65-Remuneração

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 65-Obrigação primeiramente)
Reunião pública de 3-9-60
Questão LM no.304.

­Faze da mediunidade o instrumento com que possas desferir, entre as criaturas, o teu hino de amor.” ─ diz-nos Emmanuel.

Mas como devemos entender aqueles que cobram qualquer coisa pela mediunidade?

Vários grupos espiritualistas alegam que a cobrança tem fundamento nos gastos, nos esforços, e/ou no tempo dedicado pelo medianeiro para favorecer os necessitados.

Tem quem cobre dinheiro, quem cobre 1 kg de alimento, quem cobre aplausos, reconhecimento, favores, obediência, velas, etc.

Na verdade, a mediunidade por si só traz em seu bojo uma grande recompensa.
Isso quando bem vivenciada, é claro.

Ao vaidoso, ilumina as sombras que poderiam nublar as belas possibilidades que a vida lhe trouxe.

Ao ambicioso, revela a dor daqueles que se colocavam entre os mais ‘valiosos’  nos salões da Terra e mergulharam abruptamente na névoa da morte.

Mediunidade é talento divino nas tuas mãos e a Divina Bondade nunca se vende.

Na visão de Emmanuel, se nos fosse possível definir Deus, seria lícito repetir que Deus é amor.
Mas, para fugir ao vazio dessa igualdade (vide meditação ‘63-Deus é Amor? ’), Emmanuel define amor como “trabalho do bem por todas as direções”.

Dessa forma, o trabalho é a base dos planos de Deus para que tenhamos um encarne produtivo.

Claro, sempre encontraremos aqueles convites importantes ou tentadores, irrecusáveis ou chorosos, BEM NA HORA do trabalho.

Nada acontece nas horas livres, mas deu a hora do abençoado trabalho, o mundo precisa da gente.

O que fazer? Bom senso!

Lembremos que Jesus pagou sua fidelidade ao Supremo Senhor, prestando serviço à humanidade com gigantesca renúncia.

Pergunto-me: Onde estarei à serviço Dele, pelo bem de todos e renunciando ao meu interesse?
Por vezes será no trabalho. Por vezes será com quem me solicita.

Pregação sem exemplo é cheque sem fundos.

Temos de nos sustentar? Temos.
Temos que cuidar da família? Temos.
Temos que cuidar de nós mesmos? Temos.

Cuidar da mediunidade é, então, uma oferta de nosso coração ao Bem Maior.

Mas sem ilusões de grandeza e angelitude. Não!

O chafariz que encanta alguns poucos olhares, não enxerga a nascente que o alimenta e desconhece os grandes rios e a amplidão dos Oceanos.
Não venhamos a cometer esta mesma ingenuidade.

Coloquemos em prioridade nossa purificação pelo compromisso bem efetuado.

E, depois da obrigação, entrega à mediunidade aquilo que lhe possas doar espontaneamente, sem qualquer tisna de interesse inferior, como sendo a sua cota de esforço puro na obra do bem geral.

Ainda que seja isso bem pouco.
A imensa estalactite é construída gota a gota, apenas perseverando.

Persevera!
Por mais negra a escuridão, fina réstia de luz rompe a força das trevas.

==&==

Leitura da Questão: Livro dos Médiuns (LM)
CAPÍTULO XXVIII
DO CHARLATANISMO E DO EMBUSTE

Médiuns interesseiros

Questão 304. Como tudo pode tornar-se objeto de exploração, nada de surpreendente haveria em que também quisessem explorar os Espíritos. Resta saber como receberiam eles a coisa, dado que tal especulação viesse a ser tentada. Diremos desde logo que nada se prestaria melhor ao charlatanismo e à trapaça do que semelhante ofício. Muito mais numerosos do que os falsos sonâmbulos, que já se conhecem, seriam os falsos médiuns e este simples fato constituiria fundado motivo de desconfiança. O desinteresse, ao contrário, é a mais peremptória resposta que se pode dar aos que nos fenômenos só vêem trampolinices. Não há charlatanismo desinteressado. Qual, pois, o fim que objetivariam os que usassem de embuste sem proveito, sobretudo quando a honorabilidade os colocasse acima de toda suspeita?

Se é de constituir motivo de suspeição o ganho que um médium possa tirar da sua faculdade, jamais essa circunstância constituirá uma prova de que tal suspeição seja fundada. Quem quer, pois, que seja poderia ter real aptidão e agir de muito boa-fé, fazendo-se retribuir. Vejamos se, neste caso, é razoavelmente possível esperar-se algum resultado satisfatório.

*** Curiosidades ***

-Cobrar pela mediunidade nos remete ao tempo em que não havia televisão, rádio e videogames. A diversão era o teatro, saraus, leituras de livros e circenses. Os médiuns dessa época acabavam expostos como curiosidades, levados de cidade em cidade e precisando sobreviver dessas apresentações. Hoje, não tem mais sentido.

-Que direito temos de cobrar por um dom que nos é dado de graça? Pensando assim, a inteligência é também um dom. Na formulação de um mapa astral, por exemplo, muito tempo de estudo e leitura é empregado. Não é justo cobrar? Por outro lado, o sentido da caridade é colocar nossas habilidades a serviço de quem não pode pagar.
Vale o bom senso para cada caso.

-Lembra a diferença entre Espiritualismo e Espiritismo? Tudo que aceita a existência de espíritos é Espiritualismo. O termo Espiritismo foi criado por Kardec para definir o novo entendimento que a codificação trouxe sobre este tema.
É Espírita quem aceita:
-A existência de Deus
-A imortalidade da alma
-A comunicação entre encarnados e desencarnados
-A reencarnação
-A pluralidade dos mundos

6 respostas para 65-Remuneração

  1. claudie (Di) disse:

    É, Inácio, pode não ser caridade na forma “estrita” da palavra, como nós usamos, mas ela (a taróloga) certamente faz mais do que seu dever…Aquilo para o qual foi paga é uma consulta; mas se além da consulta vc procura ajudar o outro, se interessa por seus problemas, faz mais do que se espera…então há doação…há sementinhas de bem, que vão além do pacote que vc comprou…já é um exercício, não acha?? Afinal, quantos médicos nos despacham depois de 15min de consulta, e vc percebe claramente que não representou nada para aquela pessoa??
    Lembra do exemplo do pediatra de Diego?? Dr. Alberto?? Ele ia muito além do que se espera de um médico. Não é uma forma de fazer o bem?? Em alguns casos, um simples sorriso já é uma grande caridade…
    Obrigado tb. Também me fez refletir…Bjos

    • inacioqueiroz disse:

      Oh, bela reflexão!
      De fato, eu lembrei da definição dada por Emmanuel, mas não tinha ainda uma visão clara do que significa “ir além do mero dever”.
      Mesmo porque, apenas relembrando, a definição de caridade é benevolência, indulgência e perdão. Se faço meu trabalho usando dessas posturas, estarei indo além.
      Obrigado! Foi ótima sua intervenção.
      Beijão …

  2. Claudie Lopes disse:

    Acho que aquilo que nos é dado por caridade (para nossa cura e melhora pessoal), deve ser distribuído da mesma forma, por caridade.
    A mediunidade não deve ser meio de subsistência. Em relação a isso vemos o exemplo do Chico, que além das inúmeras horas que doava a serviço da mediunidade, fosse atendendo irmãos necessitados, ou escrevendo livros, ainda dava sua cota de trabalho no serviço público.
    Isso me lembra muito a passagem em que Jesus adverte: “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a mamon.” Não há como misturar as coisas do espírito com as coisas da matéria. Acho que isso seria não dar o devido respeito aquilo que é sagrado. Estranho “botar preço” pra fazer caridade…deixa de ser caridade, e vira serviço…
    A mediunidade é uma Bênção, para nós, espíritos tão endividados, e como tal deve servir de lenitivo às dores do nosso próximo. Não nos é dada para nosso engrandecimento;pelo contrário, através dela, do seu bom uso, devemos aprender o que é caridade e humildade. Chega!! Falei muito!!
    Abração!! rsrsrs

    • inacioqueiroz disse:

      Falou muito não e falou bonito.
      Mas, por exemplo, temos situações de exceção.
      Por exemplo, temos os seminários do Divaldo Franco que são cobrados.
      Por outro lado, ele faz dúzias de palestras gratuitas.
      Paga o seminário quem pode e deseja um pouco mais.

      Um mapa astral, por exemplo, cairia nessa mesma regra?
      A pessoa ofereceria alguma atenção na forma de caridade e cobraria para quem precisasse de uma atenção maior?
      Se bem que, a maioria das pessoas que se dedicam a mapas não possuem a parte da caridade.
      Claro, a importância dessa gratuidade vem do discernimento, no nosso caso, espírita.

      Gostei muito da sua abordagem …
      Abração e obrigado.

      • claudie (Di) disse:

        Uma vez fiz essa pergunta a uma pessoa que jogava tarot…Ela me disse que cobrava, porque para fazer o que fazia teve muito investimento econômico (vários cursos), e tb de tempo. Fazia disso seu sustento, atendendo todos os dias, em horário comercial.
        Nem teria tempo para trabalhar…Essa moça se realizava nesse trabalho, e se via como uma espécie de “terapeuta”, indo além da simples consulta de cartas…
        Bem, quero dizer que os casos são diferentes…Neste caso, a pessoa realmente vê uma consulta ou o mapa astral como trabalho. E ela não recebe “de graça” seus conhecimentos…paga por eles. É diferente, como bem disse, do espírita que não vê sua atividade como função remunerada, e sim como um dever, pois entende que a caridade é sua obrigação.
        No caso do Divaldo, por ex., os seminários e livros que ele vende custeiam toda a estrutura necessária a sua atividade, e principalmente, creio que respondam pelos custos da Mansão do Caminho….
        Bem, mas aí já é achismo…Valeu!!

      • inacioqueiroz disse:

        Pois é, esta terapeuta faz disso um meio de vida.
        Ela não faz caridade, mas vive de algo que gosta.
        Caridade no trabalho, na visão de Emmanuel, é quando a gente vai muito além daquilo que é nosso dever.
        Não é o caso dela. Ela ajuda da mesma forma que um médico remunerado faz.
        O trabalho deles é, por acaso, algo que cria um bem estar, assim como um bom jardineiro também gera bem estar.

        O Divaldo, por exemplo, sustenta a obra de Caridade com o seminário.
        Então ele faz do seminário um trabalho de caridade para a obra assistencial.
        Recolhe de quem tem mais para dar a quem tem muito pouco.
        Deve tirar alimentação, roupa e moradia disso, mas tira ainda estes 3 itens para outras centenas de crianças.
        Ele vai bem além do que o mero dever de sustento para com ele mesmo. Portanto é caridade.
        Bem sutil isso, não ?
        Valeu … isso me ajudou a entender um pouco melhor.
        Beijão …

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