-Sombra Protetora

  1. Luana disse:

    Sabe, Inácio, sempre procurei manter uma certa distância de dogmatismos, pois esta postura me ajuda a manter abertura com relação ao que acontece e ao que ainda não sei e que não sei se saberei. Creio que existe um Cristo latente em cada um de nós e não me incomoda, a nível pessoal, qualquer distorção eventual, pois isso também faz parte da nossa porção humana. Seguir a consciência e procurar vencer qualquer obstáculo ainda pode ser o único caminho. Beijos, Luana

    • inacioqueiroz disse:

      Acho que todos nós que despertamos para o bom senso e a razão, temos um lado que já não lida bem com o dogmatismo.
      Mas, qual uma balança de pratos que fica presa por muito tempo de um lado só e bate no outro quando se solta, procuro ter cuidado para não radicalizar.
      A Doutrina Espírita é fantástica. Acho que estou deslumbrado. Nunca tinha visto um estudo tão sensato sobre um tema tão movediço.
      Sei que tem falhas, mas ainda estou no estágio de encantamento com tudo o mais.
      É lançar a jóia que é a nossa capacidade de logicar sobre os meandros do plano espiritual. Isso procurando não “viajar na maionese”.
      Muito difícil, desafio para gigantes. Mas tenho encontrado verdadeiros tesouros de entendimento.
      Obrigado e um beijão ….

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