43-6º Sentido

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 43-Mediunidade e Alienação Mental)
Reunião pública de 13-6-60
Questão LM no.221 inciso 5.

Na visão social secular, o médium é aquele indivíduo estranho, algo que caminha entre um mundo de verdades e sonhos, que ora pode entrar num surto espasmódico, ora pode ditar belos textos, lindas imagens, uma poesia, a presença de alguém invisível no ambiente.
– Ele é doente? – alguém pergunta sussurrando.
– Não! Ele é médium.
-Ahh!

Por quantos séculos, esta pergunta foi suficiente para trancar pessoas em manicômios, entupir gargantas com remédios, eletrochoques, vergonha familiar, desapropriação judicial da capacidade de julgar e manter-se?

O Filme dos Espíritos

Nos anos de 2010 / 2011, a espiritualidade atuante nas terras do Cruzeiro do Sul, em festa, observa a lenta mudança desses clichês, através do cinema, dos livros, reportagens sérias, vídeos, atos comemorativos, de palestras que arrastam milhares de consciências; tudo com uma intensidade nunca antes vista.

Confesso que ando muito emocionado com tudo isso.

No entanto, é fato, a visão que temos da mediunidade é de uma linha muito fina entre ser louco e ser abençoado.
E, nesse meu curto tempo de atividade, já vi abençoados que ingressaram no franco delírio e já vi “loucos internados” que, com poucas palavras, abençoaram uma vida.

Até que ponto a mediunidade provoca ou participa na travessia dessa linha da sanidade?

Nesse capítulo, Emmanuel nos convida inicialmente a pararmos de ver a mediunidade como um estado mórbido, mas antes como mera sensibilidade orgânica, o 6º sentido pelo qual o agente intelectual se expressa, seja com harmonia e paz, seja com ansiedade e tormenta.

Se a mediunidade é um sentido comum, é didático mudar a pergunta:

Até que ponto nossos sentidos (nisso inclusos visão, audição, tato, olfato, paladar e mediunidade) provocam ou participam na travessia dessa linha da sanidade?

Não ignoramos, porém, que os sentidos transviados conduzem fatalmente à deturpação e ao desvario.” – diz Emmanuel.

Exemplificando:

As mãos que constroem bombas para as guerras (e assinam o destinatário no nariz da bomba, na televisão, com todo orgulho), armas químicas e bacteriológicas, engenhos de destruição, em nada diferem no padrão fisiológico das mãos que exaltam a beleza humana, as artes, a paz e a Divindade.

Como condenar os olhos do meliante e do espião, se estes tão pouco diferem em morfologia dos olhos de nossas mães, que nos velam o sono infantil no carinho do berço?

Qual a culpa do ouvido por participar nos cânticos de calúnia, crueldade e perversão?

Emmanuel aborda ainda o exemplo do sexo.

É, sem dúvida, elemento chave na construção da família, de lares repletos de oportunidades e crescimento, em nome de Deus.

Porém, pelo volume incomum de abusos humanos perpetrados, o sexo recheia manicômios. 

E afunda inúmeras almas em grandes charcos de lodo mental, de difícil depuração através de décadas de tratamento e reeducação.

Ainda assim, é ponto pacífico que sua origem emana da Inteligência Suprema, como solução contínua na grande escola das formas.

***

A manifestação é da instrumentalidade.
O erro é da criatura.” – afirma Emmanuel.

Como responsabilizar os sentidos pelos atos de ignorância e superstição, maldade e fanatismo de quem o conduz?
Da mesma forma, a mediunidade.

Conclui Emmanuel:

E qual acontece aos olhos e aos ouvidos, às mãos e ao sexo que dependem do comando mental, a mediunidade, acima de tudo, precisa levantar-se e esclarecer-se, edificar-se e servir, com bases na educação.

.

 

==&==

Leitura da Questão: Livro dos Médiuns (LM)
CAPÍTULO XVIII
DOS INCONVENIENTES E PERIGOS DA MEDIUNIDADE

Influência do exercício da mediunidade sobre a saúde. – Idem sobre o cérebro.
– Idem sobre as crianças.

Questão 221. lª Será a faculdade mediúnica indício de um estado patológico qualquer, ou de um estado simplesmente anômalo?

“Anômalo, às vezes, porém, não patológico; há médiuns de saúde robusta; os doentes o são por outras causas.”

Poderia a mediunidade produzir a loucura?

“Não mais do que qualquer outra coisa, desde que não haja predisposição para isso, em virtude de fraqueza cerebral. A mediunidade não produzirá a loucura, quando esta já não exista em gérmen; porém, existindo este, o bom-senso está a dizer que se deve usar de cautelas, sob todos os pontos de vista, porquanto qualquer abalo pode ser prejudicial.”

*** Curiosidades ***

-Que a Organização Mundia de Saúde (OMS) já considera a realidade da paranormalidade, isso não é novidade. Que a Terapia de Vidas Passadas (TVP) é matéria universitária, também não é novidade. Mas filmes espíritas se proliferando a granel, peças teatrais, reportagens em revistas de grande circulação, isso tudo sinaliza um novo tempo. Vejo isso como, verdadeiramente, o sinal da vinda de Jesus em seu Reino. Não como tantos esperam, um Rei barbudo num grande trono de ouro. Mas um pensamento, uma boa nova que ilumina todas as almas, nos envolvendo em profunda alegria e paz.

-Infelizmente, a imagem de crianças e mulheres construindo bombas e endereçando para outro povo foi veiculado pela televisão. Bombas americanas endereçadas para o Iraque. Insanidade. Que possamos cada vez menos ver cenas assim.

-Quando li este texto de Emmanuel pela primeira vez, eu entendi superficialmente. Mas, na medida que fui compreendendo, foi me dominando uma euforia…
É de joelhos que lhes digo isso: este texto é uma pérola!
Leiam o original, por favor.

-É sabido pela literatura espírita que o abuso do sexo origina diversos processos de loucura. Mas é a energia do sexo que nos traz vida e força para realizar. Em tudo, a educação é a nossa grande proteção.

-Pela educação, podemos perceber as possíveis armadilhas da mediunidade, assim como educar os sentidos nos ampara nos caminhos da Terra. Pela educação, descobrimos como trabalhar nosso egoísmo, nossa vaidade, discernir entre o certo e o errado, calar e controlar as paixões e examinar friamente se ainda permanecemos no caminho da sanidade ou adentramos o desvario. 

-Nossa querida Di continua em fase inspiradíssima. Fez um comentário perfeitamente concatenado com a lição de Emmanuel nesse capítulo, evidenciando a importância da Educação para a Mediunidade e envolvendo o filme “O Sexto Sentido”.
Para deleite de todos [explicações minhas em verde]:
Falando sério, o que mais me chamou a atenção nesse filme [O Sexto Sentido] , foi a questão da falta de informação…
-O menino, não entendia o porquê de ser assediado por pessoas que “já morreram”…
-O médico (psiquiatra), não conhecia nenhum aspecto da realidade espiritual, e via apenas o que achava normal ver, não percebia que já tinha morrido, e as coisas haviam mudado, inclusive em sua casa;
-a mãe do menino, também por desconhecer sobre a vida do espírito, achava que seu filho era doente, e tentava, da maneira que podia, ajudá-lo a carregar esse fardo de ser uma criança diferente…
E assim, quantas pessoas, pela falta de informação, pelo medo, pela superstição, não foram e continuam sendo erradamente orientadas, e pior, “marcadas” pelo estigma de serem diferentes??
Lembra daquele episódio de “Assombrações” [documentário em série do canal A&E] da moça que via e conversava com espíritos desde criança, e o pai proibiu que ela ficasse “inventando” coisas??
É verdade, Di. A cultura dos EUA engatinha ainda nesse aspecto.
Nascer no Brasil, com esta fartura de informações, é, por si só, uma benção.
Valeu!

7 respostas para 43-6º Sentido

  1. Luana disse:

    Enquanto cai a ficha ou a conexão acontece, o que percebo é que a percepção do desconhecido ainda é o grande pulo do gato. Aceitar, reconhecer e permitir o que não se conhece é tarefa árdua (diria quase impossível), pois a nossa natureza humana, dotada dos instintos de proteção, vai prevalecer. E, então, condenar e hostilizar, é a atitude mais fácil. Mas não devemos, até porque também somos suscetíveis a essas atitudes, quando não compreendemos algumas situações. O esclarecimento é o melhor caminho e ele demanda tempo e disposição. Mas a eternidade está aí mesmo para nos ajudar. Beijos!

    • inacioqueiroz disse:

      Profundo, Luana!
      Narciso acha feio o que não é espelho, né!
      A gente não consegue ficar em paz com as novidades, até que alguém nos prove que não há ameaças.
      Se ninguém fizer, ou fazemos ou condenamos. Ou seja, marginalizar é mais fácil.
      Viva a eternidade. Beijão.

  2. claudie (Di) disse:

    Ih!!!! Agora caiu a ficha!!
    “Eu vejo pessoas mortas…” – O Filme! rsrsrs
    Falando sério, o que mais me chamou a atenção nesse filme, foi a questão da falta de informação…
    -O menino, não entendia o porquê de ser assediado por pessoas que “já morreram”…
    -O médico (psiquiatra), não conhecia nenhum aspecto da realidade espiritual, e via apenas o que achava normal ver, não percebia que já tinha morrido, e as coisas haviam mudado, inclusive em sua casa;
    -a mãe do menino, também por desconhecer sobre a vida do espírito, achava que seu filho era doente, e tentava, da maneira que podia, ajudá-lo a carregar esse fardo de ser uma criança diferente…
    E assim, quantas pessoas, pela falta de informação, pelo medo, pela superstição, não foram e continuam sendo erradamente orientadas, e pior, “marcadas” pelo estigma de serem diferentes??
    Lembra daquele episódio de “assombrações” da moça que via e conversava com espíritos desde criança, e o pai proibiu que ela ficasse “inventando” coisas??
    Bju, Bidu

    • inacioqueiroz disse:

      É isso mesmo. Vc teve uma grande sacação.
      Nascer no Brasil é benção p/ o médium.
      Imagina o médium que nasce no Islamismo? Ou num lar onde isso é coisa do demônio?
      A informação aqui não só é livre, mas temos todos direito de culto sem perseguições sustentadas pela lei.
      Imagina na China? Há verdadeiras zonas infernais sobre a Terra. Nós que não temos consciência.
      Beijão …. (Cair a ficha tá ultrapassado… agora é ‘conectei’ … rsrs bjs)

  3. claudie (Di) disse:

    Em tudo vemos que o “caminho do meio” é o mais apropriado…O mesmo instrumento que produz uma valsa, pode também produzir um rock estridente…O resultado final vai da sensibilidade de quem toca. E o mesmo se dá com a mediunidade…Temos vários tipos de mediunidade(efeitos físicos, psicofonia, psicografia, pictografia…), o que cada manifestação mediúnica vai produzir, depende da sensibilidade do médium, e da afinidade com estes ou aqueles espíritos…
    Acho que a mediunidade faz com que a pessoa se torne mais sensível, mais impressionável a tudo que lhe cerca; em vista disso, pode ser mais sugestionável, e além de lidar com suas próprias dificuldades, ainda pode ser influenciada pelos seus companheiros espirituais. Se não tiver nenhuma consciência das realidades do espírito, pode ser perturbada e sem orientação pode descambar para processos de melancolia, depressão, esquizofrenia (principalmente se já tiver predisposição para a doença).
    Em relação ao sexo, é uma força muito ligada aos nossos instintos, que nos traz\ muito para o âmbito das sensações; o médium pode se desequilibrar emocional e psíquicamente se deixar se levar a excessos…
    No final das contas, é a direção e o propósito que se dá a algo, que vai conduzir a um resultado positivo ou negativo…O bom-senso, o caminho do meio, nos ajuda a não errar…
    Se ainda não somos capazes de alcançar esse equilíbrio (coisa muito fácil de acontecer em meio ao rodamoinho de situações e estímulos que somos submetidos diáriamente), devemos ao menos ter a consciência de pedir ajuda e orientação naqueles que já se mostram devidamente capazes para tanto…
    Uma bjoca, com muuuuito carinho!

    • inacioqueiroz disse:

      Muito legal este seu comentário.
      O caminho do meio é realmente a solução para nossa falta de força interior.
      Não podemos alcançar o céu com asas de cera. Mas não podemos deixar de dar mais 1 passo na evolução.
      Então eu forço minha natureza para melhorar.
      Mas afrouxo quando começo me sentir em sofrimento.
      Nesse ponto, a mediunidade é realmente educativa porque passamos a tolerar menos certos descalabros.
      E a frase do Chico que vc mandou e eu destaquei fala também disso.
      Basta que nos envolvamos com Jesus que a mediunidade automaticamente acompanha.
      Legal …. muitos bjs e obrigado.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s