70-Na Dúvida

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 70-Mediunidade e dúvida)
Reunião pública de 23-9-60
Questão LM no.214.

Divaldo Franco nos conta que, ao terminar de psicografar um livro da série psicológica de Joanna de Angelis (creio que foi “O Homem Integral”), pediu para um amigo psicólogo fazer a leitura e verificar se tinha alguma incoerência.
Afinal, ele nada entendia daquele assunto.

Vejo esta insegurança se repetir em diversos trabalhadores e amigos.

Inclusive para mim, os minutos antes de começar o trabalho mediúnico são sempre os mais difíceis. A dúvida me assalta e o medo de não conseguir manter-me coerente com a verdade e com o real torna-se doloroso.

É errado?
Não, é sinal que sou responsável e não quero resvalar na ilusão e no erro.

Mas, apesar de saudável, para muitos este medo é motivo para simplesmente “nunca fazer”.

Quando a sombra da dúvida se interponha entre o campo de ação e a sua faculdade medianímica, contempla o necessitado que te espera o serviço.” – diz Emmanuel.

Pois é, como fica quem precisa do nosso pequeno socorro?

O doente que já correu uma série de médicos, não sabe mais o que fazer e deseja um passe.
O chagado que procura qualquer orientação ou tratamento para a ferida que não cicatriza.
O alienado que busca uma prece e alguma atenção amiga de quem queira falar-lhe de esperança.
O desesperado, oprimido pelo pensamento no crime ou no suicídio, que deseja perceber a presença do Amor Divino indicando outros caminhos.
O parente aflito, pai, mãe ou cônjuge, que pede o auxílio fraterno para o coração querido que sofre enredado na obsessão.
O desenganado que recebe o alívio da oração no desespero do desenlace para a viagem da morte.

Se trouxesses a dor contigo, não vacilarias em acreditar que o próximo tem a obrigação de estender-te consolo e enfermagem, compreensão e remédio.

Quando temos tempo para verificar uma informação trazida pela espiritualidade, ótimo!
Vamos verificar sim.
Mas quanto tempo dispomos quando o irmão sofredor estiver diante de nós?
Quase nenhum. E a negativa pode ser um pretexto racional para nossa preguiça.

Quem despende o mais mínimo esforço no bem, recebe todo apoio do Bem Eterno, assim como a tomada humilde e fiel recolhe da usina toda a força de que se mostre capaz.” – arremata Emmanuel.

Afinal, se pensarmos no exemplo de Jesus, como teria sido o Evangelho se ele tivesse duvidado da Vontade Divina?

==&==

Leitura da Questão: Livro dos Médiuns (LM)
CAPÍTULO XVII
DA FORMAÇÃO DOS MÉDIUNS

Desenvolvimento da mediunidade

214. Tudo o que acabamos de dizer se aplica à escrita mecânica. E a que todos os médiuns procuram, com razão, conseguir. Porém, raríssimo é o mecanismo puro; a ele se acha freqüentemente associada, mais ou menos, a intuição. Tendo consciência do que escreve, o médium é naturalmente levado a duvidar da sua faculdade; não sabe se o que lhe sai do lápis vem do seu próprio, ou de outro Espírito. Não tem absolutamente que se preocupar com isso e, nada obstante, deve prosseguir. Se se observar a si mesmo com atenção, facilmente descobrirá no que escreve uma porção de coisas que lhe não passavam pela mente e que até são contrárias às suas idéias, prova evidente de que tais coisas não provêm do seu Espírito. Continue, portanto, e, com a experiência, a dúvida se dissipará.

*** Curiosidades ***

-O médium Celso de Almeida Afonso, no livro “Por Trás do Véu de Isis” (Marcel Souto Maior), nos conta como Chico Xavier foi decisivo para vencer suas dúvidas sobre a veracidade das psicografias:
— Pensei que você fosse mais humilde, Celso. Tem medo de ser julgado? — disse-lhe Chico Xavier, nos ensinando como nosso medo é também reflexo de nossa vaidade.

-E Chico Xavier nos diz ainda:
— Quando apontarem o dedo para você e disserem que você é um santo, você saberá que não é. Quando disserem que você é um impostor, você também saberá que não é
.
Quanta saudade do nosso mestre mineiro !!

-A dúvida é nossa amiga. Ela nos ajuda a avaliar o quanto correta está uma orientação, um procedimento, etc. Mas, assim como a febre que acelera nossas defesas e extermina doenças suscetíveis ao calor, ambas precisam ficar sob controle para não passar de certo limite e tornarem-se prejudiciais. A febre pode trazer convulsões. A dúvida pode trazer paralisia.

-Por fim, Chico nos conta que uma assistida tinha passado o dia inteiro tentando conversar com ele. Foi na casa dele e não conseguiu; foi no trabalho dele e não conseguiu; esperou horas no Centro Espírita e, quando finalmente o encontrou, tacou-lhe bofetadas no rosto, obrigou-lhe a dar um passe aos berros e desatou a chorar.
Chico desequilibrou, e, socorrido por Emmanuel, pediu desculpas para ela e a acalmou.
Após atendê-la, Chico perguntou a Emmanuel: Não estava correto o que fiz?
Emmanuel responde: —Você está com a razão, mas ela está com a necessidade.

4 respostas para 70-Na Dúvida

  1. Claudie Lopes disse:

    Em relação ao lado da urgência e da prudência, ratifico meu comentário: “Portanto, na dúvida, acho que o passo mais importante é a tranquilidade para avaliar a questão. Minhas ações trarão benefícios?? Prejuízos??!
    Quanto ao ensinamento de Jesus…é verdade…alterei um pouco o contexto…mas deve fazer parte da minha essência da minha formação em Direito: adequar as leis segundo as necessidades…rsrsrs
    Mas o bom senso(tranquilidade) é tudo!! E na medida que for me trabalhando e me conhecendo melhor, aprimoro meu desenvolvimento emocional, e as dúvidas naturalmente vão cessando…(ou se transformando)
    Bjão! 🙂

  2. claudie (Di) disse:

    Interessante a abordagem…A meu ver, no entanto, a dúvida que paralisa é sinônimo de falta de amadurecimento emocional. Ou seja, ainda não sei lidar com minhas emoções a respeito de algo…Por outro lado, a dúvida é etapa natural do processo de aprendizado. Enquanto estou no campo das experi^ncias, erros/acertos, a dúvida é companheira frequente. Quanto já tenho algo aprendido, e tb tenho a maturidade emocional compatível, quase não aparecem dúvidas (acho que certeza 100% é difícil). Por ex.: Sabe uma amiga minha, que trabalha comigo e que é uma mãezona?? Pois é. Ela já tem o conteúdo (o aprendizado já foi experenciado muuuuitas vzs, e ela sabe quais os prováveis resultados), mas não tem o controle emocional para não ser assaltada pela dúvida…Donde podemos tb concluir, que isso não depende tb apenas da experiência de uma longa vida…
    Lidarmos com nosso lado emocional, acaba sendo o maior desafio em todos os campos.
    O fato de não se ter dúvidas, tb não é garantia de estar no caminho certo…Hoje já tenho certeza de algumas coisas, sei como agir, e o que esperar das minhas ações…mas isso tb não significa que o tempo e o “alargamento” da minha visão não venham trazer dúvidas que me obriguem a reconstruir minhas certezas…Isso faz parte do crescimento. Estamos em CONSTANTE crescimento e aprendizado…
    Por fim, mais específicamente ligado à prática mediúnica, novamente vejo que a dúvida faz parte do aprendizado e da maturidade emocional. Mas já vi muitas vzs a ânsia em ajudar, desprezar dúvidas ditadas pelo prudência…e, muitas vezes, a emenda sai pior que o soneto. Portanto, na dúvida, acho que o passo mais importante é a tranquilidade para avaliar a questão. Minhas ações trarão benefícios?? Prejuízos??
    Aprender a exercitar a própria fé é indispensável, e a dúvida tb faz parte desse processo…Eu ainda tenho trocentas dúvidas em relação ao exercício da minha mediunidade, mas a fé que venho aprendendo/conquistando, tem me diminuído em muito minhas ansiedades e ajudado a lidar com minhas dúvidas…Pode ser que deixar de fazer algo, ainda que haja um necessitado, em caso de dúvida ainda seja menos prejudicial do que agir inevitavelmente…Pode ser uma importante lição para nós, e se acreditamos na misericórdia divina, sabemos que o necessitado será socorrido, na medida de seu merecimento…
    “Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem fazem provimentos nos celeiros; e, contudo, vosso Pai celestial as sustenta.” Temos que aprender que a Divina Providência pode se utilizar de nós para um socorro, mas ele acabará acontecendo, pois o Pai nunca deixa de prover aos seus filhos…
    Ótimo texto para refletir…Bjos!

    • inacioqueiroz disse:

      Oi Di,
      Foi um comentário caprichado. Valeu.
      Concordo contigo, a paralisia sinaliza uma imaturidade emocional com certo assunto.
      E o caso da mãezona mostra bem isso.

      Não ter dúvidas não é garantia de caminho certo. Concordo.
      Com o tempo, aprendemos coisas novas e precisamos nos reavaliar.

      deixar de fazer algo, ainda que haja um necessitado, em caso de dúvida ainda seja menos prejudicial do que agir inevitavelmente
      Esta frase precisa de maior meditação.
      Tem o lado da prudência: se é um acidente e eu não sou socorrista, melhor não agir sem saber.
      Tem o lado da urgência: se eu estou vendo um sangramento imenso e só tem eu ali, a minha omissão é errada, concorda?
      O texto trata o lado da preguiça disfarçada em prudência.
      “Não vou fazer nada porque Deus vai cuidar da pessoa. Já bastam meus probs. Vai que a pessoa morre na minha mão?”

      O ensinamento “Olhai para as aves do céu…” Jesus passou para que a gente não se preocupe com nosso futuro, com nossa provisão.
      O Pai sempre sustentará aquele que tem boa vontade. Buscai antes o Reino dos Céus.
      Ou seja, vc alterou um pouco o contexto do ensinamento (rsrsrs).
      Por outro lado, Jesus fala ainda: digo que toda vez que não fizeste por um destes pequeninos, não fizestes por mim.

      Deve haver outros cenários diferentes para esta frase em destaque. Ela precisa ser digerida.

      Adorei seu comentário. Excelente.
      Beijão …

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