46-A Força do Grupo

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 46-União)
Reunião pública de 24-6-60
LM – Capítulo XXXI – Dissertação XX.

Compadece-te e ajuda, a fim de que possas servir na união para o bem.” – diz Emmanuel.

Nesses poucos anos de trabalho na Casa Espírita, muito me espanta a rotatividade dos trabalhadores.

Amigos surgem com imensa boa vontade, dotados de inúmeros talentos e virtudes, para desaparecerem em muitos afazeres que a vida pessoal os conclama.

Outros tantos chegam a se engajar nas atividades, mas desertam vitimados por uma palavra mal colocada, uma negativa para alguma iniciativa inovadora, alguém que não lhe foi simpático, outro que lhe cobrou de forma ácida alguma postura.

Esquecem-se que, se o mundo é um local de doentes em expiações e provas, nossa Casa é um local de aprendizado e reforma. Um local de treino do que seja “ser bom”, onde os esforços de trabalhar deixam patentes só nossa boa intenção, mas não nos curam de imediato.

Nesse capítulo, Emmanuel observa que é na união de todos e de cada um onde os benefícios são construídos.

É preciso que o lavrador ampare a semente para que o pão chegue à mesa. É preciso que o operário assente o tijolo para que a casa nos aqueça na noite fria.

E a vida nos exemplifica sempre união, amparo e tolerância para o progresso de todos.

Sem condenar o paralitico, ela o supre com cadeira de rodas.
Traz lentes para o míope, sem maldizê-lo.
Não abandona o deformado, antes lhe traz comodidades.

Não falta escola para o ignorante, nem hospício para o louco. Sem revoltas, nem destruições.

*

Por que não aprendemos com vida, fazendo de nós mesmos, o amparo e a tolerância para a união e progresso de quantos precisam?

Olvidemos os defeitos do próximo, na certeza de que todos nos encontramos sob o malho das horas, na bigorna da experiência.” – convida Emmanuel

O cimento para a união ideal chama-se “Tolerância”.

Na tolerância, consolida-se a união;
da união nasce a força do grupo.

Sempre cientes de que milhões de gotas unidas configuram uma fonte; porém, milhões de fagulhas reunidas configuram um incêndio.

Pensa um pouco e entenderás que é sempre muito fácil ajuntar os interesses da Terra e fazer a união para o bem da força, mas apenas entesourando as qualidades do Cristo na própria alma é que nos será possível, em verdade, fazer a união para a força do bem.” (Emmanuel)

 ==&==

Leitura da Questão: Livro dos Médiuns (LM)
CAPÍTULO XXXI
DISSERTAÇÕES ESPÍRITAS

Sobre as Sociedades Espíritas

NOTA. Das comunicações que se seguem, algumas foram dadas na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, ou em sua intenção. Outras, que nos foram transmitidas por diversos médiuns, encerram conselhos gerais sobre os grupos, sua  formação e obstáculos que podem encontrar.

Dissertação XX

A união faz a força. Sede unidos, para serdes fortes.
O Espiritismo germinou, deitou raízes profundas. Vai estender por sobre a terra  sua ramagem benfazeja. É preciso vos tomeis invulneráveis aos dardos envenenados da calúnia e da negra falange dos Espíritos ignorantes, egoístas e hipócritas. Para chegardes a isso, mister se faz que uma indulgência e uma tolerância recíprocas presidam às vossas relações; que os vossos defeitos passem despercebidos; que somente as vossas  qualidades sejam notórias; que o facho da amizade santa vos funda, ilumine e aqueça os corações. Assim resistireis aos ataques impotentes do mal, como o rochedo inabalável à  vaga furiosa.

São Vicente de Paulo.

*** Curiosidades ***

– Quando cheguei na Casa onde hoje atuo, recebi uma estranha recomendação:
“-Pise em ovos com Fulana!”
Ao longo do tempo, descobri que Fulana era alguém com muitas responsabilidades, mas embriagada com aquele pequeno “poder”. E acabava por afastar as pessoas que se colocavam em seu caminho. Que tristeza! Claro, um dia foi a vez do afastamento dela.
Mas deixou a grande lição de que, mesmo bem engajado e oferecendo belos resultados, ninguém se faz santo só porque decidiu trabalhar.

-Tolerar é difícil, principalmente quando estamos iniciando a  caminhada e não sabemos bem qual o benefício por estarmos “aturando” aquela situação. Mas o prêmio pela persistência é grandioso, posso hoje afirmar com tranquilidade. Quando a espiritualidade percebe que você não irá desistir, eles investem verdadeiramente em nossas possibilidades e coisas lindas passam a acontecer. Força, meus irmãos! Força!

-Pesquisando, encontrei duas origens etimológicas para a palavra “Tolerar”:
Tolerare – sofrer ou suportar pacientemente;
Latim Tolerantia, vindo de Tolero – suportar um peso.
Nos dois casos, fica claro que é um esforço em conviver e suportar.

-Mas São Vicente de Paulo acrescenta a “indulgência” na equação. Os enciclopedistas não possuem consenso na etimologia desta palavra: -In Dultum (perdão do pecado); Indulgere (perdoar). Definem ainda “indulgente” como “que se entrega, inclinado, propenso”. Gosto muito da definição que ouvi na palestra do prof. César Reis: –In dulce (adoçar por dentro).  Se conseguirmos verdadeiramente nos adoçar e nos inclinar ao perdão constantemente, isso se tornará um hábito e não haverá mais nenhum peso a suportar. O perdão sempre nos libertará!

19 respostas para 46-A Força do Grupo

  1. Adão de Araujo disse:

    Oi amigão Inácio. É uma lástima que esse texto não apareça na íntegra, no Espirit.
    Eu já atuei em Casas Espíritas onde havia eleições para diretoria a cada dois anos. Você precisaria ver: era pior que eleições partidárias, para cargos políticos. E as seqüelas das disputas permaneciam até a próxima eleição. E haja obsessão! Uma loucura!
    A Casa onde laboro, hoje, não tem disso não, GRAÇAS Á DEUS!
    Esta frase é marcante, dentre outras: ” Esquecem-se que, se o mundo é um local de doentes em expiações e provas, nossa Casa é um local de aprendizado e reforma”.
    Como eu sou chato, diria que eles não “esquecem-se”; fazem-se de esquecidos. Aí quando a dor aperta, geralmente voltam arrastando-se para a Casa Espírita. Já estou caréca de tanto ver isso. Outro dia postei um texto intitulado ” Mediunidade: o Talento Enterrado?”. de autoria do R. Simonetti, ali essas coisas ficam bem evidenciadas. Todos, sem excessão, assumem compromissos com a madiunidade, antes de reencarnar e, são advertidos das dificuldades que deverão enfrentar (dificuldades perfeitamente superáveis), entretanto, quando surgem as primeiras contrariedades, tratam de dar no pé. Poucos, conseguem cumprir integralmente com os compromissos assumidos. A grande maioria retorna ao Mundo Espiritual em lamentável estado, verificam que perderam a oportunidade de elevação pessoal e toda uma existência.

    Portanto, Inácio, quanto a nós: vigiemos e oremos para não cairmos em tentação.

  2. Dalva disse:

    Inácio querido irmão!
    Maravilhoso trabalho publicaste aqui! Uma mensagem importante, que certamente servirá de farol para clarear caminhos dentro de nossas casas espíritas. Com sua permissão e preservando a sua autoria desejo compartilhar com meus irmãos na “Casa Espírita Mãos Unidas”, a qual frequento na minha cidade de Cruz Alta RS.
    Fraterno Abraço e muita Luz!!!!
    Obrigada…Obrigada….Obrigada….

    • inacioqueiroz disse:

      Olá Dalva,
      Eu que agradeço sua iniciativa em divulgar.
      Mas solicito que o mérito seja dado a Emmanuel, pelas mãos abençoadas de Chico Xavier.
      Eu apenas medito e interpreto com novas palavras as idéias luminosas que compõe a obra Seara dos Médiuns.
      De minha pessoa, nada tenho de novo para oferecer, a não ser o desejo de que estes textos sublimes não fiquem nas prateleiras.
      Um abração e que os irmãos de sua casa tenham todos este carinho pelo trabalho que vc está demonstrando ter.
      Inacio

  3. Marcela disse:

    Muito bom, Inácio!!!
    Só consegui parar para ler agora…. Muito bom! Parabéns!!!

    “Olvidemos os defeitos do próximo, na certeza de que todos nos encontramos sob o malho das horas, na bigorna da experiência.”

    O cimento para a união ideal chama-se “Tolerância”.

    Bjos!

    • inacioqueiroz disse:

      Eu adorei a figura do lobo com a bigorna em cima e a plaquinha de “Ouch!”.
      Coitado desse lobo, só leva ferro. rsrsrs

      Valeu, pessoal. Demorei para responder porque estou em mudança aqui no trab.
      Mas vcs foram 10. Obrigado.

  4. Luana disse:

    Oi Inácio!

    Lembrei-me do “ponto preto na folha branca”… nos detemos nos pontos pretos e não percebemos a imensidade da folha branca (cada cor com uma característica apenas representativa). Enfim, o que verdadeiramente somos em nossa essência ainda está para ser revelado. E a tolerância está até mesmo no reconhecimento daquilo que o outro pode dar. Só podemos ofertar o que já adquirimos. Cada um tem seu próprio tempo… até mesmo para a doação.
    Beijos,
    Luana

    • inacioqueiroz disse:

      Legal isso!
      “A tolerância está até mesmo no reconhecimento daquilo que o outro pode dar”. É verdade.
      Se a gente cria uma expectativa errada, nos decepcionamos, mas não é culpa do outro.
      Foi a nossa pouca habilidade em reconhecer.
      No final, tudo colabora para nosso desenvolvimento.
      Valeu. Beijão …

  5. Ricardo Salles disse:

    Pô Inácio, muito bom esse texto! Realmente o cimento para a união deve ser a tolerância.
    abraços.

  6. claudie (Di) disse:

    Oi. Gostei muito desse texto, desde a primeira vez que o li.
    Para mim, um grupo é a união de vários elementos que, em princípio, se reunem com vistas a um objetivo comum; Sua força está, principalmente, nas suas diferenças. Se forem avaliadas e aproveitadas em nome do bem comum, enriquecem, fortalecem e estimulam o crescimento do grupo. Se o grupo se fortalece, seus elementos também o fazem.
    Entretanto, se as diferenças são fator de separação, então o grupo se divide, e acaba por morrer…
    Se nós conseguirmos calar nosso EGO, que sempre se coloca acima de tudo e todos, podemos aprender a lidar com as diferenças sem ” levar ou causar choques”, uns nos outros…
    Meninas, gostei muito dos comentários. De cada uma.
    Bjos a todos!

    • inacioqueiroz disse:

      E eu gostei muito do seu.
      É muito difícil calar o ego. No início, a idéia é mesmo “tolerar”, carregar o peso de lidar com alguém diferente.
      Esse exercício nos d´s resistência para viver a diferença e aceitar que ora o diferente vai ser horrível, mas ora o diferente fará melhor que a gente.
      Valeu. Beijão …

  7. Shirley disse:

    “O nosso melhor enxerga o melhor do outro.” É fato. O problema é quando não vemos nosso melhor e nos incomodamos com o melhor do outro, e projetamos no outro o nosso pior (que está velado aos nossos olhos). Muito exercício e boa vontade. bjs a todos

  8. Marta Valéria disse:

    Pra mim, esse tópico abaixo resume o sentimento religioso.

    “Sem condenar o paralitico, ela o supre com cadeira de rodas.
    Traz lentes para o míope, sem maldizê-lo.
    Não abandona o deformado, antes lhe traz comodidades.

    Não falta escola para o ignorante, nem hospício para o louco. Sem revoltas, nem destruições.”

    Já li num livro que a indulgência é o ato de “buscar” o que há de melhor no outro. É o aprimoramento do olhar, através do coração. O nosso melhor enxerga o melhor do outro.

    Beijos

    • inacioqueiroz disse:

      Gostei dessa definição de indulgência. Não conhecia.
      Eu também gostei muito dessa idéia de que a vida não condena, mas sempre ampara de algum jeito.
      A gente vê isso o tempo todo, mas não nos tocamos porque julgamos que amparar é uma ação natural para quem precisa.
      Mas não é tão natural assim. Ela faz parte do esforço de se civilizar.
      Quando a gente faz este esforço, agentge se torna arauto do amparo.
      beijos …

  9. Shirley disse:

    Inácio, amigo, este é o melhor de todos os posts que já li neste teu blog. MUITO IMPORTANTE. Estou compartilhando ele no grupo de nossa casa no facebook. “Para chegardes a isso, mister se faz que uma indulgência e uma tolerância recíprocas presidam às vossas relações; que os vossos defeitos passem despercebidos; que somente as vossas qualidades sejam notórias; que o facho da amizade santa vos funda, ilumine e aqueça os corações. Assim resistireis aos ataques impotentes do mal, como o rochedo inabalável à vaga furiosa.” Verdade pura! “…mesmo bem engajado e oferecendo belos resultados, ninguém se faz santo só porque decidiu trabalhar.” Perfeito! Nem vou comentar mais pq o texto todo é muito esclarecedor. Muito obrigada! bjs

    • inacioqueiroz disse:

      Amigos, me perdoem se eu não estou respondendo prontamente os comentários porque estou em processo de mudança aqui no trab.
      Não pensei que esta questão do grupo teria tanta repercussão.
      Realmente, esse texto é diferente dos outros.
      E cai numa questão que mexe muito conosco, porque as brigas acontecem e o grupo fragmenta de forma triste.
      Realmente, é uma meditação muito importante.
      beijão …

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