56-Fé Inabalável?

* Referência: Capítulos do Livro Justiça Divina – Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do livro O Céu e o Inferno (CI) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 56-Invocações)
Reunião pública de 4-9-1961
CI – 1a. Parte – Cap. X – Item 9.

56-Jornal_closeFaz poucas semanas, tive a felicidade de ler sobre o ex-médium (se é que é possível deixar de ser médium) e atual evangélico Héber Soares.

A história narrada pelo pastor Caio Fábio na obra “Nos Bastidores dos Espíritos” é extremamente interessante por revelar a capacidade mediúnica do amigo amazonense Héber Soares.

Mais de 85 mil pessoas foram atendidas pela equipe médica que se manifestava pela mediunidade dele, nas décadas de 60 e 70, tendo inclusive operado a si mesmo por um espírito que apresentava-se como sendo Bezerra de Menezes.

Mas era patente a falta de aprofundamento dele no Estudo Doutrinário !!

E, como nos diz Jesus na Parábola do Semeador, a falta de raízes profundas e as atribulações da vida fez Héber renunciar ao sacerdócio mediúnico.

Interessante, porém, é o principal argumento usado pelo pastor Caio Fábio para justificar a necessidade de mudança de Héber: consultar os mortos, assim como faz a Doutrina Espírita, seria abominação perante Deus.

E argumenta embasado principalmente no Velho Testamento (ex. Deuteronômio 18:9-12), em passagens dos Atos dos Apóstolos e em passagem do Apocalipse. Curiosamente, nenhuma citação dos 4 Evangelistas.

56-Livro bastidoresNeste capítulo, Emmanuel lembra dos detratores, dos inimigos gratuitos da Doutrina Espírita, que buscam insinuar que somo uma versão moderna dos magos e sibilas da antigüidade, com seu filtros e sortilégios milagrosos.

Lembra de outros que, sem fazer um estudo sério, crêem ter desvendado os truques de hipnose e ilusionismo, ou mesmo que argumentam tudo não passar de efeitos neurológicos explicáveis pela medicina.

É imperioso anotar, contudo, que toda formação espírita guarda raízes nas fontes do Cristianismo simples e claro, com finalidade morais distintas, no aperfeiçoamento da alma, expressando aquele Consolador que Jesus prometeu aos tempos novos.” – esclarece Emmanuel.

Na verdade, o Espiritismo revive as lições do Mestre Jesus de forma pura, sendo estas desenvolvidas para nosso entendimento através da Codificação Kardequiana.

É dessa forma, da forma que o próprio Jesus demonstrou, que prodígios acontecem, que a fé se estrutura e se confirma, que discernimentos são construídos e passos firmes na senda evolutiva são galgados.

56-OracaoTudo isso, compreendendo que os irmãos de outras crenças constróem os seus próprios caminhos para os mesmos objetivos.

Os Católicos, que invocam a presença de Deus e a proteção dos santos.
Os Islamistas, que invocam as bênçãos de Alá.

Os Budistas, que invocam a paz de Gautama, o Buda, através da Óctupla Senda.
Os Moisaistas, que, por vários preceitos, invocam o amparo do Senhor Todo-Poderoso.

Assim também nós fazemos!
Invocamos a inspiração de Jesus e dos bons espíritos na busca da oração sincera e do estudo da verdade.

No esforço do entendimento de nossas crenças e de cada oração, abrimos mão da pompa, dos rituais e do culto exterior, construindo uma fé inabalável, capaz de encarar a razão face a face em qualquer tempo.

56-jesusSim, nossa fé religiosa se apoia no entendimento e na razão, projetando-se para além delas.

Postula complementos para Ciência.

Desdobra-se em novas perspectivas para a Filosofia.

E nos liberta, pois afirma que só de nosso esforço depende a nossa evolução

E Emmanuel acrescenta:… ninguém pode olvidar que Allan Kardec, evidenciando a necessidade de aliança do raciocínio e do sentimento, nas jornadas do Espírito, iniciou a obra monolítica da Codificação perguntando pela essência de Deus.

==&==

Leitura da Questão: O Céu e o Inferno (CI)
Primeira Parte – Doutrina
CAPÍTULO X – INTERVENÇÃO DOS DEMÔNIOS NAS MODERNAS MANIFESTAÇÕES

Item 9. “Por meio das operações da moderna magia vemos reproduzirem-se no presente as evocações, as consultas, as curas e os sortilégios que ilustraram os templos dos ídolos e os antros das sibilas.”.

Nós perguntamos: que há de comum entre as operações da magia e as evocações espíritas?

Houve tempo em que tais operações faziam fé e acreditava-se na sua eficácia, mas hoje são simplesmente ridículas. Ninguém as toma a sério, e o Espiritismo condena-as. Na época em que florescera a magia, era imperfeita a noção sobre a natureza dos Espíritos, geralmente havidos por seres dotados de poder sobre-humano.

A troco da própria alma, ninguém os evocava que não fosse para obter favores da sorte e da fortuna, achar tesouros, revelar o futuro ou obter filtros. A magia com seus sinais, fórmulas e práticas cabalísticas era increpada de fornecer segredos para operar prodígios, constranger Espíritos a ficarem às ordens dos homens e satisfazerem-lhes os desejos. Hoje sabemos que os Espíritos são as almas dos mortos e não os evocamos senão para receber conselhos dos bons, moralizar os maus e continuar relações com seres que nos são caros. Eis o que diz o Espiritismo a tal respeito: (continua na questão 10, capítulo X do livro O Céu e o Inferno)

*** Curiosidades ***

– O caso de Héber Soares nos leva a refletir que não basta apenas uma mediunidade patente e poderosa para estabelecer nossa fé. Na verdade, lendo o livro, percebemos que a mediunidade tornou-se  para ele mais um peso do que uma bênção. É preciso estudo, entendimento, discernimento e muita, muita, muita disciplina. Portanto, que esta história nos sirva para nos conscientizarmos dos pedidos que fazemos para a Espiritualidade. Será que não temos pedido alguns fardos bem maiores que nossas possibilidades?

– É muito comum o Espírita perceber certo preconceito de algumas outras vertentes religiosas. Enquanto o preconceito estiver nos outros, ficamos tristes, mas não ficamos endividados perante a Lei de Deus. Nós, do contrário, não devemos expressar qualquer repúdio perante as outras linhas religiosas, buscando aprender e nos aculturar com seus tesouros. Como nos disse Emmanuel em meditação anterior: devemos acender a chama da devoção onde encontrarmos uma fé sincera.

– Infelizmente, devido a história do nosso país e do Movimento Espírita brasileiro, são muitos os irmãos que apresentam verdadeiros achaques de pânico quando versamos sobre os temas Umbanda ou Candomblé. Eles são unânimes  em proclamar o mal-estar causado pelo preconceito dos outros sobre os espíritas, mas participam tenazmente do preconceito dos espiritistas sobre as religiões afro-brasileiras, como se tratássemos de alguma doença contagiosa. Irmãos, por favor! Ouvir, aprender, entender e dividir não nos faz novos adeptos de qualquer seita ou religião. Faz-nos apenas mais cultos, irmanados e tolerantes perante o entendimento da vida que cada pessoa traz.
Se somos todos irmãos em Cristo, precisamos repensar essa nossa ‘falta de paz’.

– Como entender a passagem do Deuteronômio 18:9-12 ? A palavra “Deuteronômio” significa “Repetição da Lei”. A autoria é atribuída a Moisés. Junto com Êxodo, Levítico e Números, faz parte do conjunto de 4 livros que trazem os discursos de Moisés para os judeus que acabavam de sair do cativeiro egípcio. A melhor forma de entender esta passagem é observando os ensinamentos de Jesus contidas em Mateus 19:7-8, a saber:

Perguntaram eles: “Então, por que Moisés mandou dar uma certidão de divórcio à mulher e mandá-la embora?” Jesus respondeu: “Moisés permitiu que vocês se divorciassem de suas mulheres por causa da dureza de coração de vocês. Mas não foi assim desde o princípio.”

Qual a relação dessa passagem com a outra? O povo judeu saiu da escravidão egípcia mergulhado em todos os tipos de paixões mundanas possíveis. A Lei precisava ser dura para conter os ânimos e aberrações. Se hoje, com toda instrução que temos, encontramos tantas pessoas desejando os serviços da espiritualidade inferior para seus interesses, imagina então naquela época? Mas iremos encontrar o próprio Jesus conversando com Moisés e Elias no Tabor, na passagem da Transfiguração.
A Lei não se aplicava a Jesus? Como não, se ele mesmo anunciou que não viria destruir a Lei ou os Profetas, mas cumpri-la (Mateus 5:17) ?
Jesus veio cumprir e complementar a Lei com bom senso e amor.
Assim, é lícito consultar os mortos se disso deriva esclarecimento, auxílio, saúde e consolação para quem muito precisa, sem ganhos financeiros, apenas Caridade.

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