45-Tem Dó de Mim!

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 45-Imagina)
Reunião pública de 20-6-60
Questão LM no.268 inciso 12.

Não pecarás contra a castidade” – psicografou Moisés no monte Sinai.

Apesar da idéia de castidade estar comumente associada à iniciação sexual, eu sempre repenso este mandamento quando vejo uma criancinha correndo e abraçando um adulto.

O sorriso franco, a doçura, a confiança, a ingenuidade são dimensões maiores da castidade.

Nesse capítulo, Emmanuel nos alerta sobre como tratar aqueles que partiram desse mundo em condição de grande simplicidade.

Uns porque foram assim condenados pela exploração dos povos ditos “civilizados”.
Escravos, servos, seres humanos reduzidos a animais de estimação ou peças de comércio.

Outros porque ficaram marginalizados, nascidos para viver das migalhas dos “Senhores”.
Esposas oprimidas, filhos bastardos, inteligências debilitadas, vidas dependentes, paupérrimas de meios e recursos. Aqueles a quem foi negada a chance de aprender, crescer e brilhar como criatura divina.

Entre os mais de 20 bilhões de espíritos que colonizam nosso pequeno planeta azul, quantos ainda estarão em profunda condição de inciência e inconsciência,  quantos não sabem e sequer imaginam o quanto não sabem?

Em nossas comunicações junto ao Plano Espiritual, vez por outra encontramos um irmão nesse estado. Palavras simples, idéias padronizadas, alguns presos em fatos ocorridos faz 50 anos ou mais de século. E ainda sofrem, todo dia, sem saber como frear suas dores.

Foi-se o tempo em que conversar com estes irmãos era modo de divertir-se, com suas palavras erradas, com as pequenas tolices, com suas idéias confusas. Os salões de ontem, com jograis, carteados, sarais ou leituras, deram lugar para televisão, DVD, computador e videogame.

O mundo mudou.

E a comunicação com os espíritos voltou a ser tabú dentro da esfera religiosa.

Mas estes nossos irmãos continuam em sua caminhada de crescimento e renovação, cobrando nosso amparo e paciência, benevolência, indulgência e compaixão.

Longe de explorá-los com perguntas indiscretas e ordenações deprimentes, saberás ajudá-los pela benção do amor.

E entenderás, então, que, se todos endereçamos aos instrutores da Vida Maior petitórios constantes de socorro e de paciência, cada um deles também, diante de nós, exibe no coração as quatro palavras de nossa velha súplica:

— “Tem dó de mim!”       (Emmanuel)

==&==

Leitura da Questão: Livro dos Médiuns (LM)
CAPÍTULO XXIV
DA IDENTIDADE DOS ESPÍRITOS

Questão 268.- Questões sobre a natureza e a identidade dos Espíritos

12ª Os Espíritos que nos induzem em erro procedem sempre cientes do que fazem?

“Não; há Espíritos bons, mas ignorantes e que podem enganar-se de boa-fé. Desde que tenham consciência da sua ignorância, convém nisso e só dizem o que sabem.”

*** Curiosidades ***

– Ao longo desta meditação, emocionei-me várias vezes.
Estou ficando um velho chorão – eu pensei. Mas a situação de irmãos em humildade e sofrimento mexe comigo. E pensar que o sofrimento possa continuar além dessa vida não é nada alentador. O texto 45 de Emmanuel é muito forte. Leiam!

– Quando a escravidão foi abolida no Brasil, houve festas e fogos em toda parte, as pessoas dançavam e cantavam nas ruas. Após terminar as festas, surgiu um grande drama social: Como manter os recém-libertos? Como não falir os Engenhos? Os Senhores de Engenho mais articulados reuniram os escravos antes da libertação e fizeram uma abordagem chamada “paternalista”. Concediam presença dos libertos nas fazendas, trabalhando e pertencendo a família, em troca de subsistência. Alguns receberam até o sobrenome do Senhor. Milhares não ficaram devido à humilhação que já tinham sofrido. Outros tantos não ficaram porque queriam receber salários. Mas, quando a grande massa de libertos largou a fazenda, se tornaram marginais e vadios nas cidades. E muitos partiram desse mundo lamentando não saber o que fazer com a liberdade.

-O mundo mudou e já não temos mais os jogos de salão que ocupavam as noites das famílias abastadas. As diversões são outras, voltadas para o consumo e para a tecnologia. Quando não tínhamos televisão nem rádio, entrevistar espíritos era uma diversão de salão. Mas era freqüente o espírito mais humilde ser ridicularizado, dada a condição moral dos evocadores. O texto de Emmanuel evoca esta época. Como médiuns, encontramos este canal de comunicação ainda aberto e tornou-se nosso dever trabalhar a educação dos irmãos nos planos onde formos capazes de fazer-nos presentes.

-Em 2011, a estatística do IBGE sobre Religiões revelou que mais de 98% das pessoas que foram alfabetizadas em fase adulta no Brasil são católicos. Nossa eterna reverência a Casa de S.Pedro, não apenas mãe da religiosidade brasileira, mas em permanente atividade no reerguimento do ser humano em todas as faixas sociais, seja na alfabetização de adultos, seja na Pastoral da Criança, seja na ação social das inúmeras igrejinhas que alcançam todos os rincões deste imenso país. A Religião de Deus sempre reunirá todos os seus filhos!

4 respostas para 45-Tem Dó de Mim!

  1. claudie (Di) disse:

    É…entendo castidade como integridade (respeitar uma proposta). A pessoa se abstém (em aspecto mais genérico) da prática sexual, tendo em vista valores mais elevados. É um compromisso, antes de tudo, com si mesmo.
    Num sentido mais amplo, é uma questão de respeito a uma proposta, de pureza e fidelidade; não quero conspurcar minha essência, minha consciência, e nesse sentido ela deixa de ficar presa apenas ao aspecto físico. Vai mais fundo, atinge o âmbito moral. Quem se envolve com a castidade, não quer apenas deixar de fazer sexo, é mais que isso. Significa que a pessoa está se privando de algo que naturalmente é um apelo ao instinto, em prol de um sentimento mais elevado, uma crença. Ser casto, significa se libertar do que é transitório e se dedicar ao duradouro…

    • inacioqueiroz disse:

      Muito interessante esta sua abordagem.
      Fala bem da castidade no movimento de ascenção superior.
      Temos a castidade que advém da ignorância e ingenuidade e temos a castidade que advém do esforço de aprofundar a virtude.
      Enquanto a primeira está desprotegida, a segunda se dirige e se governa, algumas vezes mais e melhor que todos os demais.
      Então, surgimos ‘simples e ignorantes’, nos envolvemos com paixões, dores e desejos, para terminarmos simples e sábios.
      Não tinha atinado para estas vertentes. Valeu!

  2. Luana disse:

    Oi Inácio.
    Enquanto lia seu texto, pensava nas possíveis referências: sempre seremos mais evoluídos que muitos e menos que outros tantos. Na verdade, somos ingênuos e ainda crianças castas que ainda não sabem o que dizem para muitos espíritos que provavelmente nos olham com olhares benevolentes, cientes de que um dia chegaremos lá. Assim devemos agir com aqueles que ainda caminham na simplicidade. Aliás, às vezes me pergunto se esta mesma simplicidade não seria um degrau no qual deveríamos nos demorar um pouco mais para fazer valer o que aprendemos depois.
    Abração!

    • inacioqueiroz disse:

      Oi Luana,
      Muito pertinente sua observação.
      Realmente, para os pares desses espíritos, eles não se julgam castos.
      Nós os vemos assim devido nossa referência.
      E os ascencionados nos olham, por sua vez, com esta misericórdia.
      É como nos diz a sabedoria de Jesus: Conhecereis a verdade e a verdade te libertará.
      A verdade nos leva para o próximo nível e nos liberta das inciências do nível anterior.

      Sobre a simplicidade, quando eu fui fazer a meditação 39-Paciência e Amor, acabei lendo bastante sobre Santa Teresinha.
      A irmã dela foi quem reuniu todos os textos dela e iniciou o processo de canonização.
      Na argumentação, ela colocou um pensamento de Lao-Tsé muito bacana, que mostra a profundidade disso que vc disse:
      -“A virtude madura termina no estado de infância” (Lao-tsé, século VII a.C.).

      Por isso, temos a sensação de que deveríamos nos envolver mais com esta simplicidade.
      Obrigado!! Um beijão …

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