71-Proveito

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 71-Inspiração)
Reunião pública de 26-9-60
Questão LM no.218.

Conta uma estória que um obreiro evangélico questionava ao diácono se Deus ainda falava com os homens, assim como havia falado aos Patriarcas hebreus.

─Deus ainda fala aos homens, meu filho, mas usa hoje as vozes do Espírito Santo.

Era noite e o obreiro partiu para casa cheio de dúvidas.
No caminho, parou o carro num cruzamento e sentiu intensa vontade de comprar leite.

─Não custa prevenir ─ pensou ele.

E comprou o leite.

Na terceira esquina, sentiu uma vontade intensa de virar para esquerda, como se uma voz lhe mandasse sair do seu caminho habitual.
Não obedeceu e seguiu em frente, mas a vontade não calava.
Acabou voltando e entrou na tal rua que era sem saída.

Parou bem no final, sem saber onde mais ir.
Ouviu um forte choro de criança.
E soube imediatamente que o leite era para aquela casa.

Quando tocou a campainha, ensaiou explicar a estranha situação.

Mas uma mãe em lágrimas viu o leite em suas mãos, gritou “Graças a Deus” e correu para dentro com o valioso líquido.

Um pai surpreso veio na porta e perguntou:

─Você é algum anjo do Céu? Nosso dinheiro acabou e hoje não tínhamos mais o leite do bebê. ─ explicou ele. ─Restou apenas orar por um milagre.

─Irmão, não sou nenhum anjo. Mas o Espírito Santo nunca nos abandona.

E partiu sorrindo.

***

Em qualquer consideração sobre a mediunidade, não te esquives à inspiração, campo aberto a todos nós e no qual TODOS podemos construir para o bem, assimilando o pensamento da Esfera Superior.

Mas, adverte Emmanuel: precisa haver proveito no fenômeno.

Se conseguimos ver entre cegos, precisamos auxiliar aos que não veem.

Se estamos entre surdos ou mudos e temos o dom da fala ou audição, é nosso compromisso educar e facilitar os que vivem a limitação.

Entre paralíticos ou alienados, usemos nossa mobilidade e nosso raciocínio para renovar as forças e ampliar fronteiras de quem está na provação.

Se pensarmos bem, um número mínimo de trabalhadores são mediunicamente notáveis.
Na maioria, a boa vontade é o grande propulsor de belíssimas realizações.
Logo, não nos digamos incapazes.

Recurso psíquico, sem função no bem, é igual inteligência isolada ou ao dinheiro morto, excelentes aglutinadores da vaidade e da sovinice.

Pelo pensamento, podemos sintonizar os diversos planos de existência. Busquemos então, sempre, a devida inspiração para nosso trabalho no bem.

Afinal, do que vale uma grande habilidade que nunca beneficia ninguém? Quase tanto quanto uma linda biblioteca que nunca educará ninguém.

 ==&==

Leitura da Questão: Livro dos Médiuns (LM)
CAPÍTULO XVII
DA FORMAÇÃO DOS MÉDIUNS

Desenvolvimento da mediunidade

218. Se, apesar de todas as tentativas, a mediunidade não se revelar de modo algum, deverá o aspirante renunciar a ser médium, como renuncia ao canto quem reconhece não ter voz. Do mesmo modo que aquele que ignora uma língua se vale de um tradutor, o recurso para o dito aspirante será servir-se de outro médium. Mas, se não puder, à falta de médiuns, recorrer a nenhum, nem por isso deverá considerar-se privado da assistência dos Espíritos. Para estes, a mediunidade constitui um meio de se exprimirem, porém, não um meio exclusivo de serem atraidos. Os que nos consagram afeição se acham ao nosso lado, sejamos ou não médiuns. Um pai não abandona um filho porque, surdo e cego, não o pode ouvir nem ver; cerca-o, ao contrário, de toda a solicitude. O mesmo fazem conosco os bons Espíritos. Se não podem transmitir-nos materialmente seus pensamentos, auxiliam-nos por meio da inspiração.

*** Curiosidades ***

-Os especialista falam que, ao longo de nosso desenvolvimento espiritual, será cada vez menos necessário que as comunicações sejam mecânicas, com alguém movendo nosso braço, e cada vez mais uma transmissão de pensamentos.
Pensando bem, assim como deixamos as cestinhas com lápis para usar a mão na psicografia, um dia deixaremos a dependência mecânica para usar o contato por pensamentos. Chegaremos lá!

-Inspiração é diferente de intuição? Os estudiosos dizem que sim.
>>> Em http://aeradoespirito.sites.uol.com.br temos:
Médium inspirado: “recebe pelo pensamento, comunicações estranhas às suas idéias pré-concebidas” (3) existindo, pois, a aceitação do pensamento espontâneo sugerido pelos Espíritos; a diferença entre esta e a intuição, “(…) é que a intervenção da força oculta (na inspiração), é mais difícil de se distinguir o pensamento próprio do que lhe é sugerido”. (3)
(3 – Livo dos Médiuns)
>>> Em http://www.ceismael.com.br temos ainda:
No  estudo da psicografia, Kardec usa os termos médium intuitivo  e médium  inspirado.  O médium  intuitivo escreve e percebe que as idéias são do Espírito comunicante e com o médium inspirado isto não ocorre. Afirma, ainda, que o segundo é um caso especial do primeiro.(…)
>>> E Leon Denis apimenta a discussão declarando que temos ainda a “intuição anímica“. Seria nosso contato com nossas vivências passadas, “a revelação da consciência profunda à consciência normal.Quem quiser entender, divirta-se!

A inspiração / intuição é patrimônio de todas as correntes de pensamento humano, não somente do Espiritismo. Os evangélicos chamam de Espírito Santo. Os gregos e romanos consultavam as pitonisas e oráculos. Os hindus ouvem os Devas. Beethoven alegava ouvir a música dos anjos. Einstein falava da necessidade de esquecer tudo que havia estudado e abrir a mente. Qual o mérito do Espiritismo então? A Codificação retirou a mediunidade do campo do sobrenatural e mostrou que é tão natural quanto os outros sentidos do corpo.

Quem assitiu o filme Nosso Lar com atenção, reparou que a sala do Governador de Nosso Lar está decorada com o símbolo de todas as religiões. Claro, a religião dos espíritos superiores sempre irá reunir as pessoas e nunca dividi-las. Afinal, mediunidade não é propriedade de nenhuma religião.

-O obreiro do texto acima teve uma Inspiração ou Intuição ? A-ha ! Aceito comentários.

-Depois de muito debate na rede social Espirit Book, surgiu a seguinte definição:
intuição têm duas vertentes: idéias advindas do nosso patrimônio secular inconsciente e idéias que nos são comunicadas por espíritos livres.
“Nos 2 casos, precisamos usar o nosso conteúdo para transmitir a idéia. Por isso é necessário estudar. Por isso que é considerado um processo anímico.
“Quando recebemos uma idéia comunicada e não percebemos a atuação do espírito livre, chamamos isso de inspiração.”

9 respostas para 71-Proveito

  1. gilson alves correa disse:

    uma grande inspiraçao inacio sua tamben ao colocar este texto porque quantas vezes ja nao tivemos , e deixamos passar a oportunidade de ajudar uma ou mais pessoas por nao darmos atençao a estas inspiraçoes abrços fraternos amigo

    • inacioqueiroz disse:

      Uma inspiração muito orientada por bons amigos espirituais, Gilson.
      É quase mecânica a coisa comigo, tal a minha dificuldade interior!!
      E olha que estou acima do peso. (rsrsrsrs)

      Vc disse uma grande verdade: não podemos perder as oportunidades de ajudar, de fazer a diferença na situação e contexto onde estivermos.

      Obrigado pelo belo comentário e um abração,
      Inacio

  2. claudie (Di) disse:

    Esta foi uma das melhores frases do texto: “Na maioria, a boa vontade é o grande propulsor de belíssimas realizações.”

    Me lembro de uma vez em que estava numa 3ª de tarde trabalhando com o Cayce, e ele estava atendendo um senhor. Daí me chamou de repente (era mestre nisso), e me pediu para dizer o que estava vendo. Levei um susto, pois estava distraída e realmente estava vendo uma senhora em pé ao lado da maca (espírito). E ele me mandou dizer o que estava vendo. Bom, daí eu pensei: Como ele percebeu que eu estava vendo alguma coisa?? E enquanto comecei a racionalizar, comecei a “ouvir” os pensamentos da senhora e comecei a achar que era mãe dele. E, claro, achei que tava viajando. Mais, não via propósito em dizer para ele aquilo que ela falava. Mas…claro que o Cayce insistiu! E, com certo jeito, disse pro senhor que estava deitado que estava vendo uma senhora (dei a descrição), e que ela parecia estar triste/preocupada com algumas coisas…Enfim, pedi desculpas, se aquilo não fizesse sentido para ele, só estava dizendo o que estava vendo. E ele começou a chorar dizendo que era a mãe dele, e que ele estava passando por problemas de saúde que estavam ligados ao que eu (ela) estava dizendo. Depois que ele foi embora, o Cayce veio me dizer que já sabia o problema dele, mas que pediu que eu falasse como “ensinamento” para o homem e para mim. E disse que eu devia ter mais fé e firmeza, pois a espiritualidade investe em quem está sériamente imbuído da boa vontade em ajudar…Não preciso dizer o QUANTO fiquei bolada…rsrsrs…Bjão!

    E acho que vc lembra daquela vez em que fomos fazer uma compra de mercado e levar na casa de uma moça que frequentava o CEU e que tinha tido filho recentemente…Nem sabíamos onde ela morava direito. E quando chegamos, ela nos recebeu com lágrimas, dizendo que só tinha um hamburguer e um pouco de arroz, que ela ia fazer para o filho mais velho, e que ela ficaria sem comer (e estava amamentando). Lembra?? Inspiração!! Que fica nos soprando a ideia de fazer algo (não necessáriamente bom)…Ufa!! Valeu!!!!! 🙂

    • inacioqueiroz disse:

      Essa sua história com o Cayce é muito legal.
      Sabe que a continuidade disso é vc ficar com essa dupla visão quase que de forma permanente, não sabe?
      Vc gostaria? Complicado … e muito legal.

      Mas é bacana observar que ó papel dos médiuns notáveis é estimular e consolidar a fé daqueles que só dispõe de boa vontade.
      Chico realiza muito num parâmetro individualista.
      Mas realiza quase nada se somarmos toda a massa de trabalhadores que contam apenas com boa vontade.

      É esta grande massa que os espíritos buscam colocar em movimento para o bem.

      Lembrei sim desse episódio da compra. Mas não lembrava mais da imensa carência dela.
      Excelente lembrança.
      Vale. Bjão …

  3. claudie (Di) disse:

    Em primeiro lugar: Lindo texto. Fiquei emocionada!!
    Segundo:Já abordei essa questão no EB – dê uma olhada.
    http://www.espiritbook.com.br/forum/topics/inspira-o-e-intui-o-voc-j-teve

    A ideia de mudar o itinerário e comprar o leite não mostra um conhecimento “pré-adquirido”, não era anímico; ele foi, portanto, inspirado. A ideia foi “soprada” p/ ele (esta a essência da inspiração).
    Bjão!

    • inacioqueiroz disse:

      Oi Di,
      Eu fiz uma postagem no EB sobre esta questão Intuição x Inspiração.
      Acho que vc está apoiada em 1 conceito só e ninguém enriqueceu o debate com os outros conceitos.
      Por isso que nossas abordagens estão conflitantes.

      Bjão …

      • claudie (Di) disse:

        Não, querido, acho que abordei 3 conceitos diferentes…
        Talvez vc não tenha visto.
        Bjos…

  4. thais disse:

    O OBREIRO TEVE PROFUNDA INSPIRAÇÂO., E MESMO HESITANTE A PRINCIPIO, TEVE O PRAZER DE PERCEBER O QUANTO FOI BENÈFICA E GRATIFICANTE SUA EXPERIÊNCIA. A RESPOSTA ALMEJADA VEIO DA MELHOR FORMA. ÒTIMO TEXTO. PARABENS!

    • inacioqueiroz disse:

      Que lindo !!!
      Não é que vc comentou mesmo !!
      Obrigado, obrigado, obrigado !!!

      Este ponto que vc chamou atenção é importante.
      O uso da nossa mediunidade para o bem traz um prazer ao final e/ou ao longo do processo.
      Sempre sinto isso ao final de um dia de trabalho no CEU (meu grupo).
      Termino com uma felicidade que não cabe em mim.
      Isso me renova para o próximo dia.

      Concordo contigo que foi uma inspiração, porque ele só percebeu que não era algo dele ao final de tudo.
      Isso caracteriza uma inspiração, uma vez que, na intuição, o medium sabe que aquele pensamento não é dele o tempo todo.

      Beijão … obriga-duuu!
      Inacio

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