Bernardin – Espíritos Felizes (O Céu e o Inferno – 1865)

[O Céu e o Inferno – Espíritos Felizes]

(Bordéus, abril de 1862.)

Fome Irlandesa, 1845-1849, (1900). Autor desconhecido

Fome Irlandesa, 1845-1849, (1900). Autor desconhecido

Sou, de há muitos séculos, um Espírito esquecido. Aí na Terra vivi no opróbrio e na miséria, trabalhando incessantemente e dia por dia para dar à família escasso pão.

Amava, porém, o verdadeiro Senhor, e quando o que me oprimia na Terra sobrecarregava o fardo das minhas dores, dizia eu:

“Meu Deus, dai-me a força de suportar-lhe o peso sem queixumes.”

Expiava, meus amigos.
No entanto, ao sair da rude provação, o Senhor recebeu-me na sua santa paz e o meu mais caro voto foi reunir-vos a todos, irmãos e filhos, dizendo-vos:
“Por mais cara que a julgueis, a felicidade que vos espera há de sobrelevar o preço.”

Filho de numerosa família, jamais tive posição e servi a quem melhor podia auxiliar-me a suportar a existência. Nascido em época de servidão cruel, provei de todas as injustiças, fadigas e dissabores que os subalternos do Senhor haviam por bem impor-me.

Mulher ultrajada, filhas raptadas e repudiadas em seguida, tudo sem poder queixar-me. Meus filhos, esses, levavam-nos às guerras de pilhagens e de crimes, para os enforcarem depois por faltas não cometidas.

Ah! se o soubésseis, pobres amigos, o que padeci na minha longa existência…
Eu esperava, contudo, e o Senhor concedeu-ma — essa felicidade que não existe na Terra.
A todos vós, portanto, coragem, paciência e resignação. Tu, meu filho, guarda o que te dei e que é um ensinamento prático. Quem aconselha é sempre mais acatado quando pode dizer: — Suportei mais que vós, e suportei sem me queixar.

— P. Em que época vivestes?
— R. De 1400 a 1460.

— P. E tivestes depois uma outra existência?
— R. Vivi ainda entre vós como missionário… Sim como missionário da fé, porém da fé pura, verdadeira, provinda de Deus, e não manipulada pelos homens.

— P. E como Espírito, agora, tendes ainda ocupações?
— R. Acreditaríeis então que os Espíritos ficassem inativos? A inação, a inutilidade ser-nos-ia um suplício. A minha missão é guiar centros espíritas aos quais inspiro bons pensamentos, ao mesmo tempo que me esforço por neutralizar os sugeridos por maus Espíritos.

Bernardin.”

dbl2_videira

 

Publicado em O Céu e o Inferno | Marcado com , , , , | Deixe um comentário

Código Penal da Vida Futura: 10o./32 pontos

CIO Céu e o Inferno (CI – 1865)

PARTE PRIMEIRA – DOUTRINA
As
Penas Futuras Segundo o Espiritismo

CÓDIGO PENAL DA VIDA FUTURA

O Espiritismo não vem, pois, com sua autoridade privada, formular um código de fantasia; a sua lei, no que respeita ao futuro da alma, deduzida das observações do fato, pode resumir-se nos seguintes pontos:

10º O Espírito sofre, quer no mundo corporal, quer no espiritual, a conseqüência das suas imperfeições. As misérias, as vicissitudes padecidas na vida corpórea, são oriundas das nossas imperfeições, são expiações de faltas cometidas na presente ou em precedentes existências.

Pela natureza dos sofrimentos e vicissitudes da vida corpórea, pode julgar-se a natureza das faltas cometidas em anterior existência, e das imperfeições que as originaram.


 

dbl2_videira

Publicado em O Céu e o Inferno | Marcado com , , , | Deixe um comentário

Influência dos Espíritos nos acontecimentos da vida: 4 Perguntas !!

Livro dos Espíritos (LE) – PARTE SEGUNDA
Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos

Capítulo IX – Da Intervenção dos Espíritos no Mundo Corporal

Influência dos Espíritos nos acontecimentos da vida

530. Não podem os Espíritos levianos e zombeteiros criar pequenos embaraços à realização dos nossos projetos e transtornar as nossas previsões? Serão eles, numa palavra, os causadores do que chamamos pequenas misérias da vida humana?

“Eles se comprazem em vos causar aborrecimentos que representam para vós provas destinadas a exercitar a vossa paciência. Cansam-se, porém, quando vêem que nada conseguem. Entretanto, não seria justo, nem acertado, imputar-lhes todas as decepções que experimentais e de que sois os principais culpados pela vossa irreflexão. Fica certo de que, se a tua louça se quebra, é mais por desazo teu do que por culpa dos Espíritos.”

  a) – Destes, os que provocam contrariedades obram impelidos por animosidade pessoal, ou assim procedem contra qualquer, sem motivo determinado, por pura malícia?

“Por uma e outra coisa. Às vezes os que assim vos molestam são inimigos que granjeastes nesta ou em precedente existência. Doutras vezes, nenhum motivo há.”

531. Extingue-se-lhes com a vida corpórea a malevolência dos seres que nos fizeram mal na Terra?

“Muitas vezes reconhecem a injustiça com que procederam e o mal que causaram. Mas, também, não é raro que continuem a perseguir-vos, cheios de animosidade, se Deus o permitir, por ainda vos experimentar.”

  a) – Pode-se pôr termo a isso? Por que meio?

“Podeis. Orando por eles e lhes retribuindo o mal com o bem, acabarão compreendendo a injustiça do proceder deles. Demais, se souberdes colocar-vos acima de suas maquinações, deixar-vos-ão, por verificarem que nada lucram.”

A experiência demonstra que alguns Espíritos continuam em outra existência a exercer as vinganças que vinham tomando e que assim, cedo ou tarde, o homem paga o mal que tenha feito a outrem.

 

dbl2_videira

Publicado em Livro dos Espíritos | Marcado com , , , , , , , | Deixe um comentário

Medo – Como vencer os seus (SUPERINTERESSANTE)

Medo – Como vencer os seus

g_capa_331Estudos comprovam: sentimos dez vezes mais medo do que nossos pais. O mundo está mergulhado nele. Saiba como chegamos a esse ponto – e o que fazer para se libertar

SUPERINTESSANTE – EDIÇÃO 331 ABRIL 2014
http://super.abril.com.br/comportamento/medo-como-vencer-os-seus

Por Eduardo Szklarz Editado por Bruno Garattoni

Você acorda, escova os dentes, se veste, sai para a rua. Pode ser atropelado, assaltado, empurrado no metrô. Se estiver de carro, pode sofrer um acidente de trânsito – ou ficar preso no meio de uma enchente.

Ao chegar ao escritório, seu chefe olha estranho… pode estar pensando em demiti-lo. (Talvez você não dê conta do trabalho.) A geladeira pode ter um curto e incendiar sua casa enquanto você está fora. Aliás, será que você se lembrou de trancar a porta? Sua cara-metade pode ter decidido trair – ou largar – você.

O clima do planeta pode ter desandado de vez, com consequências terríveis para a humanidade. A inflação pode voltar e levar o seu dinheiro. Você pode apanhar da polícia – ou ser incendiado por black blocs. Pode pegar gripe suína e morrer em dias. Os agrotóxicos da comida podem estar envenenando você. O seu avião pode cair. Você pode ser rejeitado. Fracassar na vida. Aquela dorzinha na barriga… pode ser câncer. E, pior ainda, tudo isso pode acontecer com as pessoas que você mais ama.

Nunca houve tantos motivos para sentir medo. E isso está nos afetando. Segundo dados do Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA, 20,8% das pessoas têm transtorno de ansiedade, ou seja, passam o tempo inteiro com medo de alguma coisa (pois a ansiedade nada mais é do que medo antecipado, de algo que pode ou não ocorrer). É dez vezes mais do que na década de 1980. Mesmo que você não seja uma delas, certamente já se sentiu incomodado por algum tipo de medo. Ele se tornou o maior problema psicológico do nosso tempo – e virou parte do dia a dia de todo mundo.

medoum

Ter medo não é ruim. Nós só estamos aqui, afinal, porque nossos antepassados eram medrosos e viviam fugindo do perigo. O cérebro humano evoluiu para ser extremamente sensível a ele. Mas isso aconteceu há milhares de anos, quando a vida era muito diferente. Hoje, a quantidade de situações e estímulos que podem nos causar receio é incalculavelmente maior. Daí a explosão de medo na cabeça das pessoas. Não precisa ser desse jeito. Mas, primeiro: por que isso aconteceu?

GOSTOU?
Clique aqui e veja ainda …

UM CÉREBRO, DUAS MENTES

O cérebro humano quase triplicou ao longo da evolução. Passou de 600 cm3 no Homo habilis (há 2 milhões de anos) aos 1.400 cm3 do Homo sapiens, 150 mil anos atrás. Nossa massa cinzenta foi crescendo e ganhando camadas, cada uma mais complexa que a anterior, até chegar ao neocórtex – sua parte mais externa, enrolada como uma linguiça, responsável por funções mentais como pensamento e linguagem. Tudo o que você tem de racional está ali.

Só que mais para dentro, no miolo do cérebro, existe outra coisa: o chamado sistema límbico. É uma parte mais primitiva, que coordena reações instintivas. Seu pedaço mais importante é a amígdala, que detona as sensações de medo. (CONTINUA …)

O MARKETING DO MEDO

É por isso que existem tantos programas policiais e notícias sobre violência. “Vivemos num mundo onde somos convocados a sentir medo. (CONTINUA …)

COMO VENCER O MEDO

Você certamente já se arrepiou vendo filmes de terror. E gritou dando piruetas na montanha-russa. Estranho: você estava aterrorizado, mas adorou cada segundo.(CONTINUA …)

O FIM DOS MEDOS

A maioria de nós passa por algum trauma na vida – assalto, sequestro, acidente, desastre natural, abuso ou a perda repentina de alguém querido. E cerca de 10% dos que vivem um trauma (até 14% no caso das mulheres) vão desenvolver o chamado transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). (CONTINUA …)

0O0

https://estudandocomchicoxavier.wordpress.com/hoje/deu-na-imprensa/superinteressante/medo-como-vencer-os-seus/

Publicado em Publicações | Marcado com , , , , , | 7 Comentários

Anjos de Guarda e Protetores: outras 3 Perguntas !!!

Livro dos Espíritos (LE) – PARTE SEGUNDA
Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos

Capítulo IX – Da Intervenção dos Espíritos no Mundo Corporal

Anjos de guarda. Espíritos protetores, familiares
ou simpáticos

519. As aglomerações de indivíduos, como as sociedades, as cidades, as nações, têm Espíritos protetores especiais?
“Têm, pela razão de que esses agregados são individualidades coletivas que, caminhando para um objetivo comum, precisam de uma direção superior.”

520. Os Espíritos protetores das coletividades são de natureza mais elevada do que os que se ligam aos indivíduos?
“Tudo é relativo ao grau de adiantamento, quer se trate de coletividades, quer de indivíduos.”

521. Podem certos Espíritos auxiliar o progresso das artes, protegendo os que às artes se dedicam?
“Há Espíritos protetores especiais e que assistem os que os invocam, quando dignos dessa assistência. Que queres, porém, que façam com os que julgam ser o que não são? Não lhes cabe fazer que os cegos vejam, nem que os surdos ouçam.”

0O0

Os antigos fizeram, desses Espíritos, divindades especiais. As Musas não eram senão a personificação alegórica dos Espíritos protetores das ciências e das artes, como os deuses Lares e Penates simbolizavam os Espíritos protetores da família. Também modernamente, as artes, as diferentes indústrias, as cidades, os países têm seus patronos, que mais não são do que Espíritos superiores, sob várias designações.

Tendo todo homem Espíritos que com ele simpatizam, claro é que, nos corpos coletivos, a generalidade dos Espíritos que lhes votam simpatia está em proporção com a generalidade dos indivíduos; que os Espíritos estranhos são atraídos para essas coletividades pela identidade dos gostos e das idéias; em suma, que esses agregados de pessoas, tanto quanto os indivíduos, são mais ou menos bem assistidos e influenciados, de acordo com a natureza dos sentimentos dominantes entre os elementos que os compõem.

Nos povos, determinam a atração dos Espíritos os costumes, os hábitos, o caráter dominante e as leis, as leis sobretudo, porque o caráter de uma nação se reflete nas suas leis. Fazendo reinar em seu seio a justiça, os homens combatem a influência dos maus Espíritos. Onde quer que as leis consagrem coisas injustas, contrárias à Humanidade, os bons Espíritos ficam em minoria e a multidão, que aflui, dos maus mantém a nação aferrada às suas idéias e paralisa as boas influências parciais, que ficam perdidas no conjunto, como insuladas espigas entre espinheiros. Estudando-se os costumes dos povos ou de qualquer reunião de homens, facilmente se forma idéia da população oculta que se lhes imiscui no modo de pensar e nos atos.

dbl2_videira

Publicado em Livro dos Espíritos | Marcado com , , , , , , | 1 Comentário

Divaldo Franco – Temporada Carioca 2016

Divaldo 2016

Imagem | Publicado em por | Marcado com , , , | 1 Comentário

CHARLES DE SAINT-G…, IDIOTA

[O Céu e o Inferno – Expiações Terrestres]

(Sociedade de Paris, 1860)

Este era um rapaz de 13 anos, ainda encarnado, cujas faculdades intelectuais eram nulas a ponto de não reconhecer os próprios pais, mal podendo tomar por si mesmo o alimento. Dava-se nele a completa suspensão de desenvolvimento em todo o sistema orgânico.

Idiotia1. (A S. Luís.) Poderemos evocar o Espírito deste menino?
— R. Sim, é como se o fizésseis ao de um desencarnado.

2. Essa resposta faz-nos supor que a evocação se pode fazer a qualquer hora…
— R. Sim, visto como presa ao corpo por laços materiais, que não espirituais, a sua alma pode desligar-se a qualquer hora.

3. (Evocação de Charles.)
— R. Sou um pobre Espírito preso
à Terra por um pé, qual um passarinho.

4. Presentemente, isto é, como Espírito, tendes consciência de vossa nulidade neste mundo?
— R. Decerto que sinto o cativeiro.

5. Quando o corpo adormece e o vosso Espírito se desprende, tendes as idéias tão lúcidas como se estivésseis em estado normal?
— R. Quando o corpo infeliz repousa, fico um pouco mais livre para alçar-me ao céu a que aspiro.

6. Experimentais no estado espiritual qualquer sensação dolorosa oriunda do vosso estado corpóreo?
— R. Sim, por isso que é uma punição.

7. Lembrai-vos da precedente encarnação?
— R. Oh! sim, e ela é a causa do meu exílio atual.

8. Que existência era essa?
— R. A de um jovem libertino no reinado de Henrique III.

9. Dizeis ser uma punição a vossa condição atual… acaso não a escolhestes?
— R. Não.

10. Como pode vossa atual existência servir ao vosso adiantamento no estado de nulidade em que vos achais?
—R. Para mim não há nulidade, pois foi Deus quem me impôs esta contingência.

11. Podeis prever o tempo de duração da existência atual?
— R. Não, porém, mais ano menos ano, reentrarei na minha pátria.

12. Durante o tempo que mediou entre a vossa última desencarnação e a encarnação atual, que fizestes?
— R. Deus encarcerou-me; logo, era eu um Espírito leviano.

13. Tendes, quando acordado, a consciência do que se passa, apesar da imperfeição dos vossos órgãos?
— R. Vejo e ouço, mas meu corpo nada vê nem percebe.

14. Poderemos fazer algo de proveitoso por vós?
— R. Nada.

15. (A S. Luís.) Em se tratando de Espírito encarnado, as preces têm a mesma eficácia que para os desencarnados?
— R. As preces, além de sempre úteis, agradam a Deus. No caso deste Espírito, elas de nada lhe servem imediatamente, porém mais tarde Deus lhas levará em conta.

Esta evocação ratifica o que sempre se disse dos idiotas.
A nulidade moral não importa nulidade do Espírito, que, abstração feita dos órgãos, goza de todas as suas faculdades. A imperfeição dos órgãos é apenas um obstáculo à livre manifestação dos pensamentos. É, pois, o caso de um homem vigoroso, que fosse momentaneamente manietado.

0O0

Instrução de um Espírito sobre os idiotas e os cretinos, dada na Sociedade de Paris
(clique nesse link)

0O0

13-3sanfilippo-kerrin-bankertHouve tempo em que se punha em dúvida a existência da alma dos idiotas, chegando-se a perguntar se realmente eles pertenciam à espécie humana.

O modo pelo qual o Espiritismo encara os fatos não é realmente muito moralizador e instrutivo?

Considerando que esses corpos encerram almas que já teriam brilhado na Terra; almas tão presentes e lúcidas como as nossas a despeito do pesado invólucro que lhes abafa as manifestações; considerando que o mesmo pode acontecer conosco se abusarmos das faculdades que a Providência nos concedeu; considerando tudo isso, não teremos assunto para sérias reflexões?

Sem admitirmos a pluralidade de existências, como poderemos conciliar a imbecilidade com a justiça e a bondade de Deus? Se a alma não viveu anteriormente, então é que foi criada ao mesmo tempo que o corpo, e, nesse caso, como explicar a criação de almas tão precárias da parte de um Deus justo e bom?

É bem de ver que aqui não se trata da loucura, por exemplo, que se pode prevenir ou curar. Os idiotas nascem e morrem como tais, sem a noção do bem e do mal.

Qual, portanto, a sua sorte na vida eterna?
Serão felizes ao lado dos homens inteligentes e laboriosos?
Mas, por que tal favoritismo se nada fizeram de bom?
Ficarão no que chamam limbo, isto é, um estado misto que não é feliz nem infeliz?
Mas, por que essa eterna inferioridade?
Terão eles a culpa de serem por Deus criados idiotas?

Desafiamos a todos quantos negam a reencarnação, para que saiam deste embaraço.
Pela reencarnação, ao contrário, o que se afigura injustiça torna-se admiravelmente justo, o que parece inexplicável, racionalmente se explica.

Demais, sabemos que os nossos antagonistas, que os adversários desta doutrina não têm argumentos para combatê-la, além daqueles oriundos da repugnância pessoal de terem de voltar à Terra.

Respondemos-lhes: para que volteis não se vos pede a vossa permissão, pois o juiz não consulta a vontade do réu para enviá-lo ao cárcere.

Todos têm a possibilidade de não reencarnar, desde que se aperfeiçoem bastante para se alçarem a uma esfera mais elevada. O egoísmo e o orgulho não se compadecem, porém, com essas esferas felizes, e daí a necessidade de todos se despojarem dessas enfermidades morais, graduando-se pelo trabalho e pelo próprio esforço.

Sabemos que em certos países, longe de serem objeto de desprezo, os idiotas são assistidos de benéficos cuidados. Tal comiseração não se filiará numa intuição do verdadeiro estado desses infelizes, tanto mais dignos de atenção quanto, por se verem repudiados na sociedade, seus Espíritos compreendem tal contingência?

Considera-se mesmo como favor e verdadeira bênção a presença de um desses seres no seio da família.

Será isso superstição?
Talvez, porque nos ignorantes a superstição se confunde com as idéias mais santas, por lhe não apreenderem o alcance.
Mas, seja como for, aos parentes se oferece ocasião de exercerem a caridade, tanto mais meritória quanto mais pesado lhes seja esse encargo, de nenhuma compensação material.

Há maior mérito na cuidadosa assistência de um filho desgraçado, do que na de um filho cujas qualidades ofereçam qualquer compensação. Sendo a caridade desinteressada uma
das virtudes mais agradáveis a Deus, atrai sempre a sua bênção sobre os que a praticam.

Esse sentimento inato e espontâneo vale por esta prece: “Obrigado, meu Deus, por nos terdes dado um ser fraco a sustentar, um aflito a consolar.”

dbl2_videira

Publicado em O Céu e o Inferno | Marcado com , , , , , | Deixe um comentário