73-Estudo ou Caridade?

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 73-Aliança espírita)
Reunião pública de 7-10-60
Questão LM no.334.

Estudo ou Caridade:
qual o mais importante?

Essa questão ameaçou a existência do movimento espírita brasileiro.

Em seus primórdios, nas últimas décadas do século 19, os bandeirantes do Espiritismo no Brasil não se entendiam.

Como orientar a sublime atividade codificada por Kardec, que desencarnara em 1869 deixando algo confuso seus seguidores?

Era ciência? Era filosofia?
Ou era religião?
Sendo ciência ou filosofia, grande ânimo seria dado ao estudo.
Sendo religião, não teria como deixar de primar pela caridade.

E os grupos não só discordavam, mas se enfrentavam em longas retóricas, conservando na nova roupagem espiritista as velhas animosidades do coração.

Ismael, espírito escolhido diretamente por Jesus para os cuidados do Evangelho nas terras do Cruzeiro, antecipou-se em enviar um missionário ímpar, único capaz de superar as dissensões e unir os esforços de todos os seareirosBezerra de Menezes.

Ambos cientes da orientação de Jesus:
“… E como as atividades humanas constituem, em todos os tempos, um oceano de inquietudes, a caridade pura deverá ser a âncora da tua obra, ligada para sempre ao fundo dos corações, no mar imenso das instabilidades humanas. A caridade valerá mais que todas as ciências e filosofias, no transcurso das eras, e será com ela que conseguirás consolidar a tua Casa e a tua obra.” (1)

Assim, em 1889, Bezerra de Menezes assume a Presidência da Federação Espírita Brasileira. E logo institui não só o estudo sistemático de “O Livro dos Espíritos” nas reuniões públicas das sextas-feiras, mas também busca vincular a FEB à Assistência aos Necessitados, fundada em 1890 no coração da coletividade carioca.

União, desse modo, para nós, não significa imposição do recurso interpretativo, mas, acima de tudo, entendimento mútuo de nossas necessidades, com o serviço da cooperação atuante, a partir do respeito que devemos uns aos outros.” — diz-nos Emmanuel.

Cada um terá o seu ponto de vista, o seu entendimento para cada questão, assim como cada viajante vê a paisagem de acordo com a posição que assumiu no meio de transporte.

Nenhuma das visões estará errada, mas todos deverão concordar com o destino final.

A crítica só maltrata e não nos leva a lugar algum.
Precisamos deixá-la na beira da nossa estrada como velho recurso em desuso.

E devemos, sim, valorizar o esforço de cada irmão naquilo que já é capaz de fazer.

Seja um pequeno texto ou poucas palavras de quem quase nunca se expõe.
Vamos valorizar seu esforço e enriquecer suas idéias.

Uma pequena ajuda na obra de caridade, um abraço ou uma atenção dada aos necessitados.
Vamos auxiliar e incentivar para que muitas outras aconteçam.

Aquele faltoso dos compromissos, pouco comprometido ou preso no erro: vamos evitar açoita-lo com acusações; antes colaborar esclarecendo e acolhendo.
Azedume apenas afasta.

Não importa ser espírita ou espiritualista, ateu ou evangélico, budista ou muçulmano; somos todos, antes de tudo, irmãos no caminho.

Educarás ajudando e unirás compreendendo.” — assevera Emmanuel.

Jesus não quer que sejamos palmatórias do seu Evangelho, mas que sejamos reconhecidos como seus discípulos pelo muito amor mútuo que dediquemos.

A fraternidade, com o cunho da caridade cristã, deverá unir solidamente a grande família espírita, permitindo a troca livre de opiniões e reunindo todas as pessoas. — afirma Kardec na questão 334.

Por fim, entre estudo e caridade, fiquemos com os dois:

Amando sempre aprender um pouco mais.
Aprendendo sempre como amar um pouco melhor.

(1) Do livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, cap.28.

==&==

Leitura da Questão: Livro dos Médiuns (LM)
CAPÍTULO XXIX
DAS REUNIÕES E DAS SOCIEDADES ESPÍRITAS

Das Sociedades propriamente ditas

Questão 334. Tudo o que dissemos das reuniões em geral se aplica naturalmente às Sociedades regularmente constituídas, as quais, entretanto, têm que lutar com algumas dificuldades especiais, oriundas dos próprios laços existentes entre os seus membros.

Freqüentes sendo os pedidos, que se nos dirigem, de esclarecimentos sobre a maneira de se formarem as Sociedades, resumi-los-emos aqui nalgumas palavras.

O Espiritismo, que apenas acaba de nascer, ainda é diversamente apreciado e muito pouco compreendido em sua essência, por grande número de adeptos, de modo a oferecer um laço forte que prenda entre si os membros do que se possa chamar uma Associação, ou Sociedade. Impossível é que semelhante laço exista, a não ser entre os que lhe percebem o objetivo moral, o compreendem e o aplicam a si mesmos. Entre os que nele vêem fatos mais ou menos curiosos, nenhum laço sério pode existir.

Colocando os fatos acima dos princípios, uma simples divergência, quanto à maneira de os considerar, basta para dividi-los. O mesmo já não se dá com os primeiros, porquanto, acerca da questão moral, não pode haver duas maneiras de encará-la. Tanto assim que, onde quer que eles se encontrem, confiança mútua os atrai uns para os outros e a recíproca benevolência, que entre todos reina, exclui o constrangimento e o vexame que nascem da suscetibilidade, do orgulho que se irrita à menor contradição, do egoísmo que tudo reclama para a pessoa em quem domina.

Uma Sociedade, onde aqueles sentimentos se achassem partilhados por todos, onde os seus componentes se reunissem com o propósito de se instruírem pelos ensinos dos Espíritos e não na expectativa de presenciarem coisas mais ou menos interessantes, ou para fazer cada um que a sua opinião prevaleça, seria não só viável, mas também indissolúvel. A dificuldade, ainda grande, de reunir crescido número de elementos homogêneos deste ponto de vista, nos leva a dizer que, no interesse dos estudos e por bem da causa mesma, as reuniões espíritas devem tender antes à multiplicação de pequenos grupos, do que à constituição de grandes aglomerações. Esses grupos, correspondendo-se entre si, visitando-se, permutando observações, podem, desde já, formar o núcleo da grande família espírita, que um dia consorciará todas as opiniões e unirá os homens por um único sentimento: o da fraternidade, trazendo o cunho da caridade cristã.

*** Curiosidades ***

-Nossa eterna gratidão ao vovô querido, nosso irmão Bezerra de Menezes.
Para cessar as dissensões, ele habilmente reuniu estudo e caridade numa só bandeira.

Entre seus muitos feitos, ele também organizou um Congresso Espírita Nacional, em 14 de abril de 1889, recebendo 34 delegações de vários estados para equalizar o entendimento dos diversos grupos. TraduziuObras Póstumasde Allan Kardec. E cuidou oficiar ao então presidente Deodoro da Fonseca pelos direitos e liberdades espíritas, conseguindo alterar os artigos do Código Penal Brasileiro de 1890, que qualificavam o Espiritismo como ato criminoso. E continua ainda hoje trabalhando pelas terras do Cruzeiro.

-Tem grupo onde só tem caridade e muito pouco estudo. Principalmente entre os espiritualistas. Vez por outra, ouço a seguinte queixa: “passei X anos atendendo e ajudando tanta gente. E o que eu ganhei com isso?”
Certamente, ganhou muitas bençãos do plano superior. Mas sentiu falta de estudar.

-Triste é quando a gente prepara bem o estudo, traz bastante coisa bonita, inventa atividades interessantes, e só os visitantes da Casa se interessam.
Os trabalhadores ? Só chegam na hora que a caridade começa …

-Porém, parece que é bem mais grave o grupo onde só tem estudo e muito pouca caridade.
Mais grave por que? Porque há várias advertências da espiritualidade sobre isso.
>> Vê, então, que a luz que há em ti não sejam trevas. (Jesus – Lc 11:35)
>> Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. (Paulo – 1Corintios 13:1)
>>
Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.
(Verdade – Evangelho segundo o Espiritismo – Cap VI)

-Mas o tema central desse estudo é lembrar que a religião do plano superior SEMPRE irá reunir os grupos e nunca separar. Não importa se ele vê a vida e o mundo totalmente diferente de como eu vejo. Ou que pertence a outra crença em outra casa ou outra cultura. Se ele trabalha pelo bem, se ele se esforça por um mundo melhor, eu devo dar-lhe minha mão e ajudá-lo. Se discordo da forma como ele faz o bem, irei ajudá-lo no que eu puder e ainda assim dar-lhe-ei minha mão.
Como nos diz o poeta: Vamos precisar de todo mundo. 1 + 1 é sempre mais que 2.

-Comentou o amigo e mestre Carlos Hernandes:
Trabalho na caridade é estudo e estudar é uma forma de caridade também. Quando praticamos a caridade, aprofundamos o conhecimento auferido nos estudos. E quando estudamos, estamos nos preparando para exercer a caridade.

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5 respostas para 73-Estudo ou Caridade?

  1. Gostei muito do assunto pois coloca dois fatos relevantes dentro da doutrina: Estudar ou praticar a caridade. Concordo plenamente com vcs pois sem estudo não temos base para consolar,amparar,elevar algum irmão em necessidade,por isso estudo e caridade tem que andar juntos de mãos unidas pois se tem um e falta o outro não há progresso.Se estudamos somente encheremos nossos cérebros de conhecimento e ficaremos com as mãos vazias. Certo amigo relatou-me certa vez que leu em um livro que um irmão só estudava e nada de praticar o aprendizado ao desencarnar,chegou do outro lado com uma cabeça imensa e com as mão murchas e defeituosas. E como diz o MESTRE JESUS:FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO. E finalizando concordo plenamente com ÊLE.Bjs.Paz,amor e luz.

    • inacioqueiroz disse:

      Obrigado pelos comentários, Eliza.
      No livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho” tem um capítulo onde Ismael precisa diluir as dissensões do movimento espírita.

      Então Ismael questiona: quem seria mais importante? Estudo ou caridade?

      Quem responde, segundo a obra de Chico Xavier, é Jesus.
      Usando as minhas palavras, ele diz que o estudo é fundamental para nossa evolução.
      Mas a caridade sempre será nossa âncora para que não venhamos a sair dos caminhos do verdadeiro amor.

      E, como nos diz Paulo de Tarso, ainda que falemos todas as línguas, sem amor nada seremos.
      Abração,
      Inacio

  2. claudie (Di) disse:

    Querido, entendo o Espiritismo como um “manual” que vem esclarecer e reforçar a mensagem de Jesus…Ora, nosso querido Mestre nos mostrou a importância de ambas as coisas através do exemplo. Não só fazia a caridade, através da cura do corpo e da alma, mas também através da palavra profunda e elucidativa, que até hoje nos convida a todos ao amor ao próximo…Independente da raça, religião, sexo…
    O Espiritismo deve ser vivenciado como um roteiro de auto-evolução; o estudo abre os olhos do espírito, a caridade, alarga o coração…os dois se completam…Quem estuda, com amor e usando não apenas a razão, sente naturalmente o impulso para a caridade…

    Achei o texto emocionante. AMEI este trecho:“… E como as atividades humanas constituem, em todos os tempos, um oceano de inquietudes, a caridade pura deverá ser a âncora da tua obra, ligada para sempre ao fundo dos corações, no mar imenso das instabilidades humanas. A caridade valerá mais que todas as ciências e filosofias, no transcurso das eras, e será com ela que conseguirás consolidar a tua Casa e a tua obra.” Jesus fala ao coração e à razão…Lindo!!!

    No mais, estou cobrando direitos autorais;vc usou meu “vovozinho querido” sem pedir licença!!! Mas sendo ele, e p/ enaltecer-lhe a doçura, deixo passar…rsrsrs…
    Bjocas!! 🙂

    • inacioqueiroz disse:

      Oi Di,
      Gostei dessa idéia de manual para Codificação.

      Sobre Jesus, é bem interessante que os historiadores colocam para ele fases distintas para milagres, para sermões e para parábolas.
      Como se fossem coisas bem distintas.
      Talvez esteja aí a nossa diferenciação ancestral entre estas duas coisas.

      Realmente, eu coloquei esta frase de Jesus porque ela é muito tocante.
      O livro todo “Brasil. coração do mundo, pátria do Evangelho” é uma leitura bem legal.

      Eu escrevi o “vovozinho querido” lembrando mesmo como vc se refere a ele.
      Irá cobrar diresitos com justiça.
      Beijão …

  3. inacioqueiroz disse:

    Comentário do amigo e mestre Carlos Hernandes:
    [
    A diversidade de talentos entre os seres humanos é uma das razões do progresso social.

    Assim também em qualquer movimento, a diversidade de talentos entre seus seguidores é sinal de vigor e promessa de progresso.

    Trabalho em prol do próximo é a aula prática onde aplicamos o que estudamos em sala. São duas faces da mesma moeda. Trabalho na caridade é estudo e estudar é uma forma de caridade também. Quando praticamos a caridade aprofundamos o conhecimento auferido nos estudos e quando estudamos estamos nos preparando para exercer a caridade. Certamente teremos companheiros mais afeitos a este ou aquele trabalho mas, o fundamental é que o grupo progrida em sua compreensão e aplicação dos ensinamentos.

    Abraços,
    Carlos Hernandes
    ]

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