42-Oportunidade

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 42-Mediunidade e Imperfeição)
Reunião pública de 10-6-60
Questão LM no.220. incisos 12, 13 e 14.

Quantas vezes eu deverei perdoar meu próximo, o meu irmão do caminho? 7 vezes? 70 vezes?

Jesus nos falou em perdoar 70 vezes 7, ou seja, 490 vezes.
Diz-nos Emmanuel que estaremos caminhando para a verdadeira paciência quando respondermos 5 vezes a mesma pergunta sem sequer alterar a voz.

Pensando no nosso perdão para a falta dos outros, nós costumamos esquecer que, ao orar a oração “Pai Nosso”, repetimos a seguinte rogativa inúmeras vezes: “Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido”.

Assim como” … na mesma proporção que … na mesma quantidade.

Quantas vezes esperamos ter nossas ofensas perdoadas?
490 vezes?
Jesus, é claro, usou este número numa idéia de “infinidade de vezes”.

E esta é a quantidade de vezes que precisaremos de perdão e de auxílio. Perdão e auxílio de nosso Pai, dos irmãos e de nós mesmos.

Nesse capítulo, Emmanuel nos leva para meditar no nosso atual estágio evolutivo.

No nosso trabalho, sempre prometemos melhorar após aquela “bronca” justa.
Naquele financiamento atrasado, pedimos tempo e prometemos quitar parcelas e multas.

Na transgressão do nosso filho rebelde, procuramos ajuda na oração, nas desculpas e promessas para os ofendidos, na compreensão dos professores e diretores da escola, nos parentes e vizinhos.

Naquele companheiro drogado, que, acreditamos, não fracassará outra vez e lhe damos novas e outras novas oportunidades a cada tombo.

***

Encontrarás, porém, aqueles que não sofreram bastante para escusar as deficiências alheias, habitualmente empoleirados nas altas janelas das torres de marfim a que se acolhem para contar as feridas dos que passam na rua da provação.” – diz Emmanuel.

Estes não querem saber das suas dificuldades.
Se eles conseguem, você também tem que conseguir e ponto.

E, se você tem problemas, eles também os têm e nem por isso deixaram de cumprir o que lhes cabia fazer. “Quem pariu, que o embale”, é o lema deles.

Repetem que a vida é difícil para todo mundo e que “ninguém me ajudou a chegar onde cheguei”. Desdenham, assim, da atenção dos muitos amigos; do carinho dos parentes; do esforço paterno e materno; do amor da própria Divindade, que nos permite o amanhecer de cada dia sobre a Terra.

Para eles, o crime e a impunidade, o malandro e o golpista estão sempre a espreita; mas estão cegos para os momentos em que, vacilantes, foram autores de crimes impunes, malandragens e golpes, semprejustificáveis”.

***

Nesse âmbito, mediunidade é recurso de trabalho. E não difere de outros recursos, como a inteligência, a musicalidade, a harmonia plástica, a disposição atlética, e tantos outros que nos convidam a edificação.

Não procure por médiuns perfeitos nesse plano da existência porque não os encontraremos.
A mediunidade nada mais é do que justa oportunidade para trabalhar as imperfeições.

A mediunidade é ensejo de serviço e aprimoramento, resgate e solução.” (Emmanuel)

==&==

Leitura da Questão: Livro dos Médiuns (LM)
CAPÍTULO XVII
DA FORMAÇÃO DOS MÉDIUNS

Perda e suspensão da mediunidade

220. … 12ª Com que fim a Providência outorgou de maneira especial, a certos indivíduos, o dom da mediunidade?
“É uma missão de que se incumbiram e cujo desempenho os faz ditosos. São os intérpretes dos Espíritos com os homens.”

13ª Entretanto, médiuns há que manifestam repugnância ao uso de suas faculdades.
“São médiuns imperfeitos; desconhecem o valor da graça que lhes é concedida.”

14ª Se é uma missão, como se explica que não constitua privilégio dos homens de bem e que semelhante faculdade seja concedida a pessoas que nenhuma estima merecem e que dela podem abusar?
“A faculdade lhes é concedida, porque precisam dela para se melhorarem, para ficarem em condições de receber bons ensinamentos. Se não aproveitam da concessão, sofrerão as conseqüências. Jesus não pregava de preferência aos pecadores, dizendo ser preciso dar àquele que não tem?”

*** Curiosidades ***

– Era hábito comum da época de Jesus, como é nosso até hoje, usar números grandes para expressar o infinito ou um valor incontável. Jesus jejuou 40 dias no deserto. Os judeus vagaram 40 anos até a terra prometida. Hoje, nosso hábito prende-se frequentemente ao número 1.000. Como as “1001 Noites”, por exemplo. Seria uma noite no infinito, conforme nos descreve a sensibilidade de Borges. Com base nisso, os historiadores tendem a questionar o quanto estes números são reais ou apenas designam “um longo período”. 

– Você iria no presídio perdoar o atirador que te deu um tiro?
Não poderia deixar de colocar a foto do Papa João Paulo II perdoando seu atirador. Encontramos ainda esta mesma atitude aqui no Brasil, em diversas famílias que tiveram seus filhos ou parentes assassinados. De fato, o perdão acaba sendo uma libertação para aquele que o dá com sinceridade. Para aquele que recebe, é também um alento, mas não o libera perante a Lei de Ação e Reação.
Como nos diz Chico Xavier: Antes ser o agredido do que o agressor. Agredir é terrível! 

-Tive uma época onde conheci uma agressão silenciosa. Fui convidado por um amigo a conhecer sua família. Todos muito sorridentes, até quando chegou o patriarca. Um sujeito muito sacana, que não perdia uma oportunidade de galhofar de forma humilhante quem quer que fosse. Acostumados à situação, todos o seguiam num grande “bulling” familiar. E pobre daquele escolhido por Judas. Todos eram alvos, menos o patriarca, é claro. Além disso, ninguém senão ele sabia fazer TUDO certo. Se alguém cortasse um legume na frente dele, era motivo dele tirar o trabalho da mão do sujeito e ir lá ensinar, repetindo até que a pessoa fizesse exatamente do jeito dele. Passava diploma de incompetente para todos. Fiquei muito feliz quando me afastei e, confesso, não consegui aparecer mais.
Hoje, penso duas coisas: 1-Não quero rir DE VOCÊ, quero rir COM VOCÊ;
2-Por que outro faz diferente, pode não ser o melhor jeito, mas foi o melhor que ele soube fazer. Se ele observar meu jeito e achar que faço melhor, ótimo, estarei lá para ensinar. Do contrário, aceitar o outro é uma forma de amar. Mesmo quando, por vezes, isso causa algum prejuízo.

-Tendemos a achar que o simples fato de ser médium oferece passaporte de “santidade” para a pessoa. E cobramos silenciosamente isso, vigiando a pessoa o tempo todo, apontando tudo que julgamos ser deslizes. Lembro de Raul Teixeira comentando que, ao ser visto de bermuda numa praia, alguém o repreendeu: “Raul, você vestido desse jeito?”.
Ele sorriu e respondeu: “Amigo, estamos numa praia!”.

-É dever nosso orar sempre pelos irmãos em compromisso com o bem, seja mediúnico ou não, como dirigentes, orientadores, administrativos e outros. São pessoas imperfeitas, como nós, que heroicamente decidiram assumir compromissos com bem do próximo. Como dizia um antigo chefe meu: Só erra quem faz! Quem não faz, nunca irá errar.
Que Jesus os abençoe hoje e sempre!

-Vez por outra, um comentário é tão genial, que eu faço questão de publica-lo aqui.
Nossa querida Di nos trouxe esta pérola: “O título é “Oportunidade”, e vc começa a digressão com “Quantas vezes eu deverei perdoar meu próximo…”; Fiz a seguinte associação: perdoar meu próximo, é oportunidade bendita para termos nossas (justas, mas por vezes, acres) lições amenizadas… seguindo Francisco de Assis “É perdoando que se é perdoado”…
Com Jesus, aprendemos que perdoar pode significar “evitar males futuros” – “…Reconcilia-te com o teu adversário enquanto estás a caminho com ele.”…Aí, pensei:quantas vezes temos ao nosso lado na pele do parente ou companheiro de trabalho difícil, o adversário de outrora, que a misericórdia divina nos apresenta como oportunidade de transformação das relações e conversão de antigos desafetos em novos companheiros ou até futuros amigos? E quantas discórdias e vinditas são evitadas?“.
Valeu, Di!

4 respostas para 42-Oportunidade

  1. Inacio disse:

    Vc mereceu!
    Beijocas, Bugu!

  2. claudie (Di) disse:

    Sabe o que me chamou a atenção, de cara, nesse texto?
    O título é “Oportunidade”, e vc começa a digressão com “Quantas vezes eu deverei perdoar meu próximo…”; Fiz a seguinte associação: perdoar meu próximo, é oportunidade bendita para termos nossas (justas, mas por vezes, acres) lições amenizadas… seguindo Francisco de Assis “É perdoando que se é perdoado”…
    Com Jesus, aprendemos que perdoar pode significar “evitar males futuros” – “…Reconcilia-te com o teu adversário enquanto estás a caminho com ele.”…Aí, pensei:quantas vezes temos ao nosso lado na pele do parente ou companheiro de trabalho difícil, o adversário de outrora, que a misericórdia divina nos apresenta como oportunidade de transformação das relações e conversão de antigos desafetos em novos companheiros ou até futuros amigos? E quantas discórdias e vinditas são evitadas?
    Outro aspecto que me chama atenção neste tema é quando estamos na posição de possíveis credores, observarmos (sem paixão) nossa própria consciência, e vermos como agimos ou teríamos agido na mesma circunstância de nosso momentâneo devedor; devemos ter a imparcialidade de descermos do pedestal da falsa superioridade e orgulho, para nos colocarmos na posição de co-aprendizes (e por isso mesmo passíveis de erros). Aí conseguiríamos aprender o processo de perdoar…
    Por último, lembro de uma frase que conheci num curso recente que fiz “Palavras ensinam, exemplos arrastam.” E para ilustrar uma de suas “curiosidades”, trago o mais vívido exemplo de perdão, que muito me marcou na época. Busquei na internet um resumo da história (transmitida numa reportagem do fantástico):

    O comerciante Massataka Ota, 48 anos, fez o impossível: perdoou os homens que seqüestraram e mataram seu filho, Ives Ota, de 8 anos. O seqüestro aconteceu no dia 29 de agosto de 1997, e Ives foi morto no mesmo dia. Paulo de Tarso Dantas, Sérgio Eduardo Pereira de Souza e Adelino Donizete Esteves foram presos pelo crime e condenados a 43 anos de prisão (Sérgio Eduardo recorreu da sentença)
    ‘Para mim, perdão significa libertação. Não adianta viver com ódio. Você tem que se libertar desse sofrimento para começar a viver melhor. Antes de perdoar os seqüestradores do meu filho, eu tinha pesadelos, via o sofrimento do meu filho, a imagem dos assassinos, sabe? Foi só depois que perdoei um dos seqüestradores frente a frente, durante um programa de TV, que os pesadelos desapareceram.

    Quando soube que o meu filho tinha sido assassinado, a primeira coisa que veio foi o ódio, a vontade de fazer justiça com as próprias mãos. Um dia, três meses depois, eu estava sentado sozinho no meu apartamento, chorando, com aquela saudade enorme do meu filho, quando olhei para cima e vi uma bolinha dourada voando. Falei: ‘Ives, sei que você está bem e que não quer que o papai chore mais. A partir de hoje papai vai ser forte e lutar para que o seu nome não seja esquecido’. Decidi fundar o Movimento da Paz e Justiça Ives Ota e levantar uma bandeira: eu queria a prisão perpétua para crimes hediondos. Muita gente acha que é contradição falar em perdão e defender a prisão perpétua ao mesmo tempo. Mas eu não concordo. Acredito que é preciso endurecer para que os criminosos pensem duas vezes antes de cometer crimes desse tipo. Sou a favor da prisão perpétua, mas não da pena de morte.
    Uma pessoa que me ajudou muito nessa história foi o meu cunhado, o Teigi. Um dia, ele trouxe uma oração para a gente praticar, a Oração do Perdão, da Seicho-No-Ie. Eu e a minha esposa começamos a praticar essa oração dez, 20, 30 vezes por dia. Essa prática me ajudou muito…”

    Esse exemplo desse pai me marcou muito. O crime foi hediondo, e eu já era mãe nessa época. Me coloquei no lugar daquele pai…Eu não conseguiria…E ele ali, cara a cara com aquele que tinha levado seu tesouro…O exemplo dele me deixou muda, e me tocou profundamente a alma…
    Hoje em dia, ainda que muitas vezes seja arrastada pela minha impulsividade, eu rezo para que Deus me dê equilíbrio de pensar em tudo que falei aqui, antes de condenar alguém…
    Snif…Essa me pegou! Bjos, Bidu

    • inacioqueiroz disse:

      Fiquei muito emocionado com seu comentário, Di!!
      Vc arrasou.
      A associação inicial me balançou tanto que eu a acrescentei nas curiosidades.
      E, eu confesso, quando escrevi a parte do perdão das famílias, eu lembrei tbem do senhor Massataka.
      Fui pesquisar na web para ver se achava detalhes e encontrei inúmeras famílias que já fizeram o mesmo.
      Isso me comoveu. Então decidi homenagear a todos, sem especificar 1 só.
      Os pais daquele menino que foi arrastado na fuga dos bandido é um desses casos.
      Há muitos “anjos do Senhor” sobre a Terra. Apenas não possuem auréolas ou asas para os reconhecer.

      Seu comentário é, por si só, um verdadeiro estudo. Valeu.

      • claudie (Di) disse:

        Gostei dessa frase…”Há muitos “anjos do Senhor” sobre a Terra. Apenas não possuem auréolas ou asas para os reconhecer.”
        O problema é que não os notamos, pois o que mais vende, na mídia, é a catástrofe, a maldade humana, o tráfico, a bandidagem…
        Os gestos bons, são encarados pela grande maioria como piegas…
        como bem disse o Adão na postagem do Sim, sim…o sensacionalismo do terror, do lado negro, chama mais atenção…E as pessoas reclamam que só se vê isso na televisão!
        Será que a maioria pararia de ver sua novela, seu jornal, seu futebol, para ver uma reportagem como essa do drama do senhor Massataka?
        Nada contra quem gosta das novelas, eu adoro um futebol, mas que lição de vida se tira do aprendizado que esse homem processou da própria dor…
        Se as pessoas entendessem que vivemos nesse clima porque nós “criamos” e alimentamos esse ambiente de negatividade, comentando, assistindo, repassando…
        Se nos preocupássemos em melhorar nossa “tela mental” e emocional com notícias esclarecedoras, com temas que cultivam a esperança, o amor e a paz, com o passar do tempo mais e mais pessoas prefeririam isso a uma luta, ou uma notícia de assassinato…
        E nossa vida ia se transformar para mais leve…É que a grande maioria AINDA não se apercebe disso…Ainda.
        E obrigado pelo ” destaque”!!!
        Me senti envaidecida…Foi sem querer…Que bom que acrescentou!
        Uma graaaande bjoca, Bidu!

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