Um poltergeist realmente se manifestou no Rio Grande do Sul? (Revista Galileu)

16/06/2014 – 15H06 – por Carlos Orsi (Olhar Cético – Revista Galileu)

amityville-horror-movie-poster-1979_1Um caso de poltergeist – alemão para “espírito barulhento” – ocorrido no Rio Grande do Sul virou reportagem de emissora de TV e andou fazendo a ronda das redes sociais nas últimas semanas. O poltergeist é um tipo especialmente violento de assombração. Nesse fenômeno, ruídos sem causa aparente são ouvidos dentro de uma casa, e objetos são jogados contra paredes ou se quebram sem que ninguém seja visto fazendo os arremessos ou provocando os danos. No caso gaúcho recente, a família vitimada optou por demolir a casa – que era de madeira – e se mudar.

A reportagem da TV gaúcha, (…), segue o padrão, infelizmente cada vez mais comum no telejornalismo, de misturar (pouca) informação com (muito) sensacionalismo – incluindo trilha sonora sinistra e tomadas noturnas à la Bruxa de Blair – com o objetivo precípuo não de informar o público ou de esclarecer o caso, mas de manter o espectador grudado no sofá e longe do controle remoto. As principais fontes são um médium (que protagoniza um constrangedor “exorcismo” em latim macarrônico) e um teólogo.

O caso mais famoso de poltergeist de todos os tempos é o de Amityville, nos Estados Unidos, que deu origem a uma série de filmes de qualidade duvidosa. Embora célebre, Amityville é bem pouco instrutivo: tudo não passou de uma farsa, criada pelo dono da suposta “casa mal-assombrada” e pelo advogado de Butch DeFeo, criminoso preso por matar a própria família no lugar “maldito”. Foi o advogado, William Weber, quem depois acabou confessando a brincadeira.

Em 1970, o mágico Milbourne Christopher publicou um livro, “ESP, Seers and Psychics”, onde descreve suas experiências como investigador de poltergeists. Sendo um ilusionista profissional, Christopher tinha consciência do poder da distração – a habilidade de manter as pessoas olhando para o outro lado enquanto você faz alguma coisa que não quer que elas vejam, como jogar um cinzeiro na parede, por exemplo.

Texto GalileuO fator comum à maioria dos episódios apurados era a presença de pelo menos um adolescente – rebelde ou entediado – na área afetada. Adultos tendem a subestimar os feitos de que a sagacidade dos jovens, somada à energia da puberdade, é capaz. Falando sobre o caso de uma escola “assombrada” (pelos próprios alunos), Christopher escreve: “Eles admitiram que, quando descobriram como o professor e os pais eram fáceis de enganar, passaram a gostar muito da emoção e da fama que as brincadeiras traziam”.

Talvez por conta das mudanças radicais no corpo e das pressões – e opressões – que ainda recaem com força sobre o sexo feminino, parece ser mais comum ver garotas, com seus 13, 14 anos, causando poltergeists – isto é, quebrando coisas, produzindo ruídos fantasmagóricos e arremessando objetos quando acham que ninguém está olhando – do que meninos.

A reportagem da TV diz que a família assombrada do RS tem duas filhas adolescentes e que, de certa forma, o problema foi rastreado até uma delas – a menina que acabou sendo “exorcizada”. A catarse, se houve, talvez tenha ajudado. Mas não impediu que a casa fosse demolida.

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Nota do autor do Blog:
Apesar da explicação para o fenômeno ser claramente materialista, o exame isento do fato é importante. Isso para que saibamos que ainda hoje há famílias sofrendo com o mesmo tormento que abalou as irmãs Fox em 1848 e que abala tantos outras pessoas, algumas registradas pela imprensa e/ou pela literatura mundial. O caso da Irmãs Fox foi amplamente presenciado, analisado e testado na época, impedindo que se alegasse ser mera “sagacidade” de 3 jovens. Como nos diz Kardec, é mais fácil compreender e aceitar o fenômeno quando se tem um mínimo conhecimento de sua possibilidade. Mais fácil do que quando nada sabemos e tentamos explicá-lo com os elementos pertinentes às nossas crenças dentro das ciências seculares.

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Sobre inacioqueiroz

Busco estudar a obra do Chico Xavier, porta-voz de grandes inteligências. Ao longo da leitura, me emociono e reavalio minhas certezas e dificuldades. Espero que esta seja uma pequena contribuição na grande obra do bem.
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