75-Nova Compreensão

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 75-Expliquemos)
Reunião pública de 14-10-60
Questão LM no.301 inciso 4.

Não desconheceis que a Doutrina Espírita é a revivescência do Cristianismo em sua pureza.” — advoga Emmanuel.

A primeira vez que ouvi esta afirmação, eu não sabia o que pensar.
— Muito orgulho e vaidade! — pensei cá comigo.
— Afinal, todos os grupo religiosos fazem esta mesma afirmação.
— Como avaliar se isto é a voz da verdade? — falava eu em cólicas.

É inegável que os Apóstolos foram os primeiros médiuns da Boa Nova, espalhando o ensino da Espiritualidade Superior sob influxo direto do Mundo Maior.

Como dar certeza que o Espiritismo é o paráclito prometido por Jesus (Jo 14:15-17), a palavra que vem complementar o esforço dos muitos mártires do Evangelho?

Nesse capítulo, Emmanuel demonstra que nosso entendimento do Evangelho não virá mastigado, não nos invadirá sem nosso esforço, não será adquirido como um enlatado qualquer em algum Posto de Conveniência da estrada. Não!

Teremos que “suar a camisa” pelo próximo degrau da nossa evolução.
E o Espiritismo nos guiará na construção dessa nova compreensão.

Necessário vos é nascer de novo.”afirmou Jesus.

Muitos grupos interpretam esta afirmação como um renascimento simbólico, dentro de novas atitudes e posturas perante a vida. Mudança valiosa, contudo insuficiente.
A reencarnação, porém, o Espírito atravessando inúmeros corpos, completa a grandeza dessa afirmação.

Disse Jesus:Enquanto não vos tornardes quais crianças, não entrareis no Reino de Deus.

Apologia à ingenuidade e à inexperiência?
Não!, é um convite para um jeito simples, sincero, despojado e leve de viver.

Olhai os lírios do campo que não fiam e nem tecem. Entretanto, Salomão, em toda a sua glória, jamais conseguiu vestir-se como um deles.” — observa o Mestre.

Vamos fugir do trabalho por orientação de Jesus?
Não! Antes a certeza que a Divina Providência não abandona a mais simples criatura, enquanto esta encontra-se engajada em fazer o seu melhor naquela posição que a vida lhe confiou.

Quem se humilhar será exaltado.” — assevera Jesus.

Seria simular a tolice oportunista para galgar lugares no Reino da Terra ou dos Céus?
Não! É a consciência reta e leal, que não se perturba perante o escândalo.
Ela não importuna os outros, mesmo sob o guante da desarmonia que os outros trazem.
E segue fiel no trabalho que para ela foi destinada pelas Potências do Alto.

Anuncia Jesus: “Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos fazem mal e orai pelos que vos perseguem e caluniam.

É para tratar o delinqüente e o corrupto como tratamos um amigo querido?

Não! E nem conseguiríamos isso nesse pequeno estágio de nossa evolução.

Mas que não nos falte o respeito pelo irmão em Cristo que ele é.
Respeito ao adversário pela sua sinceridade.
Respeito pela oportunidade dele de tentar fazer melhor aquilo que, em nós, ele critica. Paciência e fidelidade aos compromissos assumidos perante os nossos desafetos, assim como Jesus aceitou em silêncio as acusações e julgamentos de seus perseguidores, sem aprovar-lhes a crueldade.

Mas aquele Consolador, o Espírito Santo que meu Pai vos enviará em meu nome, vos esclarecerá em todas as coisas e vos fará lembrar tudo que vos tenho dito.” — proclama o Mestre Galileu.

Nenhum fenômeno sobrenatural assombrando as consciências.
Mas a voz de Espíritos santificados pelo calor das inúmeras experiências, incontáveis meditações e testemunhos. Em grande assembléia, eles retornam para iluminar os caminhos da Terra e reafirmar, pela Doutrina dos Espíritos, o que aprenderam com Jesus.

***
Que nossas crenças, construídas sob leituras, meditações, debates e vivências, nunca se confundam com idolatrias e fanatismos.

Assim orienta Emmanuel: “Recorda que, em
Doutrina Espírita, é preciso estudar e aprender,
entender e explicar.

==&==

Leitura da Questão: Livro dos Médiuns (LM)
CAPÍTULO XXVII
DAS CONTRADIÇÕES E DAS MISTIFICAÇÕES

Questão 301. Eis as respostas que os Espíritos deram a perguntas feitas acerca das contradições:


4ª. As contradições, mesmo aparentes, podem lançar dúvidas no Espíritos de algumas pessoas. Que meio de verificação se pode ter, para conhecer a verdade?

“Para se discernir do erro a verdade, preciso se faz que as respostas sejam aprofundadas e meditadas longa e seriamente. É um estudo completo a fazer-se. Para isso, é necessário tempo, como para estudar todas as coisas.

“Estudai, comparai, aprofundai. Incessantemente vos dizemos que o conhecimento da verdade só a esse preço se obtém. Como quereríeis chegar à verdade, quando tudo interpretais segundo as vossas idéias acanhadas, que, no entanto, tomais por grandes idéias? Longe, porém, não está o dia em que o ensino dos Espíritos será por toda parte uniforme, assim nas minúcias, como nos pontos principais. A missão deles é destruir o erro, mas isso não se pode efetuar senão gradativamente.”

*** Curiosidades ***

– O livro Seara dos Médiuns chama este texto de “Expliquemos“, mostrando a necessidade de não apenas aprender as orientações como lições. Precisamos nos aprofundar nas lições, meditar e entender o suficiente ao ponto de podermos explica-las mais adiante.
Suar a camisa mesmo!

-Precisamos ainda nos acautelar com as inúmeras obras sobre “verdades históricas” da vida de Jesus. Divaldo Franco nos explica que, quando o ser humano não consegue alcançar o comportamento do modelo, ele procura rebaixa-lo por algum meio. Logo, muitas alegações aparentemente coerentes são apenas meros “castelos de cartas”, visando vender livros e reduzir os padrões da perfeição.

-Afinal, o Espiritismo é o paráclito prometido? No meu humilde entendimento, ele se encaixa muito bem na idéia de “esclarecer todas as coisas e nos fazer lembrar outras esquecidas”, como propõe o texto do Evangelho.
Mas este julgamento deve ser feito por cada um de nós.

-A capa de livro ao lado é do professor e cientista Hernani Guimarães Andrade. Trabalho científico sério, tem uma bela e surpreendente coletânea de narrativas de crianças brasileiras que lembram de uma encarnação anterior. Ao longo do livro, o professor discorre sobre todas as possibilidades além da reencarnação. E observa que, pelo método científico, a reencarnação permanecerá como “a hipótese mais plausível” até que nos seja possível acompanhar um espírito desencarnando em um corpo e reencarnando em outro. Recomendo a leitura.

Dos inúmeros textos do livro Seara dos Médiuns sobre os quais meditamos até agora, este é o capítulo mais longo. Recomendo a leitura diretamente na obra. É muito legal !

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4 respostas para 75-Nova Compreensão

  1. Claudie Lopes disse:

    Inácio! Lembra noutro dia que falei que vejo o Espiritismo como um “roteiro” para entendermos e vivenciarmos a mensagem de Jesus?? Esse capítulo fala disso…
    Gostei muito como vc foi “dissecando” as contradições aparentes e trazendo a compreensão e reflexão a que o Espiritismo nos convida…
    Paráclito????? Essa, até essa pessoa “culta” que vos fala teve que apelar…rsrsrs…
    Gostei sobremaneira desse trecho:”Que nossas crenças, construídas sob leituras, meditações, debates e vivências…”

    Pra dizer a verdade, o que me atraiu ao Espiritismo, em detrimento da Umbanda ou Catolicismo, foi que o primeiro me permitia “pensar e discernir com minha própria cabeça”; podia ir aumentando minha percepção no meu próprio ritmo, conforme ia estudando…Principalmente, podia comparar e questionar…ver o que me fala ao coração….A fé raciocinada, é um apelo irresistível, para aqueles aos quais os dogmas não satisfazem…
    Valeu! Bjos!!

    • inacioqueiroz disse:

      Oi Di,
      É verdade, essa sua visão de roteiro é muito legal. Cai como luva.
      O dito “Kardecismo”, (que não é a Codificação, mas sim o jeito que Kardec usou para codificar) vem justamente nos apoiar nisso.
      Um olhar perquiridor, buscando ver além da superfície em cada situação, sem preconceber.
      Vc está certa.

      Essa dissecação não é minha. Não tenho tanto tirocínio.
      Emmanuel fez isso com maestria no capítulo.
      Eu apenas ajustei a linguagem para nossa época.

      Poxa, o paráclito é pessoinha tão batida!! Amigo de infância, foram tantos chopinhos juntos …
      Achei que vc conhecia a figura também. rsrsrs

      Isso que vc disse no final foi justamente a resposta que eu coloquei para a Luana ainda agora.
      Vivemos numa época em que a tecnologia está dando show para todo lado. Frutos da ciência.
      Poder pensar sobre um tema que nas outras religiões é “tabú” ou dogma, isso é ma-ra-vi-lho-so.
      E a gente consegue conectar avanços científicos de outras áreas com nossas vivências religiosas.
      Concordo HORRORES contigo: é um apelo irresistível.
      Obrigado e bjs …

  2. Luana disse:

    Oi Inácio!

    Ao ler este texto, me veio à mente aquele livro do Brian Weiss “Muitas vidas, muitos mestres”, que aliás gosto muito! O livro trata das reencarnações sem apelo dogmático.
    Sempre penso nas infinitas oportunidades e nas infinitas bênçãos com as quais somos contemplados… e não posso deixar de me perguntar por quantas vias vivenciamos o aprendizado e por quantos caminhos nossa experiência transita. Em algumas vidas, caminhos amplos, floridos; em outras, tortuosos e sombrios… depende do que desejamos e do que precisamos. Mas talvez a escolha da nova experiência seja um supremo instante de liberdade, de encontro com um novo sopro de vida.
    Assim, o Espiritismo é uma das vias que permitem que caminhos sejam trilhados, assim como exitem tantos outros e todos, sem exceção, devem ser respeitados… como costumo dizer aos meus filhos: lá, nas instâncias superiores, todos os mestres se confraternizam!
    Abração,
    Luana

    • inacioqueiroz disse:

      Entendi sua mensagem, Luana.
      Por isso que a penúltima frase do texto é:
      Que nossas crenças, construídas sob leituras, meditações, debates e vivências, nunca se confundam com idolatrias e fanatismos.

      Mas a Doutrina Espírita tem um “Q” interessante nela que não encontramos em outras.
      Ela nasceu como uma abordagem científica de um fenômeno que era espiritualista.
      E Kardec procurou se manter assim, casando ciência com filosofia e religião, todo o tempo.
      Se o método ciêntífico reprovasse, ficaria “sub judice” até evidência contrária.
      Antes perder 99 verdades do que aceitar uma mentira.

      A visão das muitas religiões e dos leigos em geral é que ciência e religião são coisas altamente distintas.
      Colocam mesmo um grande abismo entre elas.
      E Kardec deixou como legado o inverso. Isso em 1857 – 1870 !!!
      Fez questão de frisar que não é um trabalho fechado e precisa se atualizar quando a ciência avançar.

      Então, ela vem atender ao nosso lado racional que está lentamente engolindo os muitos dogmas de outras correntes.
      Mas sempre ciente que a religião de Deus nunca irá separar seus filhos, mas sim reuni-los.

      Tem como não gostar MUITO disso ??
      Beijão …

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