69-Vamos Treinar !

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 69-Atualidade espírita)
Reunião pública de 19-9-60
Questão LM Dissertação I do Cap. 31.

Se hoje alguém bater no meu rosto, eu “quebro” o sujeito. — assim afirmava a pergunta dirigida ao médium Divaldo Franco. — Como poderei então cumprir a orientação do Cristo oferecendo a outra face?

Condicionamento!— respondeu Divaldo.
E lembrou-nos que todo ser vivo dispõe de reações condicionadas, conforme pesquisado pelo fisiologista russo Ivan Pavlov (Prêmio Nobel de Medicina em 1904).

Pavlov

Algumas reações foram treinadas e construídas ao longo desta vida.
Outras, porém, apenas a tese da reencarnação pode explicar.

Somos todos herdeiros de nós mesmos.
Nossas reações refletem as milhares de vezes ou que nos freamos e exercitamos o correto; ou que demos margem ao descalabro.

A cada trecho, surpreendemos os que falam em Cristo, negando-lhe testemunho.” — pondera Emmanuel.

Claro que nossa razão sempre busca nos justificar, mesmo quando sabemos que não estávamos agindo corretamente:
—Falei daquele jeito porque tinha toda razão! Disse alguma mentira?
—Não empresto porque ninguém devolve e meu dinheiro não é capim!
—Não é ciúme. Estou tomando conta do que é meu!
—Não levo desaforo para casa!
—Ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão.

Após o contato com o Evangelho, estas e outras afirmações viram grandes conflitos dentro do trabalhador sincero e com boa vontade.

—Eu sempre fui assim! Como irei mudar agora, Senhor?

Alguns abandonam o esforço e voltam a ser quem sempre foram.
Seguem pela porta larga e fácil.
Outros abaixam a cabeça e silenciam envergonhados.
Mas não sabem como mudar. Estão paralisados.

O trabalhador orientado busca se perdoar.
Compreende que não conseguirá mudar seu comportamento num estalar de dedos.
Então, reconhece o erro, pede perdão a todos, conserta tudo o melhor que puder e afirma para si mesmo que amanhã fará melhor!
E vamos treinar uma nova reação!

No passado ele espancava e duelava; ontem ele discutia nervosamente; hoje ele silencia em desequilíbrio; amanhã ele abençoará e compreenderá de coração a miséria alheia.

Isso a custo de MUUUITO treinamento, meditação e trabalho no bem e nos exemplos de Jesus. Na Casa religiosa inicialmente; em todas as horas e lugares por continuidade e por várias encarnações.

Jesus é nosso modelo de como nos tornar um ser humano melhor.
Como o discípulo perante o Mestre, não basta que acreditemos em suas palavras.

Precisamos copiar suas posturas, treinar suas reações, entender nossas diferenças e exercitar a igualdade.

Em toda parte, é necessário que sejamos o exemplo do ensino que pregamos, porque, se o Evangelho é a revelação pela qual o Cristo nos entregou mais amplo conhecimento de Deus, a Doutrina Espírita é a revelação pela qual o mundo espera mais amplo conhecimento do Cristo, em nós e por nós.
(Emmanuel)

==&==

Leitura da Questão: Livro dos Médiuns (LM)
CAPÍTULO XXXI
DISSERTAÇÕES ESPÍRITAS

Reunimos neste capítulo alguns ditados espontâneos, que completam e confirmam os princípios exarados nesta obra. Poderíamos inseri-los em muito maior número; limitamo-nos, porém, aos que, de modo mais particular, dizem respeito ao porvir do Espiritismo, aos médiuns e às reuniões. Damo-los também como instrução e como tipos das comunicações verdadeiramente sérias. Encerramos o capítulo com algumas comunicações apócrifas, seguidas de notas apropriadas a torná-las reconhecíveis.

Acerca do Espiritismo

I

Confiai na bondade de Deus e sede bastante clarividentes para perceberdes os preparativos da nova vida que ele vos destina.

Não vos será dado, é certo, gozá-la nesta existência; porém, não sereis ditosos, se não tomardes a viver neste globo, por poderdes considerar do alto que a obra, que houverdes começado, se desenvolve sob as vossas vistas?

Couraçai-vos de fé firme e inabalável contra os obstáculos que, ao que parece, hão de levantar-se contra o edifício cujos fundamentos pondes. São sólidas as bases em que ele assenta: a primeira pedra colocou-a o Cristo. Coragem, pois, arquitetos do divino Mestre! Trabalhai construi! Deus vos coroará a obra.

Mas, lembrai-vos bem de que o Cristo renega, como seu discípulo, todo aquele que só nos lábios tem a caridade.

Não basta crer; é preciso, sobretudo, dar exemplos de bondade, de tolerância e de desinteresse, sem o que estéril será a vossa fé.

Santo Agostinho.

*** Curiosidades ***

-Leon Denis, buscando entender a chamada “hipocrisia nos centros espíritas”, nos explica que aprendemos e debatemos sobre o Evangelho, que são conceitos morais de altíssimo nível, condicionados ainda nas reações do passado sombrio da humanidade. Somos ainda semi-medievais. Claro, o discurso não vai corresponder a ação por loooongo tempo. Mas precisamos persistir!

-Devo ensinar mesmo aquilo que não pratico? Meu parecer é que sempre devemos levar a verdade para todos. E se é verdade que eu ainda não consigo fazer daquela forma, devo ensinar a verdade e, sendo sincero, incluir esta informação no meu discurso.
Pode não ser algo fácil para quem fala, mas pode ser a luz que faltava para quem ouve!

-Quando um condicionamento se torna profundo, a pessoa literalmente passa mal se não segui-lo. Isso explica porque algumas pessoas passam mal se levar um desaforo para casa, se jogar lixo no chão ou se aceitar fazer algo errado.
Nosso objetivo? Estar tão treinados no bem que passemos mal se fizermos diferente!

-“Compreender de coração a miséria alheia”míser.cordis – misericórdia.

-Apesar da figura de Jesus sorrindo ser muito legal, os Nazarenos não sorriam.
Mas existe uma discussão se Jesus era Nazareno apenas por ser de Nazaré ou por ser da ordem Nazireu. Mais de 1 preceito da ordem ele não cumpriu no Evangelho.

-Torres Pastorino nos explica que “dar a outra face” tinha um sentido diferente no tempo de Jesus. Entre os judeus daquela época, alguém poderia cobrar uma dívida não paga dando uma surra no devedor, mas não poderia bater-lhe na face. “Dar a outra face” é abdicar desse direito e dar combate ao nosso orgulho.

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7 respostas para 69-Vamos Treinar !

  1. vera regina lembo disse:

    Obrigada por trazer reflexão tão importante. Penso que preocupar-se com nossas próprias limitações, já é tarefa árdua, que requer atenção e sintonia intewrior constante… quanto mais ficar fiscalizando os outros! Quando algo no outro nos afeta, penso, é porque também temos aquele traço em nós, e essa unha encravada em nós ainda não doeu. Como é bom refletir sobre nossa querida doutrna! Obrigada mais uma vez.

    • inacioqueiroz disse:

      Muito legal sua atenção, Vera.
      O grande escritor Stephan Zweig escreveu uma vez: só conseguimos compreender as idéias que já alvoreceram no horizonte do nosso entendimento.
      Ou seja, podemos repetir estas idéias no meio de uma multidão.
      Só compreenderão aqueles que estiverem “despertos” para certas verdades.

      Abração e obrigado pelo comentário.
      Inacio

  2. claudie (Di) disse:

    Sim…pensei tb que devia me preocupar mais com as minhas próprias dificuldades (que já bastam para uma vida!), do que com as dos outros…mas foquei pelo aspecto do que consideramos hipocrisia nos centros espíritas…porque muitas vezes, quem está observando os defeitos do outro, tb não consegue ver o esforço sincero da parte deste…daí o julgamento…
    Mas este outro aspecto, de que a gente só mexe no problema quando ele começa a NOS incomodar, é bem interessante! De repente, aquilo que me incomoda no outro, ainda não o incomoda a ponto de mobilizá-lo…ou então tem outras unhas, que incomodam mais…Ótima sacação! Então, eu tenho que me trabalhar duplamente…primeiro pra tentar melhorar os MEUS defeitos; segundo, pra procurar entender porque o defeito do outro me incomoda tanto…porque ele me afeta…
    Valeu!! Bjo!

  3. claudie (Di) disse:

    A propósito:
    REFORMA INTIMA

    Reformar-se intimamente é um processo que se realiza de forma lenta, pela aquisição de recursos espirituais através da prática do amor fraterno, da prece, da meditação e da realização de boas obras.
    Em geral, surge por um despertar de consciência da pessoa, que vai alargando o campo de entendimento de seu universo espiritual.
    A história do criatianismo mostra que a reforma intima pode ocorrer de maneira instântanea, como ocorreu com Saulo de Tarso na estrada de Damasco.
    Sua transformação foi radical a ponto de dizer mais tarde: “e vivo, não mais eu, mas o Cristo vive em mim”.
    O mesmo aconteceu com Maria de Magdala, que vivia atormentada por uma legião de obsessores e, ao se encontrar com Jesus, ficou curada, tornando-se uma das mais belas almas seguidoras do sábio Rabi da Galiléia.

    [O Reformador]

    Achei pertinente…Bjos

  4. claudie (Di) disse:

    Eu concordo, Inácio, com a questãop do condicionamento. Entretanto, o que me incomoda, é ver muitas pessoas se desculpando por não tentarem se condicionar em determinados aspectos, e deixando o “treino” só para aqueles que exigem menos esforço.
    Será que este caminho é realmente sincero?? Ou é apenas uma máscara pra dizer: Pois é, tõ tentando…(numa explicação para o mundo, mas sem realmente tocar nos pontos nevrálgicos)…
    Acredito que a ideia da hipocrisia nos centros espíritas tb possa derivar de comportamentos desse tipo. Penso que, se o conhecimento é dado, a responsabilidade deve ser relativa à ele. “A quem mais é dado, mais é cobrado…”
    Quero dizer, se eu sei pintar uma parede inteira, estou desperdiçando meus dons ao pintar apenas o rodapé, pq é mais fácil…Acho que muitas vezes usamos a desculpa de que não dá para resolver tudo em uma só encarnação…(e me incluo nessa), e esquecemos que o tempo de uma vida deve ser aproveitado da melhor maneira possível…Tem uma frase que diz mais ou menos que o que mais angustia um espírito, é a consciência do tempo perdido…

    • inacioqueiroz disse:

      Oi Di,
      Eu concordo contigo que nos angustia ver que há pessoas que parecem apenas simular o esforço pessoal.
      Mas eu tenho uma lição que aprendi de forma inusitada: a minha unha encravada.

      Voce sabe que ela encrava de sangrar. Vc chamava até de tortura quando arrancava e sangrava.
      Doia muito, a ponto de eu passar xilocaina antes de arrancar.
      Mas era arrancar ou ficar doendo o dia todo dentro do sapato.

      Eu sempre preferi arrancar pessoalmente. Por que?
      Porque, se doesse de forma insuportável, eu parava tudo respirava e tentava mais um pouco depois.
      Já acontceu de eu vir trabalhar com a unha partida e sangrado dentro do sapato, mas sem mexer mais.

      Isso é uma grande lição pra mim porque não sabemos o quanto uma pessoa suporta mexer naquilo que está encravado.
      As vezes é melhor pra pessoa deixar quieto, acomodar, deixar para mexer mais tarde.
      Pode ser porque a pessoa não despertou para a necessidade (se minha unha não doia, mesmo encravada, eu não mexia).
      Pode ser porque dói insuportavelemente.
      E a gente não está na pele dela para saber o quanto dói e o quanto a pessoa aguenta.

      Lembra da subida do Parque da Cidade que vc se recusava ir a pé?
      Para mim, é um passeio agradável. Para vc, é ficar sem ar.

      Então, hoje, quando me pego incomodado com o que os outros não fazem,
      lembro que as orientações são sempre para avaliação e crescimento meu.

      Não julgar os outros, nunca. Exigente para comigo, misericordiosa para com todos.
      Beijão e obrigado por refletir sinceramente na mensagem.
      Vc é 10.

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